Fonte da Juventude: onde encontrá-la?

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Carlos Augusto Andrade

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em 02/jun/2016 - 15 Comentários

Por Carlos Augusto B. Andrade

 

Quem não ouviu falar, ou não desejaria encontrar a famosa “Fonte da Juventude”? De acordo com a mitologia greco-romana, ela seria um rio que saia do Monte Olimpo e passaria pela Terra, capaz de oferecer imortalidade aos homens. Muitas civilizações apontam para essas chamadas águas milagrosas, capazes de rejuvenescer sem precisar das famosas cirurgias plásticas corretivas realizadas pela medicina moderna hoje em dia.

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Lembrei-me de alguns textos que li na Bíblia quando jovem que tratavam da questão. No livro Provérbios, por exemplo, no Cap. 15, Vers. 13, li que: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate”.

A partir dessa afirmação, comecei a pensar que a fonte da juventude não está tão distante das pessoas, ou em algum lugar impenetrável. Parece-me que a juventude não é uma questão apenas de idade. Precisamos nutrir o espírito de juventude que pode nos dar ânimo para vencer o dia a dia, pois ainda que os anos de experiências sejam grandes, não é possível vivê-los bem e com alegria sem esse espírito juvenil que transcende a mera realidade e trabalha sempre com possibilidades. Ao esquecermos isso, a vida fica chata, retrógrada, reclamamos muito e nada estará bem.

Thomas Mann disse que: “ser jovem quer dizer ser original, quer dizer conservar-se próximo das fontes da vida, quer dizer erguer-se e sacudir as amarras de uma civilização obsoleta, ousar o que outros não têm coragem de arriscar, e saber voltar a imergir no elementar”. Sendo assim, podemos afirmar que ser a fonte da juventude está bem na nossa “mente” que determina de certa forma o modus operandi da nossa vida.

Então, dar um toque de originalidade na vida torna-se fundamental para criar um processo de rejuvenescimento. Vocês podem até estar pensando que estou falando sobre isso porque passei dos 50 (um pouquinho só, seus chatos, rs). Nada disso; escrevo, pois esse espírito juvenil, que acredito ainda ter, empolga-me para brincar com os filhos, com os netos, com os alunos, me faz estar preparado para assistir filmes como X-Men, Senhor dos Anéis, Harry Potter, e outros com bastante sensibilidade e emoção que os anos vão aperfeiçoando.

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Ou seja, para que você se sinta bem é preciso mergulhar nessa “Fonte da Juventude” interior, capaz de nos renovar a cada dia, tornando-nos pessoas saudáveis, lutadoras, críticas, pensadoras e felizes; bem com você mesmo, para, posteriormente, estar bem com o outro.

 

O FIM DA CAMISA CANARINHO

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Renato Padovese

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em 04/ago/2014 - 7 Comentários

Por Renato Padovese

Como escreveu a colunista do Estadão Dora Kramer, a Copa do Mundo de 2014 comprovou o óbvio: o prazo de validade das previsões, das catastróficas às mais otimistas, é ditado pelos fatos. Parecia claro como água que os atrasos nas obras, os gastos exorbitantes, os superfaturamentos, os improvisos da organização, além do histórico de maus serviços públicos e o clima tenso no país, não apontavam para um desfecho diferente de um desastre total. Nada disso. Os mais de 600.000 estrangeiros que para cá vieram ficaram encantados com nosso país e com o acolhimento e a alegria do nosso povo. Uma pesquisa do Datafolha revelou que 92% dos visitantes elogiaram tanto o conforto quanto a segurança dos estádios e que 95% avaliaram a hospitalidade dos anfitriões como ótima ou boa. Colaborou também a sucessão de jogos espetaculares e a exibição de gala de craques como há muito tempo não se via. Sem dúvida alguma, um retumbante sucesso.

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Da mesma forma, as expectativas otimistas em relação à conquista do hexacampeonato também não se confirmaram. A realidade tratou de demolir o prognóstico e a seleção brasileira protagonizou o momento mais vexatório de sua história ao ser aniquilada por 7 a 1 pela seleção alemã. Um placar jamais visto numa semifinal, impensável considerando equipes de ponta. A tristeza e a frustração geraram um festival de piadas que inundou a internet. A suprema humilhação brasileira rendeu 35 milhões de posts no Twitter, superando o recorde anterior de 24,9 milhões da final do Super Bowl no começo do ano. O grau de desespero e desorientação da torcida brasileira foi tamanho que já há quem acredite no fim da mística da camisa canarinho.
A icônica camisa da seleção brasileira simboliza a força do nosso futebol. E é curioso que ela tenha surgido após a nossa, até então, maior tragédia em campo, a perda da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai por 2 a 1 no Maracanã. O goleiro Barbosa acabou personificando o fracasso do time, mas sobrou até para o uniforme da seleção, uma camiseta branca com colarinho azul. Para o jornal carioca Correio da Manhã, o traje sofria de “falta de simbolismo moral e psicológico” e, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos, lançou um concurso para desenvolver um novo uniforme que deveria conter, necessariamente, todas as cores da bandeira brasileira. O vencedor foi Aldyr Garcia Schlee, um jovem de 19 anos, que trabalhava como ilustrador num jornal de Pelotas. A criação de Aldyr, a fantástica geração de Pelé e Garrincha e o advento da TV em cores ajudaram a construir o mito. Porém, aqueles quatro gols sofridos em apenas seis minutos parecem ter destruído nossa fortaleza.

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Ainda traumatizadas, as pessoas têm procurado um caminho para a recuperação do futebol brasileiro. Talvez o melhor e mais óbvio seja seguir aquele trilhado por nosso algoz, que reestruturou seu futebol após o fiasco da Eurocopa de 2000. Ideias mais criativas também têm aparecido, como a intervenção estatal proposta pelo Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e a possível criação de uma “Futebolbrás” para “modernizar” nosso futebol. Na minha singela opinião, devemos repetir o que já se fez com sucesso no passado, ou seja, substituir o uniforme da seleção brasileira e acabar de uma vez por todas com essa infame camisa amarela. Para não perdermos tempo, sugiro adotarmos o segundo colocado do concurso do Correio da Manhã, concebido por Nei Damasceno: camiseta verde, shorts branco e meias amarelas.

Qualquer semelhança, não é mera coincidência – Parte III

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Regina Tavares

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em 06/jun/2014 - 1 Comentário

Por Profª Regina Tavares

Em nossa viagem aos primórdios do cinema, não poderíamos nos esquecer do matemático jesuíta Christoph Scheiner que, na tentativa de observar o sol com maior precisão, desenvolveu um artefato capaz de projetar imagens exatas da estrela central de nosso sistema solar. O artefato chamado de helioscópio não era inovador, mas sua adaptação e proximidade com um projetor de filmes, sim.

helioscópio

Scheiner chegou a trocar cartas com Galileu, no início de 1612, nas quais descreveu como tinha projetado as imagens do sol em papel branco usando uma espécie de câmera escura e espelhos planos, a fim de fazer reproduções bidimensionais. A projeção de tais imagens foi registrada em 70 gravuras que exibidas em sequência inspiraram animação; algo semelhante ao que vemos abaixo.

Scheiner

Tanto Scheiner como Galileu nem suspeitavam que a invenção do projetor ou da câmera nos levaria a um dos feitos mais encantadores da humanidade: a sétima arte. Ambos carregavam apenas a convicção secular de que o registro e a reprodução de imagens são necessidades essencialmente humanas e imutáveis. Nesse sentido, nossa semelhança com indivíduos de séculos anteriores não é uma mera coincidência.

Obviamente, o percurso feito nestes posts não é definitivo. Diversos autores interessados na antropologia da imagem já defenderam a origem do cinema em períodos anteriores aos apontados aqui no blog.

origem do cinema

Se procurarmos no fundo do baú, veremos que os primórdios do cinema podem até ser deduzidos a partir do movimento que as pinturas rupestres adquiriam quando iluminadas pelas fogueiras no interior das cavernas.  Afinal, as imagens antes fixas, quando clareadas pelas labaredas passavam a forjar movimento e animação, tal qual estamos acostumados a admirar nas grandes telas de cinema mundo afora.

Inté!

TEM ALGUÉM AÍ?

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Renato Padovese

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em 08/mai/2014 - 3 Comentários

Por Prof. Renato Padovese

A recente descoberta de mais um planeta fora do sistema solar, o Kepler – 186f, mereceu a atenção de todo o mundo e trouxe à tona aquelas questões existenciais que tanto nos afligem. Estamos sozinhos no Universo? Há vidas em outros planetas? Ou será a Terra única? O que este exoplaneta, ou planeta extrassolar, tem de especial é o fato de orbitar na chamada zona habitável de seu sistema planetário, além de ter tamanho quase idêntico ao da Terra. Nesta região, nem tão próxima e nem tão distante de sua fonte de calor e luminosidade, as condições são perfeitas para a existência de água líquida, ingrediente crucial para a vida. Se bem que, estar nesta localização privilegiada não garante um ambiente agradável, como nos ensinam nossos vizinhos Vênus e Marte. No primeiro, impera o calor infernal sob nuvens de ácido sulfúrico, no segundo, prevalece a aridez desoladora.

Outras características importantes para um planeta “dar certo” são pouco mencionadas. Uma delas é ter uma lua grande. Graças à Lua, a Terra mantém uma inclinação constante em relação ao eixo vertical. Uma inclinação variável tornaria nosso planeta praticamente inabitável. As estações do ano não seriam regulares e a água líquida não seria uma presença constante. Também ajuda não ser constantemente alvejado por asteroides, e ter um gigante como Júpiter na vizinhança é uma grande vantagem. Com sua imensa força gravitacional, Júpiter funciona como um “para-raios de asteroides”. Fora isso, outro fator importante é a existência de um campo magnético capaz de proteger a crosta planetária da radiação letal que vem do espaço.

ET

Sem se deixar abalar, o astrofísico Stephan Kane, coautor da pesquisa que descreveu o Kepler -186f, afirma que a quantidade de planetas similares à Terra pode ser incrivelmente alta. Os planetas são considerados subprodutos da formação das estrelas e há cerca de 300 bilhões delas só na nossa galáxia. Outros cientistas fizeram uma conta e estimam que o número de planetas aptos a abrigar vida pode chegar a 40 bilhões. Acreditam que o cosmo é “orientado” para a vida ou, em outras palavras, que a vida tem um “sentido” cósmico. Se os planetas são uma consequência natural da formação de estrelas, a vida pode também ser uma consequência natural da formação de planetas (nas zonas habitáveis). Ou seja, a vida seria comum no Universo, assim como estrelas e planetas.

Ao que tudo indica, apesar das condições extremamente hostis, vida microbiana não deve ser tão rara no cosmo. No nosso próprio planeta temos exemplos de microrganismos dotados de incrível resistência e que se desenvolvem nos ambientes mais severos. Provavelmente, a vida lá fora aparecerá nas suas formas mais simples, já que a multicelular complexa depende de muitos fatores específicos. E o que dizer de vida inteligente, capaz de refletir sobre sua própria existência? Talvez sejamos os únicos.

Por mais instigante que seja a possibilidade da existência de seres extraterrestres inteligentes, é razoável supor que a condição humana é uma singularidade. E a razão é simplesmente a extrema improbabilidade da ocorrência das pré-adaptações necessárias para a viabilização deste fenômeno.

Concordo que apenas teremos chance de encontrar alienígenas inteligentes se procurarmos por eles. Mas, devemos nos acostumar com a ideia de que a resposta para a pergunta feita no título será um eterno silêncio.

Então, é natal!

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Regina Tavares

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em 04/dez/2013 - Sem Comentários

por Regina Tavares

Sabe-se que é natal, quando se é acometido por uma furtiva sensação de impotência. Eu diria que, mais precisamente, quando alguns ciclos teimam em se encerrar à revelia de sua vontade ou aprovação. Você afirma que ainda não é hora, mas como um hóspede inconveniente, ele teima em chegar. Parece-me um momento propício para atestar nossa finitude ante o frenético cotidiano da humanidade dita “moderna”. Em suma, é a mais cabal evidência da superioridade do tempo em detrimento do ser.

Para sentir isto que procuro descrever, talvez sem sucesso, não se impõe o requerimento da sabedoria ou coisa que o valha. Ao nosso redor, claros sinais denunciam a época que teima em se impor. Casas humildes e sofisticadas se rendem aos adornos natalinos; certos discursos são abrandados e todos parecem querer redenção; circuitos comerciais insistem em anunciar liquidações arrasadoras e as pessoas aceitam se submeter a tal fraude, apesar de saberem da inviabilidade desta prática em um momento de ápice do consumo; “velhas-novas” promessas são proferidas; bons velhinhos passam a circular em público; inegáveis balanços são feitos em diferentes níveis, das empresas competitivas aos divãs terapêuticos e, finalmente, passamos a ouvir elaborações costumeiras como: “Nossa, o tempo voou. Então, é natal”.

Salvador Dali

(Quadro: A persistência da memória – Salvador Dali (1931))

 

E não cabe aqui creditar a sensação de insegurança quanto ao controle do tempo somente à contemporaneidade. A incomensurável fragilidade humana perante o tempo não é de hoje, na verdade, sempre foi inspiração para as artes, as literaturas, as religiões e o senso comum. Este tema coexiste em Salvador Dali, Goethe, Cristo e simpatias seculares. O tempo motiva e é motivo de nossa existência.

 

Outro dia mesmo ouvia o rádio, naqueles momentos de reflexão compelidos pelo trânsito, e algum economista futurólogo já se propunha a fazer tessituras sobre a tragédia anunciada de 2014. Segundo ele, o ano será terrível para o crescimento do PIB e a rentabilidade nacional, dado os 15 dias de feriado potencialmente emendados, o Carnaval, a Copa do Mundo, as Eleições e sei lá mais o quê.

 

Eu, em minha vã filosofia, só conseguia imaginar como 2014 pode me surpreender em sua plenitude, com tudo o que há de bom e de ruim. Afinal, é tão melhor ansiar pelo inusitado do que sofrer antecipadamente com conjecturas tenebrosas…

 

Inté!

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