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COÁGULO URBANO

Postado por

Marcelo Paes Barros

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em 29/abr/2011 - 14 Comentários

Parabéns São Paulo! Há cerca de uma semana conseguimos a incrível e invejável marca de 7 milhões de carros emplacados e, portanto, habilitados a circular pelas ruas de nossa querida cidade. Deste total, afirma o Detran-SP, temos cerca de 5,2 milhões de utilitários perfazendo uma média de 0,25 utilitários/pessoa. Praticamente 1/3 de todos os veículos registrados em capitais brasileiras. Captou? Uma em cada 4 pessoas possui um carro nesta cidade. Contudo, não se engane: nesta estatística constam apenas os veículos com placa registrada em São Paulo! Acrescente ao caos diário os veículos também emplacados em outros municípios.

Mesmo que estes escores não se comparem à mais-que-caótica Los Angeles (1,8 utilitários/pessoa), estes números perturbadores realmente corroem o bem-estar de todos nós, todos os dias, no ir-e-vir de nossas atividades diárias. Caso você não perceba, os paulistanos gastam, em média, 2,4 horas/dia presos no trânsito! Sabe o que significa isso? Significa que: (1) você acorda mais cedo por causa do trânsito; (2) você, portanto, dorme menos; (3) você fica mais cansado; (4) você produz menos em seu emprego; (5) você inala mais poluentes; (6) você tem menos tempo para seu lazer; (7) você brinca menos com seu(s) filho(s); (8) você tem menos tempo para seu (sua) parceiro(a) (sim, é isso mesmo que você está pensando!) e, como consequência de todos estes fatores, (8) você VAI MORRER mais cedo! Inúmeros artigos científicos correlacionam o estresse urbano com altos níveis de cortisol (chamado de hormônio do estresse), riscos de cardiopatias, pressão alta, e todos os malefícios associados.

Os problemas de transporte público em São Paulo são tão irracionais que, como postado acima, afetam a própria produtividade e força de trabalho da cidade. Não entendo como os governantes não atentam para este fato. Imagine se as ruas e avenidas de São Paulo funcionassem como o sistema circulatório humano. O crescimento econômico depende do fluxo normal das pessoas, assim como os órgãos do corpo humano e as próprias células do indivíduo dependem do eficiente suprimento de oxigênio e nutrientes. Toda vez que há um alagamento, um caminhão tombado ou um motoqueiro acidentado, o fluxo das pessoas diminui e há prejuízo. É um verdadeiro coágulo urbano.

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