Zona Azul: uma verdadeira zona

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Carlos Augusto Andrade

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em 09/jun/2015 - 7 Comentários

Carlos Augusto B. Andrade

É difícil acreditar que as coisas mudem. Quero acreditar, mas as iniciativas políticas de intervenção no espaço urbano cada vez me tornam mais cético.

Vocês devem conhecer a tal da Zona Azul. De acordo com o site da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ela foi criada em 31/12/1974, por meio “do Decreto 11.661, com o objetivo de promover a rotatividade das vagas existentes, racionalizando o uso do solo em áreas adensadas, disciplinando o espaço urbano e permitindo maior oferta de estacionamento”.

logo zona azul

Como todo ato de governo, sempre parece que a intenção é boa, no entanto fica a pergunta: por que devo pagar Zona Azul para estacionar em frente ao portão da minha casa? E o que se faz com a taxa de R$ 5,00 (cinco reais) por hora do veículo estacionado. Sem contar que os estacionamentos, principalmente nas chamadas áreas adensadas que a lei preconiza cobram taxas exorbitantes sem nenhum tipo de fiscalização.

Que Zona é essa? Já pagamos IPVA (para circular com nossos carros), IPTU (imposto sobre nossas casas), além desses, seria justo pagarmos um terceiro imposto para deixar nossos carros parados em vias públicas que, também, pagamos para asfaltar, para deixa-las limpas com os serviços de limpeza urbana. Daqui a pouco, estaremos pagando para usar o espaço aéreo que está sobre nossas casas. Que tal um novo imposto o ISRV (imposto sobre roupas no varal), ou o ISCC (imposto sobre circulação na casa).

cartão zona azul

Gosto da imagem do coração no talão de Zona Azul e os dizeres são bem interessantes “Dê preferência à vida, respeite o pedestre”. Ela só serve para atenuar a raiva que tenho de pagar a taxa abusiva cobrada por folha.

No dia 06/05, meu carro foi roubado, posso cobrar a prefeitura por tê-lo estacionado em uma vaga de Zona Azul? Onde está a segurança que a população precisa? Todo esse dinheiro arrecadado vai para que lugar? É gasto de que forma?

Impostos são para quê? Pagamento de campanhas políticas? Enriquecimento ilícito? O que me deixa mais intrigado é que passamos por tudo isso sem abrirmos a boca. Todos os governantes que entram fazem o que bem lhes na dá telha e assim vai caminhando a humanidade.

No próximo post quero falar da “Ciclo Via” na Avenida Paulista… O cartão postal da cidade de São Paulo se transformou num canteiro de obras sem propósito claro e definido.

É hora de acabar com essa zona.

 

Transitar: em breve um arcaísmo

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Carlos Augusto Andrade

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em 29/mai/2014 - 2 Comentários

Por Prof. Carlos Andrade

 

A cada dia olho com muito dissabor o trânsito de São Paulo. Sei que já não é uma questão da nossa cidade apenas, mas tive de mudar de casa, para pegar o contra fluxo, ou teria uma taquicardia sem precedentes.

Todos sabem o que significa trânsito? Bem, Michaellis diz que:

img_tabela

São tantas as possíveis definições, mas nenhuma delas me deixou feliz, tendo em vista a vivência do cidadão paulistano. Para entender o título deste post, é importante conhecer o significado de “arcaísmo”:  falta de uso de determinada palavra em uma língua. Acompanhem, pois “transitar” pode ser algo que deixe de existir.

O primeiro conceito ligado a esta palavra diz que trânsito é “ação ou efeito de transitar”, ou seja, o verbo indica movimento, ida de um lugar para outro. No entanto, parece-me que o vocábulo está em transição significativa, logo, transitar, se as coisas não mudarem poderá indicar a saída de um veículo para ficar parado junto com outros na rua. Observem:

trânsito

Parece brincadeira, mas não é… a cada dia o número de carros aumenta e o de estradas permanece o mesmo. O pior é que ninguém mostra estudos que possam dar conta de ajustar o problema. Não há planejamento para o transporte coletivo que fizesse a população deixar o carro em casa, pela menos que seja do nosso conhecimento. Dessa maneira, corredores de ônibus, metrô e outras possibilidades já não dão mais conta.

Que tal entrarmos em um ônibus:

ônibus lotado

Agradável, disputar um lugar. E vejam que desaparece até a noção de cavalheirismo. Cada um pra si e Deus dê um lugar para quem tiver força e sorte.

Outro transporte que nos dá orgulho é o nosso Metrô, puxa quanta sofisticação:

metrô lotado

Calor humano é o que não falta. Não é possível sair para o trabalho ou voltar para casa sem experimentar um alto grau de estresse.

Pensam que nossos aeroportos estão melhores? Ledo engano:

aeroporto lotado

Agora fico pensando: com esses problemas de transporte individual e coletivo, como daremos conta para atender todos os turistas que desembarcarão no país para a Copa do Mundo? Os únicos que conseguirão transitar se houver urbanidade, serão os jogadores no campo. Espero que a vergonha que passaremos não nos deixe em posição ruim em algum ranking mundial, pois os últimos que tenho lido sobre educação, saúde e outras questões não são muito bons.

Daqui a pouco, conseguiremos apenas usar o verbete “trânsito” para significar apenas morte, passamento (item 6 do dicionário), pois de certa forma as pessoas preferem que esse fique bem congestionado.

E aí? Vamos até o metrô Sé, pegando o trem em Artur Alvim? Convite de grego, né!. Lembrei-me de uma novela: “Entre tapas e beijos” podemos conseguir.

Se não observarmos qualquer evolução para o trânsito neste ano, precisamos mudá-lo nas próximas eleições.

Formigas-robô

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Marcelo Paes Barros

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em 26/mar/2012 - 6 Comentários

Após um leve período de hibernação, volto agora com uma matéria instigante (assim espero!).

Por incrível que pareça, cada medida que se tenta introduzir para diminuir o estresse da vida urbana, geralmente causa mais estresse ainda. Todos puderam vivenciar um curto período de caos metropolitano nestas últimas semanas, decorrente da paralização dos transportadores de combustível na cidade de São Paulo em repúdia à restrição do trânsito de veículos pesados durante os horários de pico.

Quero olhar mais adiante. Prevejo, assim como Mãe Diná em cada começo de ano, que as pessoas trabalharão muito mais em casa, munidas de intensa tecnologia domiciliar, o que tenderá a dimuir o trânsito. As vídeo-conferências prevalecerão ainda mais no futuro empresarial/profissional e grandes negócios serão estabelecidos à distância. Educação já se faz à distância. Namoro também…

Desta forma, os cidadãos metropolitanos se tornarão mais e mais inativos, mais obesos, mais diabéticos e progressivamente com menos saúde. Só não vão morrer mais cedo pois os avanços da Ciência, da Farmacologia e da Medicina criarão uma legião de ciborgues, com tubos nutrientes e aparelhos de purificação dos sistemas fisiológicos funcionando fulltime. Curiosamente, os aparelhos estarão também fulltime conectados à rede digital para que os médicos especialistas possam, à distância, acompanhar o avanço do paciente.

Trânsito: se o ser humano vencer a barreira egocêntrica do capitalismo selvagem, o qual prega a aquisição desenfreada de itens de consumo como emblemas ostentosos de status (duvido!), poderemos ter menos carros nas ruas. Além disso, ainda acreditando na boa fé e racionalidade da espécie humana (duvido de novo!), ciclovias e ampliação do transporte público serão incrementadas em detrimento dos carros particulares. Veja que lindo cenário: com o desenvolvimento do sistema GPS, existirá uma central metropolitana capaz de monitorar em tempo-real o fluxo de veículos por todas as ruas da cidade. Portanto, em um futuro próximo, será possível que você, via eletrônica, envie seu trajeto do dia seguinte à Central Metropolitana de Tráfego, dizendo a hora e onde será seu compromisso. Essa Central captará as programações de TODOS os veículos cadastrados e, mediante um programa com base no GPS, poderá traçar trajetos e ditar ritmos (velocidade) para cada um daqueles veículos, incluindo a integração com todos os temporizadores de semáforo por onde cada veículo passar!  Você receberá, via celular, uma mensagem dizendo a que horas você deverá iniciar seu trajeto (cronometricamente avaliado). Contudo, você já deve estar imaginando uma série de “furos” nesse sistema: e se o cara decidir comprar um pãozinho na padaria? E se houver um acidente? E se o indivíduo decidir sair 5 min antes? Todavia, já existem atualmente em vários veículos sistemas eletrônicos capazes de avaliar a distância entre o seu veículo e aquele à frente e atrás. Hum, assim sendo, se todos os veículos forem acionados e controlados pelo programa eletrônico justamente enviado pela Central de Tráfego, você poderá ser um mero passageiro do seu próprio veículo: o trajeto e o ritmo/velocidade será estabelecido pela Central e a direção controlada pelo sistema autônomo do veículo, que em tempo real calculará a distância do carro à frente e atrás, evitando acidentes. Quero salientar que todos os veículos circulantes estarão integrados e sob controle em tempo real, de modo que ultrapassagens, mudanças de faixa e, inclusive, gentilezas (na concessão de espaços, na travessia de pedestres, etc) serão automatizadas. Você entrará em seu carro no horário determinado pela Central, poderá fazer outras tarefas (ou simplesmente dormir) e chegará sempre no horário. Obviamente, esse sistema funcionará infinitas vezes melhor se tivermos transporte público setorizado – veículos de transporte de massas com saídas de regiões estratégicas da cidade – e igualmente integrado nesse sistema. Multiplique por 1000 a funcionalidade do sistema se todos os veículos forem elétricos e com aqueles dispositivos de reaproveitamento de energia disperdiçada durante frenagens.

Pode parecer loucura ou até utopia do seu editor aqui, mas não é! Há base científica para toda essa teoria! Sabe onde? Nas comunidades de formigas! Vários pesquisadores de comportamento social e biólogos estudam a vida social das formigas para tentar criar modelos de vida urbana humana. Pense: as formigas habitam nosso planeta há milhões de anos. São, portanto, milhões de anos de evolução, adaptação e sucesso na prosperidade da espécie. São justamente essas, as pesquisas mais “quentes” atualmente na área social!! Por favor, reveja todas as informações postadas aqui anteriormente e pense na vida coletiva das formigas. Perceba como os modelos poderiam ser aplicados! Hahaha, essa você não esperava, né? Um abraço.

Sanguessugas do asfalto

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Marcelo Paes Barros

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em 05/dez/2011 - 7 Comentários

Imagine a situação: você está tranquilo no trânsito de São Paulo (se é que em algum momento ficamos assim nesta megalópole) pois, como de costume, se programou com as recomendadas 1,5 h de antecedência para um determinado compromisso. Mesmo sob o frequente fluxo intenso de automóveis, está ainda relaxado pois tudo segue sua programação normal. De repente, um imenso mar de luzes vermelhas de freio se acende onde, normalmente, não se deveria observar tal fenômeno. Uma descarga de adrenalina sobe sua espinha vertebral e você imediatamente percebe que chegará atrasado! Mas o que ocorreu?

Imediatamente, você troca a estação de rádio de músicas New Age e baladinhas relax para aquela que só informa as condições do trânsito na vã esperança de descobrir uma rota alternativa – de preferência, exclusiva para você – que te tire daquele transtorno e faça com que você cumpra seu compromisso no horário. Um acidente te espera logo ali à frente. São apenas 800m até o ocorrido, mas que te consumirão, pelo menos, 30 min. Aha! Um motoqueiro se acidentou! Você não se surpreende já que, apesar de muitos motoqueiros cumprirem à risca as leis do trânsito, talvéz um número igual de transgressores cruza o seu caminho diariamente.

Falta só um trechinho… você fica ansioso pois já vê alguns carros desviando à frente, acionando seus pisca-piscas. Calma, só mais um pouco para se desvençilhar daquele tormento. Quando você chega ao local do acidente, sua indignação (associada a um estresse ainda maior) vence qualquer paciência de monge zen-budista: o acidente é na pista DO OUTRO LADO! Sim, meu amigo, o acidente aconteceu no fluxo contrário mas os curiosos – malditos sejam – diminuem a velocidade de seus automóveis para analisar o ocorrido. Há também alguns motoboys que se aglomeram para defender o motoqueiro acidentado enquanto outros filmam o fato com seus celulares para tentar conseguir um dinheiro extra com a venda das imagens para os veículos de mídia. Todos querem ver sangue! De preferência, massa encefálica espalhada e fritando no asfalto quente! Assim como crianças quando encontram um pombo morto no pátio da escola, esses “curiosos” também gostariam de cutucar com um galho o corpo moribundo jogado ao meio-fio. Tudo isso para acrescentar algo mais nas discussões noturnas domiciliares, as quais incluem também o quanto a protagonista da novela das oito sofre nas mãos daquele crápula, o doutor Adamastor.

Você passa aquele enrosco e amaldiçoa (novamente) todos aqueles cretinos curiosos. Quando finalmente chega ao seu compromisso, você está esbaforido, vermelho, suado e nervoso. Todos perguntam sobre o que aconteceu e você responde: “Ah, um motoboy caiu na Avenida. Meus amigos, vocês tinham que ver: o cara estava desmaiado e com a tíbia partida ao meio. Tinha sangue por todo lado. Que eu tenha visto, a atendente do SAMU ficou, pelo menos, uns 30 segundos fazendo respiração boca-a-boca no cara…”

FAMÍLIA É TUDO DE BOM

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Regina Tavares

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em 26/mai/2011 - 20 Comentários

Colou! O adesivo da família feliz na lataria do carro veio para ficar. Quem já não se viu, em um desses engarrafamentos diários, prestando atenção no adesivo do carro da frente? Há dos mais diferentes estilos: a família e seus pets, o casal apaixonado envolto em corações coloridos, o solitário e seu gato, a solitária e seu peixe, o papai churrasqueiro, a mamãe cheia de sacolas de compras e por aí vai. Aliás, parênteses, por que a mulher sempre fica com a imagem de consumista, hein?! Bom, deixa para lá, este é assunto para outro post.

O fato é que a “modinha” urbana tem divido opiniões. Para ser franca, temos verdadeiros apocalípticos e integrados, parafraseando o autor italiano Umberto Eco. Alguns acreditam que caricaturar a imagem de família feliz é mais um dos sintomas de exibicionismo presentes no mundo contemporâneo. Para os mais pessimistas, a atitude, aparentemente inocente, pode deixar os familiares expostos a inúmeras ações criminosas.

Os mais polianos, porém, acreditam que o polêmico adesivo traz dois aspectos positivos. O primeiro diz respeito à vontade de imprimir personalidade aos automóveis e para isso a criatividade corre solta. Já vi adesivos com casais homossexuais trajando sungas coloridas, mulher grávida de gêmeos dando pulos de alegria, entre outros. Sem dúvidas, são cenas divertidas no cenário desolador do trânsito de São Paulo. Em contraponto, já vi o adesivo de uma família com um de seus filhos com asas angelicais, seguido do texto: “Te amaremos por toda a eternidade”. Triste, é pouco.

O outro aspecto positivo, levantado pelos otimistas, vai ao encontro da ideia de que o brasileiro preza a instituição familiar e quer nesta singela homenagem exteriorizar carinho e respeito aos seus familiares. E quem é que não gosta de uma boa dose de afeto, não é mesmo?

Inté!

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