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EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO

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Renato Padovese

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em 25/mar/2013 - 9 Comentários

Se estivesse calçando chinelos, a cadelinha Doli saía correndo atrás de sua dona, porque já sabia que ela ia à casa da vizinha ou à quitanda. Mas, se o calçado escolhido fosse sapatos, o destino mais provável seria a Igreja, então Doli permanecia, resignada, em sua casinha. Um dia, numa de suas perseguições, Doli foi atropelada e morreu, causando imensa dor à família que, traumatizada, nunca mais quis ter nenhum bicho de estimação. Esta singela, ainda que trágica, história contada por meu pai me faz entender o porquê da minha formação católica, já que pelo menos um membro conhecido de minha família, no caso a minha avó paterna, ia à Igreja com frequência suficiente a ponto de ter seu cão adestrado. E, apesar de ter passado pelos sacramentos do batismo, primeira comunhão, crisma e casamento, eu poderia ser enquadrado atualmente na categoria dos católicos não praticantes ou, pior das hipóteses, na dos céticos.

Porém, talvez o mesmo sentimento que me afasta da missa aos domingos me aproxima da fascinante história do cristianismo, pois aguça minha curiosidade em entender como essa crença de quase 2 mil anos ajudou a moldar a civilização ocidental e afetou o modo de viver das pessoas. Algo particularmente intrigante é a origem do cristianismo, ou seja, como uma seita judaica obscura poderia ter se transformado no maior movimento religioso do mundo? Os cristãos sempre explicaram a origem de sua religião por meio de um mistério divino, o fato de Deus ter devolvido a vida a Jesus após um breve período que esteve morto. Trata-se do milagre da Ressurreição, celebrada anualmente no feriado da Páscoa. A Igreja foi fundada, depois da morte de Jesus, com base na crença no Cristo Ressuscitado. Se nada de especial houvesse ocorrido na Páscoa, os seguidores de Jesus jamais teriam erguido um movimento religioso em seu nome.

(imagem: fotodejesuscristo.com.br)

Ora, mas como um, na pior das hipóteses, cético pode acreditar num dogma tão inverossímil? Como aceitar a ideia de que alguém pudesse se levantar dos mortos? Talvez seja este o milagre mais absurdo de todos atribuídos a Jesus. Deve existir um meio de compreender a ressurreição de um modo racional. Algumas testemunhas afirmaram ter visto o túmulo vazio e o próprio Jesus em carne e osso. Ele pode ter perdido a consciência na cruz, depois recobrado os sentidos e abandonado a câmara mortuária em segredo. Ou seus discípulos podem ter sido acometidos por alucinações, induzidas em suas mentes pela imensa dor ante a morte do messias.

Uma boa explicação racional para a ressurreição é a baseada no Santo Sudário, peça de linho em que ficou gravada a misteriosa imagem de um homem (Jesus) torturado e morto na cruz. Segundo esta teoria, ao encontrar aquela imagem peculiar na mortalha que envolvia o corpo de Jesus, seus seguidores se convenceram de que ele havia se levantado dentre os mortos e subira aos céus. Esta descoberta teve forte impacto psicológico no grupo, até então traumatizado e humilhado pelo assassinato cruel de seu líder. Deu-se, assim, a faísca que inflamou o cristianismo.

Aceitar a teoria do Sudário para a origem do cristianismo pressupõe acreditar na autenticidade da relíquia, considerada por muitos (os céticos) como uma mera fraude medieval. Se eu acredito na autenticidade do Santo Sudário? A resposta é sim, mas este é um assunto para depois do feriado. Feliz Páscoa!

BLOQUEIO DE AUTOR

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Renato Padovese

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em 27/fev/2013 - 14 Comentários

“Começar de novo…” acordei outro dia cantarolando esta linda canção de Ivan Lins.  Senti um alívio porque, em geral, o que gruda na nossa cabeça são aquelas músicas-chiclete com rimas pobres e repetitivas. Mas, por outro lado, a frase título da música, repetidas tantas vezes, trouxe também certa angústia, pois me lembrou de que precisava voltar a colaborar com posts para o blog, depois de quase um ano de inatividade. As delicadas cobranças dos outros editores, o incentivo de amigos queixosos da minha injustificada ausência e, principalmente, o senso de responsabilidade me fizeram começar de novo, sentar diante do laptop e teclar.

Muitas pessoas relatam as dificuldades que sentem ao escrever, o que é fato. Para escrever são imprescindíveis a técnica e a prática, mas antes de tudo é preciso inspiração. Afinal, não há um bom registro, se não há boas ideias. E elas podem surgir de fatos prosaicos do cotidiano, de experiências de vida ou de uma coversa ouvida em restaurante. Uma boa dica para alimentar a usina de ideias é a leitura. Ler muito, ler tudo, ler sempre! Desde o jornal todos os dias, passando pela diversidade das revistas semanais, culminando nos livros, sejam eles os clássicos, autoajuda, história, série Crepúsculo etc. A leitura ainda contribui para abastecer seu subconsciente com estes símbolos gráficos (letras e palavras) que, quando a ideia surge, são automaticamente recrutados para formar as frases, parágrafos e páginas de um texto.

O leitor já deve ter percebido a esta altura que está faltando o principal para este meu post de reestreia: a IDEIA. Mas procurei não me abater e, tal qual um banhista diante de uma piscina gelada, decidi não adiar o mergulho, saí escrevendo até achar o fio de alguma meada. Ou seja, nada de ser tomado pelo pânico do papel em branco, ou da tela vazia, capaz de paralisar os escritores mais experientes. Eis que, em meio a esta situação embaraçosa, me veio a mente um texto que li na Revista Piauí, durante um voo voltando de Brasília (ler muito, ler tudo, ler sempre!), sobre o escritor paulista Ryoki Inoue. Em 26 anos, ele publicou nada menos que 1.106 livros, feito devidamente registrado pelo Guinness Book de recordes. A primeira obra, Os Colts de McLee, foi publicada em 1986, mas sua verdadeira linha de produção literária começou após a assinatura de um contrato com a editora Abril no qual ele se comprometia a escrever 50 originais de faroeste em 2 meses, quase um livro por dia útil.  Para dar conta da tarefa, contou com a ajuda da esposa, artista plástica que fazia as capas dos livros, e do pai, imigrante japonês, a quem coube pesquisa para ambientação histórica. A partir de listas de nomes e sobrenomes, o autor batizava os personagens fictícios.

Dentre os feitos de Inoue, talvez o mais famoso tenha sido a aposta feita com o seu editor para escrever sobre a fuga de Pablo Escobar antes que o traficante fosse capturado pelo governo colombiano. O livro de 410 páginas saiu em duas semanas, já o bandido só foi pego mais de um ano depois. Sua fama atravessou fronteiras e atraiu a atenção do diário The Wall Street Journal, que mandou um correspondente acompanha-lo na produção de um livro. O autor baseou-se no próprio repórter para escrever o romance Sequestro Fast Food e deu conta do recado (210 páginas) em menos de seis horas. Este fenômeno da literatura é capaz de continuar escrevendo enquanto discute com a esposa sobre as compras do mês ou as contas a pagar e conclui capítulos inteiros em suas idas ao banheiro.

Ryoki Inoue não negocia com a própria inspiração e já trabalha em seu milésimo centésimo sétimo livro. Bloqueio de autor é para os fracos!

OBRIGADO, DIABETE

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Renato Padovese

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em 02/abr/2012 - 8 Comentários

Em seu último post, o colega blogueiro Carlos Andrade utilizou seu próprio exemplo para propagar os cuidados com a alimentação e a prática de atividade física como forma de preservar uma boa saúde. A mudança de hábitos foi recomendada por seu médico após a constatação de que alguns sinais não estavam bem, tais como o tamanho da circunferência abdominal e a glicemia elevada (“240 de glicose”). Estes sinais estão associados a um problema no metabolismo que faz com que o açúcar não seja transportado adequadamente aos tecidos após uma refeição, acumulando no sangue. A alta concentração de glicose sanguínea leva a uma doença grave chamada diabete, que aumenta os riscos de a pessoa sofrer ataque cardíaco, insuficiência renal, cegueira e infecções. Há dois tipos de diabetes, o tipo 1 em que o corpo para de produzir insulina, hormônio responsável pelo transporte da glicose para os tecidos, e o tipo 2 em que a insulina pode estar até presente, mas o organismo desenvolve uma resistência à ação do hormônio.

As causas desta doença ainda são desconhecidas, mas acredita-se que a herança genética leva a uma predisposição que pode ser desencadeada por fatores ambientais, alimentação, vírus, entre outros. O diabetes tipo 2 está intimamente associado ao sedentarismo e aos hábitos alimentares, uma vez que 85% das pessoas que desenvolvem este tipo são obesas. As mudanças no estilo de vida decorrentes do desenvolvimento econômico das nações transformaram a diabete numa verdadeira epidemia global. Estudos indicam que quase 10% da população mundial adulta sofrem atualmente da doença.

Se fosse apenas isso, seria muito mau. Mas, felizmente, “nada é só isso”. Pode existir um “lado bom” em se ter taxas elevadas de açúcar no sangue. Segundo o doutor Sharon Moalem, em seu livro “A sobrevivência dos mais doentes”, quando uma doença é causada pelo menos em parte pela genética, é bem provável que algum aspecto desta doença tenha ajudado os antepassados dos doentes de hoje a sobreviver lá trás na linha da evolução. Em outras palavras, o que hoje é um flagelo, no passado pode ter sido um fator determinante para a sobrevivência. E pode ser este o caso da diabete, conforme relata o pesquisador.

Há muito tempo, coisa de 14 mil anos atrás, nosso planeta Terra sofreu uma abrupta e violenta mudança climática, instaurando uma era glacial em poucos anos. As temperaturas médias anuais na Europa despencaram quase 30 graus e pode-se imaginar o impacto devastador nas populações que habitavam a região. Certamente, milhares de seres humanos morreram de frio ou de fome. Mas, é certo também que outros resistiram ao frio extremo, graças a características especiais.  E uma destas características pode ter sido a “capacidade” de manter alta a glicemia. A presença do açúcar em altas concentrações teria reduzido o ponto de congelamento do sangue e preservado as extremidades do corpo contra os efeitos das baixas temperaturas, como ulcerações e gangrena, aumentando as chances de sobrevivência.

A diabete tipo 1 é muito mais comum em descendentes do norte da Europa. A Finlândia tem a maior taxa deste tipo de diabete do mundo, seguido por Suécia, Reino Unido e Noruega. Ou seja, justamente os povos que mais sofreram com a última era glacial. Quanto mais ao sul, mais a incidência cai. Esta multidão que hoje se vê obrigada a evitar doces, comer muita salada, fazer esteira e musculação, tomar injeções de insulina ou victoza, descende de um pequeno grupo de pessoas que, com sua reação diferente ao frio, venceu o desafio da natureza, enquanto outros ficaram pelo caminho.  Graças à diabete!

CARGA PESADA

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Renato Padovese

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em 19/out/2011 - 7 Comentários

Segundo o cálculo de especialistas, a carga tributária brasileira deve fechar o ano em 36,5% do Produto Interno Bruto. Trata-se de um recorde histórico e, até certo ponto, surpreendente, dado o desaquecimento da economia. Mesmo considerando os efeitos da crise econômica internacional na produção industrial e no consumo, houve um aumento real de 10% na arrecadação de impostos. Trocando em miúdos (ou em graúdos), isto significa que nossos governantes, lotados nas diversas esferas administrativas da máquina pública, já gastam na casa do trilhão os recursos tomados do nosso suado trabalho. Aliás, a notável marca de 1 seguido de doze zeros foi atingida bem mais cedo este ano, dia 13 de setembro. Quem quiser pode acompanhar a evolução da arrecadação pelo site do impostômetro, mas já aviso que dá uma certa angústia assistir à velocidade crescente dos números.

O governo, por sua vez, não satisfeito com essa receita extraordinária, insiste em ampliar ainda mais seus ganhos por meio do aumento de alíquotas ou da criação de novos tributos. É o que se pretende agora com a ideia de recriação da famigerada CPMF, para financiar os gastos com saúde. O curioso é que a CPMF vigorou por exatos 14 anos sem que tenha havido melhora significativa no atendimento. É flagrante a ineficiência com que a saúde pública é administrada no país. Para ficar em apenas um exemplo, basta lembrar a recente reportagem do programa Fantástico, que denunciou a existência de 1.500 ambulâncias novinhas em folha, mas paradas, sem utilização. Ou seja, o Estado é bastante competente na arrecadação, mas nem tanto na gestão dos recursos públicos.

Além disso, o sistema tributário brasileiro é extremamente injusto porque taxa mais quem pode pagar menos. A maior carga de impostos incide sobre o preço dos produtos, inclusive os de primeira necessidade, tais como remédios e alimentos. Como a população mais pobre compromete a maior parte dos seus rendimentos (quando não a totalidade) com o consumo, paga mais impostos. Já as camadas mais abastadas da sociedade, que reservam boa parte da renda à poupança (investimentos, aplicações financeiras, etc.), pagam, proporcionalmente, menos impostos. O sistema ainda mina a competitividade das nossas empresas, não só pela carga pesada, mas também por submetê-las a um verdadeiro cipoal de códigos, normas, instruções e leis que impõem um custo administrativo altíssimo em horas de trabalho.

Em função de tudo isto, empresários de segmentos variados, profissionais liberais, trabalhadores e economistas se reuniram em torno do Movimento Brasil Eficiente e elaboraram uma proposta de Reforma Tributária que, em linhas gerais, objetiva simplificar e racionalizar a complicada estrutura tributária, diminuindo a carga de impostos e melhorando a gestão dos recursos. No site do Movimento, há vasto material sobre o assunto entre artigos, notícias, vídeos e curiosidades como a diferença de preço de diversos produtos no Brasil e no mundo. Se você também está indignado com esta situação, assine o abaixo-assinado por menos imposto e mais eficiência em nosso país.

A CULPA É DA GEOGRAFIA

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Renato Padovese

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em 06/set/2011 - 13 Comentários

Com o fim do regime do ditador líbio Muamar Kadafi, a comunidade internacional começa a se perguntar: quem o substituirá? O desejo é que a transição política se consolide em bases democráticas. Porém, os rebeldes que derrubaram Kadafi com o apoio da OTAN não têm liderança, são formados por diferentes grupos tribais e políticos. É possível que, assim que desapareça a causa comum que os une, iniciem um novo conflito por seus interesses particulares, em vez de compor um governo democrático. Mesmo no Egito, com as Forças Armadas obrigando Mubarak a deixar o poder e prometendo eleições para setembro, há dúvidas se a democracia prevalecerá. Outros países atingidos pela “Primavera Árabe”, tais como Irã, Síria e Arábia Saudita, ainda conseguem manter suas ditaduras.

Mas por que é tão difícil estabelecer uma democracia em países do Oriente Médio ou do Norte da África? Segundo os professores Stephen Haber, da Universidade de Stanford, e Victor Menaldo, da Universidade de Washington, a culpa é da geografia. Mais precisamente, da falta de chuva. Os pesquisadores descobriram que em lugares com baixo índice pluviométrico (menos de 50 centímetros de precipitação média anual), persistem as ditaduras. Já nos países com níveis moderados de precipitação (entre 50 e 100 centímetros), as democracias predominam.

E não se trata de escassez de água, uma vez que estas regiões são banhadas por rios importantes, tais como Tigre, Eufrates e Nilo. Afinal, o povoamento, a colonização e a civilização acompanham o curso dos rios, que transportam a água e garantem solo fértil para o cultivo de alimentos. A questão é outra: os políticos não mandam na chuva. Ao longo dos rios, a produção de alimentos pode ser controlada por aqueles que detêm o curso da água e dos canais por ele abastecidos. Já a chuva cai do céu e permite que habitantes das diversas partes possam produzir e armazenar seus cultivos de forma independente. Mesmo depois de abandonar a agricultura e se mudar para as cidades, estes indivíduos preservaram os valores que sustentam uma sociedade estável e democrática: o império da lei e o direito à propriedade.

Seria um erro, entretanto, ver a geografia como destino. Seu significado pode ser reduzido ou evitado, embora imponha um certo preço. Educação, ciência e tecnologia são as chaves. Quanto mais se dispõe de conhecimento, mais se pode fazer para evitar o autoritarismo e fornecer melhores condições de vida e trabalho às populações. Um exemplo de democracia em área desértica é Israel. Mas, em favor dos pesquisadores, pode-se argumentar que os imigrantes que povoaram Israel vieram de países europeus e, portanto, já vieram imbuídos dos nobres ideais democráticos.

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