Arquivo do Blog

A vida imita a arte

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 05/dez/2014 - 4 Comentários

Por Regina Tavares

 Quem nunca sonhou em experimentar as invencionices dos filmes de ficção científica? Muitas das inovações tecnológicas de conhecidos enredos cinematográficos, tais como Inteligência Artificial, Matrix, O Exterminador do Futuro, Minority Report, Blade Runner e tantos outros, já ficaram no passado ou estão prestes a se tornar realidade.

back-to-the-future-2
imagem: divulgação

Prova disso é que ninguém mais se impressiona ao ver drones sobrevoando a cidade, carros sem motoristas, impressoras 3D, acesso remoto à eletrodomésticos, telas sensíveis ao toque ou ao gesto, namoros virtuais, bebês com tablets etc.

Imagine que não é mais exclusividade dos agentes secretos de Hollywood terem óculos capazes de exibir informações diversas como condições climáticas, agenda, e-mail ou status em redes sociais. Com os óculos da Google, já à disposição no mercado, é possível, inclusive, fotografar ou filmar o ambiente apenas com um comando de voz ou um piscar de olhos.  A Apple deve inaugurar sua segunda loja oficial no Brasil em 2015 e entre os seus objetos de desejo está o relógio inteligente que permite em meio a muitas funções, realizar ligações telefônicas sem complicação alguma.

glass2_verge_super_wide

Vale dizer que o custo disso tudo pode ser pago apenas com o uso de um smartphone. Nada de cartão, cheque ou dinheiro. Segundo os nerds futurólogos, não haverá nada mais démodé do que pagar com dinheiro.

Contudo, se a vida imita a arte, ainda não houve como superarmos algumas criações famosas do cinema. O skate voador da franquia De volta para o futuro tornou-se objeto de desejo sem prazo para se materializar. As luvas eletromagnéticas que permitem escalar prédios apenas com o uso das mãos ainda é uma exclusividade de Missão Impossível. Máquinas do tempo que possam nos transportar para diferentes períodos da humanidade também não saíram do roteiro de muitas ficções. Apagar instantaneamente da memória momentos que possam se transformar em lembranças negativas continua sendo mérito apenas de MIB – Homens de Preto.

Pelo visto o futuro chegou, mas a capacidade de superarmos o poder da imaginação nem se aproxima.

Bon appétit!

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 13/nov/2014 - 1 Comentário

Por Regina Tavares

 

Já faz tempo, a tecnologia passou a ocupar cadeira cativa à mesa do brasileiro. Quantas vezes, em um restaurante, você não se pegou observando uma família inteira, no melhor estilo “cada um no seu quadrado”, ou melhor, no seu celular.

E o que dizer quando a refeição chega prontamente, mas a deixamos esfriar em prol de uma bela foto? Nesse caso, a fome por likes parece ser bem maior do que a fome por comida. Afinal, não basta comer, é preciso registrar no Facebook o que se comeu.

img_post_FB

E não para por aí, de minuto em minuto, muitos paparazzi da gastronomia caem em tentação e suspendem as garfadas e o apetite para checarem a repercussão de seus ensaios fotográficos nas redes sociais. Não à toa, a hashtag “food”, no Instagram já registra milhões de imagens. São doces divinos, lindas porcelanas “antes e depois” do jantar, chefs amadores recebendo amigos no “apê”, receitas de família e muito mais.

instafood

Alguns restaurantes já condenam a prática de fotografias indiscriminadas, enquanto outros curtem. Há chefs que lamentam a comida esfriar antes de ser provada, há os que acreditam que acionar o flash num jantar a luz de velas incomoda outros clientes, há os que juram ter visto gente subir na cadeira em busca do melhor ângulo para lentes ávidas por comida e há os que acreditam que se trata de publicidade gratuita e espontânea de seus restaurantes.

O antropólogo Lévi-Strauss provou em sua obra “Mitológicas” que a forma como lidamos com o alimento, com o seu preparo e com a ocasião da refeição diz muito sobre a humanidade. Após a invenção da agricultura, o estudioso confirmou que diferentes grupos sociais, inclusive os indígenas brasileiros – estudados amplamente por ele – instituíram ao menos três refeições ao dia para contemplar o alimento, celebrar a fartura e estabelecer convivência com entes queridos. Tudo isso com calma e foco.

A desatenção na hora de comer compromete o paladar, a mastigação, a sensação de saciedade e o convívio com aqueles que compartilham “presencialmente” este momento com você.

Então, façamos um desafio! Procure em sua próxima refeição se ater mais à textura, ao cheiro, a aparência e ao sabor do alimento. Ah… E não deixe de apreciar tudo isso com uma excelente companhia.

Inté!

“Nossa Conta”

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 17/out/2014 - Sem Comentários

Por Regina Tavares

São Pedro até tenta, mas não consegue. O clima seco e árido impacta os dias de um verão eterno, enquanto, no final das tardes, a iminência de um temporal desponta num céu nublado e tenso. Os paulistanos se preparam: lançam mão de suas sombrinhas, sacam suas capas de chuva, já empoeiradas pela falta de uso, e esperam ansiosamente para fazer jus ao título de moradores da “Terra da garoa”. Entretanto, novamente a chuva não vem, apesar de algumas gotas teimarem em cair aleatoriamente no solo da capital. O que resta da Mata Atlântica já apresenta sinais de exaustão e focos de incêndio se tornam corriqueiros na paisagem da cidade.

nossa conta

O cenário é de disparidades e contrastes. O DAE (Departamento de Água e Esgoto) exige que o Governo reconheça o infalível diagnóstico de falta d’água. Os mais pessimistas já sucumbem à histeria e se põem a discorrer sobre “êxodo urbano”. Os mais levianos continuam a lavar suas calçadas com o uso de mangueiras coloridas numa trivialidade que beira o incômodo. A opinião pública procura denunciar o racionamento de água já existente, porém velado, em bairros periféricos.

De toda sorte, entre “sedentos” e “línguas de fora”, algo é certo e inevitável, o meio ambiente vem refletindo séculos de exploração de seus recursos em nome de um progresso e desenvolvimento constantes. Parece, que a conta chegou e teremos que pagá-la!

Inté!

CYBER ETIQUETA?

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 28/ago/2014 - 5 Comentários

Por Regina Tavares

Os últimos acontecimentos me fizeram refletir sobre a necessidade proeminente de uma espécie de cyber etiqueta ou coisa que o valha em tempos de frenesi pelas redes sociais.

Primeiro foi a filmagem de um menino levado perdendo o braço após cutucar o tigre com vara curta, envolto em sangue e bits, teimava em aparecer no feed do meu Facebook. Depois foi o bombardeio asqueroso e nefasto sobre a envergadura cênica do ator Robin Williams após seu suicídio, ainda assombrado por elementos trágicos como depressão, Mal de Alzheimer e alcoolismo.

Um enredo sombrio e nada ficcional que não impediu a comunidade digital de tecer considerações no mínimo insensíveis sobre alguém que acabava de morrer, em especial, em condições tão lamentáveis. Parece que o embrulho estomacal se estendeu a outras instâncias, pois até o Twitter prometeu rever regras de publicação sobre assédio moral após as queixas da filha do ator norte-americano sobre o que rolava na rede. Talvez ela não estivesse tão preocupada com a reputação do pai para a posteridade, mas em suma, com a dignidade do seu luto.

Logo depois da demonstração clara de falta de senso virtual, foi a vez da morte de Eduardo Campos e sua equipe no litoral paulista. Após a repercussão massiva da imprensa e a especulação sensacionalista da mídia em torno da sucessão do candidato e das causas do acidente, eis a apoteose do selfie. O autorretrato de uma mulher sorridente diante do caixão presidenciável foi a cereja do bolo que faltava para as redes sociais. Logo se tornou um meme dos mais compartilhados e comentados.

Houve quem achasse válido, democrático e justo. Para alguns companheiros virtuais, “seria uma homenagem ao mártir que ali se consagrava”, “apenas, uma demonstração de admiração documentada pelo fascínio da fotografia.” Entretanto, também houve vozes dissonantes nas entrelinhas online que julgaram a ação no mínimo inapropriada, condenável e ridícula. “É preciso se instituir uma espécie de cyber etiqueta”, um internauta esbravejou com empáfia de educador.

O fato é que não se trata de educação, classe social ou moral. O todo-poderoso presidente dos Estados Unidos, Obama, também estrelou um famoso selfie no funeral de Mandela e aparentemente incomodou a ciumenta esposa e a opinião pública. Sem-noção em funeral também não é novidade. Os estereótipos vão dos comentários impertinentes do cunhado bêbado ao choro alucinado da amante do falecido. Acredito que antes da crítica é preciso desencadear a compreensão. É necessário refletir se o que está em xeque é nossa inabilidade de criar vínculos com os acontecimentos e as experiências sem a mediação das imagens ou apenas a ancestral dificuldade em lidar com a morte.

 

Inté!

CARTAS NA MESA

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 18/ago/2014 - 2 Comentários

Por Regina Tavares

A Folha de S. Paulo, curiosamente, não é conhecida apenas por sua tradição jornalística, mas também por suas memoráveis campanhas publicitárias. Aliás, é o jornal brasileiro com o maior número de premiações no festival de publicidade de Cannes.

Vai dizer que não se recorda da célebre criação de Washington Olivetto intitulada Hitler. Trata-se de um mero pontinho monocromático que se soma progressivamente a outros ao som de uma narração impactante na qual o locutor revela todos os méritos do homem que se formava na imagem em preto e branco. Nada mais, nada menos que o ditador que comandara um dos maiores genocídios da história da humanidade. A peça publicitária se encerrava da seguinte forma: “É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação no jornal que você recebe. Folha de S. Paulo, o jornal que mais se compra e o que nunca se vende”.

O destaque agora vai para a campanha que celebra os 93 anos do segundo jornal de maior circulação do país, criada por Ricardo Chester e denominada “O que a Folha pensa”. Nela, uma série de perfis estereotipados é exibida enquanto a opinião geralmente surpreendente dos personagens é revelada.

img1

A ideia central é abandonar o estigma de imparcialidade que ainda carrega a maior parte dos veículos jornalísticos do ocidente. Digo isso, pois na Europa esta discussão sobre imparcialidade editorial já não figura entre a imprensa e, muitos menos, entre os leitores. Lá, muitos veículos assumem posturas partidárias, filosóficas e ideológicas sem temer censura ou recusa do público. Já no modelo norte-americano que indiscriminadamente tendenciou e tendencia o jornalismo brasileiro, é marcante a busca esquizofrênica por uma imprensa sem time, sem partido, sem religião e sem opinião concreta sobre assuntos polêmicos.

Eis um impasse para a democracia. Pois ao passo que a farsa da imparcialidade progride e se alastra, o público-leitor é conduzido por meio de manobras e artifícios a pensar de uma determinada maneira sobre diversos fatos sem julgar que há manipulação efetiva nas entrelinhas dos textos travestidos de isentos. Afinal, o texto carrega adjetivos, verbos e substantivos introdutores de opinião explícita. É o que acontece quando se opta em dizer “eles invadiram as terras tais…” e não “eles ocuparam as terras tais…”. É dispensável dizer como as fotografias, os infográficos e os demais elementos iconográficos também são farinha do mesmo saco. Selecionar um ângulo “X” em detrimento do “Y” já exprime a opinião do fotógrafo, reza a corrente teórica norte-americana Newsmaking.

Outro dia desses, a Folha que se vangloriava de ter contestado o Golpe Militar no Brasil (1964-1984) julgou em um de seus editoriais que a Ditadura não passava de uma Ditabranda. Mas era um comentário despretensioso e isento, né!?

Ao longo do século XX, a divisão entre publicidade e imprensa era notória e respeitada nos veículos de comunicação. É a guerra velada entre Estado e Igreja, diziam alguns jornalistas que evitavam cruzar com publicitários no corredor do jornal para evitar a possível tentação de preservar um anunciante em potencial numa reportagem que o levaria à falência. Hoje, a fronteira que divide os dois setores está cada vez mais tênue. Não quero com isso dizer que a submissão aos anunciantes e a determinados partidos políticos seja condicionante para a sobrevida em meio a um mercado fragilizado pelas novas tecnologias. Afinal, sem independência para publicar, não há credibilidade e sem credibilidade não leitores. Simples assim.

Entretanto, não sejamos ingênuos. Todo veículo jornalístico tem um mantenedor que necessita de lucro para manter a estrutura técnica, tecnológica, logística e humana de seu negócio de pé. E, nesse sentido, sua filiação a determinadas personalidades do poder político e empresarial pode lhe custar a derrocada ou o sucesso incontestável.

Não à toa, a Folha traz uma campanha que declara a opinião do veículo sobre temas polêmicos, como o casamento gay, a legalização das drogas, as cotas raciais etc. A cereja do bolo está no contexto em que a campanha é lançada: pré-eleições presidenciais. A Folha quis se libertar o quanto antes do ranço de imparcialidade que ainda carrega a imprensa nacional para declarar sem grilos e culpa seu amor e ódio pelo candidato “A” ou “B”, ainda no primeiro turno.

Aguardemos a edição desta declaração tão óbvia.

A seguir, uma lista, publicada pela Meio e Mensagem com a opinião da Folha de S. Paulo sobre alguns temas polêmicos:

Aborto – O jornal considera uma questão de saúde pública, no qual prevalecem os direitos da gestante

Bolsa Família – A favor de programas de transferência de renda e das atuais contrapartidas colocadas a seus beneficiários, mas critica as poucas portas de saída de usuários

Cotas – A favor de definições segundo critérios sociais, e não raciais

Cuba – O jornal considera injusto o embargo americano, mas critica a anuência do Estado brasileiro com violações de direitos humanos no País

Cultura – A favor da livre produção intelectual, sem censura, como no caso de biografias não-autorizadas, e também de direitos autorais sobre obra

Doações a políticos – Sustenta que esses valores devem ter teto, mas admite que empresas possam doar

Drogas – A favor da descriminalização, começando pela maconha, porém em coordenação internacional

Educação – Diz ser “imperiosa” a definição de um currículo nacional mínimo, “enxuto, sem experimentalismos”

Eleições – É a favor de voto facultativo, distrital em lista aberta e defende tempo de TV e fundo partidário proporcionais a desempenho parlamentar

Internet – Apoia a neutralidade de rede em discussão no Marco Civil e a formulação de um plano de remuneração aos produtores de conteúdo

Israel-Palestina – Contra os assentamentos de judeus em território palestino, defende dois Estados de capital compartilhado

Mercosul – Defende que o bloco opere tão somente como zona de livre-comércio

Mobilidade urbana – Diz que tarifa zero em transportes públicos é uma medida irrealista

Previdência – Apoia a reforma, com aumento da idade da aposentadoria

Privatização – Defende conceder mais serviços públicos a empresas privadas

Saúde – Apoia uma reforma gerencial do setor, citando as organizações sociais, e diz que recorrer a médicos estrangeiros é aceitável, embora paliativo

Segurança pública – Contra pena de morte, maioridade penal e endurecimento de penas; a favor de progressão de regime nas prisões e de penas alternativas

União homossexual – A favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo com os mesmos direitos de uniões heterossexuais

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS