Escapismo urbano

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Regina Tavares

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em 01/fev/2017 - 4 Comentários

Por Regina Tavares

Elogio inesperado. Picolé ao meio-dia. Fofoca ao pé do ouvido. Trocado achado no bolso. Boa ação do dia. Cheiro de chuva. Fruta da estação. Atendimento cordial. Boleia de caminhão. Oração furtiva. Post curtido por quem interessa. Flor no asfalto. Carinho gratuito. Cochilo na siesta. Pé no chão. Beijo roubado. Colo de mãe. Emenda de feriado. Sexta-feira. Música predileta no som do carro. Nota Dez. Roupa nova. Final de campeonato. Cinema e pipoca. Fígado desopilado por boa piada. Passe livre. Utopia. Corte de cabelo novo. Foto de infância. Saldo positivo na conta bancária. Festa surpresa. Bilhete premiado. Brinde. Visita em boa hora. Reconciliação sincera. Lembrança de ente querido. Justiça feita. Chuveiro quente. Cafuné. Saudade. Ano bissexto. Minuto de silêncio. Promoção. Cheiro de rosto colado. Riso espontâneo. Happy hour. Texto prazeroso.

escapismo urbano

É pic, é pic, é pic, é pic, é pic…

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Regina Tavares

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em 03/jul/2015 - 16 Comentários

Por Regina Tavares

Exatamente hoje (3/7), o já considerado ‘cult’ De volta para o futuro completa 30 aninhos. Aclamado pelo público e pela crítica, o filme hollywoodiano “De volta para o futuro”[1], tornou-se, em plena década de 1980, um marco para a ficção científica. A concepção de uma máquina capaz de viajar no tempo reverenciava o ápice da humanidade e do domínio da técnica, assim como afugentava o temor pelo descontrole do tempo e pelo risco do esquecimento de determinados indivíduos e suas conquistas.

O empenho da ficção De volta para o futuro em retomar o otimismo prometido pela modernidade e corrompido por guerras mundiais, ameaças de aniquilação nuclear e destruições em massa, está explícito em seu título. Afinal, após viajar para o passado na intrigante máquina do tempo forjada em um notável De Lorean e vivenciar situações inusitadas e desafiadoras, coube aos personagens centrais retomarem o “tempo-presente” como desfecho da trama. Porém não um “tempo-presente” qualquer, e sim o “tempo-presente-futuro”.  O título “De volta para o futuro” parece expressar a crença de que o século XX seria o auge da modernidade.

de volta para o futuro
imagem: divulgação

Entretanto, as ressacas pós-Iluminismo e pós-Modernismo colocaram em dúvida as aspirações do domínio da tecnologia em favor da emancipação humana e aproximaram, progressivamente, o fantasma da opressão universal vivenciada nessa mesma época. Ao observar o mundo ao nosso redor e todas as suas idiossincrasias e injustiças, reconhecemos nossa barbárie ancestral e ficamos frustrados em admitir que nem a mais sofisticada das tecnologias garante a civilidade. Nesse sentido, talvez o futuro não seja tão evoluído, como julgávamos antigamente.

 

Boas férias!!!



[1] De volta para o futuro é um filme norte-americano, datado de 1985 e dirigido por Robert Zemeckis. A distribuição foi realizada pela Universal Pictures.

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

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Regina Tavares

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em 22/jun/2015 - 7 Comentários

por Regina Tavares

Sabe quando se está em um banheiro público e a faxineira cumprimenta e ninguém responde? Já notou como determinadas pessoas se esquecem de agradecer quando o porteiro abre a porta de um estabelecimento e lhe dá passagem? Reparou como é comum evitarmos enxergar os moradores de rua sem sentir, outra coisa, além de piedade?

Seja por indiferença ou preconceito, algumas pessoas estão invisíveis no contexto da contemporaneidade. Há muitos tipos de invisibilidade social, como apregoam os sociólogos por aí, contudo é razoável afirmar que a maioria decorre de relações hierarquizadas sócio e economicamente vivenciadas numa sociedade pautada pela divisão do trabalho e a lucratividade. A invisibilidade pode gerar humilhação, constrangimento e até a morte.

Nesta última terça, mais um cidadão paulistano foi condenado à invisibilidade. Tratava-se de um gari. Ao escutar a notícia, senti, assim como Caetano, que alguma coisa acontecera no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João. Foi lá, no meio fio de um dos endereços mais celebrados de Sampa, que um profissional da limpeza urbana foi morto após um atropelamento fatídico.

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Literalmente, morrera na contramão atrapalhando o tráfego, tal qual o protagonista da música Construção, concebido por Chico. Segundo as testemunhas, o motorista deixou o local sem prestar socorro. “Também pudera, aquele gari era invisível”, alegavam alguns advogados de defesa do autor do crime. Não havia como enxergá-lo limpando a calçada em plena madrugada. Sua figura mais parecia uma sombra, um espectro cabisbaixo a se locomover vagarosamente pelo espaço público. Daí, idealizaram um motorista sem culpa. As primeiras investigações apontam evidências de que o gari pode ter sido negligente, ao burlar seu treinamento e se posicionar equivocadamente na rua durante o expediente.

Como diria Madre Teresa de Calcutá, “é fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado”. É aceitável que reconheçamos o pesar das vítimas do terremoto no Nepal ou que as crianças africanas em pele e osso, quase mortas de fome, nos comovam durante o noticiário no horário do jantar. Porém, parece ser cada dia mais raro nos colocarmos no lugar daquele que está do lado, no dito “o próximo”, e estender a mão.

Inté!

Que seja eterno enquanto dure

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Regina Tavares

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em 01/jun/2015 - 4 Comentários

Por Regina Tavares

O universo parece conspirar a favor do capitalismo selvagem. Basta abrir o jornal para notar como o lançamento de novos celulares vive em pleno vapor. Ou melhor, frenesi. São inúmeros modelos, formatos e habilidades que até nos fazem esquecer do propósito real de sua existência: a telefonia.

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Nas vitrines, os celulares nos assediam e, sem nenhum pudor, clamam para serem levados. Se vendem sem juros e em crediários a perder de vista. Definitivamente, tentador! Olhando assim, é compreensível julgar que o seu smartphone pareça uma bugiganga qualquer, mesmo o tendo adquirido no abono do ano passado. Sem um pingo de boa vontade, é aceitável reconhecer que o desempenho do danado do aparelho vem mesmo deixando a desejar. Cada dia mais lento, cresce mais rápido a cobiça por um substituto.

Se você se familiarizou com o meu perrengue, caro leitor, saiba que és mais uma vítima da inevitável “obsolescência programada”. O palavrão aí corresponde a uma estratégia do capitalismo de propositadamente desenvolver, fabricar e distribuir um produto que, em um prazo determinado, se torne obsoleto ou não funcional.  Nesse caso, a única escapatória para o consumidor é se render a nova geração do aparelho adquirido outrora.

Parece que o poeta tinha razão, que seja eterno enquanto dure. Até o seu atual celular futurista, inspirado nos episódios mais mirabolantes dos Jetsons.

Em média, de dois em dois anos, os produtos, sobretudo tecnológicos, abrem o bico e versões melhoradas são colocadas à disposição do público, goela a baixo.

Para driblar a tal “obsolescência programada”, recomenda-se não adquirir todas as gerações de celulares que se vê pela frente, sem sequer conhecer a repercussão de seu lançamento no mercado. Baixar todas as atualizações do sistema operacional às cegas, também não é uma boa ideia. Determinadas atualizações podem deixar seu atual aparelho ainda mais lento e prejudicar o funcionamento de algum aplicativo já instalado.

Contudo, caro leitor, se mesmo diante destes conselhos, não conter a vontade de trocar seu celular por um novo, bem-vindo ao clube! Não há mais o que ser feito…

Inté!

Pintando o sete

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em 15/abr/2015 - 12 Comentários

Por Regina Tavares

O artista me surpreende: “- E aí, gostou?”

Eu, bancando a intelectual, respondo: “- Nossa, é perfeito…”

O elogio nada espontâneo foi dado a rabiscos sem nexo ou definição aparente. Uma espécie de diagrama impreciso, repleto de traçados que me remetiam a uma simbologia indecifrável, uma expressão humana quase primitiva, confesso.

Entretanto, por que desdenhar? Continuei me rasgando em elogios. Os psicólogos insistem em dizer que faz bem ao ego criativo.  Quem sou eu para contrariar a ciência?!

“- É uma obra-prima!”, disparo em voz alta, afagando o queixo como se atribuísse maior credibilidade ao meu comentário leviano.

O artista prossegue: “- E o que você vê?”

Eu, meio desorientada, lanço um “Depende…”. Sempre funciona como argumento razoável para os artistas e amantes da arte abstrata.

O artista insiste no assunto: “- São duas crianças brincando na chuva. A criança vermelha carrega uma bolsa preta com estrelas amarelas e a criança roxa está andando numa bicicleta azul. Está vendo agora? São dois amigos!”

Eu, ainda incrédula diante de descrição tão rica em detalhes em se tratando de um desenho, diríamos, minimalista, justifico:

“- Ahhhhh… Agora, estou vendo. Não percebi antes, pois é meio raro topar com crianças vermelhas e roxas dando sopa por aí, não é mesmo?”

O artista conclui: “- Mas a gente é colorido. Cada um tem uma cor.”

A singeleza das palavras proferidas por aquele artista, ainda em início de carreira, parecia destoar em relação à tamanha sabedoria expressa naquela reflexão.

Aquele lapisinho de cor aparentemente inocente – algo como um bege opaco e sem graça -, intitulado “cor de pele”, nunca foi tão incoerente, especialmente, em um país resultante de extrema miscigenação cultural. E o que dizer da meia-calça cor de pele, do pó-compacto cor de pele, do curativo cor de pele ou de qualquer outro produto com a pretensão de representar a pele dos brasileiros?  Cor de pele de quem, cara pálida?

É impossível determinar a cor da pele humana justamente por ela ser fruto de uma herança genética única. Pode-se observar, inclusive, que até em gêmeos idênticos, há variações na pigmentação epidérmica.

A adoção de uma cor exclusiva como a representação exata da pele de um povo pode forjar estruturas ancestrais de preconceito étnico-cultural e se revelar ainda na infância, em uma corriqueira atividade escolar.

Na real, se há várias cores de pele nesse país, a cor do brasileiro é a diversidade. Ela nos representa.

Ah, só para constar… O artista do post, que pinta o sete na minha vida, é o meu filho de 3 anos e atende pelo nome de Heitor.

O guri me sai com cada uma…

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Inté!

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