Pintando o sete

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Regina Tavares

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em 15/abr/2015 - 12 Comentários

Por Regina Tavares

O artista me surpreende: “- E aí, gostou?”

Eu, bancando a intelectual, respondo: “- Nossa, é perfeito…”

O elogio nada espontâneo foi dado a rabiscos sem nexo ou definição aparente. Uma espécie de diagrama impreciso, repleto de traçados que me remetiam a uma simbologia indecifrável, uma expressão humana quase primitiva, confesso.

Entretanto, por que desdenhar? Continuei me rasgando em elogios. Os psicólogos insistem em dizer que faz bem ao ego criativo.  Quem sou eu para contrariar a ciência?!

“- É uma obra-prima!”, disparo em voz alta, afagando o queixo como se atribuísse maior credibilidade ao meu comentário leviano.

O artista prossegue: “- E o que você vê?”

Eu, meio desorientada, lanço um “Depende…”. Sempre funciona como argumento razoável para os artistas e amantes da arte abstrata.

O artista insiste no assunto: “- São duas crianças brincando na chuva. A criança vermelha carrega uma bolsa preta com estrelas amarelas e a criança roxa está andando numa bicicleta azul. Está vendo agora? São dois amigos!”

Eu, ainda incrédula diante de descrição tão rica em detalhes em se tratando de um desenho, diríamos, minimalista, justifico:

“- Ahhhhh… Agora, estou vendo. Não percebi antes, pois é meio raro topar com crianças vermelhas e roxas dando sopa por aí, não é mesmo?”

O artista conclui: “- Mas a gente é colorido. Cada um tem uma cor.”

A singeleza das palavras proferidas por aquele artista, ainda em início de carreira, parecia destoar em relação à tamanha sabedoria expressa naquela reflexão.

Aquele lapisinho de cor aparentemente inocente – algo como um bege opaco e sem graça -, intitulado “cor de pele”, nunca foi tão incoerente, especialmente, em um país resultante de extrema miscigenação cultural. E o que dizer da meia-calça cor de pele, do pó-compacto cor de pele, do curativo cor de pele ou de qualquer outro produto com a pretensão de representar a pele dos brasileiros?  Cor de pele de quem, cara pálida?

É impossível determinar a cor da pele humana justamente por ela ser fruto de uma herança genética única. Pode-se observar, inclusive, que até em gêmeos idênticos, há variações na pigmentação epidérmica.

A adoção de uma cor exclusiva como a representação exata da pele de um povo pode forjar estruturas ancestrais de preconceito étnico-cultural e se revelar ainda na infância, em uma corriqueira atividade escolar.

Na real, se há várias cores de pele nesse país, a cor do brasileiro é a diversidade. Ela nos representa.

Ah, só para constar… O artista do post, que pinta o sete na minha vida, é o meu filho de 3 anos e atende pelo nome de Heitor.

O guri me sai com cada uma…

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Inté!

Melancolia

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Marcelo Paes Barros

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em 16/mar/2015 - Sem Comentários

                                                                        por Marcelo Paes Barros

Como se sabe, a obesidade, o diabete e a síndrome metabólica são patologias bem descritas fisiologicamente e que afligem os seres humanos modernos, principalmente os nascidos a partir do meio do século XX. Em relação às doenças psicológicas modernas, todos as faixas etárias (incluindo crianças) já apresentam índices preocupantes de ansiedade, estresse, psicoses e as mais distintas síndromes, p.e. pânico, déficit de atenção, etc. Embora esses sejam males decorrentes da vida acelerada que temos atualmente, um mal oriundo nos primórdios da existência humana sempre bate à porta da nossa consciência, mais cedo ou mais tarde: a melancolia.

melancolia                                                                                         (Melancholia (de Albretch Dürer, 1514)

Mas, afinal, o que é a melancolia? “Ah, já sei, é um sinônimo de depressão”, responderiam os mais apressados. Eu tenho que discordar parcialmente. Fisiologicamente, a depressão é causada por variações anômalas nos níveis de importantes neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, em determinadas regiões do cérebro e que significativamente afetam a memória, impulsos de prazer e a disposição física e mental. Muitos pesquisadores mostraram que tais fenômenos ocorrem naturalmente em alguns períodos de nossa vida, como na adolescência e na menopausa (para mulheres) ou andropausa masculina, períodos caracterizados por grandes oscilações hormonais. Indubitavelmente, predisposição genética, alimentação, hábitos cotidianos também são fatores promotores da depressão. Contudo, não é disso que aparentemente trata a melancolia, em sua essência.

A melancolia, exatamente com esse nome, é descrita desde a Antiguidade e com relatos reincidentes principalmente durante a Idade Média, quando os avanços da criatividade humana – geralmente manifestados através da Ciência e da Literatura – eram fortemente tolhidos pela Inquisição e castração religiosa da época. A liberdade de pensamento e de expressão naquela época funcionava como uma prisão intelectual que culminava na melancolia. Na Renascença, a melancolia foi até considerada como uma dádiva, pois julgava-se que alguém melancólico, assim o era, por elucubrar em demasia os fatos de sua vida e de sua existência. Assim, o melancólico era, portanto, um ser mais consciente de sua realidade. Os inquisidores olhavam os melancólicos com cautela e com certa perseguição, inclusive. Talvez a melancolia tenha sido o grande mal de toda a Humanidade, já que sua definição anteriormente se mesclava/confundia com a depressão e tantas outras psicopatologias de outrora.

melancolia2

Muitos pregam que “de tanto pensar, não se chega a lugar nenhum!” Isso exatamente é a melancolia! Subitamente, após tantas reflexões sobre sua própria existência, sobre seu papel nessa vida e o que ainda pode ser feito, o indivíduo consciente conclui: “Puxa, então é só isso? Que existência efêmera!” Dessa desesperança, dessa clara e precisa identificação do fim do túnel vem a melancolia. De acordo com as premissas da filosofia Platônica: “A consciência humana é uma maldição”. Prever e antecipar o futuro nos traz desespero e um senso de “fim da jornada”. Muitos pesquisadores afirmam que a maioria dos animais – caímos aqui em outra discussão: o grau de consciência das diferentes espécies animais – vivem o seu dia a dia aparentemente com a mesma intensidade por terem uma visão limitada de antecipação. Obviamente, sabemos que isso é bastante discutível. Outra discussão para uma outra oportunidade.

Daí, tantos outros filósofos igualmente concluem: “A ignorância é acalentadora…” O “não saber” parece, muitas vezes, mais confortante do que a plena e dura consciência da realidade. Sob os rígidos dogmas religiosos, devem existir outras vidas, reencarnações, chances, para que a essência humana, a individualidade, seja perpetuada! “Pelo amor de Deus, que existam (Rsrsrsrs)!” Sem dúvida, essa é uma visão egocêntrica, antropocêntrica e, por que não, egoísta da existência humana. As religiões buscam trazer, justamente, esse conforto, caso você assim aceite.

Dessa conclusão desiludida e indelével sobre nossa vida é que vem o sentimento da melancolia. A melancolia nos faz perceber que a vida é efêmera e que temos que nos apegar aos melhores valores da existência humana para dar valor a ela.  Geralmente, a resposta à melancolia é a busca contínua de estímulos que façam cada ínfimo e mínimo segundo de nossa existência ter algum valor. A melancolia é a desesperança em si, quase o desespero. A resposta à melancolia é a reinvenção do espírito humano.

Acredito que um quadro depressivo seja oriundo dessa desesperança ou, como no eterno dilema do ovo e da galinha, que a melancolia seja produto das anteriormente descritas oscilações dopami-/serotoninérgicas em nossos cérebros. Independentemente de sua origem, a melancolia nos acomete alguma vez na vida, com maior ou menor intensidade. Sendo assim, cabe a você, querido leitor, fazer valer cada momento de sua vida ou simplesmente aguardar, enclausurado, o irrefutável fim de nossa existência. Eu opto pela vida!

Um abraço.

Dia da Responsabilidade Social vira reportagem da Record News

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Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

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em 21/nov/2012 - 1 Comentário

O Dia da Responsabilidade Social na Cruzeiro do Sul foi uma ação tão bacana, que a rede de TV Record News fez uma matéria especial.

A partir dos 2:30 da matéria, é possível ver sobre as ações realizadas pelos cursos de Farmácia, economia, engenharia civil, psicologia, educação física e administração.

Confira: http://migre.me/bMsKb

Freud explica

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Regina Tavares

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em 29/mar/2012 - 5 Comentários

Quem nunca ouviu falar no pai da psicanálise? Mesmo depois de mais de cem anos, o legado de Sigmund Freud é objeto de estudo nas mais diversas áreas; da medicina à linguística. A vida de Freud foi uma intensa luta em defesa de suas hipóteses psicanalíticas, enfrentando no início, a comunidade científica de sua época.

Temas polêmicos, como o papel da sexualidade, não eram bem vistos nas rodas científicas oficiais em que Freud circulava. O falso moralismo e a grande dificuldade de aceitar novas ideias eram alguns dos motivos para a resistência apresentada por alguns estudiosos de 1900, conforme nos conta o professor Durval Marcondes, tradutor das conferências do Freud (vide nota). Segundo o pesquisador, os trabalhos do inquieto Freud eram estudados de maneira tão minuciosa, que muitas vezes demoravam-se anos de exclusiva dedicação até que o mesmo resolvesse publicar suas pesquisas – expostas apenas quando bem fundamentadas. Polêmicos ou não, os estudos de Freud conquistaram efetivamente seu espaço e não há como negar sua relevância.

Quem se interessa por psicanálise pode se inscrever para o 1º Seminário Clínico Internacional com Joseph Knobel Freud, sobrinho neto de Freud que será realizado de 2 a 5 de abril, no campus Anália Franco da Cruzeiro do Sul.
Na ocasião, o Prof. Joseph Knobel Freud focará os aspectos da clínica psicanalítica direcionada à Psicanálise com crianças.

Dados do evento
Informações e inscrições
Clique aqui e acesse o site do EPPA

Fale com a coordenação do Evento
(11) 9944-9770
(24) 9992-6827

Horário das atividades: das 18h às 22h
Credenciamento: dia 02 de abril, das 16h às 17h45
Para quem não conhece os estudos de Freud, vai aí uma dica de leitura: “As cinco lições de psicanálise” com a tradução de Durval Marcondes e José Barbosa Corrêa. Segue abaixo, um pequeno vídeo em uma das raríssimas aparições do próprio Freud. Um verdadeiro achado! Acesse o link abaixo:

Inté!

JOSEPH KNOBEL FREUD NA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL

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Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

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em 27/mar/2011 - Sem Comentários

No próximo dia 20 de abril, o campus Liberdade da Universidade Cruzeiro receberá o psicanalista Joseph Knobel Freud para a palestra “O problema do déficit de atenção (TDHA) e o tratamento para crianças e adolescentes”.

Direcionado a profissionais, alunos e interessados na área de Psicologia, o evento é uma realização do curso de Psicologia da Cruzeiro do Sul, em parceria com a Sociedade de Psicologia de São Paulo. A palestra será ministrada em espanhol, com tradução simultânea em português.

Os interessados em participar do evento podem obter mais informações sobre as inscrições pelo site www.psicologiasp.org.br ou pelo telefone (11) 3091-1645. As vagas são limitadas.

Dados do evento:
Palestra de Joseph Knobel Freud – Universidade Cruzeiro do Sul
Data: 20 de abril de 2011, a partir das 19h30
Local: campus Liberdade
Endereço: Rua Galvão Bueno, 868 – Liberdade – São Paulo
Informações e inscrições: www.psicologiasp.org.br ou (11) 3091-1645

Sobre Joseph Knobel Freud
Sobrinho-neto de Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, Joseph Knobel Freud é professor e psicanalista em Barcelona, na Espanha. É vice-presidente da Federación Espanõla de Associaones de Psicoterapeutas (FEAP), membro fundador da Escuela de Clínica Psicoanalítica com Niños y Adolescentes de Barcelona e integrante da Asociación Española de Neuropsiquiatria.

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