Arquivo do Blog

DO MOVIMENTO ESTUDANTIL AO CALOTE DOS EUA

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 08/ago/2011 - 11 Comentários

O movimento estudantil no Brasil teve seu auge na década de 60. A instável situação política da época, que culminou com o golpe militar (ou contra-revolução, como preferem alguns) de 1964, foi estopim para a mobilização de expressivos contingentes de estudantes que participaram ativamente da oposição à ditadura. As manifestações dos estudantes atingiram seu ápice em 1968, com a passeata dos 100 mil, em 26 de agosto. A resposta dos militares foi mais repressão e, após a assinatura do AI-5, o movimento estudantil foi praticamente dizimado. Muitas lideranças políticas atuais foram forjadas naquele ambiente, a exemplo do ex-governador José Serra. Este período da nossa história também serviu de inspiração para novelas de sucesso, tais como Anos Rebeldes e Anos Dourados.

No meu tempo de faculdade, mesmo sem a força e prestígio de outrora, o movimento estudantil teve alguns lances interessantes. O principal deles foi a famosa passeata dos “caras-pintadas” (da qual participei!), que engrossou o movimento social pelo impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992. Eu me lembro muito bem. Saímos da Cidade Universitária bem cedo, em ônibus fretados pela UNE, em direção à Avenida Paulista. De lá, caminhamos até a Av. Brigadeiro Luiz Antônio e depois partimos para o Largo São Francisco. A passeata foi marcada pelo bom humor, afinal, com a democracia plenamente restabelecida, não havia espaço para a tensão e ninguém temia “borrachada” da polícia. Collor caiu e hoje é colega de Lindberg Farias, o então presidente da UNE, no Senado Federal.

No ano seguinte, outra importante questão nacional foi debatida pelas organizações universitárias: o plebiscito que decidiria nosso regime de governo, a manutenção do presidencialismo ou a introdução do parlamentarismo. Participei de diversos debates e até escrevi um artigo no jornal do Centro Acadêmico, defendendo de forma veemente a adoção do parlamentarismo no Brasil.

Eu me lembro que o principal argumento dos presidencialistas, além do forte apelo da escolha direta do principal mandatário da nação, era o sucesso do país que inventou tal regime: os Estados Unidos. Chega ser irônico constatar, agora, que os EUA sofrem por causa das fragilidades do presidencialismo. A atual crise política, que quase levou o país a não honrar seus compromissos, tem como pano de fundo as eleições presidenciais de 2012. Ou seja, a escolha do presidente acontece apenas no ano que vem, mas, até lá, a luta política ameaça arrastar o mundo para uma crise econômica de proporções catastróficas. Se o sistema de governo fosse o parlamentarismo, o impasse em relação ao aumento do endividamento do governo levaria à dissolução do parlamento e convocação imediata de eleições. O povo americano, então, poderia escolher novos representantes, comprometidos com a solução da crise, e não com seu aprofundamento, apenas para colher dividendos políticos no futuro.

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS