ENTRE O TRIGO E O JOIO: ESCOLHAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

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Carlos Augusto Andrade

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em 03/set/2014 - 2 Comentários

Por Carlos Augusto Baptista de Andrade

 

É engraçado como nossa vida é cheia de momentos em que devemos escolher algo. Uma coisa é certa, haverá sempre uma bifurcação e dúvida.

A experiência vai ajustando nossas escolhas. Isso não significa que pessoas jovens não possam fazer escolhas acertadas. Significa que pessoas de qualquer idade precisam observar a vida e transformar cada momento em experiência, não ter memória curta e saber diferenciar o joio do trigo.

Acho que isso é o mais complicado às vezes, pois quando o sentido das coisas parece muito próximo, há uma tendência em escolher qualquer um sem avaliar, pensando que tal escolha não pode oferecer muito perigo, tendo em vista sua proximidade.

Ledo engano, todos já ouviram falar da parábola do Joio e do Trigo. Se observarmos,  apenas o sentido literal das palavras, joio, segundo o dicionário é uma planta da família das gramíneas, de sementes tóxicas, comum nos prados e nas culturas, que prejudica o crescimento dos cereais. Já o trigo que produz o grão (cariopse) de que se extrai a farinha usada especialmente para o pão, é uma planta herbácea, da família das gramíneas, cereal por excelência. Como se vê, ambos são da mesma família, no entanto um é tóxico e o outro é alimento.

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Aparência nem sempre quer dizer qualidade, por isso tomar as melhores decisões refletindo criticamente sobre cada problema é uma exigência, para evitar arrependimentos.

São tantas as decisões que tomamos diariamente, temos uma bem séria chegando… eleições… está difícil separar o trigo do joio, mas é preciso buscar novas saídas e participar, para melhorar o nosso país.

Grande abraço e lembrem-se sempre: joio e trigo estarão sempre diante de nós, o mais importante é buscar conhecimento para saber diferenciá-los. Conhecimento e experiência vão nos aproximando das melhores escolhas.

Abraços e até mais.

 

 

AS REINAÇÕES ESTÃO MUDADAS

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Carlos Augusto Andrade

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em 25/nov/2013 - Sem Comentários

Carlos Andrade

Para quem leu Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, tem pleno conhecimento do que o termo significa. Brincadeiras de crianças que deixam, às vezes, os adultos bem desconfortáveis e incomodados, ou nas palavras Michaellis[1]: sf (reinar+çãopop arte, traquinagem, travessura; brincadeira, pândega, troça.

narizinho

(imagem: fonte)

Pensei que isso fosse coisa de criança, nunca imaginei que fosse ver tanta pândega na vida adulta, principalmente no que se refere à política.

Os anos passam e parece que a troça continua; não uma que apenas alguma repreenda de conta. Na política, tudo é possível. As reinações nela crescem a cada dia e os que brincam com a paciência e tolerância do povo riem ao passar pelas ruas, até mesmo quando estão sendo presos, afirmando inocência. Nunca sabemos se estão rindo para nós ou de nós, sem bem que tenho minha resposta bem clara em relação a isso, demonstrada pela minha tendência anarquista, se bem que voto em todas as eleições, para tentar melhorar a situação, pelo menos tentando tirar os piores. Há políticos sérios, conheço alguns, bem poucos.

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(Imagem: fonte)

Os “não sérios”, que são muitos, fazem travessuras com tudo: com a educação, com a saúde, com a segurança. Nunca vi tanto descalabro, a ruína da credibilidade se dá, por conta de que a cada dia menos pessoas olham para a política enquanto uma arte, como se pode observar em Michaellis[2] novamente: sf (gr politiké1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados.

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(Imagem: fonte)

Assisti, com vergonha, a prisão de personalidades políticas nesses dias. É de ficar boquiaberto ao observar tamanha desconsideração que demonstram com os eleitores. Passar por um processo tão demorado e cheio de complicações, são condenados e ainda levantam as mãos como se fossem presos políticos.

Enquanto escrevia esse texto, Prof. Antônio Marcos, meu colega de CPA, mostrou-me um trecho do livro de Bauman (2000)[3] que faz uma citação de Castoriadis dizendo que: “Como colocou o Cornelius Castoriadis (filósofo, economista e psicanalista francês), o problema com nossa civilização é que ela parou de questionar. Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que essa arte caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que as afligem – certamente não antes que seja tarde demais e quando as respostas, ainda que corretas, já se tornaram irrelevantes”.

Não estou aqui defendendo este ou aquele partido, na verdade, todos aqueles que roubaram a população, pois o dinheiro desviado é público, deveriam ser presos, e, uma vez condenados não só ficarem atrás das grades, mas também terem seus bens confiscados, para ressarcir o que desviaram, ou seja, promover a potencialidade de construção mais hospitais, creches e melhorar a educação entre tantas coisas.

Vamos acompanhar e ver como ficam as coisas… Em outro momento, num texto mais descontraído, falei sobre pasteis na feira, espero não ter de falar sobre de pizza nesse caso.

Quem diria que ao ler Monteiro Lobado e dar rizadas com Reinações de Narizinho, teríamos de ver, ler e ouvir sobre os Narizes em Pé que continuam reinando muitas vezes no mundo da impunidade. Será que as coisas mudarão?


[1] Dicionário on-line: (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=reina%E7%E3o)

[2] Dicionário on-line: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=pol%EDtica.

[3] BAUMAN, Z. Em busca da política. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2000.

Esperançar

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Regina Tavares

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em 05/ago/2013 - 5 Comentários

Na última sexta-feira à noite tive a oportunidade ímpar de assistir a uma palestra de Mário Sérgio Cortella. Para quem não o conhece, vale rememorar sua atuação como Secretário Municipal de Educação de São Paulo durante a administração da Prefeita Luiza Erundina ou citar livros de sua autoria como Não se desespere!, Qual é a tua obra?, Política para não ser idiota ou Não nascemos prontos, entre outros. Também é possível ouvi-lo de segunda a sexta-feira, na CBN, no quadro Escola da Vida ou assistir aos seus comentários no Jornal da TV Cultura. Sem dúvidas, estamos falando de um dos maiores pensadores de educação no país na atualidade.

O debate proposto por Cortella girou em torno de dois termos significativos e que, segundo ele, são sinônimos: política e cidadania. Para o filósofo, fazemos política todos os dias, seja ao decidir o que fazer com o óleo de cozinha usado, seja ao recolher uma casca de banana deixada por algum desatento em pleno passeio público.

Política, nesse sentido, não tem relação direta com partidos e sim com atitudes. É preciso dar um basta no conformismo e assumir uma das máximas da Ordem Beneditina: Não resmungar! É permitido discutir, criticar, e debater, mas jamais, resmungar. Devo confessar que a frase emitida por Cortella despertou boas risadas no público. Afinal, quantas vezes já dissemos por aí: “Alguém ter que fazer alguma coisa!”

Questionar algumas definições – que de tão repetidas parecem verdades – é um dos primeiros passos para o exercício da cidadania. Sendo assim, em um país marcado por uma intensa miscigenação e diversidade, é impensável termos à disposição meias cor de pele ou shampoos para cabelos normais, não é mesmo? Mais uma prova de que política se faz nas coisas mais singelas do dia a dia.

Entre tantas histórias contadas por Cortella neste happy-hour às avessas, uma me chamou a atenção; ele dizia ter presenciado a chegada de um ET no Brasil e de como fora surpreendido pelas graças do lugar. Cortella dialogava com o alienígena – que lá pelas tantas já estava com os 8 olhos esbugalhados de tanta admiração pelo país – e deixou escapar que aqui não havia ciclone, tsunami, nevasca, furacão ou qualquer coisa que o valha. Em compensação, também não havia saneamento básico, vagas nas escolas, bons atendimentos hospitalares ou alimentos para todos. “Mas, como isso é possível?”, indagou o ET. “Aqui é assim”, disse um apático Cortella que nada condizia com o palestrante que nos encarava.

Quase no final de sua exposição, ele revelou como foi determinante topar em seu caminho com um educador sublime e entender que apesar das adversidades, o ideal é esperançar, ou seja, ter esperança, algo bem diferente do verbo esperar e tão caro ao ato político e cidadão. Este educador era Paulo Freire. Mas sua história fica para um outro post.

Bom semestre e inté!

Não curti!

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Regina Tavares

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em 15/mar/2013 - 4 Comentários

A eleição do Pastor Marco Feliciano como novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal foi o último balde a ser chutado na consciência crítica do cidadão brasileiro. A atitude do Governo, condenada pelas mais diferentes instâncias da sociedade civil, provou que o clã político deste país está pouco se lixando para temas caros à democracia, no caso a defesa dos Direitos Humanos.

Confesso que eu não tinha opinião formada a respeito do tal pastor. Mas bastou assistir a um desses vídeos que estão circulando na Internet para sentir uma espécie de medo da estrutura política do nosso país. E se, quem paga ao flautista, em geral, dá o tom da melodia, confesso que lamentei termos chegado a este marco, ou melhor, ao Marco.

É impossível admitir que alguém que condena negros e homossexuais como amaldiçoados e doentes, respectivamente, possa ser capaz de defender minorias. Não dá para aceitar passivamente a audácia dos políticos que impõem seus conchavos partidários goela abaixo da população.

Os brasileiros já deram sinais claros do poder de mobilização da opinião pública e desta vez não será diferente. Basta lembrarmos a conquista recente presente na implantação da Ficha Limpa, seja via online ou presencialmente. O tema, definitivamente, entrou na agenda de todos.

No caso do distinto Pastor, a sua conduta amoral e antiética pode, por si só, servir como quebra de decoro parlamentar. Sim! Confira nos tais vídeos que circulam por aí como ele é hábil ao solicitar contribuições financeiras de seus fieis.

Se você também não curtiu a conivência do Governo com a indicação nada feliz do Feliciano, compartilhe este texto em suas redes sociais e espalhe por aí, sites que estão recebendo assinaturas para a destituição do “nobre” presidente-pastor, como no link:

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=CDH2013.

Inté!!!

A CULPA É DA GEOGRAFIA

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Renato Padovese

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em 06/set/2011 - 13 Comentários

Com o fim do regime do ditador líbio Muamar Kadafi, a comunidade internacional começa a se perguntar: quem o substituirá? O desejo é que a transição política se consolide em bases democráticas. Porém, os rebeldes que derrubaram Kadafi com o apoio da OTAN não têm liderança, são formados por diferentes grupos tribais e políticos. É possível que, assim que desapareça a causa comum que os une, iniciem um novo conflito por seus interesses particulares, em vez de compor um governo democrático. Mesmo no Egito, com as Forças Armadas obrigando Mubarak a deixar o poder e prometendo eleições para setembro, há dúvidas se a democracia prevalecerá. Outros países atingidos pela “Primavera Árabe”, tais como Irã, Síria e Arábia Saudita, ainda conseguem manter suas ditaduras.

Mas por que é tão difícil estabelecer uma democracia em países do Oriente Médio ou do Norte da África? Segundo os professores Stephen Haber, da Universidade de Stanford, e Victor Menaldo, da Universidade de Washington, a culpa é da geografia. Mais precisamente, da falta de chuva. Os pesquisadores descobriram que em lugares com baixo índice pluviométrico (menos de 50 centímetros de precipitação média anual), persistem as ditaduras. Já nos países com níveis moderados de precipitação (entre 50 e 100 centímetros), as democracias predominam.

E não se trata de escassez de água, uma vez que estas regiões são banhadas por rios importantes, tais como Tigre, Eufrates e Nilo. Afinal, o povoamento, a colonização e a civilização acompanham o curso dos rios, que transportam a água e garantem solo fértil para o cultivo de alimentos. A questão é outra: os políticos não mandam na chuva. Ao longo dos rios, a produção de alimentos pode ser controlada por aqueles que detêm o curso da água e dos canais por ele abastecidos. Já a chuva cai do céu e permite que habitantes das diversas partes possam produzir e armazenar seus cultivos de forma independente. Mesmo depois de abandonar a agricultura e se mudar para as cidades, estes indivíduos preservaram os valores que sustentam uma sociedade estável e democrática: o império da lei e o direito à propriedade.

Seria um erro, entretanto, ver a geografia como destino. Seu significado pode ser reduzido ou evitado, embora imponha um certo preço. Educação, ciência e tecnologia são as chaves. Quanto mais se dispõe de conhecimento, mais se pode fazer para evitar o autoritarismo e fornecer melhores condições de vida e trabalho às populações. Um exemplo de democracia em área desértica é Israel. Mas, em favor dos pesquisadores, pode-se argumentar que os imigrantes que povoaram Israel vieram de países europeus e, portanto, já vieram imbuídos dos nobres ideais democráticos.

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