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O rádio não é mais como era antigamente

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Regina Tavares

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em 17/set/2012 - 10 Comentários

Juro que titubeei antes de dividir essa minha inquietação com vocês. Talvez, seja apenas uma percepção generalizada e infundada, sem nenhum valor extraordinário para a sociedade. De qualquer forma, lá vai ela: alguém notou como o rádio perdeu seu “charme” (não sei ao certo se este é o adjetivo mais apropriado) nos últimos tempos?

Você pode preferir “Stones” em vez de “Beatles”, estar mais para “Novos Baianos” do que para “Clube da Esquina”. Mas há de convir comigo que as atuais estações de rádio pouco se esforçam para fidelizar seus ouvintes. Não sei se a explicação está no dito “jabá”, o fato é que as estações elegem determinados artistas para representar seus respectivos ritmos em detrimento de novas tendências e experiências musicais que agitam a internet e o universo underground.

Os playlists se repetem na mesma programação de uma rádio, e às vezes no mesmo horário, diariamente, semanalmente, quinzenalmente… Sei lá, ad aeternum. Tá cada vez mais difícil ser surpreendido, no meio de um engarrafamento, por uma música que suscite boas lembranças, nostalgia espontânea e um sorriso maroto. Estão cada vez mais raros os momentos que despertam o cantor que habita em você ou a sua versão mais inconveniente, capaz de aumentar o volume do rádio sem se importar com o carro do lado.

Em tempos de democratização dos meios de comunicação e de amplo domínio técnico do rádio, pouco restou da exclusividade das rádios tradicionais. Aí estão as rádios online que não me deixam mentir. Há que se considerar também a sofisticação dos aparelhos que hoje possibilitam ao ouvinte optar por um CD, um DVD, um cartão de memória, outro dispositivo que o valha, e, em última instância, por uma estação AM ou FM.

O estigma de que uma rádio toca samba e a outra MPB aprisionou a criatividade das programações em uma verdadeira camisa de força, o que não combina em nada com um país marcado pela mescla de culturas e etnias.

Valeu o desabafo, inté!

Meu caro amigo

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Regina Tavares

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em 29/ago/2012 - 11 Comentários

Suas canções atuam como seres caprichosos e autônomos na história da música popular brasileira. Ele já foi exilado de seu país, execrado pela imprensa e exaltado pelos fãs. Estamos falando de Francisco Buarque de Hollanda; o compositor, intérprete e literato Chico Buarque. A máxima “tal pai, tal filho” cabe perfeitamente aqui, afinal Chico é o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim.

Como se deve imaginar o envolvimento com a cultura se deu de forma natural e intuitiva, apesar de competir, em pé de igualdade, com o apreço do menino Chico pelo futebol. Já na década de 60, então universitário, inicia sua carreira musical e se encontra com futuros nomes da MPB, como Caetano Veloso. Em 1966, vence o II Festival de Música Popular Brasileira e lança seu primeiro disco. É nesse clima de prosperidade que entra em desalinho, pela primeira de muitas vezes, com o regime militar vigente no país. Suas músicas ganharam repercussão extraordinária diante das artimanhas linguísticas presentes em suas letras; verdadeiros dribles criativos contra a censura imposta aos artistas da época.

Em 1969, inicia autoexílio na Itália e retorna ao Brasil em 70 com a gravação da música Apesar de você; um sucesso consensual. Mas a censura não tardou a lhe bater à porta e os seus discos foram banidos do mercado. Sua personalidade artística inquietante também eclodiu em peças teatrais célebres, filmes memoráveis e obras literárias não tão festejadas pela crítica.

Atitudes contestadoras em relação ao status quo o colocaram como pivô de episódios emblemáticos, como quando rompeu com a Rede Globo, nos anos 70, na preparação do VI Festival Internacional da Canção ou em 1978, quando foi detido pelo regime militar ao retornar de uma viagem à Cuba. Já na redemocratização do país em 1984, foi um dos maiores incentivadores da campanha Diretas Já.

Hoje, em 2012, Chico Buarque festeja os 50 anos de sua carreira como um poeta de seu tempo e sensível conhecedor das desventuras femininas, cantadas em verso e prosa em suas canções. Receba nossos parabéns, meu caro amigo.

Inté!

Um sonho, uma utopia, uma possibilidade…

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Carlos Augusto Andrade

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em 10/fev/2012 - 60 Comentários

Muitos amigos me acham sonhador. Aquelas pessoas que acreditam que o improvável pode acontecer, sabe?

Quando trabalhamos com pessoas e percebemos a potencialidade que está em jogo no processo de ensinar e de aprender, não há como deixar de perceber que algo criativo pode surgir no emaranhado de ideias que emergem por meio das relações humanas, por exemplo em uma sala de aula. Coisas de professor…

O ato criativo está bem presente na nossa realidade. Há os que dizem: devemos dar mais tempo ao tempo para poder criar. O tal do ócio criativo, lembram? Como fazer isso, numa sociedade tão veloz e que deseja fazer tudo pra ontem? Criar e acreditar, faces de uma mesma moeda, fazem parte da nossa existência. Estaríamos na Idade da Pedra sem esse princípio. No entanto, evoluir não significa deixar de ser sensível, crítico e antes de tudo cheios de imaginação e sonhos.

Ouvi muito essa semana a música Imagine de John Lennon e de repente, lá estava um texto que dizia sobre sonhos “You may say, I’m a dreamer, But I’m not the only one, I hope some day, you’ll join us, and the world will be as one (Você pode dizer, que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único, eu tenho a esperança de que um dia você se juntará a nós e o mundo será como um só).

Ao ouvir Imagine minhas convicções de que podemos construir algo legal e que traga felicidade e prazer se consolidam, pois somos levados a pensar nas relações humanas como uma grande teia, na qual as intenções e interações são constantes e transitam num movimento sem fronteiras exatas, por meio dos diversos caminhos e possibilidades. Assim também se evolui.

É legal também saber que somos parte integrante de uma história real, não aquela oficial que é contada nos livros, mas a do dia a dia, que possui uma força e uma razão de ser. Sem nossa história pessoal, o contexto em que vivemos seria completamente diferente. Sem falsa modéstia, até chato, né? Afinal de contas damos um bom tempero ao lugar em que estamos.

Acho que a ideia que gostaria de passar neste post é que devemos aprender a compartilhar; a dar voz ao outro; a respeitar as diferenças e a estender a mão para apoiar quem se sente só.

Alguém pode estar lendo este post e até dizendo que tudo isso não passa de uma grande utopia, mas foi da imaginação, do conhecimento e de sonhos que tudo foi criado, e poderemos construir novas coisas coletivamente, tendo em vista que a união faz a força. A saída é essa, temos de plantar e regar os campos que nos são entregues e ajustar as estradas para que o caminhar, ainda que difícil, seja prazeroso.

Voltando a falar na canção Imagine, há uma versão cantada pelo Glee com um coral de surdos que mostra um pouco das coisas que eu gostaria de falar e às vezes faltam as palavras.

Se você puder ouça:
Imagine se pudéssemos mudar!!!

Abraços a todos e continuem conosco.

Punk’s not dead (and probably never will)

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Marcelo Paes Barros

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em 24/out/2011 - 10 Comentários

O movimento punk nacional perdeu um de seus maiores ícones (desde a década de 80) no último mês de Setembro. O vocalista da banda Cólera, Redson, faleceu aos 49 anos por uma hemorragia interna causada pela progressão de uma úlcera estomacal. O Cólera é considerado um grupo seminal do punk no Brasil, com os álbuns “Tente Mudar o Amanhã” (1984) e “Pela Paz Em Todo Mundo” (1986) sendo dois dos principais discos do gênero no país.

Apesar de suas multifacetadas vertentes e de seu vasto espectro político-social, a tendência punk, na maioria de seus desmembramentos, prega conceitos esquerdistas/progressistas que principalmente se concentram na liberdade individual e no desapego. Estas premissas naturalmente se derivatizam para outros dogmas punks, como o anti-autoritarismo, a não-conformidade e não submissão à vontade alheia. Do mesmo modo, são marcantes no movimento punk: niilismo, anarquismo, anti-militarismo, anti-capitalismo, anti-nacionalismo, anti-racismo, anti-homofobia, anti-drogas, anti-sexismo, etc. Alguns cuidados devem ser tomados ao analisarmos as vertentes punks: aparentemente, um desvirtuamento radical da filosofia punk – munida pelo inconformismo – deu origem aos conceitos segregacionistas, fascistas e racistas de extrema direita dos skinheads, neo-nazistas! Esse grupo possui hoje um contexto ABSOLUTAMENTE distinto da premissa punk, tanto que representam hoje, no cenário urbano, talvéz os grupos que apresentem maior rivalidade. Por favor, caro leitor, não misture água com óleo… são imiscíveis!

Os valores do movimento punk têm forte apelo urbano (mais voltados à vida na cidade), mas, curiosamente, sempre foram mal interpretados pela sociedade geral pelo seu modus operandi. Os punks reinvidicam seus objetivos baseando-se em um sistema social anárquico , seguindo o lema central do movimento do “Do it yourself” (DIY). A tendência punk preconiza um inconformismo quase agressivo na busca destes objetivos, como uma recusa em aceitar passivamente a manipulação e controle do “sistema” usurpador e corrupto. O punk não aceita calado as “ofensas” que sofre do sistema (governantes e seus sub-serviçais). Embora alguns sejam incrédulos da relevância da vida humana – lembre do refrão “No future for you” na música “God save the Queen”, dos Sex Pistols – os punks reconhecem suas necessidades e suas vontades. Obviamente, a polícia é o principal alvo de conflito do movimento punk contra o “sistema”, já que esta entidade representa a extensão natural do controle governamental sobre a a sociedade.

Dentre as várias formas de expressão da filosofia punk, a música talvez seja a mais característica. Compasso acelerado, marcado por baixos pesados, guitarras estridentes e percursão vigorosa (bateria, principalmente), a música punk mostra claramente a proposta agressiva do movimento: eu não aceito que você, sistema, controle o que, quanto e quando eu posso realizar minhas vontades. Eu decido isso!

Viver em grande centros urbanos traz benefícios mas também, uma série de mazelas. Acho que, de vez em quando, ouvir o que os punks têm a dizer serve com uma forma de exorcizar esse mal que nos consome diariamente.

Ouça no link abaixo (e acompanhe a letra) da música “Pela paz”, da banda Cólera.

Link: Pela Paz (1986) – Cólera

Tem violência em Bruxelas,
Tem violência em Moscou,
Tem violência em Nova Iorque
E também no Brasil.
Têm vinganças religiosas,
Têm vinganças de raças,
Têm vinganças de governos
Tenho medo da guerra.

Mas quem se importa?
Mas quem se importa?
- Eu me importo, eu me importo!

PELA PAZ, PELA PAZ
PELA PAZ EM TODO MUNDO!

Mais o ódio se espalha.
Mais aumenta a fome.
Mais as vidas são tiradas
De dentro dos homens.
São mais armas para o mundo.
São mais filmes violentos.
São crianças aprendendo
Matar ou morrer.

Enquanto isso na sala dos professores

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Regina Tavares

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em 22/ago/2011 - 16 Comentários

O segundo dia letivo no campus São Miguel foi marcado por um belíssimo presente. Antes de iniciar suas aulas, os professores puderam apreciar o Coral regido pela professora Mirian Utsunomiya e dar um pause na correria do início de semestre para constatar a graça e a leveza de vozes infantis na mais perfeita sintonia.

Como aluna egressa da Cruzeiro do Sul imediatamente revivi os meus tempos de coral, que por coincidência também era regido pela professora Mirian. Recordo-me de uma de nossas apresentações na Capela da Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, a dita Praça do Forró. A tensão era grande diante de um público repleto de desconhecidos. Mas a professora nos conduziu com tranquilidade e tudo pareceu mais fácil.

Hoje, na condição de expectadora me surpreendo com a forma como agudos e graves são acionados a partir de um simples olhar ou gesto. As caras e bocas da professora Mirian durante a regência são inconfundíveis. Ela e outros alunos do curso de Música, que atuam como monitores nesta empreitada, sabem da relevância do Coral para a formação acadêmica, cultural e até profissional daqueles que participam desta experiência.

Por meio do domínio de um instrumento ou do cantar é possível descobrir a linguagem musical, expandir nosso repertório cultural e ainda aprender a trabalhar em equipe. A sintonia entre vozes e a interdependência dos mais diferentes elementos no coral nos ensina a importância da alteridade e do senso coletivo para o sucesso.

O coral faz parte de um dos programas da Pró-reitoria de Extensão. Trata-se do Programa de Difusão da Cultura Musical, o PROMUS. Se você ficou interessado envie um e-mail para: mirian.utsunomiya@cruzeirodosul.edu.br  ou ligue: 2037-5753.

Confira matéria produzida pelas alunas do curso de Rádio, TV e Internet da Universidade Cruzeiro do Sul, Rozy Silva e Viviane Mendes, para conhecer mais.

Inté!

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