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Bye Bye Brazil

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Marcelo Paes Barros

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em 25/abr/2014 - 6 Comentários

Por Prof. Marcelo Paes de Barros

the_economist_Brasil

A figura ilustrativa desta matéria apresenta duas capas da revista “The Economist”: à esquerda, de uma edição em 2008 e, à direita, do final do ano de 2013. As reportagens – que mereceram a capa da revista nos respectivos anos – descrevem, de maneira tragicômica, o enorme fracasso econômico brasileiro frente às enormes perspectivas mundiais previstas há 5 anos. Como a primeira letra do acrônimo BRICS, que se refere aos atuais países emergentes, o Brasil nunca apresentou resultados solidamente indicativos de pleno desenvolvimento econômico, balanço comercial (e estabilizado) positivamente ou proeminentes superávits, embora o investimento exterior tenha apostado muito nisso. A aposta internacional no mercado brasileiro se deve, em geral, ao fato de que os brasileiros:

(i) são consumidores vorazes, principalmente de produtos supérfluos e itens de estética e luxo; (ii) são complacentes e coniventes, sem protesto, de preços abusivos por itens que custam até 60% menos em países vizinhos, como automóveis, passagens aéreas, etc.;

(iii) acima de tudo (para plena satisfação do empresariado), não vão atrás de seus direitos como consumidor quando são mal atendidos ou enganados, algo que conjumina com a morosidade da justiça em favor à política do “resolvemos se reclamarem” aplicada por várias empresas no Brasil.

Além das irrefutáveis desilusões econômicas, o Brasil também não conquistou melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) ou índices de Educação Básica (Matemática, Ciências ou Interpretação de Textos/Língua Portuguesa) nestes cinco anos. Muito pelo contrário. Em função de insuficiente investimento na formação dos jovens no Ensino Fundamental e Médio, o Brasil hoje se defronta com uma massa de trabalhadores habilitados no papel (diploma), mas efetivamente analfabetos funcionais para as tarefas às quais foram teoricamente preparados. E nada disso mudará para as próximas turmas de formandos.

Por quê perdemos essa propulsora onda econômica? Infelizmente, meus amigos, por que no Brasil o planejamento é algo subvalorizado. Improvisar, remediar ou botar panos quentes são práticas frequentemente aplicadas, pois estão incrustradas na filosofia de vida da maioria dos brasileiros. A corrupção e suas vertentes nefastas como o apadrinhamento, o corporativismo e desprezo à meritocracia são, a meu ver, as piores mazelas do desenvolvimento brasileiro.

Rever programas humorísticos dos anos 80 (p.e. Viva o Gordo, Chico City, etc.) é, para mim, mais angustiante do que nostálgico. A estagnação perene do País fica explícita pois claramente percebemos que aquelas mesmas piadas de 30 anos atrás podem ser reproduzidas hoje, sem mudar sequer uma vírgula! Desde que adquiri certa consciência civil, me angustio diariamente ao testemunhar os crimes de corrupção e de desvio de verbas da Educação nos jornais matinais.

O povo brasileiro é egoísta e desprovido de senso de comunidade, dizem os antropólogos. Cada um olha para seu próprio umbigo, arrematam estes estudiosos. Segundo estudos sócio-políticos, esse comportamento individualista do brasileiro se deve a alguns fatores interessantes:

(1) como um País tropical, “aqui plantando, tudo dá”! Há, no Brasil, uma inacreditável abundância de recursos naturais e produtos alimentícios. Nunca, de fato, tivemos que fazer qualquer racionamento ou passamos por catástrofes ambientais suficientes para afetar o provimento de alimento à população, como um todo. Claro, sérios problemas, anos a fio, no sertão nordestino, mas votos de cabresto, evasão rural e coronelismo têm abrandado bastante o problema (leia com tom extremamente irônico aqui). Veja a tamanha diferença ao compararmos as mazelas das populações europeias que, historicamente, foram alimentadas à base de batatas por séculos e séculos!

(2) nunca passamos por uma guerra avassaladora, a qual exigisse a união do povo – portanto, um forte espírito coletivo – para a reconstrução do País. Mirem-se, meus amigos, nos exemplos do Japão e da Alemanha. Por força do destino, esses povos primam pelo planejamento, pela organização e pela força do trabalho. Cada um fazendo a sua parte na sociedade e, em conjunto, estruturando o progresso e bem-estar. Mesmo com fortes crises econômicas mundiais, esses países oscilam mas sempre retornam à frente das economias mundiais.

(3) nossos colonizadores, os portugueses. Infelizmente, os portugueses viam o Brasil como um enorme terreno a ser explorado e extirpado. Não digo que os ingleses e holandeses não tinham as mesmas perspectivas colonizadoras, mas primaram pela estruturação de suas colônias para usufruírem de melhores condições no futuro também. Planejamento é a palavra de ordem aqui.

Mas quem somos nós, prezados leitores? Somos formigas quase afônicas protestando mas sufocadas por uma multidão que grita “Gol!” ou que vibra quando a personagem coitadinha finalmente dá um tapa na cara da sua vilã (isso, por volta das 21.30h, em um fatídico dia da programação de uma grande emissora de TV).

Somos um grupo de pessoas mais esclarecidas tentando se fazer ouvir em um País miserável de cultura e de senso civil. Não somos o Brasil. Somos a exceção, o ponto fora da curva. Conformem-se com isso ou tentem, ao menos, fazer a sua parte. Não sucumbam a seus valores éticos, ao senso do que é certo ou errado e propaguem esse princípio a seus amigos, parentes e principalmente, a seus filhos. Quem sabe um dia?

Triste, despeço-me.

Altos e baixos

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Marcelo Paes Barros

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em 26/set/2013 - 4 Comentários

Mais uma vez, prezados leitores, o hermético editor que aqui vos escreve tentará dissuadi-los da possibilidade de se entender o comportamento humano e outros fenômenos naturais através de leis matemáticas. Tal proposta permitiria que, mediante uma correta análise de variáveis, um bom algoritmo e a exatidão de cálculos pudéssemos obter respostas finais que nos conduzissem a decisões mais acertadas na vida, com menores riscos de erros. Que pretensão a minha! Mesmo assim, aqui vão minhas ideias.

Um dos ditados populares que melhor reproduz fatos reais da vida humana é: “Depois da tempestade vem a bonança”. Contudo, o que ditado não diz é que depois da bonança, vem novamente a tempestade! Meus amigos, a vida é feita de ciclos. O problema é que não sabemos com que frequência cada ciclo ocorre. Quer um exemplo bem claro do seu dia a dia? Se seu time de futebol passou por um período glorioso, de conquistas e títulos homéricos, pode esperar o fatídico declínio em um curto intervalo de tempo. No cenário futebolístico nacional, é o que acontece atualmente com as equipes do Corinthians e do Santos, por exemplo. Campeões regionais, continentais, internacionais, etc., hoje estas equipes enfrentam um duro período de reestruturação e, inevitavelmente, resultados não condizentes com as recentes glórias. Por outro lado, duas equipes concorrentes locais que nos últimos anos colecionaram frustrações nas competições que participaram parecem ter renascido das cinzas: Palmeiras e São Paulo. Sobe e desce. Uma gangorra. Não há como fugir disso.

Na verdade, esse fenômeno já era estudado e conhecido desde a Antiguidade, uma vez que os gregos já descreviam uma emblemática entidade mitológica denominada fênix. Renascida das cinzas, a fênix significava uma nova vida cheia de esperança, força e determinação. Até mesmo a moda é cíclica! Calças Saint Tropez ditavam a moda nos anos 70, mas eram totalmente ridículas nos anos 80 e 90. Curiosamente, vários catálogos atuais das melhores grifes mostram cortes de calças com quase um palmo acima do umbigo! Cores fluorescentes da época do New Wave, anos 80, voltam com tudo nesse verão! Por esse motivo é que ainda guardo minhas calças boca-de-sino, rs (sim, com os devidos ajustes na cintura).

Imagem: Fênix

Idas e vindas. Altos e baixos. Oscilação. A figura abaixo mostra um gráfico de um oscilador harmônico. Há fórmulas matemáticas que podem explicar esse tipo de função, mas, obviamente, não as vou apresentar aqui. Esse modelo pode, inclusive, ser utilizado para explicar parte do movimento de elétrons em torno de núcleos atômicos. Até mesmo o comportamento populacional pode ser parcialmente moldado por esse algoritmo. Psicólogos observaram que há, inclusive, uma tendência comportamental entre as recentes gerações: pais descolados têm filhos conservadores enquanto que pais conservadores geralmente têm filhos descolados! Se fizermos uma análise mais aprofundada, podemos identificar mais claramente este fenômeno nas gerações de pais hippies dos anos 70 com seus filhos yuppies dos anos 90 (estes movidos pela sedução do capitalismo, corporativismo, ostentação e ganância).

Adoro praia, odeio montanha. Fique seis meses na praia e você verá as saudades que terá de um chocolate quente e uma lareira crepitando. Até mesmo uma briga de casais envolve este tipo de mecanismo! Uma acusação agressiva rapidamente é seguida por uma retratação conscientizada pela mesma pessoa! O que é mais curioso é que o outro participante da briga apresenta o mesmo padrão agressão-retratação, mas em fase oposta! hahahaha.

Contudo, em se tratando da vida a dois, um fator atenuante se inclui nas relações humanas: a paciência, também entendida como a concessão ou pré-disposição a ceder do seu ponto de vista. Assim sendo, meus amigos, o gráfico abaixo ilustra o fluxo de oscilações de atritos de um casal QUE BUSCA A HARMONIA usando, para isso, muita paciência. Para que este perfil matemático seja seguido, o fator atenuante (a paciência) deve ser constante e, assim, afetar igualmente e continuamente as duas amplitudes de oscilação. Entendeu? Não? OS DOIS LADOS DEVEM CEDER, MEUS AMADOS LEITORES! SÓ ASSIM DÁ CERTO!

Para uma vida mais consciente, na qual tendemos a limitar o número de erros, entender essa gangorra de emoções, comportamentos e tendências parece trazer alguns benefícios. Altos e baixos, meus amigos. Um abraço.

Me engana que eu gosto!

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Marcelo Paes Barros

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em 26/ago/2013 - 12 Comentários

Prezados leitores, hoje, em um ato de tremenda benevolência minha, oferecerei gratuitamente a fórmula para vocês se tornarem palestrantes e comerciantes de sucesso: simplesmente digam o que as pessoas querem ouvir! Não primem pela informação verdadeira. Sejam especulativos. Não primem pelo enraizamento dos conceitos. Sejam superficiais. Não primem pela excelência. Sejam medíocres.

Esse é um fato que custei muito a acreditar, mas, após muitos anos, concluí que infelizmente, é a mais pura verdade. A população em geral – portanto, a maior fração dos seus futuros clientes ou ouvintes – tem conceitos já estabelecidos em suas cabeças e NÃO QUEREM MUDÁ-LOS! As pessoas não querem ficar desconsertadas com sua “quebra de paradigmas”. Elas querem sair de uma palestra ou assistir a uma propaganda com aquela sensação de “eu sabia!”, em um afã de superioridade intelectual.

São raros os indivíduos que têm interesse nato em absorver os fatos reais, mesmo que estes se contraponham àqueles pré-concebidos. É necessário discernimento e consciência para aceitar essa mudança de modus operandi no cérebro. Para estes peculiares indivíduos, é gratificante perceber “uma verdade maior”. Em termos metabólico-fisiológicos, há grande dispêndio de energia ao se estabelecer novos circuitos neuronais para armazenar novas informações. Pior, quando algum fato é explicado por novas linhas de raciocínio que se opõem às anteriormente aceitas, aqueles circuitos neuronais antigos podem (algumas vezes, devem) ser desprezados. Parece um desperdício fisiológico. Em outras palavras: “Poxa, demorei tanto para entender aquilo e agora esse cara vem me dizer que está tudo errado?”. Com isso, prezados futuros palestrantes, vocês perderão seu público…

Contudo, usurpando esse impulso comercial para agradar e satisfazer seu público, muitos charlatões enriquecem a base da ignorância alheia. Lembro-me de um colega que se interessou muito por uma palestra sobre Gastronomia Molecular. A um preço razoável, encaminhou-se ansioso para o auditório, ao lado de mais 399 pessoas ao vivo e cerca de 500 pessoas conectadas online. Imaginem o faturamento, meus caros leitores. Logo de cara, com a apresentação dos créditos, questionou-se quanto à relevância daqueles títulos apresentados pelo palestrante. Ele é um cientista e conhece bem o metiê. Sabe, portanto, diferenciar a relevância das revistas científicas, das sociedades científicas, etc. Mas ok, títulos poderiam ser desconsiderados perante as informações que aguardava tão ansiosamente. Ao perceber os inúmeros deslizes e recorrentes erros conceituais – alguns grosseiros, que não condiziam com a excelência sugerida pelo currículo lido no início – começou a perguntar, já que a palestrante ofereceu uma discussão contínua durante a apresentação. Ele não se conformava como a palestrante se contradizia e ninguém ali presente aparentemente percebia ou se manifestava. De fato, ninguém realmente se importava com as informações desconexas que foram apresentadas, uma vez que pediram para que aquele cientista de prestígio se retirasse do auditório, já que estava “atrapalhando a palestra”. Pelo menos, um fato tão trágico para quem preza o conhecimento serve para umas boas risadas em momentos de descontração em um barzinho.

Muitas palestras motivacionais dizem simplesmente o que todos já sabem, mas que é sempre reconfortante ouvir: o poder mágico da sua força interior, do seu poder de reação, da persistência, etc. É o famoso “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Em termos científicos, isso se chama efeito placebo (efeitos da autossugestão). Sob o foco dessa Pseudociência, milagres contra a impotência sexual masculina são observados a partir do chá do chifre dos rinocerontes africanos (animais em extinção, em função disso!) e do óleo de coco para o emagrecimento imediato da moça que quer entrar no vestido de casamento daqui a 3 semanas. Mapa astral, runas, astrologia, borra do café e cromoterapia são outros exemplos da chamada Pseudociência. Não há métodos científicos que apoiem essas crendices. Não há hipóteses. Não há avaliação por pares, ou seja, parecer positivo de outros experts naquele assunto. Mesmo assim, essas crendices vendem muito! Para complicar ainda mais esse cenário, garanto que, por exemplo, você conseguirá encontrar pelo menos um artigo científico que diga que o tabagismo faz BEM à saúde. Comerciantes e vendedores da indústria do tabaco utilizarão aquele único ou poucos artigos científicos como escudo inviolável para justificar suas informações, negando ou desconsiderando os outros três bilhões de artigos que apontam no sentido contrário.

O grande desafio, meus amigos, é, sem abrir mão do conhecimento científico verídico, tornar-se um palestrante ou comerciante de sucesso. Vender produtos de eficácia comprovada e não simplesmente sugerida por pouca ou nenhuma evidência. Do outro lado, os consumidores e ouvintes deverão apurar seu senso crítico. Deverão se questionar sempre. Não aceitem passivamente tudo que tentam lhe empurrar. Procurem se informar em fontes fidedignas sobre a veracidade daquelas informações e, principalmente, quem na verdade está passando aquelas informações a vocês. São se tornem presas fáceis.

Um abraço

Seu corpo fala!

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Marcelo Paes Barros

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em 18/jun/2013 - 12 Comentários

“Olha que coisa mais linda,

Mais cheia de graça.

É ela a menina

Que vem e que passa

No doce balanço

A caminho do mar”

Esses famosos versos de Vinícius de Morais marcam uma das músicas mais emblemáticas sobre a beleza feminina, principalmente as brasileiras: Garota de Ipanema. Essas estrofes enaltecem o tema dessa terceira matéria sobre as Leis da Atração Humana: a linguagem corporal.

Percebam, caros leitores, que o “doce balanço” entorpeceu o poeta, como, provavelmente, a muitos admiradores do calçadão. Acho que vocês conseguem imaginar, através dos versos, uma linda mulher, caminhando pela areia, com um jogar de quadris e um rebolado de parar o trânsito. Esse gestual é fator marcante da sedução feminina. Em termos de comportamento animal – novamente remetendo aos nossos instintos mais básicos – é o claro sinal de receptividade da fêmea para o amplo assédio dos machos interessados. Na natureza, os machos devem se exibir para essa fêmea receptiva: o pavão abre sua cauda colorida, o leão ruge alto e desfila e o avestruz macho faz sua dança do acasalamento. Na praia, os marmanjos estufam o peito, buscam contato visual (olho-no-olho) e fazem de tudo para aparecer, desde falar alto sobre suas façanhas, até mesmo exagerando no seu empenho em uma simples partidinha de vôlei ou, mesmo, frescobol. Outra estratégia é tentar impressionar pelos atributos físicos. Por isso tantos aparelhos de ginastica na praia!

As modelos femininas são exímias atiradoras e possuem um enorme arsenal a seu favor. Um deles é simplesmente seu caminhar peculiar. De pé, trace uma linha imaginária que parte de um ponto entre seus dois pés adiante. O caminhar da modelo deve obedecer à seguinte regra: o lado externo do seu pé direito deve tangenciar o lado esquerdo da linha imaginária, assim como, no próximo passo, o lado externo do seu pé esquerdo deve tangenciar o lado direito da linha imaginária. Esse caminhar firme e tão natural para as modelos profissionais exala sensualidade. Esse movimento, reparem, favorece as curvas e os quadris (que a maioria das modelos NÂO tem!), enaltece o comprimento das pernas e garante uma hipnótica oscilação dos seios das moças! Além de seduzir a classe masculina, esse movimento vigoroso é sugestivo a outras mulheres que se imaginam causando o mesmo impacto.

A linguagem corporal transmite vários sinais que são, muitas vezes, invisíveis à percepção dos incautos. Quando se faz uma abordagem a um(a) possível parceira(o), o gestual oferece muitas dicas sobre seu interesse inicial. Ao se aproximar e iniciar uma conversa repare na orientação do corpo da pessoa. Ela está diretamente orientada para você? Em caso positivo, isso significa que a pessoa aceitou sua aproximação. Caso contrário, a pessoa geralmente mantem-se de lado durante a conversa. A partir daí, outros sinais são interessantes: será que a pessoa está à vontade com a conversa? Um bom indicativo são os braços. Se a pessoa responde a você usando as mãos e os braços, isso é um ótimo sinal. Braços cruzados, mesmo em homens, significam certo constrangimento. Nesse gestual aparentemente complicado, um comportamento é considerado como o mais claro sinal de reciprocidade: a reprodução especular de gestos.

Durante a conversa animada, com mãos e braços emoldurando seus argumentos (controladamente, não seja um bonecão-de-posto!), alguns de seus gestos são reproduzidos pela pessoa interessada: você morde o lábio inferior e, segundos depois, o mesmo mordiscar é repetido. Você coça rapidamente sua nuca e ela mexe no cabelo. Você mexe no rosto e ela ajeita a franja. Isso significa: sim, você é bem interessante!! Fique atento a estes sinais.

O mais incrível é que há mensagens totalmente invisíveis e ainda pouco estudadas na espécie humana. Dentre elas, podemos citar a mensagem química através de feromônios e a sintonia magnética. A maioria dos animais detém grande troca de informações através do olfato. Veja como os cães se reconhecem pelo cheiro. Alguns pesquisadores atribuem essa identificação olfativa nas espécies caninas como oriunda do consumo de carne (que gera gases digestórios mais fortes) no seguinte contexto: odores mais fortes indicariam um animal melhor nutrido e, possivelmente, mais forte e dominante. Fêmeas de diversos mamíferos no cio exalam odores que são imediatamente interceptados e respondidos pelos machos da espécie.

Outro aspecto relacionado à recepção de sinais olfativos e atração sexual envolve o chamado complexo principal de histocompatibilidade (CPH, em Inglês, Major histocompatibility complex). Segundo estes princípios, uma comunicação química prevalece de modo a garantir a preferencial atração sexual de parceiros com CPHs diferentes. Assim sendo, a combinação de CPHs distintos conferiria um sistema imunológico mais eficiente à provável prole e, portanto, maiores chances de sobrevivência contra adversidades patológicas futuras. Incrível, pois essa mensagem química gera um comportamento não-racional, portanto, instintivo no que tange a atração pelo sexo oposto.

Outra misteriosa mensagem invisível envolve a possível sintonia magnética. Animais migratórios (aves, baleias, etc.) seguem jornadas quilométricas sendo unicamente guiados por incríveis sensores dos campos magnéticos da Terra. É incrível, mas esses animais percorrem rotas perfeitas sem usar qualquer referencial visual. Alguns cientistas acreditam que a espécie humana ainda detém algum tipo de percepção desses sinais magnéticos, mas não para migrar: para captar afinidades de personalidade com outras pessoas. Talvez seja esse mecanismo que explique por que temos uma enorme simpatia por uma pessoa que acabamos de conhecer, mas também uma péssima impressão de outra, sem mesmo trocar uma única palavra com elas!

Desta forma, meus amigos, a atração sexual possui inúmeras leis que fogem ao nosso controle. Sem sombra de dúvidas, muitas frases antes sugeridas como absurdas, começam a fazer certo sentido nesses termos: “sei lá, há uma química entre nós!”

Um abraço

Tamanho é documento?

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Marcelo Paes Barros

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em 04/jun/2013 - 12 Comentários

Essa segunda matéria da série sobre as Leis da Atração Humana abordará um dos temas mais polêmicos e existenciais da Humanidade: tamanho é documento? Quero deixar bem claro que aqui não haverá espaço para crendices e ditados populares como “nos menores frascos estão os melhores perfurmes” ou “não importa o tamanho da varinha, mas, sim, a mágica que ela faz”. Todos os argumentos aqui apresentados estão devidamente fundamentados por artigos científicos, o que, portanto, representa o “state-of-art” do assunto.

De um modo geral, podemos dizer que proporções corporais mais avantajadas representam um fator atrativo maior ao sexo oposto. Calma, não há preconceito aqui: apenas não há muitos artigos discutindo atração entre homossexuais de ambos os sexos. Contudo, cuidado com as generalizações: alguns trabalhos científicos na área da Psicologia mostram que, por exemplo, a relação entre estatura e atração física masculina ou feminina obedece a uma curva parabólica em “U” invertido, ou seja, homens/mulheres mais altos(as) são mais atraentes, contudo, ATÉ UM CERTO LIMITE! Novamente, a mensagem subliminar nessa impressão visual está na carga genética que este(a) potencial parceiro(a) traz. Baixa estatura pode significar subdesenvolvimento durante a infância, desnutrição ou disfunções hormonais, como, por exemplo, no HGH, o hormônio do crescimento. Por outro lado, pessoas muito altas podem apresentar algum tipo de anomalia genética, entre elas acromegalia ou gigantismo, que são disfunções do mesmo hormônio.

Por favor, percebam que esta NÃO é uma mensagem consciente. Este sinal está implícito e incrustrado na interpretação cognitiva em nosso cérebro, produto de anos de Evolução da espécie humana. De modo interessante, a percepção feminina de homens altos como potenciais parceiros sexuais varia conforme o ciclo menstrual, mostrando o claro efeito dos hormônios esteroides nessa avaliação (Pawlowski B & Jasienska G, 2005. Women’s preferences for sexual dimorphism in height depend on menstrual cycle phase and expected duration of relationship. Biological Psychology 70: 38-43).

Curiosamente, estudos mostram que homens mais altos têm relacionamentos amorosos mais duradouros que homens mais baixos. E mais: em um mesmo grau de instrução, homens mais altos adquirem cargos profissionais de maior prestígio e responsabilidade, um claro efeito sociocultural. O pesquisador francês Nicolas Herpin provou que estabilidade do relacionamento amoroso está baseada na estabilidade profissional do indivíduo (Herpin N, 2005. Love, careers, and heights in France. Economics & Human Biology 3: 420-449). Aparentemente, esse conceito é intrínseco da percepção humana e rege nossa apreciação e admiração para com as pessoas que cruzam nossas vidas. Imaginem que “grande homem” foi Napoleão Bonaparte, em termos de discurso, dialética, política e poder de persuasão: mesmo com 1,62 m de altura, Napoleão foi um grande General e proclamado Imperador Francês no séc. XIX. Detalhe: é sabido que o General Bonaparte usava sapatos salto-alto confeccionados exclusivamente para ele!

Em termos de tamanho, outra polêmica que reina é sobre o pênis masculino.

As dimensões penianas têm comprovado efeito sobre a autoestima, vaidade e virilidade masculina (Davis SN, Paterson LQ, Binik YM, 2012. Male genital image: Measurement and implications for medical conditions and surgical practice. Sexologies 21: 43-47). Nas avaliações em pacientes que se submetem à cirurgia para aumento do tamanho do pênis, mais de 75% deles apresentam dimensões penianas consideradas “normais” ou “medianas”, mas todos eles se mostram insatisfeitos com seus dotes naturais. Calma, prezados leitores! Essa técnica ainda não traz resultados 100% isentos de efeitos colaterais indesejáveis!

O pênis masculino possui comprimento médio de 13 cm, mas, claro, há significativa discrepância entre populações no Mundo. Mais favorecidos, NA MÉDIA – antes que piadas infundadas sejam lançadas – são os africanos sub-saharianos, e menos favorecidos, os nativos de países do sudeste asiático. Mas isso não quer dizer que as mulheres africanas e asiáticas sejam, respectivamente, as mais felizes e infelizes em seus relacionamentos.

Muito curioso é observar a discrepância nas dimensões do aparelho genital masculino entre os vários primatas. A espécie humana, em termos comparativos, possui o maior pênis entre os primatas/hominídeos, em relação ao tamanho corporal. Por outro lado, os chimpanzés possuem os maiores testículos e, portanto, produzem mais esperma para a fecundação. Gorilas, comparativamente, perdem para humanos e chimpanzés em ambos os quesitos, mas não em tamanho corporal. Não é o momento de ser obtusa(o), pudica(o) ou preconceituosa(o): perceba aqui um importante fator de seleção natural entre essas espécies (Short RV, 1979. Sexual selection and its component parts, somatic and genital selection, as illustrated by man and the great apes. Advances in the Study of Behavior 9: 131-158).

Intrigante é o fato de que, teoricamente, a espécie humana atual seja a única classicamente monogâmica entre essas espécies (Simmons LW & Fitzpatrick JL, 2012. Sperm wars and the evolution of male fertility.Reproduction 144: 519-534). Recentemente, dois artigos publicados em revistas de enorme prestígio científico comprovaram que a atração física feminina aprecia, excluindo aspectos socioculturais, uma combinação de 3 principais fatores morfológicos: formato corporal (em “T”, preferencialmente), altura e dimensões penianas (Mautz BS, Wong BB, Peters RA, Jennions MD, 2013. Penis size interacts with body shape and height to influence male attractiveness. Proceedings of Natural Academy of Sciences USA 110: 6925-6930; Tiggemann M, Martins Y, Churchett L, 2008. Beyond muscles: unexplored parts of men’s body image. Journal of Health Psychology 13: 1163-1172)

Assim sendo, o tamanho do pênis pode, sim, ter sido um fator importante durante a evolução dos hominídeos. Embora sejam muito comuns comentários sobre o comprimento do pênis, a largura parece ser uma dimensão mais importante no que tange satisfação feminina. Dentre 170 mulheres holandesas consultadas, 20% delas considerou o comprimento peniano importante, mas 32% salientou a largura (Francken AB, van der Wiel HBM, van Driel MF, Weijmar-Schultz WCM, 2002. What importance do women atribute to the size of the pênis? European Urology 42: 426-431). Antes de qualquer conclusão precipitada, reparem que estas % representam MINORIAS no espaço amostral, mas ainda uma % respeitável. Em um estudo semelhante com mulheres croatas, entretanto, um fator interessante foi agregado à perspectiva: a faixa etária das mulheres consultadas e o número de parceiros que essas mulheres tiveram. Embora boa fração das mulheres tenha atestado a importância das dimensões penianas (principalmente largura), a importância desse fator só aumentou entre os grupos de mulheres que tiveram maior número de parceiros! (Stulhofer A, 2006. How (un)important is penis size for women with heterosexual experience? Archives of Sexual Behavior 35: 5-6).

Outro estudo estarrecedor mostra que mulheres que atestam preferência a pênis mais longos atingem mais facilmente o orgasmo vaginal, enquanto que mulheres que optam mais pela largura peniana têm maiores relatos de orgasmos clitorianos (sendo sincero: eu nem sabia que havia dois tipos! rs)(Costa RM, Miller GF, Brody S, 2012. Women who prefer longer penises are more likely to have vaginal orgasms (but not clitoral orgasms): implications for an evolutionary theory of vaginal orgasm. Journal of Sexual Medicine 9: 3079-3088).

Mas os humanos não são simples primatas com seus membros reprodutores expostos para a visualização e seleção por parte das possíveis parceiras (em nenhuma circunstância, seus deturpados!). Quase que incontáveis outros aspectos se sobrepõem a essa “mensagem primitiva” e subliminar, ainda mais considerando o gênero feminino humano! E isso não é uma piada, é um fato atestado! Frente aos aspectos socioculturais, morais e éticos da vida em sociedade, fatores como nível de instrução, espírito paternal, sucesso profissional e financeiro são igualmente apreciados pelas mulheres casadoiras. Outro fato: as mulheres, em geral, não possuem essa atração pontual e objetiva típica dos homens. Para serem conquistadas – se bem que na Natureza, são elas que escolhem! – não basta aos pretendentes simplesmente bater no peito, fazer sua dança especial do acasalamento e mostrar sua genitália. Os homens devem criar uma atmosfera, um clima, repleto de inúmeros estímulos sensoriais: olfativos (perfumes, odores agradáveis e sedutores), palatais (um jantar diferente, chocolates especiais, bebidas excêntricas), táteis (carícias, massagem relaxante), auditivos (música romântica, sussurros, etc) e, sim, visuais. Acima de qualquer benevolência genética, os homens que desejam algum sucesso nesse campo romântico, devem ouvir suas pretendentes e seguir essas leis da sedução. É a Ciência quem afirma isso!

Um abraço

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