Arrisque-se a ser feliz

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Marcelo Paes Barros

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em 01/fev/2017 - 5 Comentários

Por Marcelo Paes Barros

Prezados leitores, um grande 2017 para todos! Depois de uma quase imperdoável ausência, resolvemos, nós editores do BLOG Cruzeiro do Sul, voltar à ativa! Esse renascimento se deve a vocês, alunos, funcionários, colegas acadêmicos e leitores desse BLOG que, através de manifestações pessoais ou digitais, questionaram a ausência de novas matérias. Surpreendemo-nos. Vocês estão certos: esse é um veículo livre de expressão que não pode padecer! Obrigado pelas manifestações de apreço por esse nosso trabalho criativo.

Gostaria de reativar minhas atividades nesse BLOG com uma breve reflexão sobre a felicidade. Sob meu ponto de vista, a felicidade deveria ser SEMPRE o objetivo final de qualquer, absolutamente qualquer, atividade que desempenhamos em nossas vidas. Busque-a, sempre! Sob essa premissa, uma boa dose de serotonina deveria inundar nossos cérebros (córtex frontal, principalmente) ao final de cada atividade desempenhada e, assim, nos trazer um prazer recompensador. E digo mais: se houver, preferencialmente, algum nível de apreciação ou reconhecimento do trabalho desempenhado, a motivação para repetir aquela atividade ou se aventurar a qualquer outra, mesmo que mais desafiadora, será ainda maior! Risco-recompensa, é o princípio aqui envolvido. Sair da zona de conforto, do status quo, parece ser a melhor estratégia para a felicidade. Infelizmente – advérbio precisamente encaixado aqui – não é isso o que geralmente acontece.

Somos forçados a seguir roteiros pré-determinados na sociedade moderna. Não há muito espaço, ou melhor, tolerância, para inovações ou quebra de padrões. A vida moderna parece ser uma peça de teatro exaustivamente ensaiada e com personagens muito bem caracterizados, mas não um espetáculo cômico de improviso. Tal fato pode ser evidenciado com uma breve conversa com seus amigos, principalmente da mesma faixa etária! São EXATAMENTE os mesmos problemas e dilemas – existenciais ou profissionais – mas em endereços diferentes.

dalai lama

Os padrões sociais pré-concebidos são evidentes nos adolescentes e suas selfies superproduzidas, as quais são (e devem ser, segundo essas diretrizes sociais) constantemente divulgadas nas mais diferentes mídias sociais. Jovens desesperadamente buscam sua própria identidade, aceitação e autoestima. Pobre do garoto que postar uma foto desleixada na sua página do Facebook: o bullying será imediato, ainda mais nessa era digital que vivemos!

Os personagens da peça teatral são também protagonizados por jovens adultos e seus narguilés, tatuagens, fotos na piscina e cabelos coloridos. Por mais diferentes que tentem ser, todos estes itens se enquadram no mesmo padrão esperado para aquela faixa etária. E que tal os trintões? Jovens executivos, work-a-holics ambiciosos, sonhando em trocar anualmente de automóvel e montar sua casa de praia/campo com o catálogo completo da Tok&Stok! Quarentões e suas viagens em motor-home pela Europa, suas motos Harley-Davidson, e selfies na academia. Tudo clichê. Vale um adendo: se as atitudes supracitadas lhes trouxerem real e genuína felicidade, façam! Mas, por favor, estejam convictos de que não se trata apenas de uma performance de encaixe social, ok?

Embora qualquer comportamento social atípico seja visto com enorme estranheza pelos membros da hermética sociedade, estas atitudes são as que eu, saibam vocês, mais admiro! Mais que admiro, invejo a coragem desses asteriscos do padrão social pré-concebido!

Admiro e invejo a professora universitária que largou tudo e foi viver em uma comunidade autossuficiente na Índia. Admiro e invejo a executiva de sucesso que largou seus tailleurs e jantares de negócios e foi tentar outro curso de graduação, vinte anos após sua primeira formatura. Admiro e invejo os jovens surfistas que viajam o mundo atrás de ondas naqueles incríveis programas do Canal Off.

“Irresponsáveis! Vagabundos! Iludidos!”, braveja a grande maioria da sociedade.

“Felizes…”, digo eu.

Sei que é difícil fugir desses padrões sociais. Por outro lado, acredito que só realmente morremos quando deixamos de sonhar ou quando não mais buscamos a felicidade em nossas vidas. Recuso-me a deixar de ser feliz!

Pensem nisso.

Anexo aqui um videoclipe para sua inspiração!

30 e poucas malditas primaveras

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Marcelo Paes Barros

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em 17/ago/2015 - 13 Comentários

Por Marcelo Paes de Barros

Quero aqui, queridos leitores, praticamente prestar um serviço de utilidade pública. Você, que é ainda um jovem adulto, está prestes a enfrentar um dos piores períodos da sua vida ao adentrar às, como chamo, 30 e poucas malditas primaveras. Preparem-se.

Passei dessa fase há algum tempo e hoje, fazendo uma análise pregressa e bem reflexiva, percebo que foram os anos de minha vida em que mais cometi erros. Tomei decisões precipitadas, enrijeci relações pessoais, fui radical, preconceituoso e intolerante. Amarguei um rótulo de arrogância que ainda me assombra às vezes. Nunca fui assim, mas se travesti assim naqueles anos. Percebo-me hoje mais leve, maduro e quase convicto de ter todas as variáveis sob controle. Será necessária a tormenta para a subsequente prometida bonança? O que será que aconteceu?

Meus amigos, a década dos 30 anos traz, no preceito da vida moderna, infindáveis cobranças. Primeiro: é o momento de nossas vidas no qual devemos nos estabelecer profissionalmente para tentar garantir um emprego estável. Provavelmente formado, é a hora de ganharmos independência, montarmos nosso pé-de-meia, constituir patrimônio e alavancar os planos idealizados. Naturalmente, você acreditará que tudo isso virá, única e exclusivamente, da sua força de trabalho. Serão horas à fio. Você se esfalfará de trabalhar na tentativa de se fixar em sua empresa, deixando sua vida pessoal e sua saúde relativamente de lado.

Nesse âmago, surgirão inúmeros conflitos pessoais e profissionais, já que, obviamente, muitos outros ambiciosos de 30 e poucos anos também disputarão essa posição contigo! Seus pés tremerão sobre tapetes que serão constantemente puxados. Serão contendas pessoais deflagradas, desafetos e intrigas, como naquelas séries de TV à cabo. Provavelmente, suas defesas naturais serão a soberba, a arrogância e a prepotência, as quais insuflarão sua alma. Tudo e todos conspiram contra você, é o que você imagina.

Coincidentemente (ou seria, tragicamente?), nessa mesma fase da sua vida você decidirá dar um passo à frente com sua cara-metade! A própria projeção profissional parece impor essa condição! Vocês se casam e independentemente se moram na casinha dos fundos do terreno dos seus pais ou em um flat moderno nos Jardins, a dura realidade do convívio mútuo sob 4 paredes começa a se mostrar, dia após dia, cada vez mais complicado. No início, tudo é tolerado: uma toalha molhada na cama será um descuido. Uma compra fora de hora no cartão de crédito será apenas um mimo. A visita da sogra na sexta-feira à noite fará parte da nova realidade da vida do casal. Infelizmente, meus amigos, uma gota caindo na testa não é nada, até que ela comece a cair de 10 em 10 segundos. Em um curto intervalo de tempo, esses “descuidos” tornar-se-ão tempestades violentas que abalarão as estruturas daquele domicílio e de sua própria sanidade.

Além disso, nem homens, e muito menos as mulheres, atingiram o ápice sexual aos 30 e poucos anos. Inúmeros tabus e bloqueios nas cabeças dos cônjuges normalmente conduzem a comportamentos nocivos de ambos os lados. Serão comuns situações envolvendo ciúme doentio, desconfiança, carência e, na minha opinião, o pior dos sentimentos: a expressão “o que ela(e) vai pensar de mim?”. Essa sensação auto incriminatória te assombrará e impedirá (ou atrasará) sua realização sexual. De frustração em frustração, os alicerces do tesão, do amor e da parceria são infelizmente corroídos.

frustração

Em um desfecho quase trágico, se não fosse mágico, é também a hora de dar mais sentido a sua existência: passar seus genes adiante! E, embora seja realmente uma experiência fascinante, mais energia, tempo e dedicação serão igualmente demandados para a maternidade/paternidade. Dignos, vocês desejarão ser pais presentes, atuantes e envolvidos com o crescimento e desenvolvimento de seus filhos. E é exatamente o que eu lhes pergunto: de onde virá tanta energia, tempo e dedicação para TANTAS atividades simultâneas?

Não virão, lamento. E você só se dará conta disso quando a tormenta passar. Vejo muitos amigos na casa de seus 40, quase 50 anos, corroborando essa minha teoria. Contudo, a plenitude dessa faixa etária superior só foi proporcionada justamente pelo estresse vivenciado aos 30 e poucos anos. Aprendemos com os erros. Nos adaptamos conforme as necessidades. Eu lamento muito os erros cometidos no passado, mas foram eles – ou a retratação deles – que me tornaram mais autoconfiante e convicto hoje. Agradeço cada situação difícil vivida pelo próprio desafio imposto. Aos 40-50 anos você se torna mais nostálgico e mais reflexivo. É engraçado. Sinto-me bem!

A vocês, queridos leitores e leitoras ainda longe da faixa dos “enta”, torço por uma travessia astuta. Fiquem alerta aos sinais e tentem entender seu amigo editor aqui.

Um abraço

Melancolia

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Marcelo Paes Barros

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em 16/mar/2015 - Sem Comentários

                                                                        por Marcelo Paes Barros

Como se sabe, a obesidade, o diabete e a síndrome metabólica são patologias bem descritas fisiologicamente e que afligem os seres humanos modernos, principalmente os nascidos a partir do meio do século XX. Em relação às doenças psicológicas modernas, todos as faixas etárias (incluindo crianças) já apresentam índices preocupantes de ansiedade, estresse, psicoses e as mais distintas síndromes, p.e. pânico, déficit de atenção, etc. Embora esses sejam males decorrentes da vida acelerada que temos atualmente, um mal oriundo nos primórdios da existência humana sempre bate à porta da nossa consciência, mais cedo ou mais tarde: a melancolia.

melancolia                                                                                         (Melancholia (de Albretch Dürer, 1514)

Mas, afinal, o que é a melancolia? “Ah, já sei, é um sinônimo de depressão”, responderiam os mais apressados. Eu tenho que discordar parcialmente. Fisiologicamente, a depressão é causada por variações anômalas nos níveis de importantes neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, em determinadas regiões do cérebro e que significativamente afetam a memória, impulsos de prazer e a disposição física e mental. Muitos pesquisadores mostraram que tais fenômenos ocorrem naturalmente em alguns períodos de nossa vida, como na adolescência e na menopausa (para mulheres) ou andropausa masculina, períodos caracterizados por grandes oscilações hormonais. Indubitavelmente, predisposição genética, alimentação, hábitos cotidianos também são fatores promotores da depressão. Contudo, não é disso que aparentemente trata a melancolia, em sua essência.

A melancolia, exatamente com esse nome, é descrita desde a Antiguidade e com relatos reincidentes principalmente durante a Idade Média, quando os avanços da criatividade humana – geralmente manifestados através da Ciência e da Literatura – eram fortemente tolhidos pela Inquisição e castração religiosa da época. A liberdade de pensamento e de expressão naquela época funcionava como uma prisão intelectual que culminava na melancolia. Na Renascença, a melancolia foi até considerada como uma dádiva, pois julgava-se que alguém melancólico, assim o era, por elucubrar em demasia os fatos de sua vida e de sua existência. Assim, o melancólico era, portanto, um ser mais consciente de sua realidade. Os inquisidores olhavam os melancólicos com cautela e com certa perseguição, inclusive. Talvez a melancolia tenha sido o grande mal de toda a Humanidade, já que sua definição anteriormente se mesclava/confundia com a depressão e tantas outras psicopatologias de outrora.

melancolia2

Muitos pregam que “de tanto pensar, não se chega a lugar nenhum!” Isso exatamente é a melancolia! Subitamente, após tantas reflexões sobre sua própria existência, sobre seu papel nessa vida e o que ainda pode ser feito, o indivíduo consciente conclui: “Puxa, então é só isso? Que existência efêmera!” Dessa desesperança, dessa clara e precisa identificação do fim do túnel vem a melancolia. De acordo com as premissas da filosofia Platônica: “A consciência humana é uma maldição”. Prever e antecipar o futuro nos traz desespero e um senso de “fim da jornada”. Muitos pesquisadores afirmam que a maioria dos animais – caímos aqui em outra discussão: o grau de consciência das diferentes espécies animais – vivem o seu dia a dia aparentemente com a mesma intensidade por terem uma visão limitada de antecipação. Obviamente, sabemos que isso é bastante discutível. Outra discussão para uma outra oportunidade.

Daí, tantos outros filósofos igualmente concluem: “A ignorância é acalentadora…” O “não saber” parece, muitas vezes, mais confortante do que a plena e dura consciência da realidade. Sob os rígidos dogmas religiosos, devem existir outras vidas, reencarnações, chances, para que a essência humana, a individualidade, seja perpetuada! “Pelo amor de Deus, que existam (Rsrsrsrs)!” Sem dúvida, essa é uma visão egocêntrica, antropocêntrica e, por que não, egoísta da existência humana. As religiões buscam trazer, justamente, esse conforto, caso você assim aceite.

Dessa conclusão desiludida e indelével sobre nossa vida é que vem o sentimento da melancolia. A melancolia nos faz perceber que a vida é efêmera e que temos que nos apegar aos melhores valores da existência humana para dar valor a ela.  Geralmente, a resposta à melancolia é a busca contínua de estímulos que façam cada ínfimo e mínimo segundo de nossa existência ter algum valor. A melancolia é a desesperança em si, quase o desespero. A resposta à melancolia é a reinvenção do espírito humano.

Acredito que um quadro depressivo seja oriundo dessa desesperança ou, como no eterno dilema do ovo e da galinha, que a melancolia seja produto das anteriormente descritas oscilações dopami-/serotoninérgicas em nossos cérebros. Independentemente de sua origem, a melancolia nos acomete alguma vez na vida, com maior ou menor intensidade. Sendo assim, cabe a você, querido leitor, fazer valer cada momento de sua vida ou simplesmente aguardar, enclausurado, o irrefutável fim de nossa existência. Eu opto pela vida!

Um abraço.

Don’t stop the party!

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Marcelo Paes Barros

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em 27/out/2014 - 13 Comentários

Por Prof. Marcelo Paes Barros

Queridos amigos(as)

Ando preocupado. Pergunto, de supetão, aos meus queridos estudantes: vocês têm realmente aproveitado essa sensacional fase da vida de vocês?

Saibam, então, que a época da faculdade foi, é, e será, o melhor período da sua vida! Essa fase representa um prelúdio da vida adulta, com suas responsabilidades, comportamento contido e hermética administração do tempo, mas com o frenesi das descobertas da adolescência, o frescor da juventude e tudo regido pelas inacreditáveis oscilações hormonais. Como digo aos meus alunos do grupo de pesquisa: “Aproveitem! Não esperem até ficarem do outro lado da mesa de trabalho”.

Além de toda formação acadêmico-profissional que o Ensino Superior proporciona, a época da faculdade é, sobretudo, uma fase de duras lições pessoais, de encruzilhadas sentimentais, mas também prazeres e alegrias incomensuráveis. “(…) from crayons to perfume”, como diz a famosa canção do filme “Ao mestre com carinho” (“To Sir with love”, Lulu, 1967).

Muitas vezes, a faculdade traz o primeiro namoro sério, as maiores responsabilidades, as festas mais iradas, as memoráveis performances atléticas, os jogos mais heroicos e, em suma, as melhores histórias da sua vida! As mesmas histórias que serão repetidamente contadas entre amigos da época, para seus filhos e seus netos. Talvez, até sejam as últimas imagens lúcidas que passarão em sua mente na reta final de sua existência. Momentos felizes, simplesmente.

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Hoje, com 46 anos, encontro-me quinzenalmente com os amigos da faculdade para jogar basquetebol. Entramos na faculdade no final dos anos 80, início dos anos 90, perfazendo, portanto, quase 30 anos de amizade. Nosso jogo hoje é, obviamente, pouco atlético porém mais divertido! Cerveja, churrasco e as mesmas e hilárias histórias do passado fazem parte do cardápio fixo do evento. Sempre que posto nossas fotos antigas na mídia social, observo que os comentários são uníssonos: que época fantástica!

Daí vem minha preocupação. Não vejo esses mesmos eventos nos dias de hoje em nossa Universidade. Onde estão os panfletos das festas temáticas? Onde estão os cartazes informativos dos torneios esportivos internos ou contra outras universidades rivais? Há, sequer, alguma rivalidade esportiva em questão? Onde estão as fotos das suas viagens com os amigos da classe? Onde está a Batucada oficial da Universidade? A única investida que vi, nos últimos anos, foi a Atlética da Medicina Veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul. Eles possuíam uma boa estrutura regimental, organizaram festas, fomentaram treinos periódicos em várias modalidades, participaram de vários torneios esportivos externos e tinham até um logotipo e um mascote! Infelizmente, com a natural formatura das turmas, esse ímpeto se perdeu.

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Eu, particularmente, gostaria que vocês vivenciassem toda a atmosfera universitária na sua plenitude máxima. Que aprendessem a dividir bem suas obrigações acadêmicas com a diversão também necessária. Que acumulassem experiências.

Antes que vocês, discentes, deem a resposta mais previsível do mundo, já vou me adiantar: a iniciativa TEM que vir de vocês! Não esperem que os acadêmicos de meia-idade (ou mais), seus professores, se mobilizem para isso. Vocês têm que mostrar interesse! Mexam-se! Organizem-se. Montem suas Associações Atléticas, reúnam-se. Com propostas sólidas em mãos, encaminhem-nas para os órgãos superiores, para agendar horários de treinos, pedidos de financiamento para uniformes (ps. Nunca conseguimos, sempre pagamos os nossos próprios uniformes), reserva de espaços para festas temáticas, patrocinadas ou não. Eu sei que há uma série de nuances aqui, mas se não houver sequer a tentativa, tudo será sempre e aborrecidamente igual.

Lembrem-se: na juventude temos tempo e energia, mas não temos dinheiro. Na fase adulta, temos (algum) dinheiro e energia, mas não temos tempo. Na velhice, temos (algum, de novo) dinheiro e tempo, mas não temos energia. Viva cada experiência na fase certa e seja feliz!

Um abraço

1440 minutos

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Marcelo Paes Barros

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em 13/out/2014 - 1 Comentário

Por Marcelo Paes Barros

Meus amigos, reservei a data do meu aniversário para escrever essa matéria a vocês, como se fosse um auto presente. Anualmente, nesse período, faço um balanço interno e reflito sobre minhas ações, comportamento e futuro e gostaria de compartilhar essas turbulências com vocês. Trago hoje minha perspectiva sobre um problema que me atormenta muito desde o início da fase adulta e até os dias de hoje: o tempo!

Acredito que se você já tenha enfrentado esse dilema: como usar seu tempo para as várias tarefas que tem e que gostaria de fazer? Inúmeras tarefas no trabalho, umas urgentes, outras sem prazo bem definido, cuidar da saúde (consultas ao dentista, médicos de diferentes especialidades, etc.), dormir, exercitar-se, divertir-se com os amigos, namorar, ir ao cinema, interagir com seus filhos e outros familiares, ou simplesmente não fazer nada, como uma samambaia à frente da TV. Sim, você tem direito e merece até mesmo o ócio improdutivo, ou, vulgarmente aclamado como, “coçar o saco”! Contudo, infelizmente, como dizia minha avó: “Dois proveitos não cabem dentro de um saco!”

Lembro-me bem quando a noção de tempo me aterrorizou pela primeira vez. Foi em uma aula de matemática, ensino fundamental, na qual se discutiam as frações. A professora Suzana questionou: “Considerando que o dia tem 24 horas e que devemos dormir 8 horas por noite, qual é a fração do dia que permanecemos dormindo?”. Boa parte da classe respondeu: “Um terço!”. Contudo, recordo-me bem que eu exclamei atônito: “Professora, se dormimos 1/3 do tempo do dia, significa que passamos também 1/3 de nossa vida inteira apenas dormindo!”. “Sim”, concordou a professora Suzana.

Aquela informação me assombrou. Parecia uma total perda de tempo valioso. Tempo, o qual, poderia ser empregado para realizar inúmeras atividades mas, ao contrário, eram ali “desperdiçadas” com nosso corpo inerte e em baixa demanda metabólica. Não parecia certo…

tempo

Se vocês não perceberam, 1440 minutos correspondem exatamente à quantidade de tempo gasto para uma rotação completa da Terra em torno do seu próprio eixo, ou seja, um dia. Todos nós, qualquer um de nós, está submetido a este ciclo diário. Não há como fugir dessa regra indelével. No padrão atual de uma vida contemporânea, a produtividade e, oriunda dessa, a competitividade se fazem mais e mais presentes em nosso cotidiano. A competitividade, mesmo inconsciente, às vezes, se revela nas disputas pelo maior número de aprovações nas disciplinas que estudantes cursam, nas notas que obtiveram, quem corre ou nada as maiores distâncias no menor tempo, na perfeição das unhas e no corte do cabelo, ou na quantidade de dinheiro obtido com o menor esforço (sic!). As atuais mídias sociais – Facebook, Instagram, Twitter, e outros em fase de testes – servem como monitores dessa competitividade. Talvez “velocímetros” seja um termo mais adequado para a frase anterior.

Pois é, meus amigos, e aí vem uma das maiores verdades da nossa vida! Ainda no início da fase adulta, eu constatei um fato interessante: em nossa vida, nunca estaremos 100% em todas as ações que desempenhamos! Fato! Fatão! Fatality! Se estamos plenos no emprego, valorizadíssimos na profissão, treinando intensamente e com assiduidade, e nossos relacionamentos estão de vento em popa, pode esperar que, já já, alguma merda (desculpe o termo) ocorrerá com sua saúde! A hérnia de disco apitará. Você ficará resfriado. Alguma lesão muscular. Diferentes situações podem ser criadas alterando uma ou outra variável dentre as cinco: trabalho, saúde, amor, família e lazer. Sabe por quê? Porque nós, todos nós, temos somente 1440 minutos por dia! Se você trabalha muito, reserva tempo para seus exercícios e mantém seu coração irrigado com amor, sem dúvidas, faltará tempo para, acredite, simplesmente dormir o suficiente. Sua saúde será prejudicada. Crie outras situações imaginárias ou faça sua própria autoanálise.

Assim sendo, meus amigos, sua competitividade em qualquer setor deve ser avaliada com cautela. Você não sabe como seu hipotético “competidor” divide o tempo dele! Pode ser que ele pareça ser o super poderoso de sua empresa, o jovem promissor, um prodígio, mas você não sabe os níveis de colesterol circulantes no sangue dele e nem mesmo se ele chora todas as noites no travesseiro, sozinho em seu quarto! A vida é feita de prioridades e não se pode ter tudo ao mesmo tempo. Desculpem-me decepcioná-los.

Antes do início da meia idade (afinal, já tenho 46 anos), almejava ser um grande, grande mesmo, pesquisador. Vislumbrava quantos papers queria publicar, em quais revistas, e como queria ser reconhecido no meio científico internacional. Contabilizava qual deveria ser minha média de publicações anual, por exemplo. Isso tudo antes de meu filho nascer. Aprendi, na marra, qual era o verdadeiro valor da vida: SER FELIZ! Meu filho me mostrou claramente isso pela simples condição de existir! Conforme dores surgiram no meu corpo, o estresse tomou conta da minha disposição diária e as rejeições dos artigos multiplicaram-se, entendi, com clareza para que serve nossa vida: para sermos felizes! Concordo que as prioridades de nossa vida podem e devem mudar mas, sempre, mire na felicidade!

Aumente a eficiência das suas tarefas. Isso elevará as % de sucesso nas suas investidas, conforme o tempo que se dispôs a realizá-las. Trabalhe com 60-70% para todas as atividades. Esse é um bom número para rendimento. Entenda como as coisas funcionam e quais são as regras da vida. Frustre-se menos e busque sua felicidade!

Bons tempos virão!

Um grande abraço

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