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Tá dominado, tá tudo (quase) dominado… aprenda com a História!

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Marcelo Paes Barros

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em 28/set/2011 - 2 Comentários

Relativamente próxima à antiga Mesopotâmia (atual Iraque), a Capadócia é uma região na Turquia que também pode ser conisderada como o berço da civilização humana. Artefatos e peças cerâmicas da Antiguidade resgatam os primórdios do desenvolvimento humano neste planeta.

O terreno é geologicamente formado pela sobreposição de solos vulcânicos e formações cristalinas mais resistentes. Esse tipo único de terreno permitiu, desde a Idade do Bronze (~ 8.000 A.C.), que os humanos construíssem cidades subterrâneas, pela facilidade em esculpir e cavar buracos neste terreno. Estas habitações serviram de refúgio para muitos povos, entre eles os hititas (2.000 A.C.), os persas e até mesmo os cristãos, durante a dominação local pelo Império Romano. Uma das habitações mais impressionantes se localiza em Kaymakli, Anatolia. Os labirintos verticais de Kaymakli possuem 8 pavimentos sobrepostos, todos comunicados por estreitas vielas e passagens extremamente baixas (algumas exigem passar agachado). Há um inacreditável sistema de ventilação que garante ar fresco a qualquer um dos 8 pavimentos. Estima-se que cerca de 3500 pessoas (!) viveram naquelas habitações. Todos os salões esculpidos na rocha possuem orifícios para a passagem de itens entre os salões e pavimentos (comida, instrumentos,etc), mas também servem para a importante comunicação visual entre as pessoas em diferentes níveis.

Mas, por que aqueles povos decidiram viver em, literalmente, buracos na terra em condições aparentemente sub-humanas? Resposta: proteção. Após a grande conquista do Oriente, nem mesmo o grande general grego, Alexandre, o Grande, conseguiu dominar a região. Seus soldados foram dizimados pelos habitantes locais (persas, na época) que se escondiam e os tocaiavam naqueles labirintos. Do mesmo modo, os soldados não conseguiam destreza para usar suas armas ou se movimentar naquelas vielas estreitas e baixas, apesar de seu qualificado treinamento. Ao mesmo tempo, eram atacados com lanças através dos orifícios cavados nos salões. A grande estratégia dos persas era, simplesmente, conhecer plenamente o terreno de combate.

Caro leitor, caso você ainda não tenha percebido, o título da matéria remete a história da Capadócia antiga ao que exatamente acontece nas favelas do Rio de Janeiro! Os traficantes tocaiados naquele labirinto de barracos tornam o controle da região praticamente impossível. Há cerca de 1 ano, um cerco teoricamente intransponível foi estabelecido pela polícia do Rio de Janeiro/BOPE no morro do Alemão. Apesar da captura de muitos bandidos, os líderes do tráfico naquela região aparentemente escaparam por uma rede de esgoto desconhecida. Podemos, assim dizer, que a dominação deste poder paralelo ainda persiste.

Temos que aprender algumas lições com a História e com suas famosas estratégias de batalha. Para refletir: Alexandre, o Grande, estendeu o domínio grego até a Pérsia por volta do século IV A.C., com exceção desta pequena região da Capadócia, que permaneceu sob controle do aristocrata persa Ariarathes, proclamado rei da Capadócia! Não gostaria do mesmo final para a Cidade Maravilhosa…

Michelângelo: o Divino

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Regina Tavares

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em 20/set/2011 - 11 Comentários

Em nosso último post tratamos do Renascimento nas artes, excelente pretexto para trazermos à tona um dos maiores expoentes desse período: Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Caprese, *1475 - Roma, +1564), mais conhecido como Michelângelo. Entre os seus maiores feitos, sem dúvidas, está a Capela Sistina. Para acessá-la, em Roma, é preciso percorrer, ao menos por 30 minutos, o extenso acervo do Museu do Vaticano. Após um sobe-e-desce sem fim de escadas e longos corredores repletos de preciosidades como as artes greco e romana antigas, finalmente adentra-se a Capela Sistina para disputar, com centenas de turistas, uma posição privilegiada para observar os detalhes de uma obra monumental. Dá-lhe torcicolo, devo confessar. Mas vale a pena.

A Capela Sistina tem esse nome por causa do Papa Sisto IV e foi erguida em 1473. No ambiente é possível notar a presença de outros grandes artistas da época, tais como: Botticelli, Roselli, Signorelli, Guirlandaio e Perugino. Nas laterais, pintadas entre 1481 e 1483, observa-se episódios paralelos às vidas de Moisés e Cristo. Apesar da beleza de tais afrescos, o toque de Michelângelo rouba a cena. Entre 1508 e 1512, a pedido do Papa Júlio II, Michelângelo criou o teto da Capela com episódios como A Criação de Adão e O Pecado Original. Temas dos Antigo e Novo testamentos também podem ser contemplados.

A superfície superior da Capela Sistina foi dividida em áreas, nas triangulares há as figuras de profetassibilas; nas retangulares, os episódios do Gênesis. Como imagens de fundo, temos:

. Deus criando o Sol e a Lua;
. Deus separando a Luz das Trevas;
. Deus separando a terra das águas;
. A Criação de Adão (a mais famosa, vide abaixo);
. A Criação de Eva;
. O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso;
. O Dilúvio Universal;
. O Sacrifício de Noé;
. Noé Embriagado.

Duas décadas depois, entre 1534 e 1541, Michelângelo terminou a decoração da Capela ao acrescentar o Juízo Final na parede do altar. A visão é de arrepiar os mais céticos diante das almas que enfrentam o julgamento de Deus e das que foram condenadas ao inferno. Nesta última empreitada, Michelângelo não teve piedade e sacrificou alguns afrescos de Perugino, anteriores a sua obra.

Na época, Michelângelo dispensara os assistentes que havia contratado por julgar o trabalho dos mesmos, insuficiente. Alguns estudos apontam que Michelângelo se sentiu um tanto contrariado em aceitar o desafio da Capela Sistina, tendo em vista sua maior afinidade com o universo da escultura e não da pintura. Para atestar seu talento nesta área basta recorrer a obras monumentais como Pietá (1499), criada com maestria quando o artista tinha apenas 25 anos e David (1501-1504), sua maior escultura.

No livro Segredos da Capela Sistina sugere-se que o artista tenha usado de criptografia e seus conhecimentos em textos judaicos e cabalísticos, contrários ao cristianismo, para atacar o Papa e defender aquilo em que acreditava. A visão atormentada do artista em relação à própria fé está presente na pintura do mártir São Bartolomeu, na qual Michelângelo se autorretratou. Parece impossível pensar que somente um homem tenha desenvolvido o que se tornaria um dos maiores tesouros da humanidade. Não é à toa, que ainda em Florença, Michelângelo fosse intitulado pelos seus pares como o Divino.

Ao visitar a Capela Sistina, vale saber que é proibido fotografar e que o silêncio é solicitado insistentemente. No link abaixo, você transita pela Capela em 3D, pelo tempo que quiser e ao som de cantos gregorianos. Se prepare para esta experiência sensorial. Inté!

Referências: Vaticano

Renascimento em Florença

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Regina Tavares

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em 30/ago/2011 - 9 Comentários

Em continuidade aos posts sobre minha viagem à Europa, destaco minha incursão ao universo artístico de Florença, na Itália. Desde o século XVI, a cidade se tornou referência para um movimento, que no futuro ganharia o nome de Renascimento. Enquanto a arquitetura buscava inspiração em modelos clássicos, a arte renascentista apostava em uma nova compreensão da perspectiva, da religião e da anatomia com o auxílio de gênios como Leonardo da Vinci, Michelângelo, Donatello e Botticelli.

Para constatar a efervescência deste período para a erudição e as artes, vale conferir a Galeria Uffizi, construída entre 1560 e 1580, para abrigar o escritório do duque Cosimo I. Em 1581, os herdeiros de Cosimo usaram o espaço para exibir o acervo da família Médici. Eis que surge a galeria de arte mais antiga do mundo. Logo no início desta sensível expedição pela cultura florentina, se descobre um corredor com exposição permanente de esculturas gregas e romanas. Já as pinturas, ponto alto da Uffizi, estão dispostas em salas separadas por ordem cronológica; o que permite aferir o desenvolvimento da arte italiana a partir do estilo gótico ao auge do renascimento.

Pode-se notar em algumas obras, o tom racionalista e uma nova atitude diante da espiritualidade, tão evidente no estilo gótico.  Determinadas obras mostram como o homem passa a se interessar pelo mundo material e suas belezas naturais. O domínio de técnicas como a geometria e a perspectiva também estão incutidas em obras que se arriscam a criar a ilusão de espaço e de profundidade pela primeira vez. Destas obras, é imperdoável não apreciar Botticelli em O nascimento de Vênus (1485) e em Primavera (1480). Na primeira obra, Botticelli troca a Virgem pela Deusa do amor e na segunda, deixa a pintura religiosa cristã de lado, ao retratar o ritual pagão da primavera.

Nas ruas de Florença, é possível constatar a admiração por Botticelli em pinturas feitas por artistas de rua no asfalto.

Retratos renascentistas preocupados em retratar com fidelidade seus modelos também podem ser apreciados na Uffizi. Bons exemplos são o Duque e a Duquesa de Urbino (1460). Observe como o nariz quebrado do Duque não foi perdoado por Piero della Francesca.

A Sagrada família (1507) de Michelângelo também rouba a cena com o uso de cores vibrantes e poses incomuns para pinturas religiosas de então. Em meu próximo post, veremos como Michelângelo se tornou uma das maiores expressões do renascimento com a Capela Sistina.

Por fim, destaco as obras de Caravaggio, entre elas: Baco (1589) abaixo, Sacrifício de Isaac (1590) e Medusa (1596-1598).

Para completar o dia, nada melhor do que sair da galeria e seguir até o final da rua para apreciar o lindo pôr-do-sol na Ponte del Vecchio, construída em 1345 e a única a escapar ilesa da Segunda Guerra Mundial. Com sorte, é possível encontrar músicos de rua distraindo turistas neste cenário para lá de especial.

Inté!

“Semana de História” vem aí, repleta de palestras imperdíveis!

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Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

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em 22/ago/2011 - Sem Comentários

De 23 a 25 de agosto, a partir das 08h30, alunos e professores da Cruzeiro do Sul estão convidados a participar da “Semana de História”, evento organizado pela Coordenação do curso de História, cujo objetivo é o de o de ampliar as discussões nessa área do saber.

Serão 03 palestras ministradas por profissionais do grupo Ibope Mídia, do Colégio Marista e da Universidade de São Paulo.

A “Semana de História” será pautada por discussões acerca da “Classe C Urbana do Brasil”, “História e Vida” e “A História Oral e seu Público”, ao longo dos três dias de palestras.

As atividades trazem questões importantes para todos os envolvidos nas questões de ensino e pesquisa”, comenta a Profa. Drª. Andrea Borelli, coordenadora do curso.

A participação valerá como atividade complementar. Basta comparecer ao anfiteatro Carlos Aires, do campus Anália Franco, e aproveitar a oportunidade.

Confira, abaixo, a programação.

SEMANA DE HISTÓRIA

23 de agosto
Classe C Urbana do Brasil

Palestrante: Felipe Campos
Analista de Mercado do Ibope Mídia, cientista social formado na USP, com licenciatura plena

24 de agosto
História e Vida – o encontro epistemológico entre Didática da História e Educação Histórica

Palestrante: Ronaldo Cardoso Alves
Doutorando em Educação-USP, docente do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo e do Colégio Israelita Chaim N. Bialik

25 de agosto
A história oral e seu público – história oral, história pública e cultura editorial

Palestrante: Ricardo Santhiago Corrêa
Doutorando em História Social-USP, docente da USP

PENSAR PARA NÃO SER DEVORADO…

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Carlos Augusto Andrade

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em 18/ago/2011 - 10 Comentários

Lembrei-me de alguns textos que li na escola enquanto garoto. Gostava muito das lendas gregas, entre elas, uma que me chamou muito a atenção foi a de uma Esfinge (em grego antigo Σφίγξ). Ela era um demônio de destruição e má sorte, parecida com um leão alado com cabeça de mulher. Segundo a lenda, foi enviada da Etiópia para Tebas por um Deus. Ela aterrorizava o povo de Tebas por meio de desafios e, se as pessoas não conseguissem desvendá-los eram devoradas.

Conta a lenda que Édipo, criado por pais adotivos, mas filho do rei Laio e de Jocasta, regentes de Tebas, muito conhecido por ter matado o próprio pai, para dar cumprimento a uma maldição que estava sobre o rei, teve um encontro com a Esfinge.

Ao se aproximar, recebeu o desafio derradeiro: Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite? E aí, você estaria livre dos dentes daquela mulher com corpo de Leão. Édipo se safou, pois respondeu que era o homem, justificando que quando se nasce ele engatinha, portanto anda sobre quatro pés, ao crescer passa a andar sobre dois e, finalmente, ao ficar velho, devido ao uso de uma bengala, passa a estar sobre três pernas. Alguns dizem que a Esfinge morreu depois de ter sido derrotada por Édipo, outros dizem que ela devorou-se.

Gostava muito das lendas, pois esses textos nos faziam pensar. Éramos questionadores e o gênero “charada” era uma constante na escola.

É importante continuar refletindo, ser desafiado, para aprender a superar barreiras das mais variadas e não ser devorado por pseudo-inteligências. Não sei se a prática da charada ainda acontece na escola, mas para exercitarmos um pouco esse gênero, segue uma que fez parte da minha vida.

“Estava sobre a corrente das águas e podia observar a enxurrada que descia do alto e era acolhida no lugar que lavava os detritos dos cansados. Eu era o grande mergulhador e aquele que prendia as vestes até elas experimentarem a secura por meio dos ventos daquele lugar acolhedor”. Quem sou eu? Que lugar é esse?

Calma, fica o desafio, mas nada de ser devorado. O primeiro que postar uma resposta, ainda que aproximada, ganhará o livro “A Tríade” de minha autoria, com três outros escritores. O ganhador poderá retirar o livro na Universidade Cruzeiro do Sul, na Assessoria da Pró-reitoria de Extensão, ok?

Abraços lendários…

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