Bon appétit!

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Regina Tavares

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em 13/nov/2014 - 1 Comentário

Por Regina Tavares

 

Já faz tempo, a tecnologia passou a ocupar cadeira cativa à mesa do brasileiro. Quantas vezes, em um restaurante, você não se pegou observando uma família inteira, no melhor estilo “cada um no seu quadrado”, ou melhor, no seu celular.

E o que dizer quando a refeição chega prontamente, mas a deixamos esfriar em prol de uma bela foto? Nesse caso, a fome por likes parece ser bem maior do que a fome por comida. Afinal, não basta comer, é preciso registrar no Facebook o que se comeu.

img_post_FB

E não para por aí, de minuto em minuto, muitos paparazzi da gastronomia caem em tentação e suspendem as garfadas e o apetite para checarem a repercussão de seus ensaios fotográficos nas redes sociais. Não à toa, a hashtag “food”, no Instagram já registra milhões de imagens. São doces divinos, lindas porcelanas “antes e depois” do jantar, chefs amadores recebendo amigos no “apê”, receitas de família e muito mais.

instafood

Alguns restaurantes já condenam a prática de fotografias indiscriminadas, enquanto outros curtem. Há chefs que lamentam a comida esfriar antes de ser provada, há os que acreditam que acionar o flash num jantar a luz de velas incomoda outros clientes, há os que juram ter visto gente subir na cadeira em busca do melhor ângulo para lentes ávidas por comida e há os que acreditam que se trata de publicidade gratuita e espontânea de seus restaurantes.

O antropólogo Lévi-Strauss provou em sua obra “Mitológicas” que a forma como lidamos com o alimento, com o seu preparo e com a ocasião da refeição diz muito sobre a humanidade. Após a invenção da agricultura, o estudioso confirmou que diferentes grupos sociais, inclusive os indígenas brasileiros – estudados amplamente por ele – instituíram ao menos três refeições ao dia para contemplar o alimento, celebrar a fartura e estabelecer convivência com entes queridos. Tudo isso com calma e foco.

A desatenção na hora de comer compromete o paladar, a mastigação, a sensação de saciedade e o convívio com aqueles que compartilham “presencialmente” este momento com você.

Então, façamos um desafio! Procure em sua próxima refeição se ater mais à textura, ao cheiro, a aparência e ao sabor do alimento. Ah… E não deixe de apreciar tudo isso com uma excelente companhia.

Inté!

Revolto-me, logo existo

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Regina Tavares

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em 20/jun/2013 - 7 Comentários

Ontem vi um admirável mundo novo. No Facebook, minha irmã dizia ter vivido um dos melhores momentos da sua vida; uma amiga saudosa dizia ter rememorado os tempos idos das Diretas Já; meu primo elogiava a motivação juvenil; meus alunos divulgavam o modus operandi das manifestações e a agenda de uma organização heterogênea, sem lideranças definidas, mas muito bem organizada. Literalmente, saíram do Facebook para fazer história.

Corriam boatos generalistas por aí de que os manifestantes da vez não passavam de “pequeno-burgueses” travestidos de um misto de indignação alheia, euforia momentânea e partidarismo oportunista. Eu custei a acreditar, quando notei pessoas próximas a mim encarando balas de borracha e gás lacrimogêneo, munidos de coragem e muito vinagre.

Jabor que o diga, depois de condicionar manifestantes legítimos e arruaceiros descontrolados como “farinha do mesmo saco”, pediu redenção formal no jornal O Estado de S. Paulo e em cadeia nacional no telejornal da Globo. “Talvez eu seja mesmo um “cão imperialista” porque, outro dia, eu errei. Sim. Errei na avaliação do primeiro dia das manifestações contra o aumento das passagens em SP”, lamentou o cronista.

O que Jabor e tantos outros não entenderam é que estamos falando de bem mais que 0,20 centavos de insatisfação. O estopim miserável acrescido no valor da passagem do ônibus nem faz cócegas na revolta depositada no âmago do brasileiro. Em um momento de notoriedade internacional, a equação “pão e circo” não está a contento e mostra que o fim da história, traçado pelo economista Fukuyama está longe de ser uma verdade.

Há bem mais que 0,20 centavos em jogo, há também uma polícia despreparada e truculenta, uma PEC 37 a ser votada daqui a uma semana, uma corrupção desmedida, uma tal “cura gay” ganhando status de legitimidade, uma inflação acobertada a todo custo, gastos faraônicos e super-faturados com a Copa do Mundo e sei lá mais o que. Sabe o que eu vejo ao ler os cartazes improvisados no 6º ato que levou 230 mil brasileiros às ruas? Eu vejo pessoas cansadas da vitória da impunidade, da pizza, do deixa disso… Vejo todos na contramão das avenidas do descaso e da apatia. Lá no meio de uma destas avenidas, que de Estados tão diferentes se tornaram iguais neste dia épico, vi um jovem de aproximadamente 18 anos com um cartaz que me chamou a atenção. Ele dizia: Revolto-me, logo existo. Poliana como sou, logo li naquele cartaz de apenas uma frase que uma geração desejosa de ideologia, como cantava Cazuza, hoje assumia seu papel no mundo real.

Inté!!!

Não curti!

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Regina Tavares

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em 15/mar/2013 - 4 Comentários

A eleição do Pastor Marco Feliciano como novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal foi o último balde a ser chutado na consciência crítica do cidadão brasileiro. A atitude do Governo, condenada pelas mais diferentes instâncias da sociedade civil, provou que o clã político deste país está pouco se lixando para temas caros à democracia, no caso a defesa dos Direitos Humanos.

Confesso que eu não tinha opinião formada a respeito do tal pastor. Mas bastou assistir a um desses vídeos que estão circulando na Internet para sentir uma espécie de medo da estrutura política do nosso país. E se, quem paga ao flautista, em geral, dá o tom da melodia, confesso que lamentei termos chegado a este marco, ou melhor, ao Marco.

É impossível admitir que alguém que condena negros e homossexuais como amaldiçoados e doentes, respectivamente, possa ser capaz de defender minorias. Não dá para aceitar passivamente a audácia dos políticos que impõem seus conchavos partidários goela abaixo da população.

Os brasileiros já deram sinais claros do poder de mobilização da opinião pública e desta vez não será diferente. Basta lembrarmos a conquista recente presente na implantação da Ficha Limpa, seja via online ou presencialmente. O tema, definitivamente, entrou na agenda de todos.

No caso do distinto Pastor, a sua conduta amoral e antiética pode, por si só, servir como quebra de decoro parlamentar. Sim! Confira nos tais vídeos que circulam por aí como ele é hábil ao solicitar contribuições financeiras de seus fieis.

Se você também não curtiu a conivência do Governo com a indicação nada feliz do Feliciano, compartilhe este texto em suas redes sociais e espalhe por aí, sites que estão recebendo assinaturas para a destituição do “nobre” presidente-pastor, como no link:

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=CDH2013.

Inté!!!

1º Encontro sobre Autismo

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Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

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em 18/jan/2013 - 3 Comentários

Dia 20 de abril acontece, na Câmara Municipal de São Paulo, o 1º Encontro sobre Autismo, com organização da aluna Adriana Zink, do Mestrado em Ciências da Saúde e Doutorado em Odontologia.

Na programação, palestras com profissionais e pais falando e trocando experiências sobre autismo.

O evento é gratuito conta com o apoio do vereador Dr.Gilberto Natalini.

As inscrições para quem ficou interessado em participar do evento podem ser feitas no facebook, através do link: www.facebook.com/events/429320787132170/

Palestrantes confirmados: Dr. Estevão Vadasz (HC), Ana Ruiz (movimento pró-autista), Simone Pires (médica), Renata Flores Tibyriça (defensora pública), Martim Fanicchi e Paiva Jr (Revista Autismo), Julia Rufino Garcia (filme sobre autismo),Milena Elaine Carneiro Silva (mãe), Adriana Zink (cirurgiã-dentista),Elaine Cristina (Educadora Especial), Patrícia Beltrão Braga (bióloga da Usp / pesquisa com dentes de leite em parceria com Alysson Muotri), Beatriz Werneck (CPA), Diva Calles (mãe de autista adulto)

Memes me!

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Marcelo Paes Barros

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em 11/abr/2012 - 32 Comentários

Como muitos dos meus amigos na rede social Facebook sabem, sou assíduo frequentador dessa mídia digital. Sempre insiro vídeos, matérias científicas, imagens interessantes, mas NUNCA provérbios de autoria duvidosa (estou convicto que menos que 10% dos que postam verificam a correta procedência daquelas epígrafes), pensamentos filosóficos de portas de banheiros públicos, ou fotos de animais dilacerados e/ou mutilados.

Mas alguns itens da mídia Facebook realmente me chamam a atenção pela ampla divulgação como ferramenta linguística (me perdoe Prof. Carlos Andrade, se não apliquei a classificação correta), ironia atrelada e pela proliferação de seu uso. Recentemente, os que mais me surpreendem são os memes. Os memes são aquelas expressões faciais caricatas – “carinhas” – que são comumente inseridas em pequenas histórias ou associadas a fotos curiosas, mas que incrivelmente revelam uma mesma percepção sensorial ao sugerirem um repetido comportamento emocional nestas diferentes condições. Muitas matérias que discutem a origem dos “memes” citam o livro “O Gene Egoísta”, de Richard Dawkings, como referência. Segundo a definição de Dawkings, um meme seria: “(…) uma unidade de evolução cultural que se propaga de indivíduo para indivíduo”. Infelizmente, não li esse livro e não posso tecer comentários mais aprofundados sobre o assunto, mas que sua crescente aplicação sugere exatamente essa definição, isso é inegável.

Alguns memes são, aparentemente, os favoritos dos usuários da rede Facebook. Veja por exemplo, o “Forever Alone”. A caricatura não possui um traço firme, simétrico e é composta por elementos complexos para justamente, mostrar a amargura que simboliza: a (própria) ironia de se sentir rejeitado, de não ser bem apreciado pelo sexo oposto (ou o mesmo sexo, sem preconceitos). A pseudo-felicidade da condição de eterna(o) solteira(o) é expressa por um sorriso preso quase “davinciano” (inventei o termo agora!) e olhos atordoados, como saídos de um transe provocado pela recém investida frustrada com a(o) pretendente.

Outro meme muito popular é o “Troll Face”. Revela uma ação sarcástica, meio “malandra” e descompromissada. Muitos dizem, inclusive, que esse meme é típico do comportamento brasileiro, aquele que gosta de levar vantagem em tudo, certo? (seguindo a famosa Lei de Gérson, pobre jogador amaldiçoado por aquele comercial). Algumas das aplicações mais comuns desse meme envolvem atividades acadêmicas/escolares, ainda mais considerando o público majoritário da mídia Facebook:

Vixe, sabia 90% da matéria da prova, mas não caiu nada daquilo! Ainda bem que meu namorado só tinha estudado 10%…” .

O uso dos memes realmente virou uma febre que agora, tem vencido as próprias fronteiras do Facebook, e essa própria matéria aqui prova isso! Atualmente, muitos jovenzinhos tentam criar seus próprios memes, esperando uma notoriedade maior que os 15 minutos prometidos por Andy Warhol nos anos 70. A proliferação de seus memes significa o reconhecimento de seu “trabalho”, de sua inventividade e criação, difundida no meio mais importante para sua auto-afirmação: seus pares, amigos e inimigos de sua mesma faixa etária. De qualquer maneira, essa simbologia representa uma nova versão de comunicação, de Linguagem e que deve ser considerada no contexto cultural recente. Do mesmo modo, acho que cada um de nós tem o seu meme favorito, aquele que reflita nossa personalidade e assim nos defina para uma direta e contundente criação de nossa imagem. Confesso que eu também tenho o meu favorito: é o “challenge accepted”!

Acho fantástica a pluralidade da comunicação e seu dinamismo, em qualquer mídia ou veículo. Gostaria de estudar mais sobre isso. Interajam, meus amigos! Abraço

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