Arquivo do Blog

Beatles, só R$ 19,99!

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 02/abr/2013 - 6 Comentários

Lá estava ele; figurando uma liquidação qualquer. Encarou-me com altivez como se contrariasse sua desprestigiada colocação naquele momento. Eu concordei prontamente. Ora, que afronta. Custei a acreditar que ele estava naquela situação lamentável. Afinal, como um álbum célebre destes foi parar em uma posição tão vexatória? Talvez, tenha sido o erro de um repositor, cogitei. Deixando de lado as elucubrações, corri para o seu encontro e o resgatei antes que algo de mais sério lhe acontecesse. O protagonista desta história era nada mais nada menos que o último disco gravado dos Beatles, Abbey Road.  O 12º trabalho dos britânicos mais queridos do mundo contemporâneo leva este nome por conta da rua londrina onde se situa o estúdio homônimo da banda.

Na última semana, todos falaram intensamente do aniversário de 50 anos do lançamento do primeiro álbum musical que daria início a um dos fenômenos culturais mais expressivos de que se tem notícia. Para revidar a maré, resolvi falar do último disco da banda; o mais vendido entre os ‘beatlesmaníacos’; o 14º mais vendido mundialmente; o primeiro a ser gravado em 8 canais de áudio; o mesmo que me surpreendeu numa promoção de hipermercado e o que mais me encanta entre as produções do quarteto de Liverpool.

O ano de lançamento é 1969; um claro momento de ebulição mundial e de profunda crise entre os Beatles. O fim estava, literalmente, próximo! Não é à toa que a última canção gravada para o LP tem o sugestivo nome de The end. Outros aspectos curiosos também devem ser mencionados. Para surpresa dos críticos, George Harrison rouba a cena, até então estrelada por McCartney e Lennon, e se mostra um exímio compositor. Desta leva criativa, surgem Here comes the sun e Something, sendo esta última regravada até por Sinatra. Apesar de recusarem a pecha de disco conceitual, é possível se deparar com uma faixa de apenas 23 segundos, além de letras interpretadas em espanhol e até português.

A capa também gera polêmica. Para citar uma delas, vale dizer que alguns acreditavam que a foto fazia alusão ao suposto funeral de Paul McCartney. Naquela época, havia rumores de que ele havia sido vítima de um acidente fatal de carro em 1966. Na real, a banda estava de saco cheio e resolveu improvisar uma foto despreocupada atravessando a rua Abbey Road. Atualmente, ela está no roteiro turístico da cidade. Todo mundo quer tirar uma foto a la Beatles na ilustre faixa de pedestre.

Falar da influência de Abbey Road e/ou dos Beatles no comportamento de uma geração, na moda, no cinema, na música e numa atitude que ainda hoje vigora é no mínimo reducionista. Prova disso é que a Liverpool Hope University já possui um mestrado em Beatles. Pasme!

Ao ouvir Abbey Road somos envolvidos numa áurea de melancolia e êxtase. Vamos de uma discussão sobre a administração do lucro dos Beatles a uma dor de cotovelo sem tamanho. A gangorra emocional, ilustrada nas composições, diz muito sobre a trilha sonora de nossas vidas e a cultura juvenil do século XX, como alertou o saudoso Hobsbawm.

Inté!

EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 25/mar/2013 - 9 Comentários

Se estivesse calçando chinelos, a cadelinha Doli saía correndo atrás de sua dona, porque já sabia que ela ia à casa da vizinha ou à quitanda. Mas, se o calçado escolhido fosse sapatos, o destino mais provável seria a Igreja, então Doli permanecia, resignada, em sua casinha. Um dia, numa de suas perseguições, Doli foi atropelada e morreu, causando imensa dor à família que, traumatizada, nunca mais quis ter nenhum bicho de estimação. Esta singela, ainda que trágica, história contada por meu pai me faz entender o porquê da minha formação católica, já que pelo menos um membro conhecido de minha família, no caso a minha avó paterna, ia à Igreja com frequência suficiente a ponto de ter seu cão adestrado. E, apesar de ter passado pelos sacramentos do batismo, primeira comunhão, crisma e casamento, eu poderia ser enquadrado atualmente na categoria dos católicos não praticantes ou, pior das hipóteses, na dos céticos.

Porém, talvez o mesmo sentimento que me afasta da missa aos domingos me aproxima da fascinante história do cristianismo, pois aguça minha curiosidade em entender como essa crença de quase 2 mil anos ajudou a moldar a civilização ocidental e afetou o modo de viver das pessoas. Algo particularmente intrigante é a origem do cristianismo, ou seja, como uma seita judaica obscura poderia ter se transformado no maior movimento religioso do mundo? Os cristãos sempre explicaram a origem de sua religião por meio de um mistério divino, o fato de Deus ter devolvido a vida a Jesus após um breve período que esteve morto. Trata-se do milagre da Ressurreição, celebrada anualmente no feriado da Páscoa. A Igreja foi fundada, depois da morte de Jesus, com base na crença no Cristo Ressuscitado. Se nada de especial houvesse ocorrido na Páscoa, os seguidores de Jesus jamais teriam erguido um movimento religioso em seu nome.

(imagem: fotodejesuscristo.com.br)

Ora, mas como um, na pior das hipóteses, cético pode acreditar num dogma tão inverossímil? Como aceitar a ideia de que alguém pudesse se levantar dos mortos? Talvez seja este o milagre mais absurdo de todos atribuídos a Jesus. Deve existir um meio de compreender a ressurreição de um modo racional. Algumas testemunhas afirmaram ter visto o túmulo vazio e o próprio Jesus em carne e osso. Ele pode ter perdido a consciência na cruz, depois recobrado os sentidos e abandonado a câmara mortuária em segredo. Ou seus discípulos podem ter sido acometidos por alucinações, induzidas em suas mentes pela imensa dor ante a morte do messias.

Uma boa explicação racional para a ressurreição é a baseada no Santo Sudário, peça de linho em que ficou gravada a misteriosa imagem de um homem (Jesus) torturado e morto na cruz. Segundo esta teoria, ao encontrar aquela imagem peculiar na mortalha que envolvia o corpo de Jesus, seus seguidores se convenceram de que ele havia se levantado dentre os mortos e subira aos céus. Esta descoberta teve forte impacto psicológico no grupo, até então traumatizado e humilhado pelo assassinato cruel de seu líder. Deu-se, assim, a faísca que inflamou o cristianismo.

Aceitar a teoria do Sudário para a origem do cristianismo pressupõe acreditar na autenticidade da relíquia, considerada por muitos (os céticos) como uma mera fraude medieval. Se eu acredito na autenticidade do Santo Sudário? A resposta é sim, mas este é um assunto para depois do feriado. Feliz Páscoa!

Não curti!

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 15/mar/2013 - 4 Comentários

A eleição do Pastor Marco Feliciano como novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal foi o último balde a ser chutado na consciência crítica do cidadão brasileiro. A atitude do Governo, condenada pelas mais diferentes instâncias da sociedade civil, provou que o clã político deste país está pouco se lixando para temas caros à democracia, no caso a defesa dos Direitos Humanos.

Confesso que eu não tinha opinião formada a respeito do tal pastor. Mas bastou assistir a um desses vídeos que estão circulando na Internet para sentir uma espécie de medo da estrutura política do nosso país. E se, quem paga ao flautista, em geral, dá o tom da melodia, confesso que lamentei termos chegado a este marco, ou melhor, ao Marco.

É impossível admitir que alguém que condena negros e homossexuais como amaldiçoados e doentes, respectivamente, possa ser capaz de defender minorias. Não dá para aceitar passivamente a audácia dos políticos que impõem seus conchavos partidários goela abaixo da população.

Os brasileiros já deram sinais claros do poder de mobilização da opinião pública e desta vez não será diferente. Basta lembrarmos a conquista recente presente na implantação da Ficha Limpa, seja via online ou presencialmente. O tema, definitivamente, entrou na agenda de todos.

No caso do distinto Pastor, a sua conduta amoral e antiética pode, por si só, servir como quebra de decoro parlamentar. Sim! Confira nos tais vídeos que circulam por aí como ele é hábil ao solicitar contribuições financeiras de seus fieis.

Se você também não curtiu a conivência do Governo com a indicação nada feliz do Feliciano, compartilhe este texto em suas redes sociais e espalhe por aí, sites que estão recebendo assinaturas para a destituição do “nobre” presidente-pastor, como no link:

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=CDH2013.

Inté!!!

Inscrições abertas para campanha de prevenção à saúde da criança e do adolescente

Postado por

Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

Mais posts
em 01/mar/2013 - Sem Comentários

No dia 4 de março, o Núcleo de Enfermagem da Cruzeiro do Sul (Nuclenf) abre inscrições para o Programa de Avaliação do Crescimento e Desenvolvimento da Criança e do Adolescente.

Os serviços, prestados gratuitamente, contemplam avaliações do crescimento e desenvolvimento infantil com a finalidade de promover a saúde e prevenir possíveis problemas. A atuação envolve acompanhamento e orientações de enfermagem. A atividade é destinada às crianças de 0 a 18 anos. Segundo Solange Spanghero Mascarenhas Chagas, coordenadora do programa, é necessário criar o hábito de prevenção à saúde da população. “É de grande importância descobrir sintomas antes que qualquer doença se instale, assim podemos evitar um agravamento ou piora em enfermidades de crianças e adolescentes”, destaca a professora.

Os atendimentos serão oferecidos em dois campi da Cruzeiro do Sul: Liberdade, toda terça-feira, das 13h30 às 15h30, e São Miguel, toda sexta-feira, das 13h às 14h50. Os interessados podem se inscrever no telefone (11) 2037-5743.

Serviço
Universidade Cruzeiro do Sul
Programa de Avaliação do Crescimento e Desenvolvimento da Criança e do Adolescente.
Inscrições: a partir de 4 de março de 2013
Locais dos atendimentos:
Campus Liberdade: Rua Galvão Bueno, 868 – Liberdade
Campus São Miguel – Avenida Dr. Ussiel Cirilo, 225 – São Miguel Paulista
Informações e inscrições pelo telefone (11) 2037-5743

BLOQUEIO DE AUTOR

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 27/fev/2013 - 14 Comentários

“Começar de novo…” acordei outro dia cantarolando esta linda canção de Ivan Lins.  Senti um alívio porque, em geral, o que gruda na nossa cabeça são aquelas músicas-chiclete com rimas pobres e repetitivas. Mas, por outro lado, a frase título da música, repetidas tantas vezes, trouxe também certa angústia, pois me lembrou de que precisava voltar a colaborar com posts para o blog, depois de quase um ano de inatividade. As delicadas cobranças dos outros editores, o incentivo de amigos queixosos da minha injustificada ausência e, principalmente, o senso de responsabilidade me fizeram começar de novo, sentar diante do laptop e teclar.

Muitas pessoas relatam as dificuldades que sentem ao escrever, o que é fato. Para escrever são imprescindíveis a técnica e a prática, mas antes de tudo é preciso inspiração. Afinal, não há um bom registro, se não há boas ideias. E elas podem surgir de fatos prosaicos do cotidiano, de experiências de vida ou de uma coversa ouvida em restaurante. Uma boa dica para alimentar a usina de ideias é a leitura. Ler muito, ler tudo, ler sempre! Desde o jornal todos os dias, passando pela diversidade das revistas semanais, culminando nos livros, sejam eles os clássicos, autoajuda, história, série Crepúsculo etc. A leitura ainda contribui para abastecer seu subconsciente com estes símbolos gráficos (letras e palavras) que, quando a ideia surge, são automaticamente recrutados para formar as frases, parágrafos e páginas de um texto.

O leitor já deve ter percebido a esta altura que está faltando o principal para este meu post de reestreia: a IDEIA. Mas procurei não me abater e, tal qual um banhista diante de uma piscina gelada, decidi não adiar o mergulho, saí escrevendo até achar o fio de alguma meada. Ou seja, nada de ser tomado pelo pânico do papel em branco, ou da tela vazia, capaz de paralisar os escritores mais experientes. Eis que, em meio a esta situação embaraçosa, me veio a mente um texto que li na Revista Piauí, durante um voo voltando de Brasília (ler muito, ler tudo, ler sempre!), sobre o escritor paulista Ryoki Inoue. Em 26 anos, ele publicou nada menos que 1.106 livros, feito devidamente registrado pelo Guinness Book de recordes. A primeira obra, Os Colts de McLee, foi publicada em 1986, mas sua verdadeira linha de produção literária começou após a assinatura de um contrato com a editora Abril no qual ele se comprometia a escrever 50 originais de faroeste em 2 meses, quase um livro por dia útil.  Para dar conta da tarefa, contou com a ajuda da esposa, artista plástica que fazia as capas dos livros, e do pai, imigrante japonês, a quem coube pesquisa para ambientação histórica. A partir de listas de nomes e sobrenomes, o autor batizava os personagens fictícios.

Dentre os feitos de Inoue, talvez o mais famoso tenha sido a aposta feita com o seu editor para escrever sobre a fuga de Pablo Escobar antes que o traficante fosse capturado pelo governo colombiano. O livro de 410 páginas saiu em duas semanas, já o bandido só foi pego mais de um ano depois. Sua fama atravessou fronteiras e atraiu a atenção do diário The Wall Street Journal, que mandou um correspondente acompanha-lo na produção de um livro. O autor baseou-se no próprio repórter para escrever o romance Sequestro Fast Food e deu conta do recado (210 páginas) em menos de seis horas. Este fenômeno da literatura é capaz de continuar escrevendo enquanto discute com a esposa sobre as compras do mês ou as contas a pagar e conclui capítulos inteiros em suas idas ao banheiro.

Ryoki Inoue não negocia com a própria inspiração e já trabalha em seu milésimo centésimo sétimo livro. Bloqueio de autor é para os fracos!

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS