Arquivo do Blog

Muito além do Candy Crush

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 09/out/2014 - 4 Comentários

Por Regina Tavares

Que tal aprender sobre a Segunda Guerra Mundial sob a ótica de um soldado em pleno combate na batalha de Stalingrado? Estas e outras situações já são possíveis graças à gamificação. O uso dos elementos dos jogos já vem sendo empregado tanto em ambientes virtuais de aprendizagem quanto em salas de aula presenciais, e pasmem, também em empresas de diferentes segmentos e portes.

Tais elementos correspondem a pontuações, prêmios, missões, rankings e avatares.  Ao contrário do que imaginavam os especialistas mais conservadores, a aprendizagem mais atraente e lúdica, permitida pelos jogos, envolve a superação de fases, o enfrentamento de desafios e o despertar da curiosidade, da interatividade, da motivação e do senso crítico.

gamificação

Subindo de nível

O uso frequente de games no mundo parece já ter pulado de fase. De acordo com a consultoria M2 Intelligence, a área movimentou US$ 450 milhões em 2013 e pode chegar ao ápice de até US$ 5 bilhões e meio até 2018.

Pensando de forma ampla, além da sala de aula e dos tradicionais computadores de mesa, os dispositivos móveis também se configuram como espaços favoráveis ao casamento entre jogos e educação.

Ponto para a educação

Um estudo realizado pela NewZoo revela que 76% dos brasileiros, com acesso à internet, jogam videogame e mais da metade dos usuários de redes sociais participa de games online. Já pensou se essa potencialidade e disposição fossem aproveitadas a favor da educação? Fica a dica.

games

Confira um exemplo bem sucedido de gamificação em: http://www.geekiegames.com.br/

SÍNDROME DO PEQUENO PODER

Postado por

Marcelo Paes Barros

Mais posts
em 22/ago/2014 - 6 Comentários

Por Marcelo Paes de Barros

Não sei se essa é apenas uma prática residual do servilismo herdado de nossos colonizadores portugueses, ou se simplesmente é mais uma faceta do deplorável “jeitinho brasileiro”, mas alguns brasileiros realmente acham que as leis e obrigações só servem para os outros. Por algum motivo obscuro, ou prepotência mesmo, alguns membros mais abastados da sociedade se sentem com mais direitos e menos deveres que a maioria dos cidadãos. Além de sórdida, essa prática é um desrespeito à vida harmoniosa em sociedade, principalmente quando a Justiça não se faz valer e dá espaço à impunidade. Os telejornais de nosso país nos bombardeiam diariamente com notícias assim, o que nos consome paciência, ânimo e esperanças.

O mais curioso é que o filhote dessa nefasta prática se estende também aos níveis inferiores da sociedade. Não são apenas os criminosos de colarinho branco que dão suas “carteiradas”, mas também os cidadãos mais comezinhos. Escândalos em lanchonetes por causa de uma disputa de uma mesa são regados com ofensas burguesas sugerindo que aquela madame teria mais direitos pois mora em um apartamento tríplex na Vila Cabuçu (perdoem-me, nem sei se este lugar existe). Esse fenômeno é chamado a síndrome do pequeno poder, justamente por que reflete um comportamento prepotente de uma pessoa que acha que conquistou o universo (segundo suas perspectivas limitadas), mas que são, na maioria das vezes, insignificantes em um contexto social mais amplo. Um imperador em seu jardim, mas uma formiga da cerca para fora… o pior é que sequer tem ciência disso.

Colocar um terno para ir trabalhar em um escritório na Avenida Faria Lima – mesmo que na condição de estagiário – gera uma postura instantaneamente soberba no mesmo indivíduo que há poucos minutos calçava chinelos havaianas e uma camiseta regata (mais confortáveis, por sinal). No momento em que incorpora o personagem do profissional bem sucedido, esse indivíduo não se vê mais na necessidade de cumprimentar vizinhos, fazer gentileza à senhora que atravessa a rua e muito menos dizer as três expressões clássicas do bom convívio em sociedade: por favor, com licença e obrigado.

imagem

Essa é uma postura que eu repudio muito e, talvez, a que eu mais vejo no dia a dia. Independente da sua condição social ou do seu gosto mais sofisticado ou simplório, cada pessoa tem seu lugar na sociedade. Cada cidadão e/ou empregado merece o respeito de clientes, colegas e patrões. Estamos a um passo da soberba, da ostentação e do desrespeito civil. Comprar um carro importado (não sei se em 72 parcelas ou à vista) não te faz melhor ou pior que alguém que usa transporte público.

- “Me dá um café!”, grita o engravatado aos seus (hipotéticos) serviçais por detrás do balcão.

Este soberbo realmente acredita que ele é especial demais para se nivelar àqueles empregados inferiores ao requisitar um serviço mediante um “por favor”. Alguns dirão: “Nossa, não é nada disso. Eu nem me dei conta que não pedi por favor…”. Isso é pior ainda, pois mostra que esse comportamento já está incrustado e devidamente ignorado nas condutas diárias daquele indivíduo. Quando você vê uma pessoa deixando a bandeja com restos de alimentos na mesa da praça de alimentação de um shopping, é a síndrome do pequeno poder que se infla no ego daquele indivíduo. Funcionários públicos, seguranças de shopping (curiosamente também trajando ternos, rs) e até professores iniciantes ao lidarem com seus alunos também podem apresentar esse comportamento.

Como dizia o brilhante Isaac Newton, em sua 3ª. Lei da Física: para cada ação, há uma reação. Curiosamente, a constante aplicação da síndrome do pequeno poder gerou um comportamento recíproco na população. Um fenômeno aclamado como a vingança dos desfavorecidos. Garanto que vocês, leitores, já foram vítimas dessa vingança. Você está na fila do caixa do supermercado e, depois de esperar algum tempo para ser atendido, chegou o seu momento. Ávido e educado como sua mãe lhe ensinou, você inicia o processo com o tratamento: “Boa tarde!”. Resposta? Nada! Cri-cri-cri… Ou, na melhor das hipóteses, um enfadonho: “Quer botar o CPF?”, com cara amarrada. Sim, meus queridos leitores e leitoras, eu sei que você não tem culpa pelo fato da atendente de caixa estar infeliz com o emprego dela, mas ela não quer saber! Talvez seja aquela a única oportunidade que ela tem para se vingar do fato de ter que trabalhar em um sábado à tarde! Azar o seu que quis comprar pão de queijo congelado bem na hora do plantão dela!

Outra interessante manifestação da vingança dos desfavorecidos no cenário urbano pode ocorrer quando você, educadamente, der passagem para um pedestre na faixa de segurança. Aposto cem reais (R$100,00) que a sua gentileza – ou seu simples papel como cidadão – já foi retribuída com um caminhar mais lento, debochado e, talvez, até com um sorriso de canto de boca daquele transeunte. Por quê? É a fatídica vingança dele contra você, dono de um automóvel! Ele te fez perder infindáveis 27 segundos de sua vida para contemplá-lo desfilando sobre a faixa zebrada (sic!). Detalhe: se o indivíduo estiver de óculos escuros, a probabilidade de você ser vítima da vingança dos desfavorecidos é maior!

Esse comportamento é infelizmente muito comum na vida em sociedade, principalmente nos grandes centros urbanos. Na minha concepção, totalmente deplorável pois nos torna cada vez mais frios, egoístas e sozinhos. Repito: cada um tem seu papel fundamental na sociedade e (teoricamente) deve colaborar para o desenvolvimento dela e bem estar coletivo! Respeite para ser respeitado. Simples.

TEM ALGUÉM AÍ?

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 08/mai/2014 - 3 Comentários

Por Prof. Renato Padovese

A recente descoberta de mais um planeta fora do sistema solar, o Kepler – 186f, mereceu a atenção de todo o mundo e trouxe à tona aquelas questões existenciais que tanto nos afligem. Estamos sozinhos no Universo? Há vidas em outros planetas? Ou será a Terra única? O que este exoplaneta, ou planeta extrassolar, tem de especial é o fato de orbitar na chamada zona habitável de seu sistema planetário, além de ter tamanho quase idêntico ao da Terra. Nesta região, nem tão próxima e nem tão distante de sua fonte de calor e luminosidade, as condições são perfeitas para a existência de água líquida, ingrediente crucial para a vida. Se bem que, estar nesta localização privilegiada não garante um ambiente agradável, como nos ensinam nossos vizinhos Vênus e Marte. No primeiro, impera o calor infernal sob nuvens de ácido sulfúrico, no segundo, prevalece a aridez desoladora.

Outras características importantes para um planeta “dar certo” são pouco mencionadas. Uma delas é ter uma lua grande. Graças à Lua, a Terra mantém uma inclinação constante em relação ao eixo vertical. Uma inclinação variável tornaria nosso planeta praticamente inabitável. As estações do ano não seriam regulares e a água líquida não seria uma presença constante. Também ajuda não ser constantemente alvejado por asteroides, e ter um gigante como Júpiter na vizinhança é uma grande vantagem. Com sua imensa força gravitacional, Júpiter funciona como um “para-raios de asteroides”. Fora isso, outro fator importante é a existência de um campo magnético capaz de proteger a crosta planetária da radiação letal que vem do espaço.

ET

Sem se deixar abalar, o astrofísico Stephan Kane, coautor da pesquisa que descreveu o Kepler -186f, afirma que a quantidade de planetas similares à Terra pode ser incrivelmente alta. Os planetas são considerados subprodutos da formação das estrelas e há cerca de 300 bilhões delas só na nossa galáxia. Outros cientistas fizeram uma conta e estimam que o número de planetas aptos a abrigar vida pode chegar a 40 bilhões. Acreditam que o cosmo é “orientado” para a vida ou, em outras palavras, que a vida tem um “sentido” cósmico. Se os planetas são uma consequência natural da formação de estrelas, a vida pode também ser uma consequência natural da formação de planetas (nas zonas habitáveis). Ou seja, a vida seria comum no Universo, assim como estrelas e planetas.

Ao que tudo indica, apesar das condições extremamente hostis, vida microbiana não deve ser tão rara no cosmo. No nosso próprio planeta temos exemplos de microrganismos dotados de incrível resistência e que se desenvolvem nos ambientes mais severos. Provavelmente, a vida lá fora aparecerá nas suas formas mais simples, já que a multicelular complexa depende de muitos fatores específicos. E o que dizer de vida inteligente, capaz de refletir sobre sua própria existência? Talvez sejamos os únicos.

Por mais instigante que seja a possibilidade da existência de seres extraterrestres inteligentes, é razoável supor que a condição humana é uma singularidade. E a razão é simplesmente a extrema improbabilidade da ocorrência das pré-adaptações necessárias para a viabilização deste fenômeno.

Concordo que apenas teremos chance de encontrar alienígenas inteligentes se procurarmos por eles. Mas, devemos nos acostumar com a ideia de que a resposta para a pergunta feita no título será um eterno silêncio.

AS REINAÇÕES ESTÃO MUDADAS

Postado por

Carlos Augusto Andrade

Mais posts
em 25/nov/2013 - Sem Comentários

Carlos Andrade

Para quem leu Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, tem pleno conhecimento do que o termo significa. Brincadeiras de crianças que deixam, às vezes, os adultos bem desconfortáveis e incomodados, ou nas palavras Michaellis[1]: sf (reinar+çãopop arte, traquinagem, travessura; brincadeira, pândega, troça.

narizinho

(imagem: fonte)

Pensei que isso fosse coisa de criança, nunca imaginei que fosse ver tanta pândega na vida adulta, principalmente no que se refere à política.

Os anos passam e parece que a troça continua; não uma que apenas alguma repreenda de conta. Na política, tudo é possível. As reinações nela crescem a cada dia e os que brincam com a paciência e tolerância do povo riem ao passar pelas ruas, até mesmo quando estão sendo presos, afirmando inocência. Nunca sabemos se estão rindo para nós ou de nós, sem bem que tenho minha resposta bem clara em relação a isso, demonstrada pela minha tendência anarquista, se bem que voto em todas as eleições, para tentar melhorar a situação, pelo menos tentando tirar os piores. Há políticos sérios, conheço alguns, bem poucos.

charge_politico

(Imagem: fonte)

Os “não sérios”, que são muitos, fazem travessuras com tudo: com a educação, com a saúde, com a segurança. Nunca vi tanto descalabro, a ruína da credibilidade se dá, por conta de que a cada dia menos pessoas olham para a política enquanto uma arte, como se pode observar em Michaellis[2] novamente: sf (gr politiké1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados.

charge_mn_09_09_2012

(Imagem: fonte)

Assisti, com vergonha, a prisão de personalidades políticas nesses dias. É de ficar boquiaberto ao observar tamanha desconsideração que demonstram com os eleitores. Passar por um processo tão demorado e cheio de complicações, são condenados e ainda levantam as mãos como se fossem presos políticos.

Enquanto escrevia esse texto, Prof. Antônio Marcos, meu colega de CPA, mostrou-me um trecho do livro de Bauman (2000)[3] que faz uma citação de Castoriadis dizendo que: “Como colocou o Cornelius Castoriadis (filósofo, economista e psicanalista francês), o problema com nossa civilização é que ela parou de questionar. Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que essa arte caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que as afligem – certamente não antes que seja tarde demais e quando as respostas, ainda que corretas, já se tornaram irrelevantes”.

Não estou aqui defendendo este ou aquele partido, na verdade, todos aqueles que roubaram a população, pois o dinheiro desviado é público, deveriam ser presos, e, uma vez condenados não só ficarem atrás das grades, mas também terem seus bens confiscados, para ressarcir o que desviaram, ou seja, promover a potencialidade de construção mais hospitais, creches e melhorar a educação entre tantas coisas.

Vamos acompanhar e ver como ficam as coisas… Em outro momento, num texto mais descontraído, falei sobre pasteis na feira, espero não ter de falar sobre de pizza nesse caso.

Quem diria que ao ler Monteiro Lobado e dar rizadas com Reinações de Narizinho, teríamos de ver, ler e ouvir sobre os Narizes em Pé que continuam reinando muitas vezes no mundo da impunidade. Será que as coisas mudarão?


[1] Dicionário on-line: (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=reina%E7%E3o)

[2] Dicionário on-line: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=pol%EDtica.

[3] BAUMAN, Z. Em busca da política. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2000.

SER PROFESSOR É

Postado por

Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

Mais posts
em 05/nov/2013 - 2 Comentários

SER Professor

SER, com toda a magnitude da palavra. Existir, com toda consequência que há nisso. É desvelar o oculto. Mostrar o conteúdo da profundidade e não o relevo da superfície. Mediar, para as milhares de pessoas que cruzam o seu caminho, a verdadeira vida, diferente daquela apreendida pela cultura contemporânea, que valoriza o ter, descarta o ser, aceita o bem de consumo e enaltece o mal consumista, acostumada a dignificar o produto e não a essência. É aquele que, pela própria prática, mostra com atitudes e exemplos o quanto a existência se centraliza no próprio humano, e não em produções culturais ou tecnológicas, resultantes das ações do homem. É aquele que percebe o trajeto solitário de seu caminho, muitas vezes trilhado na contra mão do mundo presente. É o ser insistente, que transcende a idéia espúria de acreditar em mundo melhor, já que percebeu, à revelia da hipocrisia, que o mundo só piora. É aquele que age pautado no próprio valor, na própria vontade, inconformado com o conformismo de seus semelhantes. É aquele que deseja não ser o SER que o mundo oferece como modelo. Não ser, em outras palavras, o desumano que os seres humanos são. Não por ideologia, mas por sentido, porque entendeu que o que conta mesmo é a experiência concreta, derivada da contradição do mundo real e não do mundo imaginário. É aquele que almeja ser o que quase ninguém quer. É acima de tudo, consciente de si, tendo consciência da importância que tem o outro para si próprio. É ser atrevido a ponto de demonstrar o bem que há em amar seu próximo. E amar, hoje, nessa sociedade maluca, é um fenômeno raro, mais do que ouro. Parece até que esse sentimento é de tolo, assim como o ouro. Ouro de tolo. E o professor, “tolo”, que ama o que faz, que prepara suas aulas com tanto carinho, não o faz por necessidade, somente, mas por satisfação. O professor, portanto, ensina, em muitos casos, a quem não quer apreender, a quem ainda não entendeu o que é o amor, a quem não se aceita enquanto ser, e não o aceita como referência. É aquele que parte da premissa de que o quanto amar o próximo e ser amado são as principais jóias que o indivíduo pode adquirir em vida, mesmo sabendo, quase como um segredo, velado, que o amor não é teórico, racional ou descritivo. Para o mestre, o amor é tudo. É o mais importante. É o destaque do ciclo da vida, seu ápice, que se desveste e se mostra puro no contato com seu aprendiz.

Mas o professor, no fundo, não sente o mesmo carinho que tem para com sua platéia. Pelo contrário, experimenta, intuitivamente, a indiferença de seu papel. Se resolver, por exemplo, responsabilizar seus espectadores pelas próprias atitudes, passará a ser vaiado no melhor do espetáculo. E o melhor acontece, sempre, em sala de aula. Mesmo assim, adora transitar nesse cenário, porque ele é um recorte da vida. E ainda que aja como um lunático, “cheio de vida”, enxerga, também, as muitas “vidas” que transitam nesse espaço, e teima em aprender que seus aprendizes não possuem tanta preocupação em apreender o sentido dela. O professor, no fundo, não aprendeu que o mundo não quer aprender mais nada. Continua a ensinar. E com muito prazer. Continua, ainda, a se preocupar com cada um, com cada personagem, com cada ator e atriz que, tragicamente, não sabe qual é a essência de suas atuações, mas que colorem, rotineiramente, suas manhãs, suas tardes e suas noites. O professor existe. Está aí, para o mundo, isto basta. Ou bastaria.

Só que o mundo não se pauta em si mesmo. Parece até uma máquina que perdeu o freio, que se desenrola sem continência, sem organização ou ordem. O mundo, essa tal do século XXI, denuncia o resultado de seu próprio processo histórico: caótico, perverso, injusto. E o professor, nesse território instável, aprendeu a desenvolver o seu próprio valor. Diria, inclusive, que o professor é, na verdade, a melhor representação do sentido da palavra diferente, pois é um dos poucos que luta por um mundo justo, ético, igualitário. É, portanto, um ser que não se vende, com uma qualidade pessoal inestimável: a do conhecimento.

E conhecimento, reflexo do aprendizado, é um fenômeno que ninguém tira de uma pessoa. Já dizia o velho e sábio ditado. Dessa vida não se leva nada, a não ser conteúdo. Aliás, o único elemento que levamos para o além túmulo é aquilo que aprendemos. Isso, como preconizava a nossa sábia vovó, é somente o que nos resta. O carro importado, o perfume de marca, a roupa de grife e as histórias das viagens feitas aos paraísos terrestres, guardadas no cofre das lembranças, ficam, todas, gravadas na memória de vidas estéreis, porque a que realmente gera frutos, mal se rega durante a existência. E o professor, que levanta momentos depois que o sol nasce e se deita horas depois que a lua ilumina o céu, tenta, dia após dia, noite após noite, plantar, no coração de cada um, o gérmen do pensamento crítico, mesmo percebendo o solo infértil que por vezes cultiva.

Mesmo assim, repete seu trabalho, imaginando que, do joio, em algum momento, nascerá o trigo. E do mais belo. Acredita, assim, que sua empreitada irá gerar frutos, mesmo que a safra atual seja de qualidade questionável, mesmo que o mundo diga que o fértil crescimento da humanidade seja impossível. Continua, teimosamente, e com muito gosto, a arear o campo de onde florescerá, um dia, o resultado de seu próprio esforço. O resultado de toda uma vida: a de testemunhar a transformação de uma semente em flor, a de uma larva em borboleta, a de um momento estático em um devir, a de uma ostra em pérola, a de seres alienados em seres humanos.

E, para o docente, essa pequena conseqüência já vale muito. Porque, no fundo, ele sabe que conhecimento não se compra. Sabe que, ser professor, portanto, não tem preço.

 

Por  Fábio Donini Conti, professor do CBS.

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS