Os deveres, os direitos e a gentileza

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Marcelo Paes Barros

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em 13/abr/2017 - Sem Comentários

Por Marcelos Paes de Barros

Prezados leitores e leitoras, por favor, entendam essa matéria como uma súplica para reumanizarmos nossa sociedade! Pelo menos, nas circunvizinhanças ao alcance: nosso bairro, cidade ou país. Estou cansado de lidar com o descaso e a falta de educação das pessoas! Perguntei a alguns antropólogos e psicólogos aqui da universidade se este era um fenômeno metropolitano (portanto, comum em grandes centros urbanos), paulista/paulistano (por estarmos na cidade e Estado com alto poder aquisitivo), ou brasileiro (pelos baixos índices educacionais que hoje enfrentamos). Resposta consensual desses acadêmicos: “Provavelmente, uma soma dos três fatores, Marcelo”. O problema é que no Brasil, tudo é mais explícito e escancarado, o que torna os casos de desrespeito mais alarmantes. Vou esclarecer meu ponto de vista.

Diga-me: quantas vezes você cumprimentou ou fez uma gentileza a uma pessoa e não recebeu, sequer, um olhar amistoso de volta? Claro, pergunto isso se, efetivamente, você se preocupa em interagir com outros cidadãos! Caso contrário, eu deveria, na verdade, perguntar a estes cidadãos sobre a sua conduta em sociedade! De qualquer forma, me recuso a acreditar que cada um de nós não tenha recebido a lição básica dos nossos pais sobre as 3 “palavrinhas mágicas” do bom convívio social: “Com licença”, “Por favor” e “Obrigado”. Às vezes realmente me questiono se essa lição é tão disseminada assim nas famílias brasileiras (independente de qual estrato social estamos avaliando).

É comum observarmos aqui no Brasil que vagas para deficientes são inescrupulosamente ocupadas em estacionamentos, carrinhos de supermercado abarrotados são enfileirados em caixas exclusivos para “até 20 volumes”, ou que a sinalização de pisca-pisca seja acionada APÓS o motorista já ter efetuado a mudança de faixa, parecendo mais um álibi do que, realmente, sua consciência coletiva. Mas eu tenho um exemplo máximo da falta de consciência social: pessoas que levam, deliberadamente, crianças de colo ou seus parentes idosos em agências bancárias para terem atendimento prioritário! Isso eu acho o cúmulo do desvio de conduta social! Curiosamente, se questionados, indagam: “Mas é meu direito ser atendido com prioridade”. Ok, mas, e os seus deveres? E a sua consciência social? Por que ele acredita que essas regras não se aplicam a ele?

Tenho um caso emblemático. Estava dirigindo meu automóvel em uma longa rua em declive. Do topo da colina onde me encontrava, pude ver que um automóvel – cerca de 500 m à frente, já no final da descida – encostava para estacionar. A moça, sem qualquer escrúpulo, estacionou seu veículo exatamente em cima da faixa de pedestre, ocupando TODA a sua extensão! Eu presenciei toda a manobra. Pois bem, enquanto me aproximava, aquela motorista, agora magicamente transformada em pedestre, acenou com a mão sugerindo que eu deveria parar para que ela atravessasse, já que ela estava na faixa de pedestre! Claro, desacelerei e a deixei atravessar. Mas eu tinha que dizer algo. Indaguei: “Interessante. Quando você era motorista, você claramente esqueceu seus deveres e estacionou em cima da faixa. Só agora, na condição de pedestre, você se lembrou dos seus direitos. Você não acha que tem algo errado?”. A resposta: “Ah, vá se #@!~*&, seu &*@”. Gargalhei e saí com meu carro! Hum, na verdade, acho que respondi algo mais, mas não me lembro agora (rs).

Não é incrível? Tento sempre que possível oferecer gentilezas as pessoas, mas, sem dúvidas, recebo bem menos em troca. No estacionamento da academia, sempre dou espaço para os carros entrarem antes que eu saia com meu veículo. Não recebo sequer um aceno de cabeça em agradecimento. Dou licença para as pessoas passarem primeiro em entradas estreitas. Nada. Recolho do chão objetos que as pessoas inadvertidamente derrubam. Silêncio. Uma vez, inclusive, estava no shopping e uma senhora derrubou um pacote no chão. Recolhi o embrulho e lhe entreguei, com um sorriso. Pois a senhora (elegante, por sinal), pegou o pacote da minha mão e, sem sequer me olhar, continuou sua conversa divertida com sua colega. Mesmo assim, continuarei com a mesma conduta! Não posso cobrar consciência das pessoas. Tento influenciar positivamente os meus entes próximos – principalmente meu filho – e meus alunos. Esse espírito egoísta e ríspido só mudará quando estes hábitos forem MINORIA na conduta da população em geral. Infelizmente, nossa sociedade está justamente ao contrário, atualmente. Em uma sequência social lógica, de eventos concatenados (como as reações radicalares que estudo em Bioquímica), a educação é a base da cidadania, que é a base da civilidade, que é a base da consciência política, que é a base de uma sociedade mais íntegra, equilibrada e justa.

Por favor, faça a sua parte.

gentileza e café

Um abraço

Arrisque-se a ser feliz

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Marcelo Paes Barros

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em 01/fev/2017 - 5 Comentários

Por Marcelo Paes Barros

Prezados leitores, um grande 2017 para todos! Depois de uma quase imperdoável ausência, resolvemos, nós editores do BLOG Cruzeiro do Sul, voltar à ativa! Esse renascimento se deve a vocês, alunos, funcionários, colegas acadêmicos e leitores desse BLOG que, através de manifestações pessoais ou digitais, questionaram a ausência de novas matérias. Surpreendemo-nos. Vocês estão certos: esse é um veículo livre de expressão que não pode padecer! Obrigado pelas manifestações de apreço por esse nosso trabalho criativo.

Gostaria de reativar minhas atividades nesse BLOG com uma breve reflexão sobre a felicidade. Sob meu ponto de vista, a felicidade deveria ser SEMPRE o objetivo final de qualquer, absolutamente qualquer, atividade que desempenhamos em nossas vidas. Busque-a, sempre! Sob essa premissa, uma boa dose de serotonina deveria inundar nossos cérebros (córtex frontal, principalmente) ao final de cada atividade desempenhada e, assim, nos trazer um prazer recompensador. E digo mais: se houver, preferencialmente, algum nível de apreciação ou reconhecimento do trabalho desempenhado, a motivação para repetir aquela atividade ou se aventurar a qualquer outra, mesmo que mais desafiadora, será ainda maior! Risco-recompensa, é o princípio aqui envolvido. Sair da zona de conforto, do status quo, parece ser a melhor estratégia para a felicidade. Infelizmente – advérbio precisamente encaixado aqui – não é isso o que geralmente acontece.

Somos forçados a seguir roteiros pré-determinados na sociedade moderna. Não há muito espaço, ou melhor, tolerância, para inovações ou quebra de padrões. A vida moderna parece ser uma peça de teatro exaustivamente ensaiada e com personagens muito bem caracterizados, mas não um espetáculo cômico de improviso. Tal fato pode ser evidenciado com uma breve conversa com seus amigos, principalmente da mesma faixa etária! São EXATAMENTE os mesmos problemas e dilemas – existenciais ou profissionais – mas em endereços diferentes.

dalai lama

Os padrões sociais pré-concebidos são evidentes nos adolescentes e suas selfies superproduzidas, as quais são (e devem ser, segundo essas diretrizes sociais) constantemente divulgadas nas mais diferentes mídias sociais. Jovens desesperadamente buscam sua própria identidade, aceitação e autoestima. Pobre do garoto que postar uma foto desleixada na sua página do Facebook: o bullying será imediato, ainda mais nessa era digital que vivemos!

Os personagens da peça teatral são também protagonizados por jovens adultos e seus narguilés, tatuagens, fotos na piscina e cabelos coloridos. Por mais diferentes que tentem ser, todos estes itens se enquadram no mesmo padrão esperado para aquela faixa etária. E que tal os trintões? Jovens executivos, work-a-holics ambiciosos, sonhando em trocar anualmente de automóvel e montar sua casa de praia/campo com o catálogo completo da Tok&Stok! Quarentões e suas viagens em motor-home pela Europa, suas motos Harley-Davidson, e selfies na academia. Tudo clichê. Vale um adendo: se as atitudes supracitadas lhes trouxerem real e genuína felicidade, façam! Mas, por favor, estejam convictos de que não se trata apenas de uma performance de encaixe social, ok?

Embora qualquer comportamento social atípico seja visto com enorme estranheza pelos membros da hermética sociedade, estas atitudes são as que eu, saibam vocês, mais admiro! Mais que admiro, invejo a coragem desses asteriscos do padrão social pré-concebido!

Admiro e invejo a professora universitária que largou tudo e foi viver em uma comunidade autossuficiente na Índia. Admiro e invejo a executiva de sucesso que largou seus tailleurs e jantares de negócios e foi tentar outro curso de graduação, vinte anos após sua primeira formatura. Admiro e invejo os jovens surfistas que viajam o mundo atrás de ondas naqueles incríveis programas do Canal Off.

“Irresponsáveis! Vagabundos! Iludidos!”, braveja a grande maioria da sociedade.

“Felizes…”, digo eu.

Sei que é difícil fugir desses padrões sociais. Por outro lado, acredito que só realmente morremos quando deixamos de sonhar ou quando não mais buscamos a felicidade em nossas vidas. Recuso-me a deixar de ser feliz!

Pensem nisso.

Anexo aqui um videoclipe para sua inspiração!

Fonte da Juventude: onde encontrá-la?

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Carlos Augusto Andrade

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em 02/jun/2016 - 15 Comentários

Por Carlos Augusto B. Andrade

 

Quem não ouviu falar, ou não desejaria encontrar a famosa “Fonte da Juventude”? De acordo com a mitologia greco-romana, ela seria um rio que saia do Monte Olimpo e passaria pela Terra, capaz de oferecer imortalidade aos homens. Muitas civilizações apontam para essas chamadas águas milagrosas, capazes de rejuvenescer sem precisar das famosas cirurgias plásticas corretivas realizadas pela medicina moderna hoje em dia.

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Lembrei-me de alguns textos que li na Bíblia quando jovem que tratavam da questão. No livro Provérbios, por exemplo, no Cap. 15, Vers. 13, li que: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate”.

A partir dessa afirmação, comecei a pensar que a fonte da juventude não está tão distante das pessoas, ou em algum lugar impenetrável. Parece-me que a juventude não é uma questão apenas de idade. Precisamos nutrir o espírito de juventude que pode nos dar ânimo para vencer o dia a dia, pois ainda que os anos de experiências sejam grandes, não é possível vivê-los bem e com alegria sem esse espírito juvenil que transcende a mera realidade e trabalha sempre com possibilidades. Ao esquecermos isso, a vida fica chata, retrógrada, reclamamos muito e nada estará bem.

Thomas Mann disse que: “ser jovem quer dizer ser original, quer dizer conservar-se próximo das fontes da vida, quer dizer erguer-se e sacudir as amarras de uma civilização obsoleta, ousar o que outros não têm coragem de arriscar, e saber voltar a imergir no elementar”. Sendo assim, podemos afirmar que ser a fonte da juventude está bem na nossa “mente” que determina de certa forma o modus operandi da nossa vida.

Então, dar um toque de originalidade na vida torna-se fundamental para criar um processo de rejuvenescimento. Vocês podem até estar pensando que estou falando sobre isso porque passei dos 50 (um pouquinho só, seus chatos, rs). Nada disso; escrevo, pois esse espírito juvenil, que acredito ainda ter, empolga-me para brincar com os filhos, com os netos, com os alunos, me faz estar preparado para assistir filmes como X-Men, Senhor dos Anéis, Harry Potter, e outros com bastante sensibilidade e emoção que os anos vão aperfeiçoando.

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Ou seja, para que você se sinta bem é preciso mergulhar nessa “Fonte da Juventude” interior, capaz de nos renovar a cada dia, tornando-nos pessoas saudáveis, lutadoras, críticas, pensadoras e felizes; bem com você mesmo, para, posteriormente, estar bem com o outro.

 

Prevenir é sempre melhor do que remediar!

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Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

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em 07/abr/2016 - 2 Comentários

Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde (07/04), nós propomos uma ação diferente: hoje não basta ler, você também terá que agir!

O Prof. Ms. Alexandre Silva, da Fisioterapia da Cruzeiro do Sul, preparou dicas de exercícios que ajudam a prevenir doenças ocupacionais (como por exemplo as Lesões por Esforços Repetitivos – LER e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho – DORT) e geram muito mais qualidade de vida. Preparados?

Dia-Mundial-Saúde

 1. Subir/descer escadas

É uma atividade simples para fortalecimento da musculatura da perna. É interessante começar aos poucos. Quando ficar mais fácil, adicione outro lance.

2. Ponta dos pés

Subir e descer nas pontas dos pés. É um exercício para fortalecimento da panturrilha e aumento da circulação. Faça três séries de dez repetições por dia.

3. Alongamento da região lombar

Tentar encostar as mãos o mais próximo aos pés sem dobrar os joelhos. Essa ação ajuda a reduzir a dor lombar e previne problemas futuros, como hérnias.

4. Exercícios Ativos Livres

Fazer com a cabeça o movimento de sim e não com bastante amplitude, além de movimentos circulares. Faça três séries de dez repetições por dia de cada movimento.

5. Massagem na região dos olhos

Massagear a região dos olhos e testa com movimentos circulares. É uma ação que proporciona conforto a quem trabalha em frente ao computador por muito tempo.

6. Alongamento do punho – músculos flexores

Exercício para quem digita. Uma das mãos é dobrada para cima, como no sinal de pare, enquanto a outra a empurra em direção ao corpo.

7. Alongamento do punho – músculos extensores

Mesmo movimento, entretanto com a mão dobrada para baixo.

8. Movimentos circulares no punho

Movimentar os punhos circularmente para a esquerda, e depois para a direita.

9. Fortalecimento Abdominal

Sentado na cadeira, com postura ereta, contrair a musculatura abdominal sem deixar que a coluna fique muito encurvada.

Virtual ou Real: faces da pós-modernidade

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Carlos Augusto Andrade

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em 03/fev/2016 - 10 Comentários

Por Carlos Augusto B. Andrade

Olá pessoal, retomando os posts no Blog. O ano de 2015 foi muito corrido e sei que estou em falta, mas pretendo estar mais presente neste ano que se inicia. Em primeiro lugar, aproveito para desejar muito sucesso a todos e que, juntos, consigamos passar por todas as crises prognosticadas e saiamos ilesos, esperando que políticos cumpram seu papel de servidores da população e, efetivamente, trabalhem para o bem comum e não para o seu próprio.

Começo o ano falando de algo que não é novidade, mas recupero palavras de Paulo Freire que disse que o “óbvio” precisa ser dito para ser compreendido.

Há pouco tempo o “whatsapp” saiu do ar no Brasil e houve uma compulsão, que demonstrou que as pessoas estão muito ligadas à vida virtual e isso pode ser comprovado não só pela abstinência provocada por uma das maiores febres do relacionamento pós-moderno, como pode ser constato pelo que diz Araújo, ao afirmar que “a pós-modernidade nos apresenta novas configurações de sofrimento psíquico que se refletem em um sujeito imediatista, fragmentado, narcisista, desiludido, ansioso, hedonista, deprimido, embora também, informatizado, buscando independência, autonomia e defesa de seus interesses. Mas a supervalorização da independência e autonomia gera um individualismo, um egocentrismo, uma ênfase na subjetividade, sendo o outro apenas uma ferramenta para seus objetivos pessoais”.

tecnologia ao nosso redor

Há duas questões que desejo compartilhar desse mal pós-moderno que ataca a civilização humana: a primeira é que o instrumento está virando senhor, ou seja, a tecnologia que deveria contribuir para melhorar as condições de vida das pessoas, vem, a cada dia, transformando-as em escravas desse mundo virtualizado, causando intrigas, dissoluções, traições e tantas outras questões que pelo simples fato de tudo ser realizado sem reflexão, sem ponderação, sem pensar em consequência acaba modificando comportamentos e alterando as relações humanas. A segunda, pauto-me em Pierre Levy que disse que o virtual não é o contrário do real, mas ele uma potencialização para o real. Podemos afirmar que muitas pessoas transformam o que fazem no meio virtual seja pela internet, ou pelos diversos apps à disposição para o celular, momentos de realidade, sentindo emoções que as levam a ilusão de que aquilo seria do mesmo jeito na vida real. Por isso, muitas patologias novas estão surgindo e merecem tratamento imediato.

Pense em como você utiliza essa tecnologia disponível. Ela é para você o instrumento ou a senhora? Consegue deixá-la de lado para uma boa conversa, ou um simples toque de uma mensagem chegando já faz com que você deixe a pessoa com que está conversando por alguns instantes para atender seu celular e ler suas mensagens?

Cellular phones

A tecnologia é boa, o problema não está nela, mas naqueles que a utilizam e que não percebem que usando-a inadequadamente machucam a si mesmos e às pessoas que estão próximas.

Que tal começar o ano refletindo? Mudança de postura ajusta o caminho.

Grande abraço em todos.

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