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Qualquer semelhança, não é mera coincidência (Parte II)

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Regina Tavares

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em 20/mai/2014 - Sem Comentários

Por Profª Regina Tavares

Dando continuidade ao nosso bate-papo sobre a origem do cinema, nos deparamos com uma curiosa invenção datada de 1646 e assinada pelo engenhoso Athanasius Kircher. Com boa vontade, podemos traçar um paralelo entre o experimento de Kircher e a atração popular Monga; uma velha conhecida das festas de rua de todo o Brasil, cuja herança vem dos circos mambembes da Europa do século XIX. A infalível fórmula ilusionista, por meio de um jogo de espelhos, transforma uma linda mulher em uma macaca assustadora. No filme brasileiro Lisbela e o prisioneiro (2003), há uma cena que ilustra com detalhes como ocorre o curioso truque ilusionista. Na trama nacional, o herói da história desvenda o truque e deixa a mocinha boquiaberta. Lembra?

lisbela

 Para os arqueólogos do cinema, a artimanha empregada no experimento foi determinante para estabelecer uma tradição nas mídias visuais: o sigilo em torno dos mecanismos de funcionamento dos meios de comunicação. Há um verdadeiro mistério sobre como o cinema e a TV funcionam, apesar de determos cada vez mais habilidades para gravar e postar nossos vídeos na rede.

Em 1998, o programa Fantástico da Rede Globo concebeu um quadro nomeado Fora do ar, estrelado pelo apresentador Marcelo Tas. A ideia era revelar como funcionava nossa amada telinha. Na versão piloto do quadro, a pauta girou em torno do Tele-Prompter, o famoso TP. Uma tecnologia capaz de auxiliar indivíduos a se apresentarem com grande desenvoltura diante das câmeras. O método é largamente aplicado em gravações de políticos, garotos-propaganda, jornalistas e por aí vai.

No vídeo Fora do ar, os cantores Claudinho e Bochecha e as dançarinas Carla Perez e “Globeleza” demonstram dominar temas como biologia, lei da gravidade e globalização. Mérito do bendito TP, afinal, todos estavam lendo textos redigidos por especialistas nos respectivos assuntos. Veja o vídeo e desopile o fígado com boas risadas:

Para acentuar a crítica, Tas vai às ruas e mostra como qualquer um pode se tornar um excelente candidato à Presidência da República com o auxílio do TP. “Os políticos são os maiores fregueses desta maquininha”, dispara Tas. Até o Maluf entrou na dança como um dos mais brilhantes usuários do TP.

O vídeo jamais foi exibido na TV, o que nos faz crer que os meios de comunicação, entre eles o cinema, tentam preservar seus bastidores envoltos em um teor de mistério capaz de legitimá-los como excêntricos. Pois, a ilusão faz parte do show.

Na próxima semana, você confere o último post sobre a origem do cinema.

Inté!

Qualquer semelhança, não é mera coincidência! (Parte I)

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Regina Tavares

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em 14/mai/2014 - Sem Comentários

Por Profª Regina Tavares

 É muito comum acreditarmos que o mundo contemporâneo é a expressão clara do ápice da humanidade no quesito engenhosidade. Essa visão determinista tem visto o passado como arcaico e não evoluído, contudo é possível pasmar-se diante da sofisticação de determinadas descobertas datadas de 1500, por exemplo, e que em tempos atuais produz sentido e significado para nossas vidas.

Duvida? Vou me concentrar no campo científico da Comunicação, área na qual me sinto à vontade como pesquisadora. A excursão arqueológica que proponho vai na contramão de uma genealogia progressiva e linear costumeiramente apresentada pela historiografia dita “oficial”. Vou dividir esse post em três edições, ok?! Os textos a serem apresentados têm a clara função de combater o discurso convicto de que o cinema é uma exclusividade do século XIX.

cinema

Vamos iniciar nossas discussões falando do médico e escritor napolitano Giovan Battista dela Porta, que em pleno ano de 1593, era reconhecido por sua fascinação pelo universo do ilusionismo e foi responsável por um invento muito similar às câmeras de fotografia usadas atualmente.

Porta era tão vanguardista que sonhava com o dia em que imagens capturadas por sua câmera seriam projetadas em uma tela num galpão totalmente escuro. Ele ainda deixou registrado que a projeção deveria trazer atores e forte iluminação. Alguém notou uma semelhança com o cinema aí? Então, se prepare para ler o que Porta esperava do futuro: Daí seria possível se vislumbrar cenas de caça, batalhas, ou qualquer tipo de peça na câmera escura, e teria arranjo de sons de trompetes ou sons de armas a serem ouvidas”[1][i].

Os detalhes idealizados por ele a respeito da tela de projeção, do galpão escuro e da câmera são muito próximos daquilo que concebemos como Sétima Arte. Ao que tudo indica a secular instalação das salas de cinema é ainda mais antiga do que imaginávamos e coloca em xeque a discussão bizantina e agora banal sobre a reivindicação da origem do cinema pelos irmãos Lumière ou pelos irmãos Skladanowsky.

Continua…


 


[i] “Then it would be possible to view hunting scenes, battles, or any kind of play in the dark chambre, and it could be arranged for the sounds of trumpets or the clash of weapons to be heard”[i]. (ZIELINSKI, 2007, p. 88) – ZIELINSKI, Siegfried. Variantology 1 On deep time relations of arts, sciences anda Technologies. Estados Unidos: Dap-distributed Art, 2007.

 

 

Já vi esse filme

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Regina Tavares

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em 09/set/2013 - 5 Comentários

Você já deve ter notado como a indústria hollywoodiana tem se refastelado no conforto de enredos manjados e personagens já íntimos do grande público. Basta rememorar quantas versões do Homem-Aranha você já viu nos últimos 10 anos. Até o Homem de Aço já posou sem a clássica cueca vermelha por aí. A aposta da vez parece ser a saga do magnata Bruce Wayne, encarnado, apesar das controvérsias, por Ben Affleck, o mais recente ‘queridindo’ da América. O novo cavaleiro das trevas deve atuar em pelo menos 3 filmes da consagrada trama e também assumir a direção da sequência. Reflexo claro do último Oscar ganho por Argo em 2013.

A disputa entre Marvel e DC pode ainda ressuscitar a Liga da Justiça em resposta ao sucesso de Vingadores, ou melhor, de determinados Vingadores, como o sedutor e excêntrico Homem de Ferro. Classificado como a 5ª maior bilheteria da história do cinema, o 3º longa de Robert Downey Jr no papel de Tony Stark deixou sequências como James Bond e Piratas do Caribe no chinelo.

No caso de Batman e outras figurinhas repetidas deste álbum, o que nos aguarda pode ser definido como o título daquele célebre disco da banda Legião Urbana: O mais do mesmo. Vilões são teletransportados do HQ para as telonas, roteiros comedidos rememoram as narrativas de seus heróis desde suas respectivas origens e quando o enredo estiver esmiuçado à exaustão a aventura migra para o prelúdio da trama, ou seja, cria-se a história por trás da história, como ocorreu em The Hobbit após Senhor dos Anéis.

Não podemos esquecer como determinadas franquias se tornam milionárias graças ao arsenal de ‘gadgets’ que lhe acompanham. A Disney sabe bem do que estamos falando e tratou de garantir o seu lugar ao sol comprando a Lucasfilm, produtora responsável pelo épico Star Wars. O sétimo episódio deve aterrissar nesta galáxia em 2015 e, provavelmente, virá acompanhado de jogos digitais, HQs, desenhos animados, bonecos, camisetas e sabres de luz para todos os gostos.

Apostar em sequências de sucesso parece revelar potes de ouro no final do arco-íris, mas fecha portas para insights criativos no campo da sétima arte. Apesar de a balança pender para as franquias de sucesso é oportuno revelar que a audiência do cinema tem caído mundialmente e que o cenário pode ficar bem pior do que as mais sombrias noites de Gotham City; sintoma claro da vitória das TVs de Led sobre o conservadorismo do cinema atual.

De toda sorte, as produtoras menores e independentes subsistem a duras penas em Hollywood e ao redor do mundo, mesmo agradando um público seleto ou só colhendo louros da crítica especializada.

Inté e bom filme!

Semana Cultural 2012 na Universidade: eu quero!!!

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Carlos Augusto Andrade

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em 09/mar/2012 - Sem Comentários

Como está seu tempo em relação a atividades culturais? Você sabia que ao se envolver nessas práticas potencializamos nossas individualidades, tornando-as mais significativas, pois conseguimos observar que fazemos parte de um mundo criativo?

É, eu acredito que participar das artes, desenvolvendo-as, ou simplesmente sendo seu expectador, promove momentos de aprendizagem que ficam marcados na nossa história pessoal.

Como bem afirma Morin (2003, p, 57): “a arte, através da música, das artes plásticas, por exemplo, assim como o tipo de economia, modos de sobrevivências, etc., são componentes que constituem a cultura de um povo e são todos importantes na educação e no desenvolvimento humano”.

Pensando assim, podemos dizer que ao vivenciarmos tais momentos criamos oportunidades de reflexão e questionamento, conseguindo, inclusive responder a maioria das nossas inquietações. É isso mesmo, quanto mais cultura, mais conhecimento e, por conseguinte, mais liberdade.

Estar inseridos no contexto cultural contribui para fortalecer o “pertencimento”, ou seja, fazer parte de um grupo que se preocupa com o potencial criativo.

Sei que a correria do dia a dia não nos permite muito sair para o teatro, o cinema, a casa de show, os lugares de exposição. Do jeito que o mundo vai, quase tudo será visitado apenas pela Internet daqui um tempo. Não fazendo nenhuma crítica, pois acho fantástico o mundo virtual.

No entanto, quer saber de uma coisa? Temos de viver os dois mundos, nada de ficar debruçado em apenas um. Por isso tomei uma decisão, tenho de encontrar espaços na agenda apertada para atividades culturais no mundo real. Levamos poucas coisas dessa vida, mas o que comemos, viajamos e vemos devem fazer parte de uma memória que acredito possa ir conosco em todos os lugares por onde tivermos de passar.

Olha que legal! Está chegando mais uma Semana Cultural na Universidade. Ajustem suas agendas, pois no período de 26 a 30 de março, teremos atividades variadas bem pertinho da gente. Não haverá desculpas… Maiores informações em www.cruzeirodosul.edu.br

Abraços apertados, cheios de cultura para todos…

Referência para a leitura: MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Traduçãoa, Catarina Eleonor F. da Silva e Jeanne Sawaya. 8. ed. São Paulo: Cortez.

“Os homens preferem as morenas” (não eram as loiras?)

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Marcelo Paes Barros

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em 15/ago/2011 - 10 Comentários

Neste final de semana aconteceu algo inusitado. Após o tradicional bate-bola com meu filho no clube, seguido de almoço, liguei a TV e estava passando um clássico do cinema: “Os homens preferem as loiras” (Gentlemen prefer blondes, 1953). O filme estrela a mega-star Marylin Monroe que, nesta película, canta “Diamonds are girls best friends” em uma das cenas musicais mais famosas do cinema hollywoodiano. Quem não assitiu, recomendo. Gostaria, contudo, de salientar que esse filme realmente marcou na minha adolescência!

Mas não é da mais famosa loira do cinema de quem quero falar. Contracenando com Marylin estava a estonteante e mais-que-talentosa Jane Russell, uma morena de 1,70 m, cabelos bem negros, curvilínea e de personalidade forte, tanto no papel de Dorothy Shaw (no filme), como na vida real. Sua personagem era justamente antagônica àquela da loira infantilizada e fútil de Lorelei Lee (Marylin Monroe): era forte, decidida, não se apegava à futilidade que bens materiais proporcionavam e estava, sim, à procura de um homem, mas não de um playboy aproveitador abonado ou de um senhor de posses. Na adolescência, passei a admirar essa conduta feminina, principalmente por que associei este modelo de caráter feminino a uma beleza ímpar, de contraste forte entre o negro (dos cabelos) e o branco (pele alva), como se fosse o perfeito yin-yang da beleza feminina.

Jane Russell foi uma das maiores bombshells dos anos 50. Estrelou mais de 20 filmes em Hollywood e era reverenciada por sua enorme capacidade de interpretração e, principalmente, por sua voz melodiosa e suave. No início, queria seguir uma carreira musical mas adequou esse dom ao atuar em diversos musicais. Representa, hoje, talvéz, a melhor expressão do estilo pin-up dos anos 50 (tendência que tem voltado aos dias de hoje). Foi casada 3 vezes e foi uma das maiores defensoras do processo de adoção (tinha 3 filhos adotivos).  Ao procurar um pouco mais sobre Jane Russell para esta matéria, descobri que a musa de milhões (assim como eu), faleceu em 28/02/2011, aos 89 anos. Com um certo amargor no coração, percebi que meu Domingo ficou um pouco mais triste…

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