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FUTEBOL EXATO

Postado por

Marcelo Paes Barros

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em 08/abr/2011 - 5 Comentários

O futebol é sem dúvidas o esporte mais popular e democrático do planeta. Além de toda a paixão e nostalgia que aflora durante os grandes clássicos do futebol mundial. O futebol traz a surpresa como seu fator mais marcante. É a única modalidade que permite ao time que jogou pior naquele dia vença a partida. Quero salientar que não se trata simplesmente da vitória do time menos tradicional ou daquele com o escrete mais modesto, mas, daquela equipe que foi sufocada o jogo todo, que teve menor posse de bola, menor número de chutes ao gol, etc. Bastou um gol-contra ou o involuntário braço levantado do zagueiro daquela equipe dominante em sua área para que a “injustiça” seja feita! Os torcedores de ambas as equipes irão às lágrimas. Os jornais e os boletins esportivos falarão dias sobre o caso até que ele se repita novamente com outros protagonistas.

Não quero petrificar a beleza romântica do futebol, mas acho inconcebível que o País mais vencedor no futebol não conheça seu próprio esporte. Tive alguns contatos com equipes profissionais do futebol brasileiro e me surpreendo como a Ciência está longe daqueles gramados. Quero citar alguns trabalhos científicos desenvolvidos em outros países como exemplos.

Jogar em seu estádio traz reais vantagens à equipe da casa? A resposta cientificamente comprovada é sim! Alguns trabalhos científicos mostram que o árbitro, mediante pressão e manifestação sonora de descontentamento da torcida registram 15% mais faltas do que quando não há tal repúdia da torcida em determinadas jogadas (Page & Page, 2010; Unkelbach & Memmert, 2010). Não me refiro à ameaças verbais ao juiz mas sim ao “Uuuuuh!” de assombro da torcida em jogadas mais duras sobre jogadores do time da casa.

Por falar em pressão psicológica, que tal uma decisão por penaltis? Pesquisadores ingleses e espanhóis analisaram 2820 chutes em disputas de penaltis desde 1970 até 2008 (Apesteguia & Palacios-Huerta, 2010). Quer a surpresa? O time que escolheu fazer a primeira cobrança venceu em 60% das disputas! Sim, cobrar o primeiro penalti traz vantagens (psicológicas) na decisão da partida!

Aparentemente, até mesmo países com quase nula tradição no futebol se preocupam em atrelar a Ciência das Universidades e Institutos de pesquisa ao esporte mais popular do mundo. Recentemente, pesquisadores sul-africanos comprovaram cientificamente que as “vuvuzelas” causam real prejuízo à audição humana (Ramma, Petersen & Singh, 2011). Imagino que você deva estar dizendo: Mas, isso eu já sabia! Corrija-se: você suspeitava, mas sua hipótese só se tornou verdade quando a Ciência comprovou!

Quero concluir esta discussão com um sensacional vídeo sobre o desafio entre o beisebol e o futebol da série Sport Science promovido pela emissora ESPN. Abaixo, faço um roteiro em Português para aqueles com dificuldade na Língua Inglesa. Me desculpem, mas não temos vídeos dessa qualidade e com esse aprofundamento científico em Português. Entendem o que eu digo? Divirtam-se!

(0-30s): O vídeo apresenta um desafio esportivo: o que é mais difícil? Acertar uma rebatida em um jogo de beisebol ou um goleiro defender um penalti?

(35 s): Área do gol (7,32 m x 2,44 m = quase 18 m2) é maior que um container de carga e cerca de 50 vezes maior que a área permitida de rebatida do beisebol.

(1 min): Fisicamente, um goleiro precisa de apenas um passo para alcançar qualquer parte desta área. Contudo, assim como no beisebol, é mais uma questão de tempo do que de espaço.

(1min15s): Uma bola de beisebol viaja a 144 km/h e leva 440 milisegundos (ms) para chegar até o rebatedor. Uma bola de futebol chega a 112 km/h mas leva apenas 400 ms para chegar ao ângulo superior do gol (11,9 m de distância). Cada um desses milisegundos conta para o êxito da investida!

(1min45s): O cérebro humano gasta +/- 100 ms para perceber que a bola foi chutada. Nesse tempo, a bola já viajou 3,05 m em direção ao gol! O cérebro do goleiro leva mais 100 ms para decidir em que canto deve pular. Mais 2,75 m foram percorridos pela bola neste intervalo de tempo. Ou seja, a bola já está quase na metade do caminho ao gol quando o goleiro decidiu onde pular!

(2min20s): No cômputo geral, um goleiro leva +/- 730 ms para alcançar uma bola próxima à trave, a partir do momento em que seu cérebro percebeu que o chute foi executado.

(2min30s): A conclusão é óbvia: se o goleiro esperar o chute para decidir em que lado deve saltar, a defesa do penalti se torna fisicamente e matematicamente IMPOSSÍVEL! O GOLEIRO TEM, SIM, QUE ADIVINHAR O CANTO (Observação pessoal: considerando um chute forte e não a “cavadinha” do Neymar ou do Loco Abreu).

(2min50s): Estatisticamente, os goleiros acertam 57% do canto do chute do cobrador. Mas ainda têm que acertar se o chute será baixo, à meia altura ou no alto.

(3min15s): Na liga profissional de beisebol americano (MLB), a média anual (2009) de acerto das rebatidas dos profissionais foi de 25,8%. A média anual de defesas de penaltis por goleiros profissionais não passa de 22%. Vencedor: futebol.

ASTRONOMIA E O ENSINO DE CIÊNCIAS

Postado por

Renato Padovese

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em 15/fev/2011 - 2 Comentários

A divulgação dos resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), no final do ano passado, revelou que o Brasil ainda está bem abaixo da média dos 65 países participantes do teste, que aferiu os conhecimentos de 470 mil estudantes em leitura, ciências e matemática. Ficamos na 57ª posição em matemática e na 53ª em ciências. Mesmo assim, os organizadores constataram que houve uma evolução significativa no nosso desempenho em relação às últimas edições do exame.

É sabido que nossos alunos do ensino fundamental têm dificuldade para aprender física, química e matemática. Alguns chegam a “odiar” estas disciplinas. Então, mostrar quão belas e interessantes são essas matérias é um desafio imenso para os nossos professores. É aí que entra a Astronomia.

O céu noturno com suas estrelas, planetas e outros corpos celestes sempre exerceu grande fascínio.  A curiosidade, a criatividade e o engenho humano ampliaram enormemente nossa percepção e conhecimento do Universo. Mas, na verdade, o que sempre motivou esta busca foi a necessidade de conhecer nossas origens. Como tudo começou? Houve um começo? Há vida em outros planetas? E vida inteligente? São questões existenciais, inatas ao ser humano, portanto não é nenhuma surpresa que a cosmologia e a astronomia exerçam tanto fascínio e curiosidade atualmente.

Foi com isso em mente que professores e especialistas se reuniram no XIII EREA (Encontro Regional de Ensino de Astronomia), realizado na Universidade Cruzeiro do Sul, na semana passada. Imagino que o grande desafio seja este: como utilizar este fascínio, esta curiosidade para fazer com que nossas crianças se interessem por assuntos, digamos, menos atraentes como Física e Química?

Participantes posam para foto ao lado do Planetário da Universidade Cruzeiro do Sul

Por exemplo, as chamadas Leis de Newton são resultado do esforço do físico inglês para entender o movimento dos planetas. Então, por que não aprender os princípios da inércia, da dinâmica, da ação e reação, da gravitação a partir da observação das órbitas planetárias? Outro exemplo: meteoritos são fragmentos de asteróides e cometas que caem na Terra. Eles trazem muitas informações sobre a origem do sistema solar e até do universo. Têm, em sua composição, uma grande concentração de ferro metálico e é isso que os diferencia das rochas terráqueas. O ferro do nosso planeta ocorre na forma de óxidos (minério de ferro), por causa da grande quantidade de oxigênio na atmosfera.  Este seria um bom começo para tratar de um assunto que costuma aterrorizar estudantes: as reações de oxi-redução.

É difícil mensurar o que pode ser aprendido ou não, mas é fato que sempre fica um pouco mais fácil a partir de situações concretas e interessantes. Neste sentido, ao tratar de forma natural e interdisciplinar os conhecimentos gerados nas mais diversas áreas, a astronomia pode ser um bom caminho para se melhorar o ensino de ciências no Brasil.

Todo o conteúdo das palestras do XIII EREA pode ser visualizado AQUI.

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