EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO – PARTE III

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Renato Padovese

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em 24/abr/2015 - 3 Comentários

Por Renato Padovese

Sob o impacto da notícia de que o Santo Sudário, o tecido que teria envolvido o corpo de Jesus no sepulcro, está mais uma vez exposto à visitação pública na Catedral de Turim (a mostra ocorre entre os dias 19 de abril e 24 de junho), decidi escrever o terceiro e último post da série “Eu creio no Jesus Cristo Ressuscitado”. A trilogia é baseada no livro O Sinal, de Thomas de Wesselow, um historiador da arte que se diz especializado em “questões insolúveis”. Na obra, o autor atesta a autenticidade da relíquia, descrita como uma prova material da existência de Jesus Cristo, e desenvolve a tese de que a ressureição nada mais é do que a interpretação dada por seus seguidores à imagem formada no linho. Em outras palavras, o Sudário é a pedra fundamental do cristianismo. (ver Parte I)

santo sudário

Mas não é só por esta extraordinária conclusão que a leitura vale a pena. Trata-se de um relato fascinante, especialmente para quem, como eu, adora ciência e história. À luz das evidências impressas no Sudário, de incontáveis documentos históricos e também dos Evangelhos, o autor recria a narrativa dos acontecimentos que teriam ocorrido entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, que tento resumir a seguir.

“Na manhã daquela sexta-feira, Jesus foi julgado e condenado à crucificação por Pôncio Pilatos. Depois de açoitado, espancado e coroado de espinhos, foi conduzido ao local de sua execução, uma pequena colina ao noroeste de Jerusalém chamada Gólgota. Jesus resistiu à agonia da cruz por cerca de três horas, do meio-dia às três da tarde, quando finalmente deu o último suspiro. Havia urgência em sepultá-lo antes do crepúsculo porque no dia seguinte, um sábado, dia sagrado para os judeus, não se poderia exercer nenhuma atividade, nem mesmo um funeral. Os guardas romanos, atendendo ao pedido de seus familiares, se apressaram em retirar Jesus da cruz, não sem antes cravar-lhe a lança no flanco, para certificarem-se de sua morte.

O corpo foi, então, lavado, envolto no Sudário e transportado rapidamente até o local do sepultamento, nas proximidades do Gólgota. Mas, como já anoitecia, não houve tempo para concluir o funeral de acordo com os preceitos judaicos. Teriam que voltar depois do Sabbath, 36 horas mais tarde. Neste intervalo de tempo, porém, no subterrâneo escuro e silencioso da tumba, algo misterioso ocorreu e algumas fibras do linho foram tingidas seguindo um padrão correspondente à forma do corpo subjacente. (ver Parte II)

Era de manhã bem cedo quando Maria Madalena e outras mulheres da família chegaram ao sepulcro. Empurraram a pedra que bloqueava a entrada da tumba e se aproximaram do corpo a fim de ungi-lo com mirra e aloé. Ao retirarem a mortalha, foram tomadas de assombro e agitação, e correram contar a Pedro que tinham encontrado uma aparição na tumba, ao lado do corpo de Jesus. Pedro foi conferir e descobriu que era verdade. Convocou imediatamente uma reunião, precisava mostrar aos Doze o mais depressa possível. Quando o Sudário foi desdobrado e estendido, os Doze viram emergir do pano estranhas sugestões de uma forma humana e logo reconheceram o mestre, por intermédio de seus ferimentos. Era o milagre Ressureição!”

Vejam só como são surpreendentes os desígnios de Deus. Jesus, ainda que possuísse qualidades notáveis, era somente mais um dentre os tantos profetas que pregavam na Judéia do século 1. Também nada de especial houve em seu calvário, ele foi apenas mais uma vítima dos eficientes ritos de execução praticados pelo Império Romano. Sua seita judaica obscura tinha tudo para cair no esquecimento não fosse a sequência de acasos que se sucederam. Um funeral postergado e uma reação química ordinária propiciaram o início de um movimento religioso que moldou a civilização ocidental.

 

Tamanho é documento?

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Marcelo Paes Barros

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em 04/jun/2013 - 12 Comentários

Essa segunda matéria da série sobre as Leis da Atração Humana abordará um dos temas mais polêmicos e existenciais da Humanidade: tamanho é documento? Quero deixar bem claro que aqui não haverá espaço para crendices e ditados populares como “nos menores frascos estão os melhores perfurmes” ou “não importa o tamanho da varinha, mas, sim, a mágica que ela faz”. Todos os argumentos aqui apresentados estão devidamente fundamentados por artigos científicos, o que, portanto, representa o “state-of-art” do assunto.

De um modo geral, podemos dizer que proporções corporais mais avantajadas representam um fator atrativo maior ao sexo oposto. Calma, não há preconceito aqui: apenas não há muitos artigos discutindo atração entre homossexuais de ambos os sexos. Contudo, cuidado com as generalizações: alguns trabalhos científicos na área da Psicologia mostram que, por exemplo, a relação entre estatura e atração física masculina ou feminina obedece a uma curva parabólica em “U” invertido, ou seja, homens/mulheres mais altos(as) são mais atraentes, contudo, ATÉ UM CERTO LIMITE! Novamente, a mensagem subliminar nessa impressão visual está na carga genética que este(a) potencial parceiro(a) traz. Baixa estatura pode significar subdesenvolvimento durante a infância, desnutrição ou disfunções hormonais, como, por exemplo, no HGH, o hormônio do crescimento. Por outro lado, pessoas muito altas podem apresentar algum tipo de anomalia genética, entre elas acromegalia ou gigantismo, que são disfunções do mesmo hormônio.

Por favor, percebam que esta NÃO é uma mensagem consciente. Este sinal está implícito e incrustrado na interpretação cognitiva em nosso cérebro, produto de anos de Evolução da espécie humana. De modo interessante, a percepção feminina de homens altos como potenciais parceiros sexuais varia conforme o ciclo menstrual, mostrando o claro efeito dos hormônios esteroides nessa avaliação (Pawlowski B & Jasienska G, 2005. Women’s preferences for sexual dimorphism in height depend on menstrual cycle phase and expected duration of relationship. Biological Psychology 70: 38-43).

Curiosamente, estudos mostram que homens mais altos têm relacionamentos amorosos mais duradouros que homens mais baixos. E mais: em um mesmo grau de instrução, homens mais altos adquirem cargos profissionais de maior prestígio e responsabilidade, um claro efeito sociocultural. O pesquisador francês Nicolas Herpin provou que estabilidade do relacionamento amoroso está baseada na estabilidade profissional do indivíduo (Herpin N, 2005. Love, careers, and heights in France. Economics & Human Biology 3: 420-449). Aparentemente, esse conceito é intrínseco da percepção humana e rege nossa apreciação e admiração para com as pessoas que cruzam nossas vidas. Imaginem que “grande homem” foi Napoleão Bonaparte, em termos de discurso, dialética, política e poder de persuasão: mesmo com 1,62 m de altura, Napoleão foi um grande General e proclamado Imperador Francês no séc. XIX. Detalhe: é sabido que o General Bonaparte usava sapatos salto-alto confeccionados exclusivamente para ele!

Em termos de tamanho, outra polêmica que reina é sobre o pênis masculino.

As dimensões penianas têm comprovado efeito sobre a autoestima, vaidade e virilidade masculina (Davis SN, Paterson LQ, Binik YM, 2012. Male genital image: Measurement and implications for medical conditions and surgical practice. Sexologies 21: 43-47). Nas avaliações em pacientes que se submetem à cirurgia para aumento do tamanho do pênis, mais de 75% deles apresentam dimensões penianas consideradas “normais” ou “medianas”, mas todos eles se mostram insatisfeitos com seus dotes naturais. Calma, prezados leitores! Essa técnica ainda não traz resultados 100% isentos de efeitos colaterais indesejáveis!

O pênis masculino possui comprimento médio de 13 cm, mas, claro, há significativa discrepância entre populações no Mundo. Mais favorecidos, NA MÉDIA – antes que piadas infundadas sejam lançadas – são os africanos sub-saharianos, e menos favorecidos, os nativos de países do sudeste asiático. Mas isso não quer dizer que as mulheres africanas e asiáticas sejam, respectivamente, as mais felizes e infelizes em seus relacionamentos.

Muito curioso é observar a discrepância nas dimensões do aparelho genital masculino entre os vários primatas. A espécie humana, em termos comparativos, possui o maior pênis entre os primatas/hominídeos, em relação ao tamanho corporal. Por outro lado, os chimpanzés possuem os maiores testículos e, portanto, produzem mais esperma para a fecundação. Gorilas, comparativamente, perdem para humanos e chimpanzés em ambos os quesitos, mas não em tamanho corporal. Não é o momento de ser obtusa(o), pudica(o) ou preconceituosa(o): perceba aqui um importante fator de seleção natural entre essas espécies (Short RV, 1979. Sexual selection and its component parts, somatic and genital selection, as illustrated by man and the great apes. Advances in the Study of Behavior 9: 131-158).

Intrigante é o fato de que, teoricamente, a espécie humana atual seja a única classicamente monogâmica entre essas espécies (Simmons LW & Fitzpatrick JL, 2012. Sperm wars and the evolution of male fertility.Reproduction 144: 519-534). Recentemente, dois artigos publicados em revistas de enorme prestígio científico comprovaram que a atração física feminina aprecia, excluindo aspectos socioculturais, uma combinação de 3 principais fatores morfológicos: formato corporal (em “T”, preferencialmente), altura e dimensões penianas (Mautz BS, Wong BB, Peters RA, Jennions MD, 2013. Penis size interacts with body shape and height to influence male attractiveness. Proceedings of Natural Academy of Sciences USA 110: 6925-6930; Tiggemann M, Martins Y, Churchett L, 2008. Beyond muscles: unexplored parts of men’s body image. Journal of Health Psychology 13: 1163-1172)

Assim sendo, o tamanho do pênis pode, sim, ter sido um fator importante durante a evolução dos hominídeos. Embora sejam muito comuns comentários sobre o comprimento do pênis, a largura parece ser uma dimensão mais importante no que tange satisfação feminina. Dentre 170 mulheres holandesas consultadas, 20% delas considerou o comprimento peniano importante, mas 32% salientou a largura (Francken AB, van der Wiel HBM, van Driel MF, Weijmar-Schultz WCM, 2002. What importance do women atribute to the size of the pênis? European Urology 42: 426-431). Antes de qualquer conclusão precipitada, reparem que estas % representam MINORIAS no espaço amostral, mas ainda uma % respeitável. Em um estudo semelhante com mulheres croatas, entretanto, um fator interessante foi agregado à perspectiva: a faixa etária das mulheres consultadas e o número de parceiros que essas mulheres tiveram. Embora boa fração das mulheres tenha atestado a importância das dimensões penianas (principalmente largura), a importância desse fator só aumentou entre os grupos de mulheres que tiveram maior número de parceiros! (Stulhofer A, 2006. How (un)important is penis size for women with heterosexual experience? Archives of Sexual Behavior 35: 5-6).

Outro estudo estarrecedor mostra que mulheres que atestam preferência a pênis mais longos atingem mais facilmente o orgasmo vaginal, enquanto que mulheres que optam mais pela largura peniana têm maiores relatos de orgasmos clitorianos (sendo sincero: eu nem sabia que havia dois tipos! rs)(Costa RM, Miller GF, Brody S, 2012. Women who prefer longer penises are more likely to have vaginal orgasms (but not clitoral orgasms): implications for an evolutionary theory of vaginal orgasm. Journal of Sexual Medicine 9: 3079-3088).

Mas os humanos não são simples primatas com seus membros reprodutores expostos para a visualização e seleção por parte das possíveis parceiras (em nenhuma circunstância, seus deturpados!). Quase que incontáveis outros aspectos se sobrepõem a essa “mensagem primitiva” e subliminar, ainda mais considerando o gênero feminino humano! E isso não é uma piada, é um fato atestado! Frente aos aspectos socioculturais, morais e éticos da vida em sociedade, fatores como nível de instrução, espírito paternal, sucesso profissional e financeiro são igualmente apreciados pelas mulheres casadoiras. Outro fato: as mulheres, em geral, não possuem essa atração pontual e objetiva típica dos homens. Para serem conquistadas – se bem que na Natureza, são elas que escolhem! – não basta aos pretendentes simplesmente bater no peito, fazer sua dança especial do acasalamento e mostrar sua genitália. Os homens devem criar uma atmosfera, um clima, repleto de inúmeros estímulos sensoriais: olfativos (perfumes, odores agradáveis e sedutores), palatais (um jantar diferente, chocolates especiais, bebidas excêntricas), táteis (carícias, massagem relaxante), auditivos (música romântica, sussurros, etc) e, sim, visuais. Acima de qualquer benevolência genética, os homens que desejam algum sucesso nesse campo romântico, devem ouvir suas pretendentes e seguir essas leis da sedução. É a Ciência quem afirma isso!

Um abraço

Corações partidos

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Marcelo Paes Barros

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em 09/nov/2012 - 15 Comentários

É a pior das dores pois, da maneira mais cruel possível, não se sabe ao certo onde realmente dói. Alguns anatomistas acham que é mesmo no hipotálamo. Os espíritas dizem que é na alma. Os românticos confirmam que é no coração. Realmente, parece não haver dor pior que a perda de um grande amor. Ficamos sem chão, sem rumo, sem perspectivas, sem nada.

Litros de álcool – fermentados e/ou destilados – são consumidos como estratégia para esquecer a “pessoa amada” em uma fútil tentativa de diluir em etanol puro a imagem daquela pessoa que insiste em permanecer impressa na retina do(a) abandonado(a). Cigarros, antidepressivos, lenços de papel e o ombro da(o) melhor amiga(o) também fazem parte do pacote “auto-flagelação”. Até hoje, só se conhece um único remédio para a chamada dor-de-cotovelo: o tempo.

A situação é potencializada à escala dez (mil, na verdade) se o fim do relacionamento foi provocado pela presença de outra pessoa! Aí é uma questão de amor-próprio e de competição. Meus amigos, aqui está uma fonte inesgotável de temas para os mais diversificados estilos musicais: do axé, passando pelo sertanejo (aqui, sim, há um cancioneiro de odes às decepções amorosas), alimentando o rock e inspirando concertistas de grandes óperas. Simplesmente por que a desilusão amorosa sempre existiu e sempre fará parte da nossa natureza.

Todos sabem disso: em nossas vidas, cruzamos com dezenas (centenas até, depende de seu apetite, risos) de pessoas com quem poderíamos ter relacionamentos mais ou menos duradouros. Não posso precisar se seriam envolvimentos de um ano, cinco, vinte ou bodas de prata ou ouro. O fato é que, muitas vezes, cruzamos com essas pessoas em fases diferentes de nossas vidas. Quando estamos priorizando nossas carreiras, o(a) parceiro(a) pleiteia estabelecer uma família. Quando almejamos mudar para uma grande metrópole, o(a) outro(a) decide assumir uma vida mais serena em um templo budista. Dinheiro versus paz de espírito. Filhos versus aventura. Dilemas.

Já ouvi casos assustadores de desvios de comportamento de alguns amigos e conhecidos (ambos os sexos) frente as suas desilusões amorosas. Já ouvi falar em lamentáveis fins trágicos. Quadros profundos de depressão são os mais comuns. Muitos dizem que a dor do fim do relacionamento é proporcional à intensidade do amor vivido. Concordo que um amor deve ser bem vivido, no seu esplendor máximo. O amor deve ser visceral, do choro às gargalhadas em segundos (já que estes dois pólos são separados por uma tênue linha), de sexo entorpecedor, hormônios em ebulição e sangue pulsando nas veias. Mas um quê de razão não faz mal a ninguém. Flutuar nas nuvens, sim, mas todo balão deve ter seu lastro para trazê-lo de volta a terra firme.

Acredito que o fim de um relacionamento é o momento ideal para uma auto-avaliação. Esse é um valioso exercício de percepção pessoal: o que causou o fim? Como aquela pessoa me via? Qual foi a real causa de nossa separação? Sempre temos que aprender algo de cada experiência vivida. Mesmo por que, considerando as futuras relações afetivas, sempre seremos um produto das experiências pregressas. Se hoje sou assim, é por que antes Fulana, Cicrana e Beltrana me moldaram – sobre a base da argamassa da minha personalidade – para este produto atual.

Prezado leitor(a), entenda: seu caso não é o primeiro e nem será o último de um relacionamento frustrado que terminou bruscamente na história da Humanidade. Na verdade, os casos de amor mais famosos da História foram seguidos de gigantescas decepções amorosas. Não importa quem desistiu ou quem despachou quem. O importante é seguir em frente. Lembre-se: há, no mundo, 7 bilhões de pessoas em uma distribuição de quase ½ a ½ entre homens ou mulheres (sim, eu sei que há um pouco mais de mulheres que de homens, suas dramáticas, risos). Você jura que acredita que somente AQUELA pessoa é que te pode fazer feliz? Por favor… até a estatística está favorecendo seu próximo relacionamento!

Mesmo sendo uma tragi-comédia hollywoodiana (até clichê, eu diria) recomendo o filme “500 dias com ela”, com Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt e Minka Kelly (Direção de Marc Webb). São bons 120 minutos curtindo as idas e vindas de um relacionamento amoroso.

Trailler:

Um abraço

Acima do bem e do mal

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Regina Tavares

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em 25/set/2012 - 6 Comentários

Malditos cientistas! Assassinam Deus, criam verdades inabaláveis e em seguida, as negam e as ignoram. Deparam-se com o conhecimento técnico, julgam-se antropocêntricos e ovacionam o dualismo de Descartes. Instituem o Iluminismo, se enchem de razão e tentam dominar o mundo.

Entre mortos e feridos, em grandes guerras mundiais, conhecem a face da barbárie e se desencantam com o marxismo e a humanidade. Confiam a crítica ao Positivismo no Movimento Estudantil de 1968. Aparecem-me com a 1ª Lei da Termodinâmica e, depois com a 2ª. Instituem o Caos, a Desordem e por fim, a Teoria da Complexidade. Daí em diante, passam a condenar Descartes. Encantam-se com a Física Quântica, comprimem o tempo e o espaço, perseguem a cura para as mazelas do homem, anunciam a revolução da Cibernética e da Robótica. Adotam carinhosamente o prefixo “bio” e assim, nos chamam a atenção com suas novidades em Biotecnologia, Biopolítica, Biomedicina e bio sei lá mais o quê.

No cinema, oscilam entre os papéis de vilões e mocinhos. Já receberam o apelido de nerds ou geeks, e hoje, desfrutam do status de descolados e geniais. Alguns publicam um livro por ano, numa fruição duvidosa. Outros levam uma vida inteira para apresentar uma única publicação, lentidão igualmente duvidosa aos olhos das editoras e dos órgãos de pesquisa.

Há os que escrevem de forma prolixa e redundante, além de parafrasearem outros insistentemente, por não ter nada de si próprios a dizer. E ainda há aqueles, que como Einstein, escrevem um texto de dez páginas e mudam o curso de sua época. Ser um cientista nunca foi fácil, mas sua audácia é tão profícua quanto o pólen a germinar novas flores em plena primavera.

Se você não entendeu parte ou nada do que eu escrevi, não se preocupe, recorra aos cientistas. Benditos cientistas!

Ósculos e amplexos para todos.

Inté!

A CAIXA PRETA

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Regina Tavares

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em 01/nov/2011 - 9 Comentários

Já reparou como a convergência tecnológica tem se apresentado na mesma proporção que a convergência de conteúdo? Eu explico. De pensadores como Marshall McLuhan à gênios pragmáticos como Steven Jobs, a promessa de que uma caixa preta abrigaria todas as funções tecnológicas de o admirável mundo novo da tecnologia persiste em nosso imaginário. Entretanto, olho para a estante da sala de estar e me espanto com a quantidade de equipamentos – inúmeras caixas pretas – que divergem entre si, em meio ao emaranhado de fios e conectores. Numa olhadela desatenta, dá para identificar TV, receptor de sinal de TV a cabo, DVD, aparelho de som etc.

Obviamente, o computador e o celular são páreos duros neste ringue, afinal abrigam bem mais do que a função que deu origem as suas respectivas criações. Observe o celular, faz tanta coisa que até esquecemos sua função primitiva: realizar ligações.

Mas para continuar com a tese de que a convergência tecnológica é bem mais um processo cultural do que outra coisa qualquer, basta conferir observações simplistas. Vejamos no campo midiático: o conteúdo produzido pela mídia e, porque não dizer pela cultura em geral, tem sido intencionalmente destinado ao compartilhamento dos mais diversos equipamentos. Observe o último lançamento de uma saga heroica estilo Homem-Aranha, para entender do que falo. O lançamento do filme jamais é desacompanhado; a cerca deste, temos HQs, brinquedos, games, desenhos animados, livro com a publicação do roteiro original do filme etc. Para completar o percurso do Homem-Aranha pela sociedade moderna, blogs e microblogs inundam o universo cibernético para compartilhar a trilha sonora do filme ou, apenas, discutir o futuro do personagem.

A TV também se rendeu à convergência de conteúdo com a implantação das mil maravilhas prometidas pela TV digital. Já é possível acessar a classificação do Campeonato Brasileiro enquanto se assiste ao jogo do seu time. Quer outro exemplo de convergência de conteúdo na telinha? Qualquer emissora hoje em dia tem um programa interessado na apresentação dos vídeos de maior acesso no youtube.

Até a produção literária, de qualquer ordem, pode render uma versão tradicional impressa, um e-book, um áudio-book e, quiçá, ganhar o cinema, no ano seguinte ao seu lançamento.

Parece que além da convergência tecnológica ocorrer em algumas caixas-pretas por aí, o cérebro engenhoso do ser humano ganhará o título de verdadeira caixa preta da convergência cultural. Quem saberá o que podemos imaginar para um futuro que, há tempos, já chegou?

Inté!

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