Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

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Regina Tavares

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em 22/jun/2015 - 7 Comentários

por Regina Tavares

Sabe quando se está em um banheiro público e a faxineira cumprimenta e ninguém responde? Já notou como determinadas pessoas se esquecem de agradecer quando o porteiro abre a porta de um estabelecimento e lhe dá passagem? Reparou como é comum evitarmos enxergar os moradores de rua sem sentir, outra coisa, além de piedade?

Seja por indiferença ou preconceito, algumas pessoas estão invisíveis no contexto da contemporaneidade. Há muitos tipos de invisibilidade social, como apregoam os sociólogos por aí, contudo é razoável afirmar que a maioria decorre de relações hierarquizadas sócio e economicamente vivenciadas numa sociedade pautada pela divisão do trabalho e a lucratividade. A invisibilidade pode gerar humilhação, constrangimento e até a morte.

Nesta última terça, mais um cidadão paulistano foi condenado à invisibilidade. Tratava-se de um gari. Ao escutar a notícia, senti, assim como Caetano, que alguma coisa acontecera no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João. Foi lá, no meio fio de um dos endereços mais celebrados de Sampa, que um profissional da limpeza urbana foi morto após um atropelamento fatídico.

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Literalmente, morrera na contramão atrapalhando o tráfego, tal qual o protagonista da música Construção, concebido por Chico. Segundo as testemunhas, o motorista deixou o local sem prestar socorro. “Também pudera, aquele gari era invisível”, alegavam alguns advogados de defesa do autor do crime. Não havia como enxergá-lo limpando a calçada em plena madrugada. Sua figura mais parecia uma sombra, um espectro cabisbaixo a se locomover vagarosamente pelo espaço público. Daí, idealizaram um motorista sem culpa. As primeiras investigações apontam evidências de que o gari pode ter sido negligente, ao burlar seu treinamento e se posicionar equivocadamente na rua durante o expediente.

Como diria Madre Teresa de Calcutá, “é fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado”. É aceitável que reconheçamos o pesar das vítimas do terremoto no Nepal ou que as crianças africanas em pele e osso, quase mortas de fome, nos comovam durante o noticiário no horário do jantar. Porém, parece ser cada dia mais raro nos colocarmos no lugar daquele que está do lado, no dito “o próximo”, e estender a mão.

Inté!

Transitar: em breve um arcaísmo

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Carlos Augusto Andrade

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em 29/mai/2014 - 2 Comentários

Por Prof. Carlos Andrade

 

A cada dia olho com muito dissabor o trânsito de São Paulo. Sei que já não é uma questão da nossa cidade apenas, mas tive de mudar de casa, para pegar o contra fluxo, ou teria uma taquicardia sem precedentes.

Todos sabem o que significa trânsito? Bem, Michaellis diz que:

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São tantas as possíveis definições, mas nenhuma delas me deixou feliz, tendo em vista a vivência do cidadão paulistano. Para entender o título deste post, é importante conhecer o significado de “arcaísmo”:  falta de uso de determinada palavra em uma língua. Acompanhem, pois “transitar” pode ser algo que deixe de existir.

O primeiro conceito ligado a esta palavra diz que trânsito é “ação ou efeito de transitar”, ou seja, o verbo indica movimento, ida de um lugar para outro. No entanto, parece-me que o vocábulo está em transição significativa, logo, transitar, se as coisas não mudarem poderá indicar a saída de um veículo para ficar parado junto com outros na rua. Observem:

trânsito

Parece brincadeira, mas não é… a cada dia o número de carros aumenta e o de estradas permanece o mesmo. O pior é que ninguém mostra estudos que possam dar conta de ajustar o problema. Não há planejamento para o transporte coletivo que fizesse a população deixar o carro em casa, pela menos que seja do nosso conhecimento. Dessa maneira, corredores de ônibus, metrô e outras possibilidades já não dão mais conta.

Que tal entrarmos em um ônibus:

ônibus lotado

Agradável, disputar um lugar. E vejam que desaparece até a noção de cavalheirismo. Cada um pra si e Deus dê um lugar para quem tiver força e sorte.

Outro transporte que nos dá orgulho é o nosso Metrô, puxa quanta sofisticação:

metrô lotado

Calor humano é o que não falta. Não é possível sair para o trabalho ou voltar para casa sem experimentar um alto grau de estresse.

Pensam que nossos aeroportos estão melhores? Ledo engano:

aeroporto lotado

Agora fico pensando: com esses problemas de transporte individual e coletivo, como daremos conta para atender todos os turistas que desembarcarão no país para a Copa do Mundo? Os únicos que conseguirão transitar se houver urbanidade, serão os jogadores no campo. Espero que a vergonha que passaremos não nos deixe em posição ruim em algum ranking mundial, pois os últimos que tenho lido sobre educação, saúde e outras questões não são muito bons.

Daqui a pouco, conseguiremos apenas usar o verbete “trânsito” para significar apenas morte, passamento (item 6 do dicionário), pois de certa forma as pessoas preferem que esse fique bem congestionado.

E aí? Vamos até o metrô Sé, pegando o trem em Artur Alvim? Convite de grego, né!. Lembrei-me de uma novela: “Entre tapas e beijos” podemos conseguir.

Se não observarmos qualquer evolução para o trânsito neste ano, precisamos mudá-lo nas próximas eleições.

Redação de férias

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Regina Tavares

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em 20/ago/2013 - 2 Comentários

Quanto mais eu viajo pelo Brasil, mas me surpreendo com a riqueza de sua miscigenação e com a forma como foi forjado o caldo cultural deste país de lamentáveis contradições e felizes encontros.

Nas férias de julho, visitei a tradicional Olinda em Pernambuco pela segunda vez e me surpreendi diante de detalhes que escaparam de minha primeira incursão a dita Veneza brasileira. Ao admirar a arquitetura centenária de algumas casas em estreitas ruas de paralelepípedos, fui atraída por um fato curioso: a peculiaridade de seus telhados. Algumas moradias de pé-direito alto e imponentes portas de madeira maciça possuíam dois ou até três telhados.

Ao notar a curiosidade que pairava no olhar da turista que vos fala, um prestativo menino se prontificou a dar uma explicação plausível. Era Emerson. Um dos guias turísticos de um dos projetos sociais deixados pelo humanitário Dom Hélder Câmara. Segundo o jovem, no Brasil Colônia, quanto maior era o status social do dono da casa, maior seria também o número de beiras de telhados da sua residência. Sendo assim, alguns esnobavam eira, beira e tribeira. Enquanto outros, ainda em ascensão social, exibiam apenas eira e beira ou somente beira. Já a maioria, não tinha nem eira, nem beira, ou seja, não possuía bens e muito menos uma moradia razoável.

Aqui em São Paulo, fiz uma breve pesquisa e identifiquei que a explicação vem de Portugal. A palavra eira vem do latim “area” e nos remete a espaço de terra batida, lajeada ou cimentada; local, próximo às residências lusitanas, destinado ao cultivo, tratamento ou armazenamento de cereais. Portanto, quem detinha eira, naquele período, gozava de sucesso nos negócios, riqueza e poder. Já a beira do telhado, comumente utilizada como abrigo em dias de chuva referendava o poder de propriedade sob o imóvel. Com o passar do tempo, a flexibilidade da linguagem por meio da conversação e a sonoridade presente na rima, eis que surge a expressão “eira, nem beira” como denominação usual da condição de alguém que não tem onde morar e muito menos bens para usufruir.

Interessante, não é mesmo?!

Quantas expressões do nosso dia a dia também não revelam histórias curiosas como essa?

Inté!

Formigas-robô

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Marcelo Paes Barros

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em 26/mar/2012 - 6 Comentários

Após um leve período de hibernação, volto agora com uma matéria instigante (assim espero!).

Por incrível que pareça, cada medida que se tenta introduzir para diminuir o estresse da vida urbana, geralmente causa mais estresse ainda. Todos puderam vivenciar um curto período de caos metropolitano nestas últimas semanas, decorrente da paralização dos transportadores de combustível na cidade de São Paulo em repúdia à restrição do trânsito de veículos pesados durante os horários de pico.

Quero olhar mais adiante. Prevejo, assim como Mãe Diná em cada começo de ano, que as pessoas trabalharão muito mais em casa, munidas de intensa tecnologia domiciliar, o que tenderá a dimuir o trânsito. As vídeo-conferências prevalecerão ainda mais no futuro empresarial/profissional e grandes negócios serão estabelecidos à distância. Educação já se faz à distância. Namoro também…

Desta forma, os cidadãos metropolitanos se tornarão mais e mais inativos, mais obesos, mais diabéticos e progressivamente com menos saúde. Só não vão morrer mais cedo pois os avanços da Ciência, da Farmacologia e da Medicina criarão uma legião de ciborgues, com tubos nutrientes e aparelhos de purificação dos sistemas fisiológicos funcionando fulltime. Curiosamente, os aparelhos estarão também fulltime conectados à rede digital para que os médicos especialistas possam, à distância, acompanhar o avanço do paciente.

Trânsito: se o ser humano vencer a barreira egocêntrica do capitalismo selvagem, o qual prega a aquisição desenfreada de itens de consumo como emblemas ostentosos de status (duvido!), poderemos ter menos carros nas ruas. Além disso, ainda acreditando na boa fé e racionalidade da espécie humana (duvido de novo!), ciclovias e ampliação do transporte público serão incrementadas em detrimento dos carros particulares. Veja que lindo cenário: com o desenvolvimento do sistema GPS, existirá uma central metropolitana capaz de monitorar em tempo-real o fluxo de veículos por todas as ruas da cidade. Portanto, em um futuro próximo, será possível que você, via eletrônica, envie seu trajeto do dia seguinte à Central Metropolitana de Tráfego, dizendo a hora e onde será seu compromisso. Essa Central captará as programações de TODOS os veículos cadastrados e, mediante um programa com base no GPS, poderá traçar trajetos e ditar ritmos (velocidade) para cada um daqueles veículos, incluindo a integração com todos os temporizadores de semáforo por onde cada veículo passar!  Você receberá, via celular, uma mensagem dizendo a que horas você deverá iniciar seu trajeto (cronometricamente avaliado). Contudo, você já deve estar imaginando uma série de “furos” nesse sistema: e se o cara decidir comprar um pãozinho na padaria? E se houver um acidente? E se o indivíduo decidir sair 5 min antes? Todavia, já existem atualmente em vários veículos sistemas eletrônicos capazes de avaliar a distância entre o seu veículo e aquele à frente e atrás. Hum, assim sendo, se todos os veículos forem acionados e controlados pelo programa eletrônico justamente enviado pela Central de Tráfego, você poderá ser um mero passageiro do seu próprio veículo: o trajeto e o ritmo/velocidade será estabelecido pela Central e a direção controlada pelo sistema autônomo do veículo, que em tempo real calculará a distância do carro à frente e atrás, evitando acidentes. Quero salientar que todos os veículos circulantes estarão integrados e sob controle em tempo real, de modo que ultrapassagens, mudanças de faixa e, inclusive, gentilezas (na concessão de espaços, na travessia de pedestres, etc) serão automatizadas. Você entrará em seu carro no horário determinado pela Central, poderá fazer outras tarefas (ou simplesmente dormir) e chegará sempre no horário. Obviamente, esse sistema funcionará infinitas vezes melhor se tivermos transporte público setorizado – veículos de transporte de massas com saídas de regiões estratégicas da cidade – e igualmente integrado nesse sistema. Multiplique por 1000 a funcionalidade do sistema se todos os veículos forem elétricos e com aqueles dispositivos de reaproveitamento de energia disperdiçada durante frenagens.

Pode parecer loucura ou até utopia do seu editor aqui, mas não é! Há base científica para toda essa teoria! Sabe onde? Nas comunidades de formigas! Vários pesquisadores de comportamento social e biólogos estudam a vida social das formigas para tentar criar modelos de vida urbana humana. Pense: as formigas habitam nosso planeta há milhões de anos. São, portanto, milhões de anos de evolução, adaptação e sucesso na prosperidade da espécie. São justamente essas, as pesquisas mais “quentes” atualmente na área social!! Por favor, reveja todas as informações postadas aqui anteriormente e pense na vida coletiva das formigas. Perceba como os modelos poderiam ser aplicados! Hahaha, essa você não esperava, né? Um abraço.

400 anos do Itaim Paulista e Vila Curuçá

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Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

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em 03/jun/2011 - Sem Comentários

No próximo final de semana, os bairros Itaim Paulista e Vila Curuçá iniciam as comemorações dos seus 400 anos. A Universidade Cruzeiro do Sul participará, com a comunidade, de ações sociais pelos bairros, tais como: assessoria jurídica e atendimentos de enfermagem e odontológico.

No dia 04 de junho, das 09h às 17h, a Cruzeiro oferecerá, por meio da unidade móvel “Espaço Saúde”, verificação de PA (pressão arterial), testes de glicemia e exame de papanicolaou, além de atendimento odontológico e assessoria jurídica nas áreas do Direito do Trabalho, Criminal e Direito Civil, em frente à Unidade Básica de Saúde do Jardim Robrú, localizada na Rua José Maria Alves de Deus, nº 288.

A mesma ação ocorrerá no dia 11 de junho, no Clube Escola Curuçá, na Rua Grapirá, 537, Vila Curuçá.

A Cruzeiro do Sul parabeniza os dois bairros pelo IV Centenário e convida todos para participarem do aniversário.

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