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Trabalho 2.0: Como chegamos até aqui e qual será o próximo destino?

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Regina Tavares

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em 23/abr/2012 - 7 Comentários

Provavelmente, em uma happy hour qualquer pela cidade, amigos planejam um destino de viagem para o próximo feriado: o recesso do dia 1º de maio. São tantas opções de lazer que até deixamos de lado uma importante e necessária reflexão sobre o trabalho nosso de cada dia. Quero propor, nos próximos posts, que pensemos juntos a respeito do mundo do trabalho e do emprego. Você me acompanha?

Em meados da década de 1970, logo após a “década dourada” do capitalismo, as sociedades industriais ocidentais sofreram diversos impasses no que concerne à empregabilidade. O mercado de trabalho passou a se tornar altamente instável e competitivo.

Tal cenário se explica por inúmeros fatores, para citar alguns: força de trabalho excedente; enfraquecimento do poder sindical; inserção de novos trabalhadores como mulheres, idosos e imigrantes; convergência de segmentos profissionais; surgimento de novas profissões; flexibilização legislativa-trabalhista; virtualização de determinadas áreas; terceirização; quarteirização etc.

Você já deve ter notado que outras mudanças substanciais também perfilam o atual mercado de trabalho: se antes predominava a gestão familiar, hoje impera a profissionalização; se antes prevaleciam os empregos estáveis, hoje temos projetos e trabalhos temporários; se antes vivíamos em uma hierarquia rígida, hoje nos deparamos com organogramas flexíveis e assim por diante.

Definitivamente, não basta ter um diploma pendurado na parede. Aliás, alguns especialistas dizem que o diploma deveria ter prazo de validade. Afinal, quantos profissionais deixaram de lado a atualização de suas carreiras? Hoje, não basta ter competências, é preciso ser competitivo.

Sobre o impacto da globalização no mundo do trabalho não há muito o que dizer. Basta acessar a internet para saber o que acontece com quem está do outro lado do globo, sem o mínimo de dificuldade ou estranhamento.

A globalização com seu processo de aceleração constante modifica as noções de tempo e de espaço na humanidade. A velocidade crescente que envolve as comunicações, os mercados, os fluxos de capitais, as tecnologias e as trocas de ideias impõem a dissolução de fronteiras e de barreiras protecionistas. Além disso, no ambiente organizacional, a convivência com a mudança virou rotina e demonstrou que novas formas de relacionamento e comunicação são construídas constantemente.

Até quem trabalha de forma autônoma acaba transformado em microempresário e deve desenvolver habilidades específicas de gestão que envolvem o conhecimento de contabilidade, o pagamento de impostos, o treinamento de sua equipe, a definição de um planejamento estratégico etc.

Daí a exigência de um profissional com perfil multifuncional. Não se trata do chamado generalista, mas, sim, daquele capaz de se renovar diante dos desafios, independente das habilidades adquiridas em sua graduação.

Muito bem, diante deste cenário, quais são as alternativas para se trilhar com tranquilidade o caminho das pedras? Caro leitor, desconfio das fórmulas prontas, entretanto, verifico que hoje é necessário ter características especiais como visão totalitária do processo de trabalho, sensibilidade aguçada no relacionamento interpessoal, compreender a flexibilização legislativa-trabalhista em determinadas áreas, a virtualização de determinados setores da economia, as barreiras etárias impostas para alguns profissionais, entre outras questões.

Para atender as expectativas deste novo perfil empregador faz-se necessária a presença de um profissional altamente capacitado, criativo, habilidoso, crítico, entre outras qualidades.

O mercado de trabalho anseia por pessoas capazes de combinar habilidades e técnicas profissionais a interesses, gostos, preferências, valores éticos e aspectos mais subjetivos como respeito, humildade, motivação, afeto. Entre as redefinições do trabalho está o desenho de um novo significado para a sua função, muito mais baseado na responsabilidade social e na cidadania; regado de noções morais, deontológicas e éticas de acordo com a respectiva área; conscientização cidadã e uma visão holística e histórica do mundo. Ufa, sendo assim, mãos à obra!

Inté a próxima semana com a continuação desta conversa. Conto com você.

PROCESSO SELETIVO: VOCÊ ESTÁ PREPARADO?

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Regina Tavares

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em 21/nov/2011 - 10 Comentários

Dinâmica em grupo

Em posts anteriores falamos da importância do currículo para o processo seletivo na atualidade, hoje trago uma discussão sobre as demais etapas de seleção, são elas: dinâmica em grupo e entrevista. Você está preparado para encará-las?

Provavelmente, você deve conhecer alguém que adora e outro que simplesmente não suporta participar de dinâmica em grupo, ou seja, daquela ocasião em que se é empenhada avaliação do comportamento e das características pessoais dos candidatos para uma determinada vaga. Pois bem, está é uma das etapas mais importantes de um processo seletivo para ingresso em organizações de diferentes ramos e portes.

Neste momento do processo seletivo, vale dizer que serão selecionados os profissionais que melhor se adaptarem à cultura da empresa, à vaga etc. Sendo assim, quando você não for aprovado em um processo seletivo, em especial, numa dinâmica em grupo, esteja ciente de que você não é inferior ao candidato aprovado, apenas tem o perfil adverso daquele que o empregador idealizou. Se há alguma dica? Seja participativo, respeite os demais envolvidos e não se preocupe em eliminar os concorrentes.

As fases da dinâmica são:

• Apresentação
• Aquecimento
• Atividade principal

Na última fase da dinâmica em grupo há muitas formas de abordagem, as principais são:

1. Execução (Realização de determinada tarefa)
2. Comunicativa (Atenta-se à forma de expressão comunicativa e ao nível de atualização do candidato)
3. Situacional (Remete ao cotidiano da empresa ou a reflexão de melhores condições de trabalho na empresa)
4. Irreverente (Recorre ao humor para atingir objetivos específicos)

Geralmente, o avaliador observa:

• Trabalho em equipe
• Relacionamento interpessoal
• Integração
• Motivação
• Auto-estima
• Postura
• Percepção
• Atenção
• Concentração
• Agilidade
• Solução de problemas
• Iniciativa
• Pró-atividade
• Comunicação
• Equilíbrio
• Criatividade
• Liderança

Muito bem! Você passou pela dinâmica em grupo e agora será avaliado individualmente durante uma entrevista. Se você chegou até aqui, deve saber que tem grandes chances de ser o candidato escolhido, contudo, deve ter alguns cuidados primordiais.

Entrevista

• Antes da entrevista

Pesquise sobre a empresa. Pode ser na internet, não há problemas. Mas, procure conhecer seu histórico, seus ramos de atuação, suas principais características.
Estude seu currículo. Geralmente, o empregador fará questões pontuais sobre seu currículo no sentido de atestar a veracidade deste. Portanto, estude-o e o tenha em mãos durante a entrevista.

• No dia da entrevista

Saiba o nome e o cargo do entrevistador, o local, a data e o horário da entrevista. Não se atrase! O ideal é chegar dez minutos antes da hora marcada. Vista-se de acordo com o perfil da organização ou de sua profissão e por favor, desligue o celular. Isso mostra respeito e bom senso.

• Durante a entrevista

Esteja preparado para responder sobre sua pretensão salarial, disponibilidade para viagens e limitações de horário, perspectivas futuras, ambições e outras questões da mesma ordem. Evite comentários negativos ou queixas sobre o emprego anterior. Nunca “implore” pelo emprego. Seja simpático, positivo e demonstre entusiasmo em suas respostas.

As perguntas mais frequentes durante a entrevista são:

1. Por que você decidiu trabalhar na nossa empresa?
2. Quais são as suas principais qualidades?
3. Quais são os seus principais defeitos? Como você lida com eles?
4. Por que você saiu do seu último emprego?
5. Qual foi o ponto alto de sua carreira até agora?
6. O que você espera encontrar na nossa empresa?
7. Como você acha que poderia contribuir com a nossa empresa?
8. Você prefere trabalhar em equipe ou trabalhar sozinho?

Atente à comunicação não-verbal. Especialistas afirmam que 90% de nossa imagem pública dependem mais de como agimos e nos comportamos do que daquilo que realmente falamos. Fique atento para as orientações listadas abaixo e evite os erros mais comuns em comunicação não-verbal:

==> Gestos que conotem nervosismo e inibição;
==> Ajeitar a gravata;
==> Manusear chaveiro, caneta ou outro objeto;
==> Ajeitar o cabelo ou os óculos constantemente;
==> Coçar-se, pigarrear ou bocejar;
==> Movimentar as mãos excessivamente;
==> Mascar chiclete ou roer as unhas;
==> Consultar excessivamente o relógio.

Ao final da entrevista, pergunte sobre as próximas etapas do processo.

• Depois da entrevista

Envie uma carta de agradecimento após o processo seletivo, faça com que o empregador lembre-se de você em outros processos seletivos.
Bom, depois desta maratona de avaliações, basta ficar na torcida pela conquista da vaga.

Inté!

Vitrine vitae

Postado por

Regina Tavares

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em 22/set/2011 - 9 Comentários

Noutro dia, pedi aos alunos que tivessem interesse em estagiar na área de comunicação que enviassem seus currículos por e-mail para uma amiga, ansiosa em contratar alguém até o final de semana. Dias depois, em conversa com esta amiga, fui surpreendida pela enxurrada de críticas em relação aos currículos recebidos. Bom, não resisti e resolvi lançar mão de algumas dicas para quem pretende criar ou atualizar essa verdadeira vitrine de nós mesmos: o currículo.

Currículo vem do latim: curriculum vitae. Numa tradução simplória seria o mesmo que “carreira de vida”, ou seja, um relato das experiências profissionais, das principais informações pessoas, das competências e habilidades de um indivíduo.

Douglas T. Hall define carreira como o conjunto de atitudes, comportamentos e atividades que resultam em experiência e conduzem as pessoas a ter sucesso ou não em sua vida profissional. Note que nem sempre os registros presentes no currículo contemporâneo dizem respeito ao passado, nem tampouco, às características profissionais de seu dono. Cada vez mais, experiências pessoais como viagens, atuações voluntárias, iniciações científicas, intercâmbios, habilidades artísticas, entre outras características seduzem os recrutadores mais exigentes.

Para quem está empregado, o currículo pode ser solicitado para apoiar uma promoção, um novo emprego, um ingresso em cursos de pós-graduação, para envio a clientes, fornecedores e demais interessados etc. Para quem está a procura do emprego, trata-se de uma ferramenta capaz de gerar entrevistas e servir como grande guia durante a entrevista de emprego.

Para mantê-lo sempre atualizado é preciso registrar fatos de relevância em sua carreira. Procure manter um banco de dados com seus contatos, eventos que participou, projetos realizados etc. Isso faz parte da organização metódica de seu currículo. Também é recomendável arquivar certificados de cursos extra-curriculares, cursos de línguas e de capacitação técnica (domínio de softwares de relevância para a área de trabalho, por exemplo) e o que mais você julgar fundamental para a formação de sua personalidade.

O acompanhamento de uma carta de apresentação, ou seja, um documento emitido por algum profissional renomado da área ou pela organização em que trabalhou pode ser determinante numa contratação.

Por fim, seu currículo precisa passar a impressão de que você tem o perfil do profissional que a empresa precisa. Nesse sentido, é preciso alterar o currículo e adequá-lo ao objetivo que se pretende na ocasião. Por exemplo, não aponte objetivos genéricos como: Atuar na área de TV. Seja específico, de acordo com a vaga mencionada ou com o seu perfil e interesse.

O ideal é responder as questões dos empregadores, são elas:

Quem é você?

O primeiro item deve ser o seu nome, não é necessário intitular o currículo como currículo, curriculum vitae etc.

Em seguida, revele as principais informações pessoais: idade, endereço, contatos (inclusive as redes sociais, pois, muitos empregadores as consultam), estado civil, formação acadêmica e estado civil. Veja que não é necessário mencionar os documentos PIS, CPF, RG etc. Afinal, isso só é exigido quando se é contratado.

Em seguida, aponte sua formação acadêmica com o grau da escolaridade, a instituição de ensino, o ano de início e término do curso. Caso um dos cursos esteja em andamento, aponte-o e mencione o horário em que estuda. Cabe dizer que não é necessário mencionar o ensino médio, exceto caso tenha realizado o ensino médio técnico.

Jamais indique cursos, experiências ou atividades que não possa comprovar. Não minta. Cuidado com e-mails de baixo profissionalismo como: anabananinha@chiclete.br ou alefofinho@gente.com. Isso vale para as redes sociais. Pense na sua reputação. Um blog com alto grau de ativismo político ou de futilidades absurdas pode depor contra você. Veja que falei de extremos. O ideal é o equilíbrio. Procure demonstrar politização e ao mesmo tempo serenidade para com a sua vida pessoal.

Acredito que não é necessário comentar sobre as mensagens deixadas na caixa postal do celular, não é?!

Não indique pretensão salarial.

O que você quer?

Defina um objetivo para este currículo. Esta etapa do currículo pode ocorrer antes ou até depois dos dados pessoais. Seja bem específico, de acordo com a vaga mencionada ou com o seu perfil e/ou interesse.

O que você já fez?

Destaque as atividades que você desempenhou em cada emprego e que resultaram em retorno para a empresa, me refiro a retorno financeiro, institucional ou de relacionamento com o mercado.

Aponte o nome da organização, o período em que esteve nela, o cargo, as funções exercidas e destaque prêmios e acontecimentos de relevância.

Você pode ordenar esta lista como quiser. A mais comum é a cronológica.

Você se atualiza?

Mencione seus cursos extracurriculares, competências técnicas, eventos vivenciados no período da graduação, projetos envolvidos, ações de voluntariado, habilidades diversas, cursos de língua estrangeira e o que mais julgar que seja relevante.

Como você é?

Como eu já falei anteriormente, o currículo é um retrato nosso. Para que ele seja uma boa propaganda sua; revise a ortografia e a digitação; deixe margens largas e muitos espaços em branco; não use letras muito pequenas ou enormes; não varie muito a fonte das letras; alinhe o texto no modo justificado; tenha cuidado com as ilustrações, as fotos, as cores, as formas diferenciadas de dobrar o papel etc.

Procure personalizar seu currículo com bom senso. Obviamente que isso vale para as áreas mais conservadoras.

Se optar por um envelope, deixe seus dados em uma etiqueta e não os coloque de forma manuscrita no envelope.

Seja breve, currículos extensos não são lidos. Afinal, o empregador tem pressa.

Inté a próxima!

E aí, dotô?

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Marcelo Paes Barros

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em 16/set/2011 - 8 Comentários

Meus amigos, esta matéria aventurar-se-á (mesóclise, faz tempo que não a uso!) em um  curioso universo de vaidades, de prepotência, mas também de dedicação. Quem é, efetivamente, Doutor? Antes de responder, quero deixar claro que não defendo a atribuição de título de “Doutor” para este ou aquele profissional, antes que vocês venham querendo me queimar na fogueira! Em uma rápida busca na internet, li inúmeras frases radicais e infladas como: “Doutor é quem fez doutorado”, “Respeite sempre o Dr. Advogado” e por aí afora.

Dá para imaginar a controvérsia gerada: enquanto uns se baseiam em emendas federais de órgãos de saúde, outros citam decretos imperiais de mil oitocentos e bolinha e outrém se alicerça na própria força do hábito. Na verdade, o questionamento de quem realmente é “Doutor” vem desde a época de fundação das mais primórdias universidades medievais (estamos falando do séc. XI!).

No Brasil, a designação de “Doutor” é mais que deturpada, graças à herança serviçal deixada pelos portugueses desde a época colonial. Se você perceber bem, o manobrista de qualquer restaurante te chama de doutor, sem sequer você mencionar sua especialidade ou formação. O mesmo tratamento é utilizado pelo ascensorista do seu prédio, por exemplo. Até em novelas (sic!), sempre há um tal Dr. Almeida, empresário impetuoso e agressivo vestido com alinhadíssimos ternos italianos e gravatas de seda javanesa. Como se isso (a bonança) fosse o pré-requisito para tal designação/título.

Sempre foi uma fogueira de vaidades. Originalmente, com base nas instituições européias, existiam somente quatro tipos de títulos: bacharel (B.Sc.), licenciado (L.Sc.), mestre (M.Sc.) e doutor (em Ciências Filosóficas, Ph.D., incluindo Química, Astronomia, Física, Filosofia, etc). Contudo, com a grande força da Igreja e o avanço das ciências médicas impulsionaram a criação de outros títulos: Divinitatis Doctor (D.D.), doutor em Teologia, e Medicinæ Doctor (M.D.), o Doutor em Medicina. Com o crescente desmembramento das ciências humanas, biológicas e exatas, as instituições acadêmicas mais tradicionais e conceituadas estabelecem hoje mais de 50 títulos diferentes, conforme a formação em Graduação concluída e os títulos obtidos na pós-graduação. Por exemplo, um dentista formado que também concluiu seu mestrado e doutorado, deveria oficialmente assinar: Fulano de Tal, DDS, M.Sc., Ph.D. Tais designações são poucas vezes respeitadas no Brasil, gerando tanta confusão. E digo mais, oficialmente só é Professor (no sentido estrito da palavra, o “Herr Professor” na Alemanha, por exemplo), quem concluiu a Livre-Docência, último título acadêmico possível. Curiosamente, ouve-se com certa frequência, por exemplo: “Meu professor de tênis” (e não, instrutor, como deveria ser).

Quero concluir a matéria com uma boa história de um amigo que concluiu seu curso de doutorado em Física e voltou para sua cidade no interior da Bahia para uma grande “festa” com familiares e amigos. Ele disse que até a banda da cidade tocava na sua chegada! Ao interagir com os cidadãos, depois de tanto tempo de ausência (média de conclusão de um Doutorado = 5,2 anos!), não sabia como responder à recorrente pergunta: “Afinal, Toninho, você é Doutor de quê? De cadeia, de ponte ou de doença?”

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