Arquivo do Blog

Foi mal

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 22/ago/2012 - 12 Comentários

Segundo o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o Brasil desempenhou em Londres a melhor campanha de sua história nas Olimpíadas. Foram 17 medalhas e o alcance da 22ª colocação no ranking dos países participantes.

Houve evolução em algumas modalidades, frustração em outras, conquistas inéditas e recordes quebrados com muita inspiração e transpiração. Foi bom, você diria. Não, foi mal. O resultado não se assemelha em nada ao status ocupado pelo próximo anfitrião do evento. Para alcançar, no mínimo, um lugar ao sol entre os 10 países mais premiados em 2016, há muito o que planejar.

Notoriamente, o esporte nos remete a histórias de superação, mas a preparação de nossos atletas deve ser menos acidental e mais estratégica. Sabemos que algumas medalhas foram conquistadas por atletas que contavam com baixo investimento, parcos recursos pessoais ou pura sorte.

À exemplo de países desenvolvidos, a formação de novos atletas nas escolas é uma alternativa producente. Entretanto, é preciso investir em professores de Educação Física gabaritados e instalações adequadas para a prática das mais variadas modalidades esportivas. Especialistas reiteram o potencial das escolas como verdadeiros garimpos de medalhas de ouro.

Diante do resultado em Londres e da proximidade das Olimpíadas no Rio de Janeiro, o Governo Federal anunciou que irá criar o programa Bolsa Ouro, que também está sendo chamado de Bolsa Medalha e Bolsa Pódio, para os atletas brasileiros que estiverem entre os 20 melhores de suas modalidades. As bolsas mensais variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. Foi bom, você diria. Não, foi mal. Não se fabricam atletas competitivos em apenas quatro anos. Desde Pequim, em 2008, o país deveria ter iniciado um plano de ação com vistas para 2016. Agora, já é um pouco tarde.

É, foi mal.

Inté…

SALVE, LINDO PENDÃO DA ESPERANÇA!

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 24/nov/2011 - 1 Comentário

Ela estava lá, tremulando e testemunhando a retomada da favela da Rocinha pelas forças de segurança pública. Também esteve sobre os ombros de Júnior Cigano, na noite de glória em que o lutador conquistou o cinturão dos pesos-pesados do UFC. A propósito, é figurinha fácil nas competições esportivas internacionais, quando um atleta brasileiro chega ao alto do pódio, não raro, acompanhada de lágrimas. Foi empunhada muitas vezes pelo grande campeão Ayrton Senna, em comemoração às suas vitórias na Fórmula 1.  É claro que estou me referindo ao nosso pavilhão da justiça e do amor, ao nosso símbolo augusto da paz, que fez mais um aniversário no dia 19 de novembro.

A nossa atual bandeira surgiu quatro dias após a proclamação da República, para representar esta nova fase da história brasileira. Embora não haja, oficialmente, um significado para as formas e cores adotadas, o entendimento popularmente consagrado (inclusive nos versos de Olavo Bilac para letra do Hino à Bandeira Nacional) é de que o verde simboliza nossas florestas, o amarelo, nossas riquezas e o azul, o céu. As estrelas deste céu representam cada um dos Estados da nossa nação, que na época eram 21 e hoje são 27.  Em breve, teremos que fazer nova atualização da nossa bandeira, uma vez que está em fase adiantada a discussão no Congresso Nacional para a criação de mais três unidades federativas. Na verdade, chegou-se a propor oficialmente 18 novos Estados e 3 novos Territórios, então, para termos alguma folga, poderíamos aumentar logo para 50 o número de estrelas. E já que vamos mexer mesmo, sugiro diminuir o verde, que vem perdendo espaço no nosso território por causa do avanço da agricultura, pecuária, extração de madeira, etc. O verde dá lugar ao amarelo, afinal, já somos a sétima economia mais rica do mundo. Um amarelo mais espaçoso, porém, mais pálido, mais coerente com a pobreza que ainda prevalece na maioria da população.

As bandeiras são símbolos criados para representar o patriotismo, a identidade nacional, o sentimento de pertencimento de um povo a uma nação. Nenhum país do mundo ama mais sua bandeira do que os Estados Unidos da América. É uma estranha obsessão, incompreensível para outras nações. O país surgido da independência das treze colônias inglesas na América do Norte, em 1776, não tinha nome, era uma associação, uma confederação parecida com a atual União Européia. Talvez por isso, tenha necessidade de mostrar sua existência pelo uso exagerado da bandeira nacional.

A proclamação da República no Brasil teve forte inspiração no modelo federativo americano. A primeira bandeira republicana (que durou de 15 a 19 de novembro de 1889) é quase uma réplica da americana, com treze faixas horizontais em verde e amarelo, tendo no canto superior esquerdo as estrelas que representam os estados sobre um retângulo azul. Mesmo tendo sido modificada, o amor que o brasileiro procura exibir pelo estandarte nacional ainda revela esta influência. É apenas mais um traço do nosso americanismo.

O Império da Magreza

Postado por

Marcelo Paes Barros

Mais posts
em 07/out/2011 - 5 Comentários

Como diz a canção, o Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Essa beleza, indubitavelmente, se estende a suas mulheres, consideradas as mais belas e sensuais do mundo. Graças à herança africana e a uma harmoniosa miscigenação com genes caucasiano-europeus, as brasileiras são geneticamente favorecidas por curvas pronunciadas, nas quais “gringos” e brasileiros se perdem em admiração.

Contudo, em função de uma forte pressão estética importada de países de exposição física bem menos intensa, um verdadeiro Império da Magreza vem dominando nossa terra brasilis já há algumas décadas. Modelos praticamente anoréxicas representam, hoje, o padrão de beleza para mulheres adultas e, mais preocupante ainda, para adolescentes inseguras e crianças. Brasileiras voluptuosas por natureza vêm diminuindo medidas através de dietas nazistas, operações cirurgicas arriscadas e “tratamentos” estéticos de comprovação científica e segurança duvidosas. Isso tem afetado as mulheres brasileiras no âmago de seu ser: fisicamente e psicologicamente (auto-estima, depressão, etc). Contudo, os mamíferos – incluindo o ser humano – evoluíram durante milhões de anos para acumular reservas enérgicas na forma de gordura no tecido adiposo espalhado por pontos estratégicos do corpo, já que também fornecem proteção mecânica e isolamento térmico contra o frio. De maneira ainda mais dramática, são impressionantes os mecanismos metabólicos pelos quais o corpo humano reluta em perder estas reservas, afetando, inclusive, o humor, a agressividade e o bem-estar das pessoas! Como disse uma famosa personalidade global (prefiro não citar nomes): “Existem dois tipos de mulheres no Brasil: as felizes e as magras”.

Gostaria de lembrar aos queridos leitores(as) que esse Império da Magreza é extremamente recente, uma questão de menos de meio século. Nos primórdios da história da civilização humana, uma mulher era desejada por sua opulência, ou seja, pela percepção de sua fertilidade e da sua capacidade de fornecer uma prole mais saudável. Tal fato pode ser simbolizado pela Vênus de Willendorf (foto ao lado), estatueta de cálcario datada de 24.000 A.C. e descoberta em 1908 pelo arqueologista Josef Szombathy, na Áustria (atualmente exposta no Naturhistorisches Museum, em Viena, Áustria).

E digo mais, não precisamos ir até a pré-história para ilustrar como foi rápida (em contextos históricos) essa mudança da percepção corporal das pessoas. Até a primeira metade do século XX, meados dos anos 30 a 50, a magreza era um claro sinal de pobreza e principalmente as mulheres lutavam para ganhar peso e corpo! Ainda em uma estrutura fortemente patriarcal, a mulher era a dona-de-casa-faz-tudo que gastava milhares de calorias diárias nas tarefas domésticas. Foi a grande época dos almanaques de sáude, geralmente patrocinados por indústrias farmacêuticas de tônicos e fortificantes (também de validação científica duvidosa). Renomados eram o Almanaque Capivarol e o Almanaque Fontoura, os quais prometiam imediato aumento do apetite e ganho de peso (exatamente o contrário do que os produtos atuais prometem!).

Contudo, respeitando a periodicidade das vertentes do comportamento humano e das tendências da moda na história da civilização humana, um novo padrão feminino de beleza vem surgindo com grande força neste século XXI: a vigorexia! Novas beldades têm surgindo na mídia e, em um contexto geral, apresentam novamente a opulência do passado como ponto marcante. Só que esta opulência não se caracteriza agora pelos depósitos de gordura mas, sim, pelos músculos desenvolvidos, gomos abdominais e ar de dominância conqusitados com muitas horas na academia e alguns galões de hormônios esteróides anabolizantes. Um programa dominical noturno deixa isso bem claro em suas transmissões! Embora essa alternância de tendências seja um fenômeno comum e previsível do comportamento humano, o que mais assusta atualmente é a velocidade com que as pessoas querem mudar estes estereótipos. De ontem para hoje, de preferência…

ORGULHO DE SER BRASILEIRO

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 12/ago/2011 - 6 Comentários

Se o leitor me permite gostaria de compartilhar algumas experiências de minha viagem à Europa nessas férias. Devo confessar, essa foi a minha primeira expedição ao velho continente. E entre as inúmeras surpresas vividas, a que mais me chamou a atenção diz respeito a presença massiva dos brasileiros em solo europeu. Eles estão por toda a parte, do mochileiro à madame. No início, topar com um conterrâneo despertava estranhamento de ambas as partes e até trazia uma sensação de acolhimento e conforto em terras estrangeiras. Com o passar do tempo e a banalização dos encontros, encontrar um brasileiro passou a ser tão natural quanto caminhar pela Avenida Paulista.

A cena era tão frequente que até foi possível flagrar alguns brasileiros famosos transitando por lá: Fernando Henrique Cardoso e sua namorada curtindo em um show do James Taylor em plena Piazza di San Marco em Veneza; Ana Maria Braga disputando atenção com a Monalisa de Da Vinci no Museu do Louvre e Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, ao lado de sua namorada, procurando um lugar para almoçar depois da exaustiva visita ao Palácio de Versailles em Paris.

O reconhecimento do brasileiro como legítimo turista é notório, haja vista a porcentagem crescente de museus e demais pontos turísticos com oferta de guias em português. Além disso, funcionários do ramo hoteleiro já reconhecem um brasileiro nato e até arriscam um cumprimento em português, apesar da péssima pronúncia. O Brasil está na moda. Basta andar pela Champs-Elysées e constatar camisas da seleção brasileira ou Havainas sendo vendidas por um preço astronômico.

Em pleno verão europeu, longe dos problemas que ainda assolam o nosso país e perto de um futuro promissor para este recém Estado-Nação é possível sentir orgulho de ser brasileiro. Apesar de esse não ser o consenso entre os turistas. Cheguei a esta conclusão ao desembarcar em Zurich na Suíça. Ainda no aeroporto, em um desses metrôs futuristas ao som de Mozart, cercada por brasileiros, escutei um comentário que mereceria o Oscar do mau gosto:

- Aqui se parece com o metrô de São Paulo. A única diferença é que lá não se toca Mozart e sim aquela canção: Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão… Lá, lá ia, lá, lá… Como era mesmo o resto da música?

A senhora de maquiagem exagerada e empáfia incontestável parecia apelar sem sucesso aos brasileiros presentes, enquanto Mozart se exauria no piano. Três dias depois, como que por ironia do destino, andando no metrô de Paris, reparei que a mochila do meu marido estava completamente escancarada. Haviam levado sua carteira como que num passe de mágica. Tratava-se de um punguista francês de primeira. Fiquei pensando na senhora de outrora e em sua canção. Como é mesmo esse velho samba, hein?!

Inté!

VOLUNTARIADO

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 30/jun/2011 - 9 Comentários

Adriana busca uma criança no abrigo perto de sua casa, todo final de semana, para brincar com seus filhos. Fernando dá palestras em escolas para mostrar que a química é bela. Isidoro disponibilizou seu próprio telefone para receber reclamações da comunidade e as encaminha ao órgão competente no formato adequado. Maria José lidera um grupo de costureiras que confeccionam roupinhas de nenê, além de lençóis e fronhas, para diversas creches. Elizabeth ajuda alunos de escolas públicas a superarem suas dificuldades de escrita e leitura. Samuel reserva um tempo para capacitar futuros trabalhadores da construção civil. Estes são alguns exemplos de um verdadeiro exército da boa vontade, que se mobiliza em direção ao trabalho voluntário, sem remuneração alguma.

Mas o que leva as pessoas a realizar o trabalho voluntário? As motivações são muitas, mas a essência é uma característica universal da sociedade humana: o altruísmo. Nenhuma outra espécie que habita ou (até onde se sabe) habitou nosso planeta apresenta essa inclinação a fazer o bem ao próximo. Na verdade, a tendência para colocar os interesses alheios acima dos interesses do indivíduo é conflitante com a própria teoria darwiniana da evolução das espécies, a seleção natural, que se baseia na sobrevivência dos mais aptos, dos mais fortes.

É comum vermos pessoas que perderam entes queridos por doenças graves ou raras dedicarem-se ao auxílio dos familiares e pacientes acometidos pelos mesmos males. Multimilionários doam grande parte de suas fortunas para evitar a propagação da AIDS na África, por exemplo, e astros da música e do esporte montam suas fundações devotadas a causas nobres, desde a promoção da inclusão pela educação ao combate da prostituição infantil. Cada vez mais executivos mergulham no trabalho comunitário após a aposentadoria, ou mesmo quando estão na ativa.

Os jovens também têm procurado realizar boas ações. Pesquisas apontam que 62% dos jovens americanos buscam o trabalho voluntário para a satisfação de um ideal. No Brasil, apenas 7% optam por esta forma de ajuda, mas 54% têm interesse. O trabalho voluntário pode, inclusive, ajudar os jovens a conseguir uma colocação profissional melhor, na medida em que desenvolve habilidades que não seriam necessariamente aperfeiçoadas no estágio ou na aula e é valorizado pelas empresas na hora da contratação.

Para quem deseja se engajar em alguma causa social, a Universidade Cruzeiro do Sul criou o Programa Voluntariado. Por meio dele, os interessados podem participar como voluntário dos programas de extensão da própria universidade ou em entidades beneficentes que carecem de mão de obra. Para maiores informações, acesse o Programa de Extensão

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS