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Justa homenagem

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Regina Tavares

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em 19/fev/2013 - 6 Comentários

Na última semana, se deu o lançamento do livro “Dom Angélico Sândalo Bernardino[1]– Bispo Profeta dos Pobres e da Justiça”. Com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, a publicação de mais de seiscentas páginas conta com textos de Dom Paulo Evaristo Arns, Frei Betto, Luiza Erundina, Hélio Bicudo, Plínio de Arruda Sampaio, a blogueira que vos escreve e muitos outros. Trata-se de uma justa homenagem a um célebre religioso que, nos árduos anos do Regime Militar brasileiro (1964 – 1985), atuou como um ferrenho defensor dos direitos humanos na região da zona leste do município de São Paulo.

Ancorado nos princípios da Teologia da Libertação, o “pai de todos”, como era chamado, exerceu o papel de protagonista na constituição de Pastorais, Comunidades Eclesiais de Base e grupos diversos interessados no combate à miséria que assolava milhares de paulistanos naquele período.

Em meio a tantos papéis desempenhados com primor por este personagem notável, destaca-se o brilhante comunicador que encantava multidões em homilias, aquietava políticos com seus discursos e impulsionava cidadãos a amplificar suas vozes em veículos de comunicação populares e alternativos. Comunicólogo por essência e jornalista por convicção, Dom Angélico defendia a ideia de que a comunicação era instrumento fundamental na condução das lutas sociais travadas pelos movimentos populares. E foi entre um boletim sindical e um jornal mural religioso, que Dom Angélico se tornou um dos mais representativos idealizadores dos centros de comunicação e educação popular de São Paulo.

Em São Miguel Paulista, a “Igreja do povo” organizou o Centro de Comunicação e Educação de São Miguel Paulista (CEMI) situado na antiga Catedral de São Miguel Arcanjo. Do CEMI surgiram rádios populares (ver figura a seguir), peças teatrais, cartilhas sócio-educativas, materiais audiovisuais e impressos, debates, cursos, entre outras experiências em comunicação popular e alternativa.

GRITA POVO, nº 19, abr. 1984. p. 8


Entre tantas ações memoráveis, eis a maior, o jornal GRITA POVO; veículo que viria a ser o porta-voz da região. Nas palavras de Dom Angélico, seu jornalista responsável, o jornal foi “realmente a boca do povo, o clamor do povo. Foi o clamor da habitação, o clamor da creche, foi o clamor dos postos de saúde. Foi o clamor do povo que teve no “GRITA POVO” a sua voz. E foi num tempo árduo, de Ditadura Militar, de sofrimento que não era fácil”[2].

GRITA POVO, São Paulo, julho, 1988. p. 1. (ed. 100)


O jornal impresso GRITA POVO teve sua edição de número zero em 1982 e, com raras exceções, manteve-se em circulação numa regularidade estável até 1991. Sob a influência da comunicação popular da época, o veículo foi mais um dos jornais populares das décadas de 1970 e 1980, nascido em alternativa ao contexto político de então.

O CEMI e o GRITA POVO demonstraram ser verdadeiras escolas para a imprensa popular brasileira e latino-americana. A influência do centro de comunicação e do jornal pode ser sentida na formação de gerações de jornalistas, educadores populares ou universitários e integrantes de movimentos sociais. A presença de equipamentos públicos como creches, postos de saúde, centros culturais e faculdades públicas também deve ser creditada à luta empenhada pelos movimentos populares e à liderança de personalidades emblemáticas como Dom Angélico.

Outra dica: Na mesma leva, vem o livro escrito por Padre Emerson sobre Leonardo Boff. Lançamento previsto para o dia 2 de março na livraria Cultura (da Av. Paulista) e na Igreja São Francisco, em Ermelino Matarazzo (Zona Leste de São Paulo).

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[1] Dom Angélico nasceu em 1933, 26 anos depois teve sua ordenação presbiterial na Catedral São Sebastião, em Ribeirão Preto. A ordenação diocesana aconteceu em 1975, na Catedral de São Paulo. Atuante em suas funções religiosas foi diretor espiritual e professor em seminários, coordenador da pastoral arquidiocesana, bispo auxiliar de São Paulo e Santa Catarina, responsável pela Pastoral Operária Arquidiocesana, entre outras funções.

[2] Entrevista concedida à autora, com exclusividade, em 2007.

O gênio da lâmpada

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Regina Tavares

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em 19/nov/2012 - 7 Comentários

Uma aluna pergunta: “- Professora, o que fazer quando alguém se apropria de uma ideia sua no ambiente corporativo?” Impostei a voz, a encarei de frente e até pude sentir a aura de Max Gehringer – comentarista da CBN – presente no meu discurso: “Cara aluna, veja bem…” Tentei acalentá-la sobre o ocorrido, ao dizer como era familiar uma situação como esta e do jogo de cintura que nos é exigido para enfrentar tal desafio. Contudo sei que meus argumentos não foram tão convincentes quanto a aluna e eu gostaríamos.

Eis um impasse que a maioria de nós vive no mercado de trabalho: encontrar defensores do espírito de equipe e, que paradoxalmente, desconhecem o termo ‘autoria coletiva’. A atitude condenável pode ter inúmeras motivações. Podemos estar diante de um típico caso de zelo hierárquico ou até de alguém que sofre de falta de criatividade, mas que tem faro apurado para aliar-se a pessoas competentes. Como eu disse, descobrir o que leva alguém a assumir a criação de outro, não é tarefa das mais fáceis.

A história dita ‘oficial’ tem seus precedentes. Quem nunca ouviu falar do alto QI de Thomas Alva Edison? A ele, são atribuídas criações que revolucionaram a tecnologia humana. Da lâmpada ao cinema, seu nome é lembrado. O que poucos sabem é que Edison não era apenas um inventor do tipo ‘Professor Pardal’ e sim, um empreendedor nato. Ao que consta, ele mantinha dezenas de pessoas para inventar e operacionalizar suas maluquices.

Dizem as más línguas que Edison era um chefe abominável; temido por seus calotes no mercado, não lamentava um ‘tantinho assim’ em assumir sozinho a autoria das invenções mais significativas de sua equipe. Prova de sua competência como empresário, é o eterno sucesso da empresa GE, enquanto o real inventor da lâmpada morreu sozinho, no anonimato, de favor em um quarto de hotel. O mesmo aconteceu no que diz respeito ao cinematógrafo, uma das câmeras mais bem sucedidas na época; aparelho que Edison e sua equipe idealizaram após aperfeiçoarem outras câmeras de cinema que surgiam pelo mundo afora naquela ocasião. O prestígio de suas quase 3.000 patentes marcou tanto a sociedade contemporânea que no dia do seu enterro, todas as luzes dos Estados Unidos foram apagadas durante um minuto.

E já que estamos falando de cinema, por que não revelar uma antiga fofoca dos bastidores de um dos longas mais festejados do cinema: Psicose de Alfred Hitchcock? O célebre diretor negava, mas o designer de aberturas cinematográficas Saul Bass morreu reivindicando a autoria da famosa cena do chuveiro. A busca esquizofrênica por formas geométricas em destaque nos enquadramentos da sequência denuncia o dedo do designer no story-board que marcou os longas de suspense. Repare na cena abaixo e veja quantos círculos (boca, chuveiro, ralo, olho) cabem em três minutos fatiados por cinquenta cortes de montagem fílmica. Dá-lhe Psicose!

Bom, deixando de lado as divagações e voltando à pergunta da aluna. Há pouco a fazer quando estamos diante de pessoas oportunistas e sem personalidade. Não adianta em nada sair por aí espalhando o quão o ladrão de ideias é mau caráter, nem tampouco, reivindicar a paternidade do referido insight junto à chefia sem provas de sua autoria. No mínimo, a lição vivida serve para revelar a importância de se agregar engenhosidade a empreendedorismo e estratégia a sucesso. Afinal, contraditoriamente ao ditado popular, o primeiro será sempre o primeiro, ou seja, o primeiro a revelar a brilhante concepção será o primeiro a ser reconhecido por todos. Contudo, é confortável saber que de onde saiu uma boa ideia, há muitas outras esperando um eureka. O mesmo não se pode dizer do ‘batedor de ideias’ que um dia será colocado em xeque na organização, em especial, quando dizer algo sem pertinência ou inventividade.

Inté!

Corações partidos

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Marcelo Paes Barros

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em 09/nov/2012 - 15 Comentários

É a pior das dores pois, da maneira mais cruel possível, não se sabe ao certo onde realmente dói. Alguns anatomistas acham que é mesmo no hipotálamo. Os espíritas dizem que é na alma. Os românticos confirmam que é no coração. Realmente, parece não haver dor pior que a perda de um grande amor. Ficamos sem chão, sem rumo, sem perspectivas, sem nada.

Litros de álcool – fermentados e/ou destilados – são consumidos como estratégia para esquecer a “pessoa amada” em uma fútil tentativa de diluir em etanol puro a imagem daquela pessoa que insiste em permanecer impressa na retina do(a) abandonado(a). Cigarros, antidepressivos, lenços de papel e o ombro da(o) melhor amiga(o) também fazem parte do pacote “auto-flagelação”. Até hoje, só se conhece um único remédio para a chamada dor-de-cotovelo: o tempo.

A situação é potencializada à escala dez (mil, na verdade) se o fim do relacionamento foi provocado pela presença de outra pessoa! Aí é uma questão de amor-próprio e de competição. Meus amigos, aqui está uma fonte inesgotável de temas para os mais diversificados estilos musicais: do axé, passando pelo sertanejo (aqui, sim, há um cancioneiro de odes às decepções amorosas), alimentando o rock e inspirando concertistas de grandes óperas. Simplesmente por que a desilusão amorosa sempre existiu e sempre fará parte da nossa natureza.

Todos sabem disso: em nossas vidas, cruzamos com dezenas (centenas até, depende de seu apetite, risos) de pessoas com quem poderíamos ter relacionamentos mais ou menos duradouros. Não posso precisar se seriam envolvimentos de um ano, cinco, vinte ou bodas de prata ou ouro. O fato é que, muitas vezes, cruzamos com essas pessoas em fases diferentes de nossas vidas. Quando estamos priorizando nossas carreiras, o(a) parceiro(a) pleiteia estabelecer uma família. Quando almejamos mudar para uma grande metrópole, o(a) outro(a) decide assumir uma vida mais serena em um templo budista. Dinheiro versus paz de espírito. Filhos versus aventura. Dilemas.

Já ouvi casos assustadores de desvios de comportamento de alguns amigos e conhecidos (ambos os sexos) frente as suas desilusões amorosas. Já ouvi falar em lamentáveis fins trágicos. Quadros profundos de depressão são os mais comuns. Muitos dizem que a dor do fim do relacionamento é proporcional à intensidade do amor vivido. Concordo que um amor deve ser bem vivido, no seu esplendor máximo. O amor deve ser visceral, do choro às gargalhadas em segundos (já que estes dois pólos são separados por uma tênue linha), de sexo entorpecedor, hormônios em ebulição e sangue pulsando nas veias. Mas um quê de razão não faz mal a ninguém. Flutuar nas nuvens, sim, mas todo balão deve ter seu lastro para trazê-lo de volta a terra firme.

Acredito que o fim de um relacionamento é o momento ideal para uma auto-avaliação. Esse é um valioso exercício de percepção pessoal: o que causou o fim? Como aquela pessoa me via? Qual foi a real causa de nossa separação? Sempre temos que aprender algo de cada experiência vivida. Mesmo por que, considerando as futuras relações afetivas, sempre seremos um produto das experiências pregressas. Se hoje sou assim, é por que antes Fulana, Cicrana e Beltrana me moldaram – sobre a base da argamassa da minha personalidade – para este produto atual.

Prezado leitor(a), entenda: seu caso não é o primeiro e nem será o último de um relacionamento frustrado que terminou bruscamente na história da Humanidade. Na verdade, os casos de amor mais famosos da História foram seguidos de gigantescas decepções amorosas. Não importa quem desistiu ou quem despachou quem. O importante é seguir em frente. Lembre-se: há, no mundo, 7 bilhões de pessoas em uma distribuição de quase ½ a ½ entre homens ou mulheres (sim, eu sei que há um pouco mais de mulheres que de homens, suas dramáticas, risos). Você jura que acredita que somente AQUELA pessoa é que te pode fazer feliz? Por favor… até a estatística está favorecendo seu próximo relacionamento!

Mesmo sendo uma tragi-comédia hollywoodiana (até clichê, eu diria) recomendo o filme “500 dias com ela”, com Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt e Minka Kelly (Direção de Marc Webb). São bons 120 minutos curtindo as idas e vindas de um relacionamento amoroso.

Trailler:

Um abraço

Distração, o mal do século

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Regina Tavares

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em 24/out/2012 - 13 Comentários

No último post eu prometi escrever sobre distração, declarei (com certa arrogância e sem embasamento científico, eu confesso): “… a dispersão é o mal do século e este é um tema para outro post…” Depois de assumir o compromisso com os nossos internautas, liguei o computador com uma missão muito clara e definida: escrever. Mas assim, como quem não quer nada, resolvi dar uma olhadinha no e-mail. Afinal, vai que tem alguma mensagem emergencial, não é mesmo?!

Preparei-me para clicar em sair e pensei: “Por que sair, se eu posso deixar o e-mail aberto e de vez em quando apertar o F5 e atualizar a página da Caixa de Entrada?”. Mal conclui o pensamento e fui interpelada pela incontrolável vontade de espiar a vida alheia no Facebook. Enquanto eu finalizava a leitura do feed de notícias dessa grudenta rede social, novas publicações teimaram em surgir no topo da página e conduziram o meu olhar para baixo. Enfim, desisti de ler todos os oportunos comentários dos meus amigos virtuais e retornei para a página em branco do Word. O cursor piscava intermitentemente.

Eis que de repente, um site de notícias saltou do roda-pé da tela inicial do computador e solicitou minha atenção. Não pude negar. Na verdade, até tentei fechá-lo a qualquer custo, mas seu bendito alerta sonoro me advertiu repressivamente. Daí em diante, de uma notícia a outra, fui conduzida por links e tags ilimitados para o tamanho da minha curiosidade. Ops! Um alerta sonoro diferente. Alguém no Facebook ou em outra rede social do momento descobriu que estou online. O que fazer? Fingir-me de morta ou ficar off-line? Estou falando de sinônimos, por acaso?

A situação não é atípica, cada vez mais um número considerável de pessoas tem se queixado da dificuldade de se concentrar em uma única tarefa, como, única e exclusivamente, ler um livro, por exemplo. Pesquisas encaminhadas pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, indicam que estamos sem foco, angustiados pelo excesso de informação presente no mundo contemporâneo. Segundo os neurocientistas envolvidos no estudo, para se adaptar à era digital, o cérebro prioriza atividades mecânicas e rápidas em detrimento das que exigem reflexão. Dados dessa mesma pesquisa indicam que – em média – uma pessoa checa seus e-mails mais de 30 vezes por dia, apesar de ter em paralelo uma atividade que requer alto poder de concentração.

Mesmo se você não tem o perfil dos “ocupadinhos de plantão”, há de convir comigo que é possível identificar estes sintomas nas pessoas de seu convívio, é só pensar nas atuais relações de ensino-aprendizagem. Estudos, como o mencionado, já avaliam por meio de exames de imagem se os cérebros das novas gerações já nascem com o mal da distração. Isso explicaria, porque apesar de solicitarmos a atenção exclusiva do aluno em sala de aula, é preciso competir com os seus colegas de classe, o seu Ipad, o seu smarthphone e sei lá mais o quê.

Não se trata de recusar os benefícios da tecnologia, muito pelo contrário, já se sabe que as crianças podem ter suas atividades cerebrais extremamente estimuladas pelo uso do computador e do videogame. A questão aqui é refletir sobre a ausência de limites… Com licença, descobriram que eu estou online…

Inté!

Avaritia

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Marcelo Paes Barros

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em 13/set/2012 - 2 Comentários

Na concepção católica, a avareza pode ser compreendida como a mais pura e simples ganância, ou seja, o apego excessivo e incontrolável aos bens materiais, dinheiro e até mesmo conhecimento, poder a amizades. Sim, meus prezados leitores, buscar uma popularidade paranoica nas suas redes sociais – “ai, eu tenho mais amigos no Facebook que a fulana!” – é a mais pura avareza. Ainda mais se você não quiser compartilhar essas amizades com outros, simplesmente por que se assim fizesse, suas “concorrentes” igualmente aumentariam o número de amigos virtuais. E, convenhamos, essa disputa você não poderia perder, não é? Ah, e avareza é também sua relutância em explicar aquele difícil conceito da aula de Bioquímica aos seus colegas! Afinal, seu espírito egoísta não permite que você divida sua posição de destaque na classe com seus colegas.

A avareza é particularmente repudiada em quase todas as religiões, pois se opõe a uma das virtudes-pilar das doutrinas religiosas: a generosidade. Dar, sem esperar nada em troca. Simplesmente, permitir-se ao ato da caridade para o bem de alguém menos favorecido. A caridade/generosidade também pode ser destinada aos animais: cuidadores e pessoas que adotam animais abandonados demonstram enorme generosidade ao ceder seu tempo e disposição pelo bem de outros seres. Do mesmo modo, a avareza encarnada na adoração desenfreada aos bens materiais afasta o espírito humano de Deus (quem, efetivamente, deveria ser idolatrado segundo essas doutrinas). Sempre na premissa de inferioridade e na insignificância humana perante o criador, o avarento facilmente se torna soberbo e isso o afasta da condição de submissão que as religiões pregam.

Por outro lado, pesquisadores do comportamento animal e humano pregam que a avareza ou ganância é também um importante fator de seleção natural. Espécies mais “avarentas” têm maiores chances de prosperar em escala evolucionária. Formigas estocam alimentos durante o verão para dispor dessas reservas durante os períodos de menor acesso ao alimento. Um princípio parecido explica o comportamento de cães que enterram seus ossos em locais secretos para se deliciarem depois. Mas há um limite para o comportamento avarento, já que os animais também compartilham seus dotes quando há bonança: uma carcaça de animal de grande porte entre leões e hienas, por exemplo.

De modo lesivo, a avareza pode igualmente conduzir ao roubo, traição, violência, manipulação de influências, corrupção e outras “pragas” da vida moderna. Curiosamente, alguns manuais do corporativismo moderno e leis de mercado são taxativos ao dizer que a avareza não é prejudicial ao Homem! Discordo totalmente desse conceito. Não se deve confundir ambição com avareza. Ambição é a vontade de alcançar patamares mais altos em determinadas atividades da vida humana: profissional, emocional, atlético, etc. Já ouvi inúmeras conversas durante o almoço ou em happy hours de amigos yuppies (jovens adultos em início de carreira no meio empresarial) que pregam descaradamente essa avareza. Objetivo? Acumular um milhão de reais antes dos 30 anos! Esse conceito faz parte de qualquer “cartilha” de administração ou do jovem empreendedor. Curiosamente, não importam (ou não são comentados) os meios necessários para tal! Assim sendo, sob essa paranoia, jovens vendem seus vales refeição e almoçam coxinhas com água por anos a fio… Seu desjejum é o cafezinho e as bolachinhas cream cracker que a empresa disponibiliza na copa de seu setor. Jantar, talvez uma fruta (banana, que é mais barato, embora os carboidratos à noite estejam em baixa… sic). Falar mal e dedurar os colegas – a famosa “puxada de tapete” – também faz parte dessa sórdida cartilha. A recompensa desses yuppies é acessar suas contas correntes via bankline à noite e verificar que aqueles dígitos aumentam progressivamente, suas ações valorizaram e assim, sob essa premissa, eles enfim têm obtido sucesso na vida! Puff, que ilusão doentia. Sucesso na vida é ser pleno e feliz. Esses indivíduos desperdiçam vitalidade e disposição nos anos mais vindouros de sua vida para contar cifras na tela do computador. Quando aproveitarão para valer sua passagem terrena? A partir dos 50 anos? Tarde demais, meus amigos… a avareza é doentia.

Com essa matéria, concluo a série sobre os pecados mortais (ou capitais). Espero que essa sequência de textos nos tenha feito refletir sobre nossas atitudes recentes e como as pessoas que nos cercam provavelmente nos veem. Esse é um exercício extremamente salutar, pois permite um ajuste fino do nosso comportamento em sociedade e pode nos ajudar em nosso convívio diário. Um abraço

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