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O GRAFITE É UMA ARTE?

Postado por

Regina Tavares

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em 06/abr/2011 - 16 Comentários

Em meu post de estréia aqui no Blog da Extensão, levantei a bandeira do Google Art Project, um site capaz de levar o internauta para mais de 17 museus pelo mundo afora, usando a tecnologia do Street View. Pois bem, mal o texto foi publicado e um desses alunos polêmicos e inquietos que toda sala de aula abriga – graças a Deus ou, talvez, a Marx – me questionou: – Professora, por que você não citou o site Street Art View? Você não considera o grafite como arte?

“Ops, preciso conhecer este site”, pensei. Anotei o link e o acessei prontamente ao chegar em casa. Foi amor à primeira vista. Bastaram poucos cliques, para que eu o adicionasse na lista dos favoritos. O site: www.streetartview.com permite admirarmos grafites, pichações e demais intervenções urbanas no Brasil e em vários outros países como Estados Unidos e Japão. São artistas sem ateliê fixo, capazes de alterar o cenário cinza de algumas metrópoles com ironia, subversão, crítica e graça.

Respondendo a pergunta do meu aluno: É claro que considero grafite como arte! E eu diria mais, já passamos da fase de discussão sobre o caráter artístico deste ou daquele objeto. Estamos mesmo, numa fase de contemplação daquilo que nos agrada. Nesse sentido, não é necessário estar no museu, para que algo seja admirado e por consequência seja arte. Desde que Marcel Duchamp levou um vaso sanitário para o museu, a arte contemporânea tem nos surpreendido e provado que a cultura de nosso tempo é capaz de dignificar qualquer objeto como arte.

E observe como a noção de arte é curiosa. Obras como as dos grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como “os gêmeos”, podem ser encontradas no Museu de Nova York no Google Art Project e nas ruas da cena brasileira e mundial por meio de alguns cliques no Street art view. Quer outro exemplo de espaço institucional que até bem pouco tempo não concebia o grafite como arte? A Universidade!

A Universidade Cruzeiro do Sul deu provas de uma percepção sensível e moderna quando convidou os grafiteiros Nina Pandolfo e Francisco Nunca para pintar a parede interna do campus Pinheiros em fevereiro de 2010. Todo o processo foi gravado. Confira o vídeo abaixo e admire o grafite sem pudores ou preconceitos.

Inté!

AURA, ARTE, GOOGLE E AFINS

Postado por

Regina Tavares

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em 15/fev/2011 - 10 Comentários

Enquanto fiéis ao Google crucificam famílias alemãs por terem mandado borrar suas casas do Street View no início do ano, o todo poderoso Google lança mais um de seus brinquedinhos de sucesso e polêmica. Trata-se do Google Art Project. Estamos falando de um site capaz de levar o internauta para mais de 17 museus pelo mundo afora, usando a tecnologia do Street View, entre eles, o National Gallery de Londres, o Museum of Modern Art de Nova York e o Museo Reina Sofia de Madrid.

Além de visualizar mais de mil obras consagradas, o projeto disponibiliza também 17 obras em super resolução. É como se pudéssemos notar singelas pinceladas com uma super lente de aumento e flagrar detalhes impossíveis de serem notados a olho nu. O site também permite que cada internauta cultive a sua coleção de arte virtual e a compartilhe com outras pessoas em suas redes sociais.

Obras como as de Van Gogh, finalmente se tornarão acessíveis a bilhões de pessoas e isso representa benefícios intangíveis para a humanidade. Afinal, é impossível negar o impacto desta ferramenta para a democratização da arte mundial e a formação estética e cultural dos homens. Imagine como o site pode dar suporte às pesquisas acadêmicas dos mais diferentes tipos? Contudo, enquanto comemoro a iniciativa, burburinhos já começam a despontar por aí: “Estão banalizando a arte”, “Desconstruíram a relevância do museu”, “Por que nem todos os museus estão no site?”, “Por que algumas obras foram privilegiadas em detrimento de outras?”.

Essa discussão infindável, me fez lembrar o filósofo Walter Benjamim e seu ensaio A obra de arte na era de sua Reprodutibilidade Técnica, datado de 1936. Já naquela época, o autor tentava nos convencer de que diante de novas formas de arte como a fotografia; a “aura” existente em torno de determinadas obras – graças a sua exclusividade, distância e reverência – deixaria de existir. E foi o que aconteceu. Desde o surgimento da fotografia, vemos Monalisas idênticas à de Leonardo da Vinci transitando entre estampas de camisetas, capas de cadernos, calendários de mesa e aí vai. Segundo o autor, com o fim da aura, a arte ficou alforriada para novas possibilidades, tornando o seu acesso mais democrático e permitindo que haja uma politização da estética e não uma estetização da política; típica dos movimentos fascistas e totalitários presentes no momento em que Benjamin escreveu esse ensaio. Sendo assim, comemoremos a perda e o resgate da aura. Inté semana que vem!

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