Desde o século XVI, o patrimônio territorial indígena sempre esteve ameaçado por interesses políticos e econômicos que visam o enriquecimento alheio. Ao longo da História do Brasil, os povos indígenas foram vítimas de massacres e doenças, assim como, tiveram suas terras invadidas e exploradas. Diversas etnias são exterminadas e colocadas à margem da miséria, por meio do incentivo à construção de usinas hidrelétricas que devastam a biodiversidade, criminalizam líderes indígenas e rompem com a identidade cultural das tribos existentes.

Atualmente, diversos povos do Xingu sentem na pele essa questão. Estamos falando da construção de uma usina hidrelétrica nas margens do Rio Xingu, no Pará. Trata-se de um mega projeto que faz parte de um dos principais empreendimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento): Belo Monte. Ela será a terceira maior hidrelétrica do mundo, equivalente a oito Maracanãs. Uma devastação correspondente a mais de nove milhões de hectares da nossa floresta.

Desconsiderando as recomendações do Ministério Público Federal e da Organização dos Estados Americanos (OEA), o presidente do Ibama, Curt Trennepohl, anunciou na quarta-feira (1/6) a liberação da licença definitiva para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Tal medida deve ser debatida por todos os brasileiros que acreditam no desenvolvimento sustentável de seu país. Não se trata aqui de uma ofensiva à evolução econômica do Brasil, mas apenas um apelo à consideração dos índios como agentes históricos legítimos. Definitivamente, algo bem diferente, da declaração dada em 2009, por Edison Lobão: “Forças demoníacas impedem a construção da usina hidrelétrica”. A declaração foi vista como ofensa direta à tribo dos índios Kayapó e Xingu e não como tentativa de diálogo.

Diante desse literal divisor de águas, encerro este post com a fala do Cacique Raoni: “Somos contra a construção da barragem. Sabe por quê? Porque eu quero que o rio continue com vida igual a nós. Eu quero que peixes, animais e outros seres vivos continuem vivendo em paz.”

Inté!

15 respostas para “BELO MONTE DE PROBLEMAS”

  1. “Belo Monte” de problemas, mesmo! E um deles refere-se ao desrespeito aos direitos humanos, uma vez que, novamente, a retroescavadeira tende a passar po cima da população indígena e trazer transtornos mil às demais pessoas que lá vivem, convivem, trabalham etc.

    Temos de refletir sobre a seguinte questão: há a necessidade de mais uma hidrelétrica no Brasil? Por que não se investir em energia renovável, usinas eólicas, por exemplo?

    Tal disparate pode e deve ser revisto, o quanto antes.

    O dinheiro jamais deveria se sobrepor à vida.
    É o que penso!

  2. Karina disse:

    Adorei o vídeo. É importante discutir estas questões entre os amigos, os familiares e os universitários. Valew!!!

  3. Mauricio de Moraes Noronha disse:

    “Tudo em nome do progresso”. Até quando essa insensata justificativa vai servir como parametro para tais atrocidades! Não é para o beneficio do povo brasileiro que querem construir tal usina. Todos os dias novos meios de extração sustentavel de energia são mostrados como alternativa. Mas os senhores da vez não querem saber de preservação da natureza, etnias históricas ou rio que vai morrer. As cifras em seus olhos limitam-lhes um olhar mais humano!

  4. Ricardo disse:

    Sou a favor do diálogo entre autoridades e índios, mas confesso que estou cansado de adiar o desenvolvimento do Brasil pelo fato de termos a floresta mais rica do planeta.
    Outros países não medem consequências em nome do progresso. Devemos criar alternativas para se desenvolver e preservar a nossa gente, história e natureza… Confesso que não tenho soluções por isso vale a discussão.
    fui…

  5. Felipe Lima disse:

    Parabéns pelo post, muito bem ponderado.

    Belo monte de dinheiro as autoridades querem levar com essa construção.

    O projeto Belo Monte se arrasta desde a década de 70.

    Temos que mudar a matriz energética brasileira.
    Países europeus investem no Brasil, nos ventos que sopram no Nordeste, energia eólica !

    Existem cataventos que pesam toneladas instaladas em solo brasileiro, levando dinheiro para fora do País.

    Pergunto, porque o Brasil não faz o mesmo ?

    Nem estou mencionando a energia nuclear.
    (Não temos furações, terremotos)
    Condição mais do que favorável para esse tipo de investimento.

    Agora querem fazer uma construção do tamanho de 8 macacanãs ?

    Bom para os índios, bom para a floresta, bom para o desenvolvimento da nação !

    Abs
    Felipe

  6. Larissa disse:

    Fiquei indignada ao saber que esse absurdo projeto foi aprovado pelas autoridades, aprovado pelo IBAMA!
    Como pode algo dessa esfera ter o apoio do governo? E o diálogo com os índios? Nada foi feito em favor dos mesmos. Mesmo tendo a consciência de que o Belo Monte é um território dos indígenas. Uma vergonha.
    Infelizmente.

  7. Elizabeth disse:

    acredito no dialogo entre lideres e indigenas, mas alem de pensarmos no futuro economico do país, temos q pensar num futuro saudavel para todos!!!
    Dzem q a nossa floresta é o pulmão do mundo, se distruirem o pulmão como respiramos?
    Poxa num tem outra maneira d gerar energia? q ñ seja desocupar os indios, animais e mudar o curso de coisas q estão no caminho certo a mtos anos!!

    • Regina Tavares disse:

      Sempre fico me fazendo a mesma pergunta, Beth – será que não é possível ter desenvolvimento aliado à responsabilidade ambiental? Com certeza, temos que desbravar novas formas de produção de energia: esse é o caminho! Obrigada pelos comentários, Beth. Um grande abraço!

  8. danilo disse:

    Acredito que o governo não quer dialogar uma possibilidade de ibterdição da obra, muito menos adiar por mais tempo o ganho financeiro e de favores políticos que ele obterá com a construção da hidrelétrica fora o possível super faturamento da construção e assim lavando dinheiro do contribuinte e juntamente massacrando e destruindo um dos povos que deu origem a nossa história.

  9. Helena Gasques disse:

    Professora, gostei muito desse post!

    Acho que a faculdade serve para discutirmos essas questões, sabermos mais a respeito do que acontece no nosso Brasil.
    Também sou totalmente contra a construção da usina.

  10. Juliana disse:

    Acho que o mais me indignou foi o depoimento do ministro… “ações demoníacas”.
    Como se os índios fossem demônios impedindo a tão sonhada e perfeita construção da usina.

    Acho uma vergonha.
    O governo só nos envergonha ao apoiar esse tipo de projeto.
    E onde está a senhora Dilma? Cadê o diálogo dela com os indígenas? ONDE ESTÁ O DIÁLOGO? O BOM SENSO?

    Fico triste, professora! Triste mesmo.

  11. Alfredo disse:

    Também fico mal de pensar nessa questão… por isso dou apoio ao Greenpeace.
    Eles estavam/estão ainda lutando por essa causa.

    No site, pode-se conferir mais a respeito.

    Nós, estudantes, devíamos também nos informar, nos indignar, lutar, conhecer essas questões.
    Por isso, fazem esse tipo de loucura sem maior pudor. Porque todo mundo não se importa, finge que não vê.

    Mas o índio também é cidadão e deve ser tratado como tal. Ele merece ser ouvido.

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