Visitei recentemente grupos de pesquisa em nossa pátria-irmã Portugal e as coisas vão mal pelas bandas de lá. Em Abril de 2011, Portugal entrou com pedido de ajuda financeira de 80 bilhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à Comunidade Européia para tentar, gradativamente, saldar uma dívida externa de 400 bilhões de euros. Esse valor é tão absurdo que se houvesse a distribuição da dívida por cada família portuguesa, cada uma dessas deveria desembolsar 100 mil euros para saldar imediatamente a dívida! Considerando a taxa de 5,5% que o FMI/CE cobra, imaginem a preocupação dos patrícios. A taxa de desemprego portuguesa atingiu os 11,2% em Janeiro de 2011 com previsões de incremento de 1-2% para 2012. Um gole seco desce pela garganta de cada jovem português recém-formado (16% desempregados em Dezembro de 2010), de cada trabalhador acima dos 45 anos (principalmente mulheres) e obviamente dos aposentados, assombrados pela névoa densa e escura da inflação. Assim, Portugal se junta à Grécia e à Irlanda como os três únicos paises do bloco da Comunidade Européia na zona do vermelho. Muitos estudiosos e economistas ponderam que esta situação lastimável é o produto de décadas sob má gestão política e substancial delapidação de recursos e reservas. Curiosamente, há 37 anos Portugal realizava uma gigantesca reforma político-econômica decorrente da Revolução dos Cravos que trouxera sobrevida a um país tão próspero e de relevância histórica indiscutível. Contudo, de lá para cá, ladeira abaixo…

Pelas bandas de cá, a economia brasileira experimentou um crescimento de 7,5% em 2010 com um Produto Interno Bruto (PIB) totalizando R$ 3,675 trilhões e representando a 8ª. economia mundial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Com tanta prosperidade exposta em preto-e-branco nos jornais e à cores na TV, eu apenas gostaria de saber: onde está esse dinheiro? Temos um dos piores índices de educação da Escola Fundamental e Média do Mundo e ano após ano estes resultados não melhoram! Os serviços públicos de saúde são lastimáveis (ou você acha normal passar um dia interio em uma fila do SUS para simplesmente adquirir uma senha de uma consulta, a qual será agendada Deus sabe quando…). Que tal o transporte público?

Sem sombra de dúvidas, vivemos um período próspero e de grandes oportunidades. Mudanças de ordem sócio-econômica devem ser alavancadas AGORA! Enxugar a ‘máquina’ administrativa – que ainda desvia rios de dinheiro em troca de favores políticos, funcionários-fantasmas, falcatruas em licitações e outras corrupções explícitas – é uma necessidade imediata! Não se preparar/resguardar para os possíveis e até previstos períodos difíceis é no mínimo insensatez ou irresponsabilidade sócio-política, mesmo. Revolução dos Ipês-amarelos, já!

10 respostas para “REVOLUÇÃO DOS IPÊS-AMARELOS”

  1. Renato Padovese disse:

    E pensar que Portugal já foi a maior potência mundial, com um Império que se estendia pela América do Sul, África e Ásia. Isso tudo graças ao empreendedorismo e à inovação tecnológica. Vamos torcer para que nossos irmão saiam dessa.

    • Marcelo Barros disse:

      Sim, Renato!
      Lembra do Tratado de Tordesilhas? Demonstrava a hegemonia Ibérica dos séc.XV e XVI. Hoje percebemos que não passou de uma linha traçejada e i”LUSO”ria…

  2. steph disse:

    É uma pena ver Portugal e Grecia nessa situação. Que sirva de liçao para os “emergentes” fazerem diferente.

    • Marcelo Barros disse:

      Oi Steph… nossos amigos Leprechauns também foram ludibriados. A Irlanda também amarga índices econômicos catastróficos. Segundo a Comunidade Européia, a sombra negra da recessão começa a ameaçar a Terra Fria dos Vulcões (Islândia).

  3. Juliana disse:

    Impressionante saber o momento em que vive Portugal, um país que sempre nos pareceu bem e feliz política e economicamente.

    Concordo com o comentário acima: que isso sirva de lição para os emergentes.

    • Marcelo Barros disse:

      Oi Juliana. Obrigado por seus comentários. Atualmente, os portugueses buscam um culpado. Do mesmo modo, buscam sensibilizar os grandes poderosos europeus (principalmente a Alemanha) para que aprovem o resgate financeiro… a Finlândia era contra. Briga de gente grande, rs!

  4. fernando disse:

    CONCORDO COM TUDO QUE VOCE DISSE, E VOU UM POUCO MAIS ALEM,A QUESTAO DO IDH BRASILEIRO REALMENTE É DESESPERADOR,DO QUE ADIANTA SER HOJE A SETIMA ECONOMIA DO MUNDO SE GRANDE PARTE DA POPULAÇAO BRASILEIRA PASSA FOME,O TRANSPORTE PUBLICO NAO ANDA,A SAUDE AINDA ENGATINHA,SENEAMENTONAO EXISTE…MAS A QUESTAO DA EDUCAÇAO NAO FICA SO NA MAO DO ESTADO NAO,UMA VEZ QUE NA MINHA OPINIAO AS FAMILIAS DE HOJE,”MODERNA”,NAO ESTAO NEM AI COM ENSINO DE SEUS FILHOS JOGAM NA ESCOLA PRO ESTADO EDUCAR E EM CASA FICAM CADA VEZ PIOR…DIFICIL ENTENDER…NAO É O ESTADO 100% CULPADO…

    • Marcelo Barros disse:

      Oi Fernando. Concordo contigo. Há 15-20 anos atrás, a Coréia do Sul enfrentava os mesmos problemas que o Brasil (ainda) enfrenta hoje. De lá para cá, veja o salto econômico estupendo que nossos amigos orientais obtiveram! Sabe como? Simples e eficientemente investindo em Educação! Professores bem remunerados (mas extremamente capacitados), investimentos governamentais EM TODOS OS SETORES (e não só no Ensino Superior, como fez o Brasil), apoios para incrementos da população jovem nas escolas (merendas, creches, etc). Outros exemplos também confirmam que esta fórmula dá certo, basta trabalhar decentemente!

  5. Celio Kenji Miyasaka disse:

    E qual é o nosso rumo?
    Dizem que no Brasil uma reforma política resolveria muita coisa. De fato está em discussão o financimento público das campanhas,reforma partidária, etc. Ótimo que isso ocorra, mas quem fiscaliza o uso desses recursos públicos?
    Claro que a distribuição de recursos de modo mais transparente seria de muito grado, afinal qual o interesse de construtotas, empresários do agronogócio, das telecomunicações, dos alimentos e outros setores em “colaborar” com partidos da oposição e do governo?
    Recentemente um acordo entre os partidos de oposição e do governo “zeraram” os deficits da última campanha presidencial.
    Que beleza a o governo faz o que quer e a oposição que deveria fazer oposição se acomoda por “zerar” as contas, ou seja, ninguém fiscalizará ninguém e a bandalheira continuará.
    Enquanto isso, ministros recebem diárias para ficar o final de semana em suas cidades, Vossa Excelência o Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva (Tiririca) integra a Comissão de Educação, Vossa Excelência o Deputado Federal Jair Bolsonaro integra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Vossa Excelência o Senador da República Renan Calheiros integra a Comissão de Ética, deste modo o absurdo, o corporativismo e mediocridade são a regra e não a exceção.
    Faltam poucos dias para a Copa do Mundo e certamente os estádios , os centros de comunicações estarão prontos e “nenhum” centavo de recursos públicos serão destinados para estas finalidades (duvido), mas e a infraestrututa dos aeroportos e de locomoção?
    Depois virão as Olimpíadas e não uma montanha de dinheiro mais sim uma cordinheira será gasta.
    Aguardem as cenas do Brasil em 2017, o crise portuguesa de 2010/2011 será “café pequeno”.
    Qual é o nosso rumo?

    • Marcelo Barros disse:

      Olá Célio! Estou contigo 100%. O maior problema do Brasil é a impunidade e a morosidade da enferrujada Justiça brasileira. Recentemente vimos o exemplo de um membro do grande escalão monetário internacional (o Presidente do FMI, Sr. Dominique Strauss-Kahn) ser devidamente algemado e preso por assediar e atacar sexualmente uma camareira nos EUA. Alguns argumentam que foi um golpe sensacionalista dentre outras teorias da conspiração. O fato é que o “figurão” foi preso e agora terá que se defender contra as acusações. Te pergunto: isso aconteceria no Brasil?

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