Em meu post de estréia aqui no Blog da Extensão, levantei a bandeira do Google Art Project, um site capaz de levar o internauta para mais de 17 museus pelo mundo afora, usando a tecnologia do Street View. Pois bem, mal o texto foi publicado e um desses alunos polêmicos e inquietos que toda sala de aula abriga – graças a Deus ou, talvez, a Marx – me questionou: – Professora, por que você não citou o site Street Art View? Você não considera o grafite como arte?

“Ops, preciso conhecer este site”, pensei. Anotei o link e o acessei prontamente ao chegar em casa. Foi amor à primeira vista. Bastaram poucos cliques, para que eu o adicionasse na lista dos favoritos. O site: www.streetartview.com permite admirarmos grafites, pichações e demais intervenções urbanas no Brasil e em vários outros países como Estados Unidos e Japão. São artistas sem ateliê fixo, capazes de alterar o cenário cinza de algumas metrópoles com ironia, subversão, crítica e graça.

Respondendo a pergunta do meu aluno: É claro que considero grafite como arte! E eu diria mais, já passamos da fase de discussão sobre o caráter artístico deste ou daquele objeto. Estamos mesmo, numa fase de contemplação daquilo que nos agrada. Nesse sentido, não é necessário estar no museu, para que algo seja admirado e por consequência seja arte. Desde que Marcel Duchamp levou um vaso sanitário para o museu, a arte contemporânea tem nos surpreendido e provado que a cultura de nosso tempo é capaz de dignificar qualquer objeto como arte.

E observe como a noção de arte é curiosa. Obras como as dos grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como “os gêmeos”, podem ser encontradas no Museu de Nova York no Google Art Project e nas ruas da cena brasileira e mundial por meio de alguns cliques no Street art view. Quer outro exemplo de espaço institucional que até bem pouco tempo não concebia o grafite como arte? A Universidade!

A Universidade Cruzeiro do Sul deu provas de uma percepção sensível e moderna quando convidou os grafiteiros Nina Pandolfo e Francisco Nunca para pintar a parede interna do campus Pinheiros em fevereiro de 2010. Todo o processo foi gravado. Confira o vídeo abaixo e admire o grafite sem pudores ou preconceitos.

Inté!

16 respostas para “O GRAFITE É UMA ARTE?”

  1. Ricardo disse:

    É bom ver que a Universidade cada dia mais se intera da diversidade cultural que circula no Brasil e no mundo. A arte faz parte do sentimento… faz parte da nossa vida.
    Parabéns pela escolha do tema, algo muito importante na difusão da cultura.

  2. Primeiro gostaria de parabenizá-la, o blog é ótimo. Sobre o tema, eu acredito que ainda estamos distantes do fim do preconceito, ainda existe a imagem de que quem faz grafite é marginal, sem dizer quando essa arte é confundida com pichações sem sentido que gangues usam para se atacar.
    As pessoas não têm informações necessárias sobre a arte do grafite, e muitos falam besteiras, como o jornalista Ruy Castro que foi totalmente ‘quadrado’ no seu comentário no eband, aliás, quem divulgou o link do comentário foi o Bill através de um comentário via Facebook, viu professora, a senhora levantou um tema e ele já virou motivo para uma discussão mais profunda, acho que alcançou o objetivo do post, não? rs.
    Parabéns mais uma vez.

  3. gabriella de jesus saraiva disse:

    vc são dimais apoio vc

  4. Vivis Fróes disse:

    Regina, nem preciso comentar o que penso sobre grafite né!?
    rsrsrs

    Bom, conviver com o grafite é algo inexplicável. Você conhece pessoas fantásticas, com ideias SENSACIONAIS. Você conhece o preconceito, por ser considerado vandalo. Você conhece um novo estilo de vida e ainda mais, uma maneira de colorir a vida, no literal. Digamos que paramos de usar pincel, guachê e papel, e passamos a usar sprays, latéx e paredes.

    Vale à pena conhecer melhor e entender que as manifestações urbanas são resultado do cotidiano.

    Abraços!

    obs: Fiquei muito feliz de ler seu post sobre grafite! (lembrei do 2º ano, quando fizemos o trabalhinho de midias radicais, lembra?)

  5. Elisete disse:

    Grafite é arte , não a convencional , como conhecemos.
    No ano passado , visitei a Graffiti Fine Art ,no MUBE e outra exposiçao no Masp( foi recomendada pelos alunos )
    A arte está nas muros da cidade. Os carros e correria impedem a sua apreciação. Leia-se 23 de maio e algumas ruas do centro e dos bairros.
    A propaganda está de olho na “moçada” que curte o grafite: campanha Sprite Grafite a sua lata ( http://www.sprite.com.br ); Spoleto Arte Urbana (http://www.spoleto.com.br/index.php/noticias/interna/121/arte-urbana-spoleto).
    Eu gosto e há espaço para todas as manifestações artísticas.

  6. danilo disse:

    o Grafite é uma das maiores artes urbanas que já foi criada por que permite uma visão contemporânea da realidade das ruas e da sociedade em sí, então falar que o grafite não é uma expressão artística chega ser um preconceito

  7. Alfredo disse:

    Impressionante saber que alguns ainda duvidam que grafite é arte!!!

    Como pode isso pode ainda ser discutível!!!

    Peço para aqueles que ainda tenham dúvidas quanto a isso, estude, pesquise e abra sua mente!

    Grafite representa a nossa realidade, a nossa vida. É sem dúvida, arte.

    Valeu professora por postar mais um assunto interessante no blog!

    Parabéns para o blog da nossa faculdade. Curti muito.

  8. Helena Gasques disse:

    Bom, até entendo porque algumas pessoas criticam o grafite. É muito mais fácil você julgar e criticar do que conhecer, se informar. O grafite vive essa situação: muitos criticam por não entender (ou não procurar entender).
    Além disso, a mídia ajuda e muito a manter essa imagem negativa do grafite. E assim cria-se o senso comum de que o grafite é algo sujo e indigno.
    Mas isso tudo é falta de informação. O grafite abre as portas da arte em meio ao caos urbano, ao trânsito, ao submundo da cidade. Ele faz parte desse contexto e transforma esse mesmo contexto em arte.

    Gostei muito desse post.

  9. Regina Tavares disse:

    Galera, adorei notar que o post trouxe um debate acalorado sobre o grafite. Viva o grafite, viva a arte!!!

  10. Pri Bernardo disse:

    Oiiiiê

    Sim, é arte e algumas vezes arte sacra!

    bjooos >.<

  11. ANIC disse:

    Regina nao sendo tendencioso pela arte de rua, ja que é uma paixão minha e uma cena da qual faço parte assim como muitos anônimos por ai, dou palmas para seu texto, pq ontem fiquei inconformado com um “companheiro” seu ter dar um depoimento tão burro, careta e quadrado sobre o mesmo assunto, a ARTE DE RUA! Segue o Link: http://www.band.com.br/entretenimento/colunista.asp?ID=96

  12. Regina Tavares disse:

    Valeu, Pri Bernardo e Elisete. Sempre conto com o seu comentário. bjs

  13. A arte de rua está cada vez mais desenvolvida e deve ser incentivada como exemplo para que os jovens possam se afastar das drogas e do tráfico.

  14. Elizabeth disse:

    grafite é uma arte mto linda, tah é uma arte bem urbana não é q nem aquela q estão espelhadas no museu..
    mas gente bora pra modernização.. pra q pintar numa tela se o artista tem o dom e criatividade suficiente pra pintar num muro?
    olha q eu sou meio “quadrada” pra algumas coisas, mas jah quiz ter a parede do meu quarto grafitada, mas passou e preferi a arte em fotografias…
    Profª parabens pelo blog e desculpe a demora pra comentar!

  15. A pouco tempo uma novela de um canal bem conhecido vem mostrando e auto sugestionando esta imagem de que o grafite é uma arte .
    Oque deve-se observar é a responsabilidade com o compromisso de ter respeito pelas pessoas e suas varias formas de expressão.
    Não devemos confundir vandalismo com arte, pois são paradoxos bem complexos.

  16. a art nao tem modo ela é linda :D todos gostam :D

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