Agasalhos com cheiro de mofo, brinquedos empoeirados, jornais amarelados pelo tempo, tralhas esquecidas. Levante a mão quem nunca buscou objetos como estes; lembranças adormecidas, pessoais e intransferíveis.

Um destes objetos memorialistas por essência é a fotografia. Não, não pense que farei aqui um manifesto em prol da fotografia analógica em detrimento da fotografia digital ou vice-versa. Nada disso. Me refiro àquelas fotografias acondicionadas em caixas de sapato antigas e que eram expostas aos amigos e familiares somente em ocasiões especiais. E, óbvio, me refiro também às fotografias postadas no álbum do Facebook, nos filmes de retrospectiva exibidos em aniversários e casamentos “moderninhos” e até mesmo àquelas fotos de celular. Todas elas são objetos memoráveis por excelência; capazes de tornar presente alguém que se foi, uma época que deixou saudades ou algo que não se tem mais.

Enfim, digital ou analógica, todas carregam significados e são esses tais significados que dizem à nossa memória o que armazenar e o que desprezar. É seguindo esta lógica que passo a duvidar da afirmação de que o brasileiro não tem memória. Afinal, não se pode chamar de desmemoriado um indivíduo que se recorda do nome de todos os jogadores e suas respectivas posições na semi-final da Copa de 1970. Na verdade, nossa memória está relacionada à nossa percepção e portanto é seletiva.
Alguns pensadores como Halbwachs, Judy e Bergson reiteram a importância da memória para a construção ou o fortalecimento da identidade cultural de um indivíduo e uma nação. Daí a necessidade de nos cercamos de objetos repletos de lembranças, entre eles, as fotografias.

Para finalizar, vamos louvar a iniciativa do CPDOC São Miguel Paulista (Fundação Tide Setúbal) ao oferecer uma oficina de fotografia e memória. A inscrição vai até 25 de março, pessoalmente (Rua: Mário Dallari, 170 – São Miguel Pta.) ou via blog CPDOC São Miguel Paulista. O único requisito para se inscrever é ter uma câmera e gostar de clicar por aí. Inté semana que vem!

10 respostas para “UM CLICK AO PASSADO!”

  1. mauro bonfim disse:

    Querida Regina

    Obrigado pelo post em relação a oficina de fotografia e memória e queremos ressaltar antes de mais nada a alegria com a qual recebemos o seu blog, numa bela iniciativa para tratar as questões academia de forma interativa, utilizando as novas tecnologias.

    Parabéns e vamos manter contato

    Abraços

  2. Roseane Ferreira disse:

    Olá,
    adorei a dica e já me inscrevi!!!

    Bjo

  3. Thais Gonçalves disse:

    Adorei a matéria e o blog. Parabéns, está lindo!

    Ah, e sobre a oficina de fotografia e memória, acredito que será um curso bem legal, para pessoas de todas as idades e estilos.

    Beijos.

  4. Regina Tavares disse:

    Olá,

    Mauro, inciativas como a presente no texto devem ser lembradas sempre. Um forte abraço e bom trabalho!!!

  5. Helena Gasques disse:

    Olá professora! Tudo bem?

    Achei legal a senhora dizer a respeito das fotografias digitais que apesar de não serem “profissionais” também são, como é dito no texto, “um objeto de memória”.

    E quem não gosta de tirar fotos? Ainda mais nessa hora que é tão fácil manusear uma máquina, editá-la num simples programa… Adoro tirar fotos! Pra mim, é uma forma de tornar imortal um momento de nossas vidas…

  6. Alfredo disse:

    Olá, Professora Regina.

    Quando li seu texto, lembrei de uma frase do Gérard Castello Lopes:

    “A fotografia é uma forma de ficção. É ao mesmo tempo um registo da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira.”

    Acho que é bem isso, né?

    Parabéns pelo blog.

    Até.

  7. beth disse:

    adorooo fotos… lemnbro ate hj das mil poses que a gnt fazia em sala de aula qdo ainda estava no ensino médio(colegial).. em como a minha maquina ficava sempre com a memoria mto cheia
    fotos sempre me trazem boas lembranças
    e profª Parabens pelo texto…
    qdo eu crescer quero ser q nem vc!!
    bjoss

  8. SUELY disse:

    uma máquina de tirar foto prá mim é ferramenta de trabalho, consigo registrar meu trabalho e avaliar avanços dos meus alunos portanto o assunto acima é muito pertinente, fiquei interessada no curso mas me falta tempo, só sei q sou apaixonada por fotos.

  9. Roberta Chamorro Galvão disse:

    Grande Regina Tavares !! Realmente relembrar momentos inesquecíveis através das fotografias é maravilhoso,são documentos com valor histórico, os quais muitos já utilizaram até mesmo para conhecer seus parentes falecidos. A tecnologia aumentou, as fotos mudaram, mas sua função continua a mesma documentar o passado e presente através de momentos inesquecíveis. Por falar nisso que tal tirarmos uma foto depois ??? kkk Beijos

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