A divulgação dos resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), no final do ano passado, revelou que o Brasil ainda está bem abaixo da média dos 65 países participantes do teste, que aferiu os conhecimentos de 470 mil estudantes em leitura, ciências e matemática. Ficamos na 57ª posição em matemática e na 53ª em ciências. Mesmo assim, os organizadores constataram que houve uma evolução significativa no nosso desempenho em relação às últimas edições do exame.

É sabido que nossos alunos do ensino fundamental têm dificuldade para aprender física, química e matemática. Alguns chegam a “odiar” estas disciplinas. Então, mostrar quão belas e interessantes são essas matérias é um desafio imenso para os nossos professores. É aí que entra a Astronomia.

O céu noturno com suas estrelas, planetas e outros corpos celestes sempre exerceu grande fascínio.  A curiosidade, a criatividade e o engenho humano ampliaram enormemente nossa percepção e conhecimento do Universo. Mas, na verdade, o que sempre motivou esta busca foi a necessidade de conhecer nossas origens. Como tudo começou? Houve um começo? Há vida em outros planetas? E vida inteligente? São questões existenciais, inatas ao ser humano, portanto não é nenhuma surpresa que a cosmologia e a astronomia exerçam tanto fascínio e curiosidade atualmente.

Foi com isso em mente que professores e especialistas se reuniram no XIII EREA (Encontro Regional de Ensino de Astronomia), realizado na Universidade Cruzeiro do Sul, na semana passada. Imagino que o grande desafio seja este: como utilizar este fascínio, esta curiosidade para fazer com que nossas crianças se interessem por assuntos, digamos, menos atraentes como Física e Química?

Participantes posam para foto ao lado do Planetário da Universidade Cruzeiro do Sul

Por exemplo, as chamadas Leis de Newton são resultado do esforço do físico inglês para entender o movimento dos planetas. Então, por que não aprender os princípios da inércia, da dinâmica, da ação e reação, da gravitação a partir da observação das órbitas planetárias? Outro exemplo: meteoritos são fragmentos de asteróides e cometas que caem na Terra. Eles trazem muitas informações sobre a origem do sistema solar e até do universo. Têm, em sua composição, uma grande concentração de ferro metálico e é isso que os diferencia das rochas terráqueas. O ferro do nosso planeta ocorre na forma de óxidos (minério de ferro), por causa da grande quantidade de oxigênio na atmosfera.  Este seria um bom começo para tratar de um assunto que costuma aterrorizar estudantes: as reações de oxi-redução.

É difícil mensurar o que pode ser aprendido ou não, mas é fato que sempre fica um pouco mais fácil a partir de situações concretas e interessantes. Neste sentido, ao tratar de forma natural e interdisciplinar os conhecimentos gerados nas mais diversas áreas, a astronomia pode ser um bom caminho para se melhorar o ensino de ciências no Brasil.

Todo o conteúdo das palestras do XIII EREA pode ser visualizado AQUI.

2 respostas para “ASTRONOMIA E O ENSINO DE CIÊNCIAS”

  1. Teobaldo Rivas disse:

    O ensino ainda centrado na figura do professor e acontecendo dentro de quatro paredes são as princiapais causas da desmotivação e desinteresse das crianças e jovens pela escola. Há que desenvolver novas formas de ensinar, com mais amor, alegria e entusiasmo, para que o estudante descubra que o ato de aprender possa ser divertido e prazeroso, estimulando a curiosidade e o interesse pela cultura, ciências, artes, literatura, pela vida e problemas do mundo. Iniciativas como esta pode abrir caminhos para novas formas de ensinar e aprender sobre, simplesmente, o universo onde habitamos.

  2. Concordo plenamente Teobaldo, por exemplo o efeito de se mostrar a passagem da brilhante estação espacial Internacional, ou o ônibus espacial saindo por de trás de uma grande nuvem cúmulo-nimbus, ou seu desparecimento no meio do céu pela sombra da Terra tem um resultado…!

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