Por Marcelos Paes de Barros

Prezados leitores e leitoras, por favor, entendam essa matéria como uma súplica para reumanizarmos nossa sociedade! Pelo menos, nas circunvizinhanças ao alcance: nosso bairro, cidade ou país. Estou cansado de lidar com o descaso e a falta de educação das pessoas! Perguntei a alguns antropólogos e psicólogos aqui da universidade se este era um fenômeno metropolitano (portanto, comum em grandes centros urbanos), paulista/paulistano (por estarmos na cidade e Estado com alto poder aquisitivo), ou brasileiro (pelos baixos índices educacionais que hoje enfrentamos). Resposta consensual desses acadêmicos: “Provavelmente, uma soma dos três fatores, Marcelo”. O problema é que no Brasil, tudo é mais explícito e escancarado, o que torna os casos de desrespeito mais alarmantes. Vou esclarecer meu ponto de vista.

Diga-me: quantas vezes você cumprimentou ou fez uma gentileza a uma pessoa e não recebeu, sequer, um olhar amistoso de volta? Claro, pergunto isso se, efetivamente, você se preocupa em interagir com outros cidadãos! Caso contrário, eu deveria, na verdade, perguntar a estes cidadãos sobre a sua conduta em sociedade! De qualquer forma, me recuso a acreditar que cada um de nós não tenha recebido a lição básica dos nossos pais sobre as 3 “palavrinhas mágicas” do bom convívio social: “Com licença”, “Por favor” e “Obrigado”. Às vezes realmente me questiono se essa lição é tão disseminada assim nas famílias brasileiras (independente de qual estrato social estamos avaliando).

É comum observarmos aqui no Brasil que vagas para deficientes são inescrupulosamente ocupadas em estacionamentos, carrinhos de supermercado abarrotados são enfileirados em caixas exclusivos para “até 20 volumes”, ou que a sinalização de pisca-pisca seja acionada APÓS o motorista já ter efetuado a mudança de faixa, parecendo mais um álibi do que, realmente, sua consciência coletiva. Mas eu tenho um exemplo máximo da falta de consciência social: pessoas que levam, deliberadamente, crianças de colo ou seus parentes idosos em agências bancárias para terem atendimento prioritário! Isso eu acho o cúmulo do desvio de conduta social! Curiosamente, se questionados, indagam: “Mas é meu direito ser atendido com prioridade”. Ok, mas, e os seus deveres? E a sua consciência social? Por que ele acredita que essas regras não se aplicam a ele?

Tenho um caso emblemático. Estava dirigindo meu automóvel em uma longa rua em declive. Do topo da colina onde me encontrava, pude ver que um automóvel – cerca de 500 m à frente, já no final da descida – encostava para estacionar. A moça, sem qualquer escrúpulo, estacionou seu veículo exatamente em cima da faixa de pedestre, ocupando TODA a sua extensão! Eu presenciei toda a manobra. Pois bem, enquanto me aproximava, aquela motorista, agora magicamente transformada em pedestre, acenou com a mão sugerindo que eu deveria parar para que ela atravessasse, já que ela estava na faixa de pedestre! Claro, desacelerei e a deixei atravessar. Mas eu tinha que dizer algo. Indaguei: “Interessante. Quando você era motorista, você claramente esqueceu seus deveres e estacionou em cima da faixa. Só agora, na condição de pedestre, você se lembrou dos seus direitos. Você não acha que tem algo errado?”. A resposta: “Ah, vá se #@!~*&, seu &*@”. Gargalhei e saí com meu carro! Hum, na verdade, acho que respondi algo mais, mas não me lembro agora (rs).

Não é incrível? Tento sempre que possível oferecer gentilezas as pessoas, mas, sem dúvidas, recebo bem menos em troca. No estacionamento da academia, sempre dou espaço para os carros entrarem antes que eu saia com meu veículo. Não recebo sequer um aceno de cabeça em agradecimento. Dou licença para as pessoas passarem primeiro em entradas estreitas. Nada. Recolho do chão objetos que as pessoas inadvertidamente derrubam. Silêncio. Uma vez, inclusive, estava no shopping e uma senhora derrubou um pacote no chão. Recolhi o embrulho e lhe entreguei, com um sorriso. Pois a senhora (elegante, por sinal), pegou o pacote da minha mão e, sem sequer me olhar, continuou sua conversa divertida com sua colega. Mesmo assim, continuarei com a mesma conduta! Não posso cobrar consciência das pessoas. Tento influenciar positivamente os meus entes próximos – principalmente meu filho – e meus alunos. Esse espírito egoísta e ríspido só mudará quando estes hábitos forem MINORIA na conduta da população em geral. Infelizmente, nossa sociedade está justamente ao contrário, atualmente. Em uma sequência social lógica, de eventos concatenados (como as reações radicalares que estudo em Bioquímica), a educação é a base da cidadania, que é a base da civilidade, que é a base da consciência política, que é a base de uma sociedade mais íntegra, equilibrada e justa.

Por favor, faça a sua parte.

gentileza e café

Um abraço

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