Por Regina Tavares

Em agosto deste ano, tive a oportunidade de participar do Fórum de Lideranças – Desafios da Educação – promovido pela Blackboard e o Grupo A. Diante de inúmeras discussões sobre as práticas pedagógicas vigentes em diversas partes do mundo, inclusive no plano nacional, uma palestra foi extremamente oportuna para refletir sobre a prática docente no ensino superior.

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Tratava-se da palestra de Peter Dourmashkin, professor de cátedra do MIT. Repleto de generosidade e carisma, o pesquisador e docente nos revelou como sentia orgulho de seus estudantes. Não pelo fato de serem atentos à toda e qualquer aula expositiva, mas pela reconhecida competência de resolverem problemas. Para o acadêmico, o mérito está na aplicação de competências e habilidades de diversos campos científicos perante a resolução de problemas. Em suma, a preocupação de Peter se situa na formação de espíritos pesquisadores. Não à toa, alunos egressos do MIT têm se destacado pelo número considerável de prêmios Nobel ganhos.  É a pesquisa, a grande retroalimentadora da prática docente no cotidiano do ensino-aprendizagem.

O estudo de caso trazido e compartilhado com os demais convidados daquele evento nos permite refletir sobre a reconfiguração dos saberes existentes dentro da Universidade. Em geral, a prática docente no ensino superior ainda é pouco abordada na literatura correlata, caso compararmos com os ensinos infantil, fundamental e médio. Convencionou-se pensar que a vivência profissional do docente bastaria à formação acadêmica de novos indivíduos.

Nesse sentido, as tecnologias da informação e da comunicação devem constituir o repensar da prática docente e que é possível trazer técnicas do âmbito EaD para o presencial e vice-versa. A dita “sala de aula invertida”, amplamente empregada na educação a distância pode ser, por exemplo, facilmente oportunizada no contexto presencial, assim como é, no MIT. Lá, o professor não inicia sua aula com uma exposição, mas com um problema, a ser resolvido em conjunto, numa sala de configurações distintas da habitual, à luz do que se leu dias anteriores em casa.

Acabo de chegar do Congresso Internacional da Associação Brasileira de Educação a Distância, realizado em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul e adorei saber dos resultados obtidos por instituições que empregaram a metodologia da “sala de aula invertida” no contexto da aprendizagem presencial. Com um intercâmbio entre as práticas pedagógicas em EaD e presenciais, entre outras ações, é possível reconfigurar os saberes em sala de aula, do ponto de vista do aluno e do professor.

Assim como, alertara Paulo Freire, a educação não deve ser bancária, ou seja, o aluno não deve ser considerado como mero receptor de conteúdos sem que se faça relevante no processo “EDUCAR”. A interação, o dinamismo e o reconhecimento do indivíduo como sujeito histórico são palavras de ordem para o século vigente.

Para saber mais sobre o método “sala de aula invertida”, clique aqui.

8 respostas para “RECONFIGURAÇÃO DE SABERES”

  1. TATIANE RODRIGUES SOLA disse:

    Como sempre, ótima publicação!

  2. Thiago disse:

    Mais um post que merece ser compartilhado. Cada vez mais as pessoas deveriam ter acessos a esses tipos de palestras, são realmente enriquecedoras.

  3. Patrick disse:

    Ótimo artigo mas eu não me adaptei com o sistema EAD. Acho que mesmo o professor fazendo plantões a coisa não funciona tão bem.

  4. Paula Maia disse:

    Sempre acomapanho as postagens do blog do Cruzeiro do Sul. Por favor, atualizem mais seguido o site.

    Beijos,

  5. Muito bom o texto, obrigado por compartilhar!

  6. Angela Santos disse:

    Quero agradecer aqui aos autores do blog por publicarem artigos sempre muito construtivos e que agregam sabedoria em quem os lê.

    Sempre visito o blog em busca de novas postagens.

    Muito obrigado!

  7. Adoro as publicações de vocês! Obrigado pelo texto!

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