Por Regina Tavares

O universo parece conspirar a favor do capitalismo selvagem. Basta abrir o jornal para notar como o lançamento de novos celulares vive em pleno vapor. Ou melhor, frenesi. São inúmeros modelos, formatos e habilidades que até nos fazem esquecer do propósito real de sua existência: a telefonia.

destaque menor

Nas vitrines, os celulares nos assediam e, sem nenhum pudor, clamam para serem levados. Se vendem sem juros e em crediários a perder de vista. Definitivamente, tentador! Olhando assim, é compreensível julgar que o seu smartphone pareça uma bugiganga qualquer, mesmo o tendo adquirido no abono do ano passado. Sem um pingo de boa vontade, é aceitável reconhecer que o desempenho do danado do aparelho vem mesmo deixando a desejar. Cada dia mais lento, cresce mais rápido a cobiça por um substituto.

Se você se familiarizou com o meu perrengue, caro leitor, saiba que és mais uma vítima da inevitável “obsolescência programada”. O palavrão aí corresponde a uma estratégia do capitalismo de propositadamente desenvolver, fabricar e distribuir um produto que, em um prazo determinado, se torne obsoleto ou não funcional.  Nesse caso, a única escapatória para o consumidor é se render a nova geração do aparelho adquirido outrora.

Parece que o poeta tinha razão, que seja eterno enquanto dure. Até o seu atual celular futurista, inspirado nos episódios mais mirabolantes dos Jetsons.

Em média, de dois em dois anos, os produtos, sobretudo tecnológicos, abrem o bico e versões melhoradas são colocadas à disposição do público, goela a baixo.

Para driblar a tal “obsolescência programada”, recomenda-se não adquirir todas as gerações de celulares que se vê pela frente, sem sequer conhecer a repercussão de seu lançamento no mercado. Baixar todas as atualizações do sistema operacional às cegas, também não é uma boa ideia. Determinadas atualizações podem deixar seu atual aparelho ainda mais lento e prejudicar o funcionamento de algum aplicativo já instalado.

Contudo, caro leitor, se mesmo diante destes conselhos, não conter a vontade de trocar seu celular por um novo, bem-vindo ao clube! Não há mais o que ser feito…

Inté!

4 respostas para “Que seja eterno enquanto dure”

  1. Nair disse:

    Realmente, cada ano o celular que temos por mais que nao possua nenhum problema acaba sendo desatualizado e se deseja comprar um mais novo e atualizado.

  2. Nair disse:

    Realmente, por mais que temos um celular que nao possua nenhum problema queremos substituir o modelo mais antigo por um mais novo.

  3. Paulo Santos disse:

    Realmente é isso mesmo. As relações entre pessoas e pessoas e entre pessoas e produtos estão cada vez mais simples e superficiais, infelizmente!

  4. Walter Junior disse:

    É verdade, as relações estão cada vez mais rasas e vazias. A loucura das pessoas por novas compras é impressionante.

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