Por Renato Padovese

Sob o impacto da notícia de que o Santo Sudário, o tecido que teria envolvido o corpo de Jesus no sepulcro, está mais uma vez exposto à visitação pública na Catedral de Turim (a mostra ocorre entre os dias 19 de abril e 24 de junho), decidi escrever o terceiro e último post da série “Eu creio no Jesus Cristo Ressuscitado”. A trilogia é baseada no livro O Sinal, de Thomas de Wesselow, um historiador da arte que se diz especializado em “questões insolúveis”. Na obra, o autor atesta a autenticidade da relíquia, descrita como uma prova material da existência de Jesus Cristo, e desenvolve a tese de que a ressureição nada mais é do que a interpretação dada por seus seguidores à imagem formada no linho. Em outras palavras, o Sudário é a pedra fundamental do cristianismo. (ver Parte I)

santo sudário

Mas não é só por esta extraordinária conclusão que a leitura vale a pena. Trata-se de um relato fascinante, especialmente para quem, como eu, adora ciência e história. À luz das evidências impressas no Sudário, de incontáveis documentos históricos e também dos Evangelhos, o autor recria a narrativa dos acontecimentos que teriam ocorrido entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, que tento resumir a seguir.

“Na manhã daquela sexta-feira, Jesus foi julgado e condenado à crucificação por Pôncio Pilatos. Depois de açoitado, espancado e coroado de espinhos, foi conduzido ao local de sua execução, uma pequena colina ao noroeste de Jerusalém chamada Gólgota. Jesus resistiu à agonia da cruz por cerca de três horas, do meio-dia às três da tarde, quando finalmente deu o último suspiro. Havia urgência em sepultá-lo antes do crepúsculo porque no dia seguinte, um sábado, dia sagrado para os judeus, não se poderia exercer nenhuma atividade, nem mesmo um funeral. Os guardas romanos, atendendo ao pedido de seus familiares, se apressaram em retirar Jesus da cruz, não sem antes cravar-lhe a lança no flanco, para certificarem-se de sua morte.

O corpo foi, então, lavado, envolto no Sudário e transportado rapidamente até o local do sepultamento, nas proximidades do Gólgota. Mas, como já anoitecia, não houve tempo para concluir o funeral de acordo com os preceitos judaicos. Teriam que voltar depois do Sabbath, 36 horas mais tarde. Neste intervalo de tempo, porém, no subterrâneo escuro e silencioso da tumba, algo misterioso ocorreu e algumas fibras do linho foram tingidas seguindo um padrão correspondente à forma do corpo subjacente. (ver Parte II)

Era de manhã bem cedo quando Maria Madalena e outras mulheres da família chegaram ao sepulcro. Empurraram a pedra que bloqueava a entrada da tumba e se aproximaram do corpo a fim de ungi-lo com mirra e aloé. Ao retirarem a mortalha, foram tomadas de assombro e agitação, e correram contar a Pedro que tinham encontrado uma aparição na tumba, ao lado do corpo de Jesus. Pedro foi conferir e descobriu que era verdade. Convocou imediatamente uma reunião, precisava mostrar aos Doze o mais depressa possível. Quando o Sudário foi desdobrado e estendido, os Doze viram emergir do pano estranhas sugestões de uma forma humana e logo reconheceram o mestre, por intermédio de seus ferimentos. Era o milagre Ressureição!”

Vejam só como são surpreendentes os desígnios de Deus. Jesus, ainda que possuísse qualidades notáveis, era somente mais um dentre os tantos profetas que pregavam na Judéia do século 1. Também nada de especial houve em seu calvário, ele foi apenas mais uma vítima dos eficientes ritos de execução praticados pelo Império Romano. Sua seita judaica obscura tinha tudo para cair no esquecimento não fosse a sequência de acasos que se sucederam. Um funeral postergado e uma reação química ordinária propiciaram o início de um movimento religioso que moldou a civilização ocidental.

 

3 respostas para “EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO – PARTE III”

  1. Silvio Zavan disse:

    Olá, Renato!
    Interessante essa discussão ainda existir. Quando o exame de carbono 14 foi divulgado, eu achei que essa questão estava encerrada. Mas, como tudo – especialmente algo que, além de ciência, envolve a crença das pessoas – esse resultado parece estar sendo questionado.

    http://super.abril.com.br/religiao/santo-sudario-autentico-444116.shtml

    Esse outro link diz ser mais próximo da época:
    http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/estudo-mostra-que-santo-sudario-pode-ter-pertencido-a-epoca-de-jesus,34a8a8e06a8bd310VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

    Se opinião valer de alguma coisa, a minha é de que não é verdadeiro, e mesmo, desnecessário para fundamentar a fé cristã: dá para ser cristão, mesmo com ele não existindo.
    Existem muitas outras teorias que derrubariam a história de Cristo, como a história de Hórus, deus egípcio, que nasceu de uma virgem (tinha até a estrela-guia) e, ao ser morto, ressuscitou no 3º dia…

    • Renato Padovese disse:

      Olá Silvio,
      Obrigado por seu comentário. Pois é, a discussão ainda persiste. O assunto é tão interessante que estou pensando em escrever mais um post (Por que não? Star Wars já está na terceira trilogia!). Ao contrário do que se costuma pensar, a datação por carbono não é o teste “definitivo”. É mais uma, dentre muitas outras evidências científicas, históricas e culturais, que devem ser consideradas para a definição da data de um determinado artefato. E existem muitas evidências apontando para uma existência mais antiga do que a aquela definida pela datação por carbono. Além disso, há fortes indícios de contaminação da amostra por remendos que o pano sofreu, por meio de uma técnica chamada “costura invisível”.

  2. Susy Vianna disse:

    Excelentes comentários!
    Parabéns pela forma como escreve e relaciona os fatos.

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