Por Renato Padovese

“Dentro da ambulância, no caminho do clube até o hospital, tive uma parada cardiorrespiratória. Não sentia dor nenhuma, mas sentia uma asfixia muito grande, a perda da respiração. E, de uma hora para a outra, deu uma sensação de paz e tranquilidade, e me senti estranhamente levitando, saindo do meu próprio corpo e me vendo de fora”, relatou, recentemente, o velejador Lars Grael no programa Encontro com Fátima Bernardes sobre sua experiência de quase morte. O episódio ocorreu após grave acidente durante uma regata no Espírito Santo, em 1998, quando uma lancha invadiu a área de competição e atingiu o barco do velejador, que teve a perna direita amputada.

Existem incontáveis histórias como esta, de pessoas que enfrentaram situações críticas como infarto, derrames, acidentes de carro, todos com sério risco de perder a vida. Os testemunhos são bastante semelhantes, cuja sequencia de eventos pode ser assim resumida: reconhecimento da crise; sentimento de paz, felicidade e êxtase; paralisia e perda de movimentos; visão de um túnel escuro e de uma luz intensa no fundo; experiência de levitar fora do corpo; encontro com pessoas conhecidas, anjos, demônios ou seres de luz; revisão da vida; sensação de atingir uma fronteira; e, finalmente, o retorno.

até que a morte nos separe

Relatos tão parecidos e consistentes podem ser a prova da existência de vida após a morte. De fato, alguns cientistas acreditam que a consciência (ou alma) não é produzida pelo cérebro e pode perfeitamente continuar a existir mesmo que separada do corpo físico. Outros, no entanto, encaram as experiências de quase morte como o resultado de reações fisiológicas normais do nosso organismo, corroborando a ideia de que em nenhum momento a consciência abandona o corpo.

A chave de todo processo parece ser a redução drástica do fluxo sanguíneo no cérebro, como no caso do Lars Grael, que teve hemorragia intensa seguida de parada cardiorrespiratória. Quando o fluxo sanguíneo cai a menos de um terço do suprimento normal, nosso cérebro registra isso como uma crise e não perde completamente a consciência. Na verdade, ele fica transitando entre a vigília, o sono leve e o sono profundo. Nesta condição única de mistura de estados de consciência, muitos elementos do sonho estão presentes tais como paralisia, alucinações e visões de luzes. Neste processo, a região temporoparietal, responsável pela percepção espacial, é desativada, causando as experiências extracorpóreas. A diminuição do fluxo sanguíneo também atinge a retina, distorcendo as imagens e levando à impressão de túnel. A luz associada a ele pode vir tanto do sonho como do ambiente externo, já que, muitas vezes, os olhos ficam entreabertos. Já a descarga de adrenalina, sempre presente em situações de perigo em que precisamos “fugir ou lutar”, é responsável pelas sensações felicidade e êxtase, e também pela revisão da vida, pois ativa o hipocampo, estrutura cerebral encarregada da formação das memórias.

Fisiologicamente, é isso. Se o fluxo sanguíneo continuar caindo e chegar à zero, os distúrbios cerebrais temporários podem evoluir para uma lesão permanente e morte cerebral. Neste momento, não há mais volta. O que pode ocorrer a partir daí, e assim eu espero, é o início de uma nova existência.

Uma resposta para “ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE”

  1. Fátima Cuebas disse:

    Também penso assim como vc ! e Já ouvi relatos de várias pessoas que disseram conhecer o ” outro lado”;logo se existe outro lugar , há nova vida.Vou confessar que já senti o desejo de ver o outro lado, de experimentar essa sensação e imagino que a passagem desta vida para outra que considero que será eterna, deve ser algo explêndido, maravilho e acima de tudo, vai ser confortante para as nossos espirítos.

    Fique com Deus, Professor !

Deixe uma resposta

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS