Por Prof. Marcelo Paes Barros

Queridos amigos(as)

Ando preocupado. Pergunto, de supetão, aos meus queridos estudantes: vocês têm realmente aproveitado essa sensacional fase da vida de vocês?

Saibam, então, que a época da faculdade foi, é, e será, o melhor período da sua vida! Essa fase representa um prelúdio da vida adulta, com suas responsabilidades, comportamento contido e hermética administração do tempo, mas com o frenesi das descobertas da adolescência, o frescor da juventude e tudo regido pelas inacreditáveis oscilações hormonais. Como digo aos meus alunos do grupo de pesquisa: “Aproveitem! Não esperem até ficarem do outro lado da mesa de trabalho”.

Além de toda formação acadêmico-profissional que o Ensino Superior proporciona, a época da faculdade é, sobretudo, uma fase de duras lições pessoais, de encruzilhadas sentimentais, mas também prazeres e alegrias incomensuráveis. “(…) from crayons to perfume”, como diz a famosa canção do filme “Ao mestre com carinho” (“To Sir with love”, Lulu, 1967).

Muitas vezes, a faculdade traz o primeiro namoro sério, as maiores responsabilidades, as festas mais iradas, as memoráveis performances atléticas, os jogos mais heroicos e, em suma, as melhores histórias da sua vida! As mesmas histórias que serão repetidamente contadas entre amigos da época, para seus filhos e seus netos. Talvez, até sejam as últimas imagens lúcidas que passarão em sua mente na reta final de sua existência. Momentos felizes, simplesmente.

foto1

Hoje, com 46 anos, encontro-me quinzenalmente com os amigos da faculdade para jogar basquetebol. Entramos na faculdade no final dos anos 80, início dos anos 90, perfazendo, portanto, quase 30 anos de amizade. Nosso jogo hoje é, obviamente, pouco atlético porém mais divertido! Cerveja, churrasco e as mesmas e hilárias histórias do passado fazem parte do cardápio fixo do evento. Sempre que posto nossas fotos antigas na mídia social, observo que os comentários são uníssonos: que época fantástica!

Daí vem minha preocupação. Não vejo esses mesmos eventos nos dias de hoje em nossa Universidade. Onde estão os panfletos das festas temáticas? Onde estão os cartazes informativos dos torneios esportivos internos ou contra outras universidades rivais? Há, sequer, alguma rivalidade esportiva em questão? Onde estão as fotos das suas viagens com os amigos da classe? Onde está a Batucada oficial da Universidade? A única investida que vi, nos últimos anos, foi a Atlética da Medicina Veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul. Eles possuíam uma boa estrutura regimental, organizaram festas, fomentaram treinos periódicos em várias modalidades, participaram de vários torneios esportivos externos e tinham até um logotipo e um mascote! Infelizmente, com a natural formatura das turmas, esse ímpeto se perdeu.

foto2

Eu, particularmente, gostaria que vocês vivenciassem toda a atmosfera universitária na sua plenitude máxima. Que aprendessem a dividir bem suas obrigações acadêmicas com a diversão também necessária. Que acumulassem experiências.

Antes que vocês, discentes, deem a resposta mais previsível do mundo, já vou me adiantar: a iniciativa TEM que vir de vocês! Não esperem que os acadêmicos de meia-idade (ou mais), seus professores, se mobilizem para isso. Vocês têm que mostrar interesse! Mexam-se! Organizem-se. Montem suas Associações Atléticas, reúnam-se. Com propostas sólidas em mãos, encaminhem-nas para os órgãos superiores, para agendar horários de treinos, pedidos de financiamento para uniformes (ps. Nunca conseguimos, sempre pagamos os nossos próprios uniformes), reserva de espaços para festas temáticas, patrocinadas ou não. Eu sei que há uma série de nuances aqui, mas se não houver sequer a tentativa, tudo será sempre e aborrecidamente igual.

Lembrem-se: na juventude temos tempo e energia, mas não temos dinheiro. Na fase adulta, temos (algum) dinheiro e energia, mas não temos tempo. Na velhice, temos (algum, de novo) dinheiro e tempo, mas não temos energia. Viva cada experiência na fase certa e seja feliz!

Um abraço

13 respostas para “Don’t stop the party!”

  1. Silvio Zavan disse:

    Excelente e nostálgico o texto! (Em tempo, mandou muito bem na Lulu e o verso de que sempre gostei, “from crayons to perfume”, mostrando de forma poética nosso crescimento e a mudança das prioridades!)
    Eu me pergunto faz tempo a mesma coisa: para onde foram as festas?
    Temos a honra e orgulho de termos sido os primeiros a criar uma Festa Brega, que foi fartamente imitada por incontáveis faculdades e até casas noturnas (como uma famosa, especializada em anos 80s) devem seu sucesso à Festa Brega da Faculdade de Ciências Farmacêutica da USP (originalmente chamada Festa do Amor de Inverrno). Na verdade, é uma festa da Associação Atlética da faculdade.
    Essa festa é um símbolo de como a gente se divertia, eu fui DJ da mesma por uns 20 anos ou mais – só parei recentemente. E a festa é um exemplo também de que uma agremiação com criatividade pode arranjar dinheiro para se manter, pois essa mesma, hoje, já reuniu cerca de 2000 pessoas e garante dinheiro para o ano da Atlética, para pagar algumas coisas como uniformes e técnicos.
    Enfim, se quem ler seu texto tivesse uma experiência de, por exemplo, viajar a uma competição esportiva em outra cidade, torcesse, batucasse com os ótimos instrumentos que tínhamos (eu tocava surdo), namorasse em uma arquibancada, passasse noites em claro nos alojamentos em uma festa ou apenas conversando bobagem – nunca mais iria querer deixar de fazer isso.

  2. Silvio Zavan disse:

    Excelente e nostálgico o texto! (Em tempo, mandou muito bem na Lulu e o verso de que sempre gostei, “from crayons to perfume”, mostrando de forma poética nosso crescimento e a mudança das prioridades!)
    Eu me pergunto, faz tempo a mesma coisa: para onde foram as festas?
    Temos a honra e orgulho de termos sido os primeiros a criar uma Festa Brega, que foi fartamente imitada por incontáveis faculdades e até casas noturnas (como uma famosa, especializada em anos 80s) devem seu sucesso à Festa Brega da Faculdade de Ciências Farmacêutica da USP (originalmente chamada Festa do Amor de Inverrno). Na verdade, é uma festa da Associação Atlética da faculdade.
    Essa festa é um símbolo de como a gente se divertia, eu fui DJ da mesma por uns 20 anos ou mais – só parei recentemente. E a festa é um exemplo também de que uma agremiação com criatividade pode arranjar dinheiro para se manter, pois essa mesma, hoje, já reuniu cerca de 2000 pessoas e garante dinheiro para o ano da Atlética, para pagar algumas coisas como uniformes e técnicos.
    Enfim, se quem ler seu texto tivesse uma experiência de, por exemplo, viajar a uma competição esportiva em outra cidade, torcesse, batucasse com os ótimos instrumentos que tínhamos (eu tocava surdo), namorasse em uma arquibancada, passasse noites em claro nos alojamentos em uma festa ou apenas conversando bobagem – nunca mais iria querer deixar de fazer isso.

    • Marcelo Paes de Barros disse:

      Grande amigo Silvio!
      Nem me fale! As inesquecíveis festas brega da Farmácia-USP! As próprias fotos já amarelando delatam que dias felizes eram aqueles.
      Noites em claro, rindo e sumindo sorrateiramente de alojamentos esportivos! hahahaha
      Obrigado pelas gentis palavras. Eu realmente queria que os atuais alunos vivenciassem essa experiência pois são memórias difíceis de apagar, mesmo com a dureza da vida adulta e responsáveis que vem adiante.
      Um abgaço

  3. Ricardo von Glehn disse:

    É isto, simples assim. Estes são os anos mais extraordinários da vida.

    • Marcelo Paes de Barros disse:

      Grande amigo Ricardo!
      São os momentos que reverenciamos às 5a.f à noite no Ricardome! Obrigado por permitir isso, parceiro!!!
      ABRÇ

  4. Luciana Gomes disse:

    Infelizmente o baixo envolvimento dos estudantes não diz respeito somente a atividades de congressão, esse também tem sido visto no que diz respeito ao movimento estudantil e politico, haja vista não existir centros acadêmicos e participações em discussões de assuntos que melhoraria os cursos e maior autonomia na construção de uma formação critica e comprometida com a sociedade.

  5. Luciana Gomes disse:

    Infelizmente o baixo envolvimento dos estudantes não diz respeito somente a atividades de congressão, esse também tem sido visto no que diz respeito ao movimento estudantil e politico, haja vista não existir centros acadêmicos e participações em discussões de assuntos que melhorariam os cursos e maior autonomia na construção de uma formação critica e comprometida com a sociedade.

  6. Comecei a fazer faculdade já com 40 anos, e o interesse pelos estudos dos mais jovens é mínimo, com raras exceções. Acredito que com uma injeção de ânimo eles podem ir muito longe.
    Depende dos alunos, dos administradores, e da sociedade em geral uma mudança de mentalidade, para que seja desfrutado na Universidade o que temos de melhor, que é a união nos momento difíceis, e isso o brasileiro entende.
    Obrigado pelo excelente artigo.

  7. Luis disse:

    Excelente ponto de vista para os jovens entenderem a questão da época e como aproveitar sabiamente. Não se pode negar a experiência dos mais velhos neste quesito.

  8. Anna disse:

    Na unicsul não tem nem motivação para que se participe nem dos extracurriculares, quem dirá de atleticas.
    Eu acharia muito interessante, mas nunca vi uma universidade aonde não se encontra nada além das aulas. É desmotivador pra quem quer Fazer algo a mais.
    Recentemente vi a turma de arquitetura tentar fazer uma festa e foram boicotados na divulgação dentro da universidade. Também não temos eventos dentro da universidade como vejo nas demais universidades proximas, na USJT tem muito evento de divulgação de produtos, festas de boas vindas feitas pela instituição, festas feitas pelas empresas parceiras….

  9. Márcia disse:

    Belo texto professor…saudades da universidade, da turma e realmente os melhores anos de nossa vida…sou grata a Deus por ter sido sua aluna e desejo toda sorte e sucesso a vc. Beijo

  10. Ana disse:

    Concordo que são os anos mais extraordinários da vida, pena que os jovens não tentam entender a questão da época para como aproveitar melhor. Belo artigo!

  11. Jessica disse:

    Excelente artigo parabens

Deixe uma resposta

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS