1440 minutos

13/out/2014

Por Marcelo Paes Barros

Meus amigos, reservei a data do meu aniversário para escrever essa matéria a vocês, como se fosse um auto presente. Anualmente, nesse período, faço um balanço interno e reflito sobre minhas ações, comportamento e futuro e gostaria de compartilhar essas turbulências com vocês. Trago hoje minha perspectiva sobre um problema que me atormenta muito desde o início da fase adulta e até os dias de hoje: o tempo!

Acredito que se você já tenha enfrentado esse dilema: como usar seu tempo para as várias tarefas que tem e que gostaria de fazer? Inúmeras tarefas no trabalho, umas urgentes, outras sem prazo bem definido, cuidar da saúde (consultas ao dentista, médicos de diferentes especialidades, etc.), dormir, exercitar-se, divertir-se com os amigos, namorar, ir ao cinema, interagir com seus filhos e outros familiares, ou simplesmente não fazer nada, como uma samambaia à frente da TV. Sim, você tem direito e merece até mesmo o ócio improdutivo, ou, vulgarmente aclamado como, “coçar o saco”! Contudo, infelizmente, como dizia minha avó: “Dois proveitos não cabem dentro de um saco!”

Lembro-me bem quando a noção de tempo me aterrorizou pela primeira vez. Foi em uma aula de matemática, ensino fundamental, na qual se discutiam as frações. A professora Suzana questionou: “Considerando que o dia tem 24 horas e que devemos dormir 8 horas por noite, qual é a fração do dia que permanecemos dormindo?”. Boa parte da classe respondeu: “Um terço!”. Contudo, recordo-me bem que eu exclamei atônito: “Professora, se dormimos 1/3 do tempo do dia, significa que passamos também 1/3 de nossa vida inteira apenas dormindo!”. “Sim”, concordou a professora Suzana.

Aquela informação me assombrou. Parecia uma total perda de tempo valioso. Tempo, o qual, poderia ser empregado para realizar inúmeras atividades mas, ao contrário, eram ali “desperdiçadas” com nosso corpo inerte e em baixa demanda metabólica. Não parecia certo…

tempo

Se vocês não perceberam, 1440 minutos correspondem exatamente à quantidade de tempo gasto para uma rotação completa da Terra em torno do seu próprio eixo, ou seja, um dia. Todos nós, qualquer um de nós, está submetido a este ciclo diário. Não há como fugir dessa regra indelével. No padrão atual de uma vida contemporânea, a produtividade e, oriunda dessa, a competitividade se fazem mais e mais presentes em nosso cotidiano. A competitividade, mesmo inconsciente, às vezes, se revela nas disputas pelo maior número de aprovações nas disciplinas que estudantes cursam, nas notas que obtiveram, quem corre ou nada as maiores distâncias no menor tempo, na perfeição das unhas e no corte do cabelo, ou na quantidade de dinheiro obtido com o menor esforço (sic!). As atuais mídias sociais – Facebook, Instagram, Twitter, e outros em fase de testes – servem como monitores dessa competitividade. Talvez “velocímetros” seja um termo mais adequado para a frase anterior.

Pois é, meus amigos, e aí vem uma das maiores verdades da nossa vida! Ainda no início da fase adulta, eu constatei um fato interessante: em nossa vida, nunca estaremos 100% em todas as ações que desempenhamos! Fato! Fatão! Fatality! Se estamos plenos no emprego, valorizadíssimos na profissão, treinando intensamente e com assiduidade, e nossos relacionamentos estão de vento em popa, pode esperar que, já já, alguma merda (desculpe o termo) ocorrerá com sua saúde! A hérnia de disco apitará. Você ficará resfriado. Alguma lesão muscular. Diferentes situações podem ser criadas alterando uma ou outra variável dentre as cinco: trabalho, saúde, amor, família e lazer. Sabe por quê? Porque nós, todos nós, temos somente 1440 minutos por dia! Se você trabalha muito, reserva tempo para seus exercícios e mantém seu coração irrigado com amor, sem dúvidas, faltará tempo para, acredite, simplesmente dormir o suficiente. Sua saúde será prejudicada. Crie outras situações imaginárias ou faça sua própria autoanálise.

Assim sendo, meus amigos, sua competitividade em qualquer setor deve ser avaliada com cautela. Você não sabe como seu hipotético “competidor” divide o tempo dele! Pode ser que ele pareça ser o super poderoso de sua empresa, o jovem promissor, um prodígio, mas você não sabe os níveis de colesterol circulantes no sangue dele e nem mesmo se ele chora todas as noites no travesseiro, sozinho em seu quarto! A vida é feita de prioridades e não se pode ter tudo ao mesmo tempo. Desculpem-me decepcioná-los.

Antes do início da meia idade (afinal, já tenho 46 anos), almejava ser um grande, grande mesmo, pesquisador. Vislumbrava quantos papers queria publicar, em quais revistas, e como queria ser reconhecido no meio científico internacional. Contabilizava qual deveria ser minha média de publicações anual, por exemplo. Isso tudo antes de meu filho nascer. Aprendi, na marra, qual era o verdadeiro valor da vida: SER FELIZ! Meu filho me mostrou claramente isso pela simples condição de existir! Conforme dores surgiram no meu corpo, o estresse tomou conta da minha disposição diária e as rejeições dos artigos multiplicaram-se, entendi, com clareza para que serve nossa vida: para sermos felizes! Concordo que as prioridades de nossa vida podem e devem mudar mas, sempre, mire na felicidade!

Aumente a eficiência das suas tarefas. Isso elevará as % de sucesso nas suas investidas, conforme o tempo que se dispôs a realizá-las. Trabalhe com 60-70% para todas as atividades. Esse é um bom número para rendimento. Entenda como as coisas funcionam e quais são as regras da vida. Frustre-se menos e busque sua felicidade!

Bons tempos virão!

Um grande abraço

Uma resposta para “1440 minutos”

  1. Rafael de Lima disse:

    Primeiramente feliz aniversário, estou em uma fase da minha vida que frequentemente estou me questionando exatamente sobre isso, meu tempo e minhas prioridades, onde há muito o que fazer em tão pouco tempo.
    Fico “feliz” em saber que isso acontece com todos, que não é culpa nossa e sim uma coisa natural.

    Felicidades.

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