Por Profª Regina Tavares

Dando continuidade ao nosso bate-papo sobre a origem do cinema, nos deparamos com uma curiosa invenção datada de 1646 e assinada pelo engenhoso Athanasius Kircher. Com boa vontade, podemos traçar um paralelo entre o experimento de Kircher e a atração popular Monga; uma velha conhecida das festas de rua de todo o Brasil, cuja herança vem dos circos mambembes da Europa do século XIX. A infalível fórmula ilusionista, por meio de um jogo de espelhos, transforma uma linda mulher em uma macaca assustadora. No filme brasileiro Lisbela e o prisioneiro (2003), há uma cena que ilustra com detalhes como ocorre o curioso truque ilusionista. Na trama nacional, o herói da história desvenda o truque e deixa a mocinha boquiaberta. Lembra?

lisbela

 Para os arqueólogos do cinema, a artimanha empregada no experimento foi determinante para estabelecer uma tradição nas mídias visuais: o sigilo em torno dos mecanismos de funcionamento dos meios de comunicação. Há um verdadeiro mistério sobre como o cinema e a TV funcionam, apesar de determos cada vez mais habilidades para gravar e postar nossos vídeos na rede.

Em 1998, o programa Fantástico da Rede Globo concebeu um quadro nomeado Fora do ar, estrelado pelo apresentador Marcelo Tas. A ideia era revelar como funcionava nossa amada telinha. Na versão piloto do quadro, a pauta girou em torno do Tele-Prompter, o famoso TP. Uma tecnologia capaz de auxiliar indivíduos a se apresentarem com grande desenvoltura diante das câmeras. O método é largamente aplicado em gravações de políticos, garotos-propaganda, jornalistas e por aí vai.

No vídeo Fora do ar, os cantores Claudinho e Bochecha e as dançarinas Carla Perez e “Globeleza” demonstram dominar temas como biologia, lei da gravidade e globalização. Mérito do bendito TP, afinal, todos estavam lendo textos redigidos por especialistas nos respectivos assuntos. Veja o vídeo e desopile o fígado com boas risadas:

Para acentuar a crítica, Tas vai às ruas e mostra como qualquer um pode se tornar um excelente candidato à Presidência da República com o auxílio do TP. “Os políticos são os maiores fregueses desta maquininha”, dispara Tas. Até o Maluf entrou na dança como um dos mais brilhantes usuários do TP.

O vídeo jamais foi exibido na TV, o que nos faz crer que os meios de comunicação, entre eles o cinema, tentam preservar seus bastidores envoltos em um teor de mistério capaz de legitimá-los como excêntricos. Pois, a ilusão faz parte do show.

Na próxima semana, você confere o último post sobre a origem do cinema.

Inté!

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