Por Profª Regina Tavares

 É muito comum acreditarmos que o mundo contemporâneo é a expressão clara do ápice da humanidade no quesito engenhosidade. Essa visão determinista tem visto o passado como arcaico e não evoluído, contudo é possível pasmar-se diante da sofisticação de determinadas descobertas datadas de 1500, por exemplo, e que em tempos atuais produz sentido e significado para nossas vidas.

Duvida? Vou me concentrar no campo científico da Comunicação, área na qual me sinto à vontade como pesquisadora. A excursão arqueológica que proponho vai na contramão de uma genealogia progressiva e linear costumeiramente apresentada pela historiografia dita “oficial”. Vou dividir esse post em três edições, ok?! Os textos a serem apresentados têm a clara função de combater o discurso convicto de que o cinema é uma exclusividade do século XIX.

cinema

Vamos iniciar nossas discussões falando do médico e escritor napolitano Giovan Battista dela Porta, que em pleno ano de 1593, era reconhecido por sua fascinação pelo universo do ilusionismo e foi responsável por um invento muito similar às câmeras de fotografia usadas atualmente.

Porta era tão vanguardista que sonhava com o dia em que imagens capturadas por sua câmera seriam projetadas em uma tela num galpão totalmente escuro. Ele ainda deixou registrado que a projeção deveria trazer atores e forte iluminação. Alguém notou uma semelhança com o cinema aí? Então, se prepare para ler o que Porta esperava do futuro: Daí seria possível se vislumbrar cenas de caça, batalhas, ou qualquer tipo de peça na câmera escura, e teria arranjo de sons de trompetes ou sons de armas a serem ouvidas”[1][i].

Os detalhes idealizados por ele a respeito da tela de projeção, do galpão escuro e da câmera são muito próximos daquilo que concebemos como Sétima Arte. Ao que tudo indica a secular instalação das salas de cinema é ainda mais antiga do que imaginávamos e coloca em xeque a discussão bizantina e agora banal sobre a reivindicação da origem do cinema pelos irmãos Lumière ou pelos irmãos Skladanowsky.

Continua…


 


[i] “Then it would be possible to view hunting scenes, battles, or any kind of play in the dark chambre, and it could be arranged for the sounds of trumpets or the clash of weapons to be heard”[i]. (ZIELINSKI, 2007, p. 88) – ZIELINSKI, Siegfried. Variantology 1 On deep time relations of arts, sciences anda Technologies. Estados Unidos: Dap-distributed Art, 2007.

 

 

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