Carlos Andrade

Para quem leu Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, tem pleno conhecimento do que o termo significa. Brincadeiras de crianças que deixam, às vezes, os adultos bem desconfortáveis e incomodados, ou nas palavras Michaellis[1]: sf (reinar+çãopop arte, traquinagem, travessura; brincadeira, pândega, troça.

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(imagem: fonte)

Pensei que isso fosse coisa de criança, nunca imaginei que fosse ver tanta pândega na vida adulta, principalmente no que se refere à política.

Os anos passam e parece que a troça continua; não uma que apenas alguma repreenda de conta. Na política, tudo é possível. As reinações nela crescem a cada dia e os que brincam com a paciência e tolerância do povo riem ao passar pelas ruas, até mesmo quando estão sendo presos, afirmando inocência. Nunca sabemos se estão rindo para nós ou de nós, sem bem que tenho minha resposta bem clara em relação a isso, demonstrada pela minha tendência anarquista, se bem que voto em todas as eleições, para tentar melhorar a situação, pelo menos tentando tirar os piores. Há políticos sérios, conheço alguns, bem poucos.

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(Imagem: fonte)

Os “não sérios”, que são muitos, fazem travessuras com tudo: com a educação, com a saúde, com a segurança. Nunca vi tanto descalabro, a ruína da credibilidade se dá, por conta de que a cada dia menos pessoas olham para a política enquanto uma arte, como se pode observar em Michaellis[2] novamente: sf (gr politiké1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados.

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(Imagem: fonte)

Assisti, com vergonha, a prisão de personalidades políticas nesses dias. É de ficar boquiaberto ao observar tamanha desconsideração que demonstram com os eleitores. Passar por um processo tão demorado e cheio de complicações, são condenados e ainda levantam as mãos como se fossem presos políticos.

Enquanto escrevia esse texto, Prof. Antônio Marcos, meu colega de CPA, mostrou-me um trecho do livro de Bauman (2000)[3] que faz uma citação de Castoriadis dizendo que: “Como colocou o Cornelius Castoriadis (filósofo, economista e psicanalista francês), o problema com nossa civilização é que ela parou de questionar. Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que essa arte caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que as afligem – certamente não antes que seja tarde demais e quando as respostas, ainda que corretas, já se tornaram irrelevantes”.

Não estou aqui defendendo este ou aquele partido, na verdade, todos aqueles que roubaram a população, pois o dinheiro desviado é público, deveriam ser presos, e, uma vez condenados não só ficarem atrás das grades, mas também terem seus bens confiscados, para ressarcir o que desviaram, ou seja, promover a potencialidade de construção mais hospitais, creches e melhorar a educação entre tantas coisas.

Vamos acompanhar e ver como ficam as coisas… Em outro momento, num texto mais descontraído, falei sobre pasteis na feira, espero não ter de falar sobre de pizza nesse caso.

Quem diria que ao ler Monteiro Lobado e dar rizadas com Reinações de Narizinho, teríamos de ver, ler e ouvir sobre os Narizes em Pé que continuam reinando muitas vezes no mundo da impunidade. Será que as coisas mudarão?


[3] BAUMAN, Z. Em busca da política. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2000.

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