Altos e baixos

26/set/2013

Mais uma vez, prezados leitores, o hermético editor que aqui vos escreve tentará dissuadi-los da possibilidade de se entender o comportamento humano e outros fenômenos naturais através de leis matemáticas. Tal proposta permitiria que, mediante uma correta análise de variáveis, um bom algoritmo e a exatidão de cálculos pudéssemos obter respostas finais que nos conduzissem a decisões mais acertadas na vida, com menores riscos de erros. Que pretensão a minha! Mesmo assim, aqui vão minhas ideias.

Um dos ditados populares que melhor reproduz fatos reais da vida humana é: “Depois da tempestade vem a bonança”. Contudo, o que ditado não diz é que depois da bonança, vem novamente a tempestade! Meus amigos, a vida é feita de ciclos. O problema é que não sabemos com que frequência cada ciclo ocorre. Quer um exemplo bem claro do seu dia a dia? Se seu time de futebol passou por um período glorioso, de conquistas e títulos homéricos, pode esperar o fatídico declínio em um curto intervalo de tempo. No cenário futebolístico nacional, é o que acontece atualmente com as equipes do Corinthians e do Santos, por exemplo. Campeões regionais, continentais, internacionais, etc., hoje estas equipes enfrentam um duro período de reestruturação e, inevitavelmente, resultados não condizentes com as recentes glórias. Por outro lado, duas equipes concorrentes locais que nos últimos anos colecionaram frustrações nas competições que participaram parecem ter renascido das cinzas: Palmeiras e São Paulo. Sobe e desce. Uma gangorra. Não há como fugir disso.

Na verdade, esse fenômeno já era estudado e conhecido desde a Antiguidade, uma vez que os gregos já descreviam uma emblemática entidade mitológica denominada fênix. Renascida das cinzas, a fênix significava uma nova vida cheia de esperança, força e determinação. Até mesmo a moda é cíclica! Calças Saint Tropez ditavam a moda nos anos 70, mas eram totalmente ridículas nos anos 80 e 90. Curiosamente, vários catálogos atuais das melhores grifes mostram cortes de calças com quase um palmo acima do umbigo! Cores fluorescentes da época do New Wave, anos 80, voltam com tudo nesse verão! Por esse motivo é que ainda guardo minhas calças boca-de-sino, rs (sim, com os devidos ajustes na cintura).

Imagem: Fênix

Idas e vindas. Altos e baixos. Oscilação. A figura abaixo mostra um gráfico de um oscilador harmônico. Há fórmulas matemáticas que podem explicar esse tipo de função, mas, obviamente, não as vou apresentar aqui. Esse modelo pode, inclusive, ser utilizado para explicar parte do movimento de elétrons em torno de núcleos atômicos. Até mesmo o comportamento populacional pode ser parcialmente moldado por esse algoritmo. Psicólogos observaram que há, inclusive, uma tendência comportamental entre as recentes gerações: pais descolados têm filhos conservadores enquanto que pais conservadores geralmente têm filhos descolados! Se fizermos uma análise mais aprofundada, podemos identificar mais claramente este fenômeno nas gerações de pais hippies dos anos 70 com seus filhos yuppies dos anos 90 (estes movidos pela sedução do capitalismo, corporativismo, ostentação e ganância).

Adoro praia, odeio montanha. Fique seis meses na praia e você verá as saudades que terá de um chocolate quente e uma lareira crepitando. Até mesmo uma briga de casais envolve este tipo de mecanismo! Uma acusação agressiva rapidamente é seguida por uma retratação conscientizada pela mesma pessoa! O que é mais curioso é que o outro participante da briga apresenta o mesmo padrão agressão-retratação, mas em fase oposta! hahahaha.

Contudo, em se tratando da vida a dois, um fator atenuante se inclui nas relações humanas: a paciência, também entendida como a concessão ou pré-disposição a ceder do seu ponto de vista. Assim sendo, meus amigos, o gráfico abaixo ilustra o fluxo de oscilações de atritos de um casal QUE BUSCA A HARMONIA usando, para isso, muita paciência. Para que este perfil matemático seja seguido, o fator atenuante (a paciência) deve ser constante e, assim, afetar igualmente e continuamente as duas amplitudes de oscilação. Entendeu? Não? OS DOIS LADOS DEVEM CEDER, MEUS AMADOS LEITORES! SÓ ASSIM DÁ CERTO!

Para uma vida mais consciente, na qual tendemos a limitar o número de erros, entender essa gangorra de emoções, comportamentos e tendências parece trazer alguns benefícios. Altos e baixos, meus amigos. Um abraço.

4 respostas para “Altos e baixos”

  1. Maria do Socorro disse:

    Marcelo, você sempre brilhante nas suas reflexões!!!
    Quando eu crescer quero escrever como você!!!!! hahaha
    Beijos

  2. Pavlov disse:

    Bela reflexão. Carregado de um dos pilares do Zen-Budismo : o Caminho do Meio. O Equilíbrio.
    A vida é feita de contrastes. Gilberto Gil cansa de retratar isso em toda sua obra : “É sempre bom lembrar, Que um copo vazio, Está cheio de ar.”
    Gosto, e com frequencia utilizo uma frase muito usada pelos chilenos : “La vida tiene mas vueltas que una oreja”. Mais claro do que isso, só a indefectível perspicácia das letras de músicas ditas brega : “A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não.”

    • Marcelo Paes de Barros disse:

      Grande Pavlov!
      Ares helvéticos são sempre bem-vindos!
      Concordo 100% contigo. Minha querida avó já dizia,em um dos seus vários e incríveis ditados: “Nem tanto ao mar, nem tanto à serra”
      Abraço

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