Se estivesse calçando chinelos, a cadelinha Doli saía correndo atrás de sua dona, porque já sabia que ela ia à casa da vizinha ou à quitanda. Mas, se o calçado escolhido fosse sapatos, o destino mais provável seria a Igreja, então Doli permanecia, resignada, em sua casinha. Um dia, numa de suas perseguições, Doli foi atropelada e morreu, causando imensa dor à família que, traumatizada, nunca mais quis ter nenhum bicho de estimação. Esta singela, ainda que trágica, história contada por meu pai me faz entender o porquê da minha formação católica, já que pelo menos um membro conhecido de minha família, no caso a minha avó paterna, ia à Igreja com frequência suficiente a ponto de ter seu cão adestrado. E, apesar de ter passado pelos sacramentos do batismo, primeira comunhão, crisma e casamento, eu poderia ser enquadrado atualmente na categoria dos católicos não praticantes ou, pior das hipóteses, na dos céticos.

Porém, talvez o mesmo sentimento que me afasta da missa aos domingos me aproxima da fascinante história do cristianismo, pois aguça minha curiosidade em entender como essa crença de quase 2 mil anos ajudou a moldar a civilização ocidental e afetou o modo de viver das pessoas. Algo particularmente intrigante é a origem do cristianismo, ou seja, como uma seita judaica obscura poderia ter se transformado no maior movimento religioso do mundo? Os cristãos sempre explicaram a origem de sua religião por meio de um mistério divino, o fato de Deus ter devolvido a vida a Jesus após um breve período que esteve morto. Trata-se do milagre da Ressurreição, celebrada anualmente no feriado da Páscoa. A Igreja foi fundada, depois da morte de Jesus, com base na crença no Cristo Ressuscitado. Se nada de especial houvesse ocorrido na Páscoa, os seguidores de Jesus jamais teriam erguido um movimento religioso em seu nome.

(imagem: fotodejesuscristo.com.br)

Ora, mas como um, na pior das hipóteses, cético pode acreditar num dogma tão inverossímil? Como aceitar a ideia de que alguém pudesse se levantar dos mortos? Talvez seja este o milagre mais absurdo de todos atribuídos a Jesus. Deve existir um meio de compreender a ressurreição de um modo racional. Algumas testemunhas afirmaram ter visto o túmulo vazio e o próprio Jesus em carne e osso. Ele pode ter perdido a consciência na cruz, depois recobrado os sentidos e abandonado a câmara mortuária em segredo. Ou seus discípulos podem ter sido acometidos por alucinações, induzidas em suas mentes pela imensa dor ante a morte do messias.

Uma boa explicação racional para a ressurreição é a baseada no Santo Sudário, peça de linho em que ficou gravada a misteriosa imagem de um homem (Jesus) torturado e morto na cruz. Segundo esta teoria, ao encontrar aquela imagem peculiar na mortalha que envolvia o corpo de Jesus, seus seguidores se convenceram de que ele havia se levantado dentre os mortos e subira aos céus. Esta descoberta teve forte impacto psicológico no grupo, até então traumatizado e humilhado pelo assassinato cruel de seu líder. Deu-se, assim, a faísca que inflamou o cristianismo.

Aceitar a teoria do Sudário para a origem do cristianismo pressupõe acreditar na autenticidade da relíquia, considerada por muitos (os céticos) como uma mera fraude medieval. Se eu acredito na autenticidade do Santo Sudário? A resposta é sim, mas este é um assunto para depois do feriado. Feliz Páscoa!

9 respostas para “EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO”

  1. Heitor Di Martino disse:

    Sou ateu,convicto,mas ao mesmo tempo em parte cristão na filosofia de vida.num acredito na existencia de jesus cristo,mas sim nas escritas deixadas pelo tempo em pró da moldagem da figura cristã,tenho certeza que essa movimentação foi pensada e arquitetada e sofisticada ao passar dos anos,ficando estagnada a partir dos anos 60 com a chegada dos movimentos estudantil,feminino e racial,a evolução da eletronica e dos meios de transporte deixaram tudo perto e o ser humano com mais informação e liberdade,cristo é uma figura fora de tempo.as historias que o cerca tambem,o que resta é a filosofia de vida.talvez como simbolo é valido,assim como a figura tosca de che guevara para os desinformados,o grande legado deixado é o manual de conduta e sentimentos nobres de aceitação,fraternidade e humildade.talvez o manual,de bem viver e conviver.um viva a Jesus!

    • Renato Padovese disse:

      Caro Heitor, concordo com você em parte. Acredito que Jesus existiu sim, e o santo sudário é uma das evidências desta existência. Mas concordo que a história dele foi construída e adapdata ao longo do tempo. Um exemplo é o seu nascimento. Ele teria nascido na Galiléia, mas como, segundo as escrituras, o messias deveria vir da “casa de Davi”, a história foi contada com se ele tivesse nascido em Belém.
      Um abraço e obrigado por seu comentário.

      • Heitor Di Martino disse:

        Caro Renato
        Uma figura com a importância historica de Jesus deveria ter as provas de sua existência melhor fundamentadas,acho que ele é um simbolo de uma organização ou talvez um personagem que as qualidades foram exarcerbadas e historias aumentadas.essa figura ajudou em parte na queda do imperio romano,onde varios imperadores e militares convertidos ao cristianismo e ao seu senso de humanidade,começaram a querer virar santos deixando as redeas do imperio frouxas e a historia humana mergulhou numa era oca.de certa forma essa filosofia continuou a estrada da civilidade implantada pelos romanos,estrada essa que hj esta no way of life do europeu medio(humano,culto e com senso de comunidade).em relação ao santo sudário é a imagem de um homem num lençol.pode ser Jesus,pode ser Jenésio.a fé é que determina o sujeito.

  2. Priscilla Freire disse:

    Professor Renato, gostei muito de suas reflexões.
    Jesus Cristo sempre será intrigante e várias questões, que o envolvem, penso que são impossíveis de entender.
    É crer ou não crer.
    É decidir fazer uso da fé ou não.
    A história, a ciência, nossa mente humana nos darão explicações, mas nunca na totalidade.
    Optei por crer na vida, morte e ressurreição de Jesus e além disso, no fato de que, ainda hoje Ele pode viver nos corações dos que crerem.

    • Renato Padovese disse:

      Cara Priscilla, muito obrigado por seu comentário. Se você tiver curiosidade, leia o livro “O Sinal – o Santo Sudário e o Segredo da Ressurreição”. Este livro teve grande impacto em mim, quase que como uma conversão religiosa. Um abraço,

  3. Priscilla Freire disse:

    Prof. Renato, obrigada. Seguirei com sua indicação de leitura. Abraço

  4. Jesus de nazare ele misericordioso e sempre esteve comigo! conosco agente que nao perceber e melhor ama Jesus que ama flamengo . pense e reflita guantas coisa de mar vc ja fez Deus os perduou e guantas vcx mentiu . Jesus te ama meu irmao Jesus te chama da uma chance pra ele te fazer feliz meu amigo , vesiculo salmo pra vc 100 capitulo vesiculo 3 sabei que o Senhor Deus é dele somos o seu povo. e rebanho do seu pastoreiro…

  5. Moises disse:

    Gostei Muito. Vou compartilhar esse artigo. Excelente.

  6. Maria Aparecida Soares Lima Santos disse:

    Acreditar ou não é a fé de cada um. Acreditar em Jesus Cristo é minha fé, não acreditar ou duvidar (céticos) é fé destes aqui.

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