Corações partidos

09/nov/2012

É a pior das dores pois, da maneira mais cruel possível, não se sabe ao certo onde realmente dói. Alguns anatomistas acham que é mesmo no hipotálamo. Os espíritas dizem que é na alma. Os românticos confirmam que é no coração. Realmente, parece não haver dor pior que a perda de um grande amor. Ficamos sem chão, sem rumo, sem perspectivas, sem nada.

Litros de álcool – fermentados e/ou destilados – são consumidos como estratégia para esquecer a “pessoa amada” em uma fútil tentativa de diluir em etanol puro a imagem daquela pessoa que insiste em permanecer impressa na retina do(a) abandonado(a). Cigarros, antidepressivos, lenços de papel e o ombro da(o) melhor amiga(o) também fazem parte do pacote “auto-flagelação”. Até hoje, só se conhece um único remédio para a chamada dor-de-cotovelo: o tempo.

A situação é potencializada à escala dez (mil, na verdade) se o fim do relacionamento foi provocado pela presença de outra pessoa! Aí é uma questão de amor-próprio e de competição. Meus amigos, aqui está uma fonte inesgotável de temas para os mais diversificados estilos musicais: do axé, passando pelo sertanejo (aqui, sim, há um cancioneiro de odes às decepções amorosas), alimentando o rock e inspirando concertistas de grandes óperas. Simplesmente por que a desilusão amorosa sempre existiu e sempre fará parte da nossa natureza.

Todos sabem disso: em nossas vidas, cruzamos com dezenas (centenas até, depende de seu apetite, risos) de pessoas com quem poderíamos ter relacionamentos mais ou menos duradouros. Não posso precisar se seriam envolvimentos de um ano, cinco, vinte ou bodas de prata ou ouro. O fato é que, muitas vezes, cruzamos com essas pessoas em fases diferentes de nossas vidas. Quando estamos priorizando nossas carreiras, o(a) parceiro(a) pleiteia estabelecer uma família. Quando almejamos mudar para uma grande metrópole, o(a) outro(a) decide assumir uma vida mais serena em um templo budista. Dinheiro versus paz de espírito. Filhos versus aventura. Dilemas.

Já ouvi casos assustadores de desvios de comportamento de alguns amigos e conhecidos (ambos os sexos) frente as suas desilusões amorosas. Já ouvi falar em lamentáveis fins trágicos. Quadros profundos de depressão são os mais comuns. Muitos dizem que a dor do fim do relacionamento é proporcional à intensidade do amor vivido. Concordo que um amor deve ser bem vivido, no seu esplendor máximo. O amor deve ser visceral, do choro às gargalhadas em segundos (já que estes dois pólos são separados por uma tênue linha), de sexo entorpecedor, hormônios em ebulição e sangue pulsando nas veias. Mas um quê de razão não faz mal a ninguém. Flutuar nas nuvens, sim, mas todo balão deve ter seu lastro para trazê-lo de volta a terra firme.

Acredito que o fim de um relacionamento é o momento ideal para uma auto-avaliação. Esse é um valioso exercício de percepção pessoal: o que causou o fim? Como aquela pessoa me via? Qual foi a real causa de nossa separação? Sempre temos que aprender algo de cada experiência vivida. Mesmo por que, considerando as futuras relações afetivas, sempre seremos um produto das experiências pregressas. Se hoje sou assim, é por que antes Fulana, Cicrana e Beltrana me moldaram – sobre a base da argamassa da minha personalidade – para este produto atual.

Prezado leitor(a), entenda: seu caso não é o primeiro e nem será o último de um relacionamento frustrado que terminou bruscamente na história da Humanidade. Na verdade, os casos de amor mais famosos da História foram seguidos de gigantescas decepções amorosas. Não importa quem desistiu ou quem despachou quem. O importante é seguir em frente. Lembre-se: há, no mundo, 7 bilhões de pessoas em uma distribuição de quase ½ a ½ entre homens ou mulheres (sim, eu sei que há um pouco mais de mulheres que de homens, suas dramáticas, risos). Você jura que acredita que somente AQUELA pessoa é que te pode fazer feliz? Por favor… até a estatística está favorecendo seu próximo relacionamento!

Mesmo sendo uma tragi-comédia hollywoodiana (até clichê, eu diria) recomendo o filme “500 dias com ela”, com Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt e Minka Kelly (Direção de Marc Webb). São bons 120 minutos curtindo as idas e vindas de um relacionamento amoroso.

Trailler:

Um abraço

15 respostas para “Corações partidos”

  1. Sônia MArtinho disse:

    Desde que nos tornamos humanidade, logicamente, à forma como nos relacionamos sexualmente (e procriamos) fomos introduzindo um elemento afetivo, moral, valorativo que nos faz tão diferentes dos outros bichos! Alguns deles até tem algo por aí, mas o nosso modo de nos relacionar é bem mais sofisticado (o que não quer dizer inteligente rs).
    Esse é um dos aspectos mais preciosos que nos permite chamar o nosso devir de HISTORIA.
    Penso que uma outra grande pergunta, no final de um relacionamento amoroso é: além de simplesmente e maravilhosamente GOSTAR do outro, o que me ligava tanto a ele? Sempre há uma espécie de acordo, de mensagem, de função, de sentido em um relacionamento. É que o “simplesmente” gostar acaba sendo dominante e os “corações da razão” têm dificuldade de operar nesses momentos… aí, como está no artigo, só o TEMPO.

    • Marcelo Paes de Barros disse:

      Valeu, Soninha!
      Hum, acho que todas esses envolvimentos adicionais podem ser resumidos como a famigerada “cumplicidade”: a vontade e anseio de seguir no mesmo caminho, já que compartilham de objetivos semelhantes. Não necessariamente “almas gêmeas” pois a complementaridade (acredito eu) é fundamental para um relacionamento.
      BJ

  2. Luciana disse:

    Ótimo post!
    E sim os grandes amores são os que terminam mais tragicamente.. porque precisamos de emoção rs.
    De Hollywood mesmo é seu namorado te abandonar pra ir pro vietnã hehe.

    ;)

    • Marcelo Paes de Barros disse:

      Obrigado, Luciana!
      Sim, aqueles dramas românticos de Hollywood ficam muito bonitos na telona cinza mas não fazem muito sentido na vida real… ficam parecendo mera encenação! ;)
      UM abraço

  3. Mari disse:

    Excelente Post…

    Adorei

  4. Cris Vardaris disse:

    Quem nunca sofre por amor que atire a primeira pedra. Lembro da adolescência quando sofria horrores por “um amor” e hoje morro de rir daquela situação que antes fora tão triste. Isso porque, como vc disse,o tempo simplesmente apaga a dor, mas não faz esquecer. Nunca vou esquecer do primeiro fora, dos amores acabados, mas não serão mais uma lembrança triste e de fundo não terá a musiquinha “I wanna to know what love is…” nem uma lágrima caindo rsrsrrs bjo

    • Marcelo Paes de Barros disse:

      hahahahha, sim Cris, pode crer!
      Olhando para o passado, as crises existenciais por amores perdidos parecem mesmo patéticas. Isso se chama amadurecimento. Contudo, nunca se pode perder a “ternura”! rs
      BJ

  5. Victor Borges disse:

    Lendo o blog aleatoriamente quando me deparo com “Meus amigos”. Na hora percebi que era seu o post Professor. Abraço

  6. Camila Rocha disse:

    Fica a dica

  7. [...] muitas vezes, a força motriz para partirmos para uma trajetória diferente (vejam a matéria “Desilusões Amorosas”). Além disso, gostaria de me desculpar de antemão por uma matéria um tanto egocêntrica, já [...]

  8. NAIANE disse:

    ao ler corações todos entendem que da pura natureza desilusão amorosa. Mas também sabemos que quando alguém esta passando por isso (eu no momento), sentimos a vida acabar, e o sentido de viver …… ainda estou sem foco, sem, rumo, sem sentido na vida,mas um dia tudo isso vai passar (eu creio) pôs e uma dor……inescapável..

    • Marcelo Paesde Barros disse:

      oi Naiane
      Acho que a melhor maneira de passarmos por este difícil período é refletir como erramos e como podemos nos tornar pessoas melhores. Isso por que SEMPRE temos uma parcela de culpa e SEMPRE uma lição deve ser aprendida.
      Um abraço

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