Enquanto fiéis ao Google crucificam famílias alemãs por terem mandado borrar suas casas do Street View no início do ano, o todo poderoso Google lança mais um de seus brinquedinhos de sucesso e polêmica. Trata-se do Google Art Project. Estamos falando de um site capaz de levar o internauta para mais de 17 museus pelo mundo afora, usando a tecnologia do Street View, entre eles, o National Gallery de Londres, o Museum of Modern Art de Nova York e o Museo Reina Sofia de Madrid.

Além de visualizar mais de mil obras consagradas, o projeto disponibiliza também 17 obras em super resolução. É como se pudéssemos notar singelas pinceladas com uma super lente de aumento e flagrar detalhes impossíveis de serem notados a olho nu. O site também permite que cada internauta cultive a sua coleção de arte virtual e a compartilhe com outras pessoas em suas redes sociais.

Obras como as de Van Gogh, finalmente se tornarão acessíveis a bilhões de pessoas e isso representa benefícios intangíveis para a humanidade. Afinal, é impossível negar o impacto desta ferramenta para a democratização da arte mundial e a formação estética e cultural dos homens. Imagine como o site pode dar suporte às pesquisas acadêmicas dos mais diferentes tipos? Contudo, enquanto comemoro a iniciativa, burburinhos já começam a despontar por aí: “Estão banalizando a arte”, “Desconstruíram a relevância do museu”, “Por que nem todos os museus estão no site?”, “Por que algumas obras foram privilegiadas em detrimento de outras?”.

Essa discussão infindável, me fez lembrar o filósofo Walter Benjamim e seu ensaio A obra de arte na era de sua Reprodutibilidade Técnica, datado de 1936. Já naquela época, o autor tentava nos convencer de que diante de novas formas de arte como a fotografia; a “aura” existente em torno de determinadas obras – graças a sua exclusividade, distância e reverência – deixaria de existir. E foi o que aconteceu. Desde o surgimento da fotografia, vemos Monalisas idênticas à de Leonardo da Vinci transitando entre estampas de camisetas, capas de cadernos, calendários de mesa e aí vai. Segundo o autor, com o fim da aura, a arte ficou alforriada para novas possibilidades, tornando o seu acesso mais democrático e permitindo que haja uma politização da estética e não uma estetização da política; típica dos movimentos fascistas e totalitários presentes no momento em que Benjamin escreveu esse ensaio. Sendo assim, comemoremos a perda e o resgate da aura. Inté semana que vem!

10 respostas para “AURA, ARTE, GOOGLE E AFINS”

  1. Rafael disse:

    Mesmo que a politização da estética e não uma estetização da política; típica dos movimentos fascistas e totalitários presentes no momento em que Benjamin escreveu esse ensaio. Sendo assim, comemoremos a perda e o resgate da aura. Inté semana que vem!

  2. Teobaldo Rivas disse:

    É um projeto maravilhoso! É a tecnologia viabilizando a disponibilizacao de mundos, até então herméticos, para as pessoas comuns ao redor do mundo. Estou certo de que está acontecendo, no mundo, uma nova reconstrução, ou seja, o mundo real possuirá uma replica no espaço virtual.

  3. Marcos Santos disse:

    Essa ferramenta do Goolgle abre não apenas novas possibilidades para quem anseia transitar pelo campo da arte, como também, entender um pouco mais, sobre a importância e a influência que a arte exercia no campo da política, comportamento, meio ambiente, moda, enfim. Infelizmente o conceito de arte mudou,mas graças a Deus que alguém como você Regina, se propôs a ser esse instrumento de reflexão por meio dos seus textos bem elaborados e recheados de uma sabedoria analítica que só você sabe expor. Obrigado Regina pelo presente. Gostei também da foto no rodapé fazendo alusão de quem está fascinada contemplando as grandes obras de arte. Só essa imagem bastaria para dizer tudo o que você disse. Um grande beijo!

    Marcão.

  4. Mary disse:

    Essa nova ferramenta é um green card a todos que desejam conhecer um pouco mais de tudo, mas são impossibilitados por algum motivo. As distâncias não estão diminuindo: estão desaparecendo !

  5. Helena Gasques disse:

    Fico feliz de saber sobre essa nova ferramenta da internet! Mais uma vez, a tecnologia mostrou suas vantagens em meio a tantas críticas que a mesma recebe.
    Com essa ferramenta, o acesso rápido dessas obras ajudará na ampliação do conhecimento de forma democrática e dinâmica.

  6. Prof. Josué Makoto disse:

    A arte nada mais é do que a realidade da paixão mais intensa de viver, passar senti-la e conviver com ela, demonstra a diferença do simples viver. (Nietzsche)

  7. Tamaris Navickas disse:

    Caramba, a nossa tecnologia, principalmente pela internet, esta crescendo demais, mas eu adorei o video e principalmente a musiquinha de fundo rs.
    E claramente ajuda a ampliar os conhecimentos na net, principalmente, no caso deste video, para quem aprecia a arte…Claramente sendo um projeto maravilhoso e “facíl” manuseio, é difícil ter alguém contra rs.

  8. Juliana disse:

    E quando achamos que não há mais inovação, o Google novamente nos surpreende!
    Após ler o artigo, fiquei curiosa em descobrir essa nova ferramenta. Fui até o site e literalmente explorei milhares de museus – de Madrid a São Petersburgo (que por sinal, foi o que eu mais gostei).
    O mais interessante ainda foi poder observar as obras em diversos ângulos e tamanhos, algo que pode nos proporcionar diversas visões e opiniões sobre a mesma obra.
    Adorei a dica!
    Valeu!

  9. Juliana disse:

    E quando achamos que não há mais inovação, o Google novamente nos surpreende!
    Após ler o artigo, fiquei curiosa em descobrir essa nova ferramenta. Fui até o site e literalmente explorei milhares de museus – de Madrid a São Petersburgo (que por sinal, foi o que eu mais gostei).
    O mais interessante ainda foi poder observar as obras em diversos ângulos e tamanhos, algo que pode nos proporcionar diversas visões e opiniões sobre a mesma obra.

  10. [...] meu post de estréia aqui no Blog da Extensão, levantei a bandeira do Google Art Project, um site capaz de levar o internauta para mais de 17 [...]

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