Provavelmente, em uma happy hour qualquer pela cidade, amigos planejam um destino de viagem para o próximo feriado: o recesso do dia 1º de maio. São tantas opções de lazer que até deixamos de lado uma importante e necessária reflexão sobre o trabalho nosso de cada dia. Quero propor, nos próximos posts, que pensemos juntos a respeito do mundo do trabalho e do emprego. Você me acompanha?

Em meados da década de 1970, logo após a “década dourada” do capitalismo, as sociedades industriais ocidentais sofreram diversos impasses no que concerne à empregabilidade. O mercado de trabalho passou a se tornar altamente instável e competitivo.

Tal cenário se explica por inúmeros fatores, para citar alguns: força de trabalho excedente; enfraquecimento do poder sindical; inserção de novos trabalhadores como mulheres, idosos e imigrantes; convergência de segmentos profissionais; surgimento de novas profissões; flexibilização legislativa-trabalhista; virtualização de determinadas áreas; terceirização; quarteirização etc.

Você já deve ter notado que outras mudanças substanciais também perfilam o atual mercado de trabalho: se antes predominava a gestão familiar, hoje impera a profissionalização; se antes prevaleciam os empregos estáveis, hoje temos projetos e trabalhos temporários; se antes vivíamos em uma hierarquia rígida, hoje nos deparamos com organogramas flexíveis e assim por diante.

Definitivamente, não basta ter um diploma pendurado na parede. Aliás, alguns especialistas dizem que o diploma deveria ter prazo de validade. Afinal, quantos profissionais deixaram de lado a atualização de suas carreiras? Hoje, não basta ter competências, é preciso ser competitivo.

Sobre o impacto da globalização no mundo do trabalho não há muito o que dizer. Basta acessar a internet para saber o que acontece com quem está do outro lado do globo, sem o mínimo de dificuldade ou estranhamento.

A globalização com seu processo de aceleração constante modifica as noções de tempo e de espaço na humanidade. A velocidade crescente que envolve as comunicações, os mercados, os fluxos de capitais, as tecnologias e as trocas de ideias impõem a dissolução de fronteiras e de barreiras protecionistas. Além disso, no ambiente organizacional, a convivência com a mudança virou rotina e demonstrou que novas formas de relacionamento e comunicação são construídas constantemente.

Até quem trabalha de forma autônoma acaba transformado em microempresário e deve desenvolver habilidades específicas de gestão que envolvem o conhecimento de contabilidade, o pagamento de impostos, o treinamento de sua equipe, a definição de um planejamento estratégico etc.

Daí a exigência de um profissional com perfil multifuncional. Não se trata do chamado generalista, mas, sim, daquele capaz de se renovar diante dos desafios, independente das habilidades adquiridas em sua graduação.

Muito bem, diante deste cenário, quais são as alternativas para se trilhar com tranquilidade o caminho das pedras? Caro leitor, desconfio das fórmulas prontas, entretanto, verifico que hoje é necessário ter características especiais como visão totalitária do processo de trabalho, sensibilidade aguçada no relacionamento interpessoal, compreender a flexibilização legislativa-trabalhista em determinadas áreas, a virtualização de determinados setores da economia, as barreiras etárias impostas para alguns profissionais, entre outras questões.

Para atender as expectativas deste novo perfil empregador faz-se necessária a presença de um profissional altamente capacitado, criativo, habilidoso, crítico, entre outras qualidades.

O mercado de trabalho anseia por pessoas capazes de combinar habilidades e técnicas profissionais a interesses, gostos, preferências, valores éticos e aspectos mais subjetivos como respeito, humildade, motivação, afeto. Entre as redefinições do trabalho está o desenho de um novo significado para a sua função, muito mais baseado na responsabilidade social e na cidadania; regado de noções morais, deontológicas e éticas de acordo com a respectiva área; conscientização cidadã e uma visão holística e histórica do mundo. Ufa, sendo assim, mãos à obra!

Inté a próxima semana com a continuação desta conversa. Conto com você.

7 respostas para “Trabalho 2.0: Como chegamos até aqui e qual será o próximo destino?”

  1. Kaká disse:

    O mundo mudou e muito quando o assunto é mercado de trabalho. Concordo quando diz que o diploma deveria ter prazo de validade. É preciso estudar para sempre… Valeu e bom feriado para todos!!!

  2. Ricardo disse:

    Quero chamar a atenção para a questão do profissional liberal ou autônomo. Hoje, é preciso que ele tenha bem mais que os conhecimentos profissionais de sua área, ele precisa desenvolver outras habilidades para fazer o negócio dar certo. Posso falar com propriedade sobre este assunto, pois sou um pequeno empresário. Contudo, é compensador trabalhar com aquilo que se gosta. Viva o primeiro de maio.

  3. Antonio disse:

    Acho que não há como negar: o momento é de extrema competição.
    O profissional não tem que ter apenas um bom diploma, ele tem que saber aplicar seu conhecimento no cotidiano, buscar cursos inovadores e, ainda depois de anos de formado, o sujeito ainda tem que continuar a tal da formação contínua como forma de aprimoramento de seus saberes mantidos durante seu tempo de profissional.

    Realmente, não está fácil para ninguém! Mas gosto também de ver o lado positivo da situação: todos nós podemos fazer a diferença no mercado. Acho que já temos as armas necessárias para combater essa luta, basta descobrir os meios de usá-la e não desistir rapidamente de conquistar o sucesso. É isso que penso toda vez que me sinto cansado ou incapaz de chegar ao lugar que eu tanto quero.

    Muito bom esse post, professora.

    • Regina Tavares disse:

      É mais que normal sentir este cansaço ao buscar entender os desafios deste mercado, mas não desista e continue com esse pensamento de que a educação continuada é o caminho. Obrigada pelas suas constantes colaborações.

  4. Tatiane disse:

    É importantíssimo não parar de estudar e se atualizar constantemente para desenvolver um trabalho de maior qualidade, sempre!

    Mas gostaria de fazer uma observação sobre o 1º de maio…
    Neste dia, enquanto países com índice de desemprego bem inferior ao Brasil fazem protestos para que haja mais trabalho e melhores salários em seu país o Brasil faz festa, celebra em praça pública e fica torcendo para ser sorteado e ganhar um dos 15 carros (tudo pago com o nosso dinheiro). Mas… celebra o que??? Estes shows são politica pura para que o povo acredite que um salário mínimo no valor de R$ 622,00 é muito bom para nós. Para que o povo aceite as condiçoes precárias de aposentadoria que temos em nosso país, e por aí vai… O povo não tem que torcer para ser sorteado e ganhar um carro, tem direito a um transporte de qualidade, moradia, saúde e principalmente EDUCAÇÃO de qualidade.
    Acredito que nos ultimos anos, como brasileiros, tivemos grandes conquistas mas ainda não é tempo para celebrar, ainda temos muito o que conquistar…

  5. Patrícia Egea disse:

    O mercado de trabalho mudou muito. Não podemos nunca parar de estudar…

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