Formigas-robô

26/mar/2012

Após um leve período de hibernação, volto agora com uma matéria instigante (assim espero!).

Por incrível que pareça, cada medida que se tenta introduzir para diminuir o estresse da vida urbana, geralmente causa mais estresse ainda. Todos puderam vivenciar um curto período de caos metropolitano nestas últimas semanas, decorrente da paralização dos transportadores de combustível na cidade de São Paulo em repúdia à restrição do trânsito de veículos pesados durante os horários de pico.

Quero olhar mais adiante. Prevejo, assim como Mãe Diná em cada começo de ano, que as pessoas trabalharão muito mais em casa, munidas de intensa tecnologia domiciliar, o que tenderá a dimuir o trânsito. As vídeo-conferências prevalecerão ainda mais no futuro empresarial/profissional e grandes negócios serão estabelecidos à distância. Educação já se faz à distância. Namoro também…

Desta forma, os cidadãos metropolitanos se tornarão mais e mais inativos, mais obesos, mais diabéticos e progressivamente com menos saúde. Só não vão morrer mais cedo pois os avanços da Ciência, da Farmacologia e da Medicina criarão uma legião de ciborgues, com tubos nutrientes e aparelhos de purificação dos sistemas fisiológicos funcionando fulltime. Curiosamente, os aparelhos estarão também fulltime conectados à rede digital para que os médicos especialistas possam, à distância, acompanhar o avanço do paciente.

Trânsito: se o ser humano vencer a barreira egocêntrica do capitalismo selvagem, o qual prega a aquisição desenfreada de itens de consumo como emblemas ostentosos de status (duvido!), poderemos ter menos carros nas ruas. Além disso, ainda acreditando na boa fé e racionalidade da espécie humana (duvido de novo!), ciclovias e ampliação do transporte público serão incrementadas em detrimento dos carros particulares. Veja que lindo cenário: com o desenvolvimento do sistema GPS, existirá uma central metropolitana capaz de monitorar em tempo-real o fluxo de veículos por todas as ruas da cidade. Portanto, em um futuro próximo, será possível que você, via eletrônica, envie seu trajeto do dia seguinte à Central Metropolitana de Tráfego, dizendo a hora e onde será seu compromisso. Essa Central captará as programações de TODOS os veículos cadastrados e, mediante um programa com base no GPS, poderá traçar trajetos e ditar ritmos (velocidade) para cada um daqueles veículos, incluindo a integração com todos os temporizadores de semáforo por onde cada veículo passar!  Você receberá, via celular, uma mensagem dizendo a que horas você deverá iniciar seu trajeto (cronometricamente avaliado). Contudo, você já deve estar imaginando uma série de “furos” nesse sistema: e se o cara decidir comprar um pãozinho na padaria? E se houver um acidente? E se o indivíduo decidir sair 5 min antes? Todavia, já existem atualmente em vários veículos sistemas eletrônicos capazes de avaliar a distância entre o seu veículo e aquele à frente e atrás. Hum, assim sendo, se todos os veículos forem acionados e controlados pelo programa eletrônico justamente enviado pela Central de Tráfego, você poderá ser um mero passageiro do seu próprio veículo: o trajeto e o ritmo/velocidade será estabelecido pela Central e a direção controlada pelo sistema autônomo do veículo, que em tempo real calculará a distância do carro à frente e atrás, evitando acidentes. Quero salientar que todos os veículos circulantes estarão integrados e sob controle em tempo real, de modo que ultrapassagens, mudanças de faixa e, inclusive, gentilezas (na concessão de espaços, na travessia de pedestres, etc) serão automatizadas. Você entrará em seu carro no horário determinado pela Central, poderá fazer outras tarefas (ou simplesmente dormir) e chegará sempre no horário. Obviamente, esse sistema funcionará infinitas vezes melhor se tivermos transporte público setorizado – veículos de transporte de massas com saídas de regiões estratégicas da cidade – e igualmente integrado nesse sistema. Multiplique por 1000 a funcionalidade do sistema se todos os veículos forem elétricos e com aqueles dispositivos de reaproveitamento de energia disperdiçada durante frenagens.

Pode parecer loucura ou até utopia do seu editor aqui, mas não é! Há base científica para toda essa teoria! Sabe onde? Nas comunidades de formigas! Vários pesquisadores de comportamento social e biólogos estudam a vida social das formigas para tentar criar modelos de vida urbana humana. Pense: as formigas habitam nosso planeta há milhões de anos. São, portanto, milhões de anos de evolução, adaptação e sucesso na prosperidade da espécie. São justamente essas, as pesquisas mais “quentes” atualmente na área social!! Por favor, reveja todas as informações postadas aqui anteriormente e pense na vida coletiva das formigas. Perceba como os modelos poderiam ser aplicados! Hahaha, essa você não esperava, né? Um abraço.

6 respostas para “Formigas-robô”

  1. Tati disse:

    Nossa essa matéria é um obra de arte, muito bem escrita, parabéns!
    Diria que é um pouco “Eu Robô” e muito utópico, pq não estamos considerando guerras, monopólios, corrupções, vandalismo, e muitos outros viéses do comportamento humano.
    Porém, concordo seria ótimo, incrível e impressionante.
    Vc só esqueceu de uma coisa sobre as formigas: elas são fêmeas! Todas as operárias são fêmeas estéreis que trabalham pela rainha. Poucos macho são gerados e todos se reproduzem com a rainha. Parece bobo comparar, ou até sexista, mas uma sociedade que envolve relacionamentos de conquista está embasada na competição. Para encontrarmos o melhor par para reproduzirmos, competimos, queremos os melhores bens de consumo para ostentar status. Ou ainda bens culturais, bens cosmopolitanos, bens para nos provarmos melhor que nossos competidores e conquistar o alvo. Bem, nesse ponto eu não quero abrir mão de competir, e vc?

    • Marcelo Barros disse:

      Uau, obrigado Tati!
      Fico feliz que vc tenha gostado do tema. Vc apresentou um ponto bem interessante tbém: a competitividade feminina (inerente ao gênero, pelos indícios encontrados em todas as espécies). Desta forma, o gênero feminino busca as melhores chances de prosperar seus genes e gerar uma prole mais vindoura, escolhendo obviamente para isso, o macho que poderá melhor oferecer as condições para tal. São resolutas, embora a insegurança nas decisões – por ponderarem extensivamente as inúmeras variáveis – seja tbém uma marca estrogênica. Hum, na verdade, isso seria um tema para uma próxima matéria… rs.

  2. Cris Vardaris disse:

    Ainda é muito cedo, mas acho que já é um breve começo para tudo o que vc discutiu: em SP os ônibus que circulam pelos corredores específicos agoras estão equipados com GPS e informam aos usuários com “exatidão” o horário de seu etinerário.No Nordeste, as escolas municipais forneceram uniformes aos alunos equipados com chips, que avisam aos pais o horário e saída do aluno da escola. Quem sabe em um futuro próximo não teremos a mesma excelência em outros serviços? abraços

    • Marcelo Barros disse:

      Obrigado pelos comentários Cris
      È verdade, esses são prenúncios dessa modernidade que avança muito rápido. Se vc pensar na conquista tecnológica da Humanidade nos últimos 20 anos em relação ao século anterior, poderá perceber. Avança em escala geométrica! Um abraço

  3. Camila disse:

    Eh um texto um pouco assustador, muita modernidade! Tenho muito medo de como a humanidade lidara com isso…

  4. Marcelo Barros disse:

    OLá Camila, obrigado pelo post.
    Exatamente, conciliar a modernidade e seus itens que tornam existência humana mais confortável, dinâmica, produtiva e saudável com a própria Humanidade (no sentido das interações interpessoais, caridade, fraternidade, etc) parece ser o grande desafio do futuro. A espécie Homo sapiens sapiens deve continuar sendo a espécie “humana” ;)

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