Ontem, resolvi como quem não quer nada, acessar a pasta spam do meu e-mail. Para quem não sabe o que é, spam é o nome dado aos e-mails indesejáveis do dia a dia. O termo foi empregado pela primeira vez em 1937 para denominar a gororoba enlatada dos soldados aliados da Segunda Guerra Mundial. No Brasil, o envio de spam não é proibido, mas corre em discussão no Senado projeto de lei para regulamentá-lo.

Em minha incursão pelo submundo dos spams encontrei de tudo: e-mails de compra coletiva, propagandas de supermercados, newsletters, correntes de fé e até um inusitado anúncio: “Compre seu Viagra pela metade do preço. Só hoje”. Devo declarar que esta não foi a primeira vez que recebi mensagens do tipo e nem tampouco sou a única a ter tal privilégio. Ao ler o e-mail em questão, encontrei informações precisas sobre contraindicações, posologia, efeitos esperados e claro, formas de pagamento. Ok, compreendo que o e-mail se tornou uma ferramenta para lá de eficiente na conquista de futuros clientes. Mas daí dispará-los sem nenhum critério já é demais. Será que o autor de tal campanha nunca ouviu falar em comunicação dirigida ou marketing direto? Nesse caso, a simples identificação do gênero do destinatário já seria oportuno, não é mesmo?

Redes sociais como o Facebook já trabalham com alternativas muito mais rentáveis e criativas. Você já deve ter percebido que basta alterar algum dado de seu perfil para se deparar com um anúncio que, supreendentemente, faz todo o sentido para você naquele momento. Para exemplificar, quem altera o status de solteiro para relacionamento sério, logo vê uma propaganda sorrateira de vestidos de noiva ou alianças surgindo no canto direito da tela. Esta estratégia pode ser o convite VIP do Facebook para ingressar na Bolsa de Valores com ações que somam no total US$100 bilhões de lucro.

Há muito tempo escutei a palestra de um influente publicitário que cai como uma luva nesta situação. Ao valorizar a eficácia das ações de marketing segmentado em detrimento às ações de comunicação de massa na atualidade, o palestrante se utilizou de uma analogia, no mínimo, interessante. Segundo ele, caso alguém atire várias bolinhas em sua direção a probabilidade de segurar ao menos uma será remota, em contraponto, caso alguém atire apenas uma bolinha em sua direção, será muito mais fácil apanhá-la prontamente.

O e-mail do Viagra desconhece a sábia filosofia das bolinhas, aposta na quantidade e não na qualidade e vive renegado ao submundo dos spams até que alguém o resgate a fim de consumi-lo ou simplesmente questioná-lo em um blog.

Inté!

7 respostas para “O spam e a filosofia das bolinhas”

  1. Ricardo disse:

    Parece que não sou o único a receber e-mails do tipo. Já está mais do que na hora de demonstrarmos nossa intolerância a eles. Inté!

  2. Karina disse:

    Valeria a pena observar países que estão mais avançados nesta discussão, como Portugal. É preciso desenvolver legislação urgente para estes casos e também para o recebimento destas pragas via celular.

  3. Helena disse:

    Não tem e-mail mais chato de receber do que spam, né? Huashuasha. Nunca comprei alguma coisa porque li o spam.

    O spam não faz o consumidor se interessar pelo produto, ao meu ver. Ao contrário, parece até uma falta de respeito com o consumidor que sempre é bombardeado com esses e-mails indesejáveis.

  4. Eu tenho mania de sempre abrir minha caixa de SPANS … É uma verdadeira caixinha de surpresas…
    Muito interessante a filosofia das bolinhas.

    Adoro seus textos Regina :)

    Abraços

    • Regina Tavares disse:

      Então, encontrei alguém que sofre do mesmo mal (acessar a caixa de spams), hein?! Agradeço o comentário e continue acessando nosso blog. Um grande abraço!

  5. Fabio Takeo Sato disse:

    Quantos spams são necessários para vender US$100 de Viagra? O número é de 12.5 milhões de spam.

    Mais no site do gizmodo.

    http://www.gizmodo.com.br/conteudo/quantos-spams-sao-necessarios-para-vender-us100-de-viagra/

  6. O marketing direto por e-mail ainda está longe de ser a melhor ferramenta alavancar as vendas de produtos ou serviços.

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