A CAIXA PRETA

01/nov/2011

Já reparou como a convergência tecnológica tem se apresentado na mesma proporção que a convergência de conteúdo? Eu explico. De pensadores como Marshall McLuhan à gênios pragmáticos como Steven Jobs, a promessa de que uma caixa preta abrigaria todas as funções tecnológicas de o admirável mundo novo da tecnologia persiste em nosso imaginário. Entretanto, olho para a estante da sala de estar e me espanto com a quantidade de equipamentos – inúmeras caixas pretas – que divergem entre si, em meio ao emaranhado de fios e conectores. Numa olhadela desatenta, dá para identificar TV, receptor de sinal de TV a cabo, DVD, aparelho de som etc.

Obviamente, o computador e o celular são páreos duros neste ringue, afinal abrigam bem mais do que a função que deu origem as suas respectivas criações. Observe o celular, faz tanta coisa que até esquecemos sua função primitiva: realizar ligações.

Mas para continuar com a tese de que a convergência tecnológica é bem mais um processo cultural do que outra coisa qualquer, basta conferir observações simplistas. Vejamos no campo midiático: o conteúdo produzido pela mídia e, porque não dizer pela cultura em geral, tem sido intencionalmente destinado ao compartilhamento dos mais diversos equipamentos. Observe o último lançamento de uma saga heroica estilo Homem-Aranha, para entender do que falo. O lançamento do filme jamais é desacompanhado; a cerca deste, temos HQs, brinquedos, games, desenhos animados, livro com a publicação do roteiro original do filme etc. Para completar o percurso do Homem-Aranha pela sociedade moderna, blogs e microblogs inundam o universo cibernético para compartilhar a trilha sonora do filme ou, apenas, discutir o futuro do personagem.

A TV também se rendeu à convergência de conteúdo com a implantação das mil maravilhas prometidas pela TV digital. Já é possível acessar a classificação do Campeonato Brasileiro enquanto se assiste ao jogo do seu time. Quer outro exemplo de convergência de conteúdo na telinha? Qualquer emissora hoje em dia tem um programa interessado na apresentação dos vídeos de maior acesso no youtube.

Até a produção literária, de qualquer ordem, pode render uma versão tradicional impressa, um e-book, um áudio-book e, quiçá, ganhar o cinema, no ano seguinte ao seu lançamento.

Parece que além da convergência tecnológica ocorrer em algumas caixas-pretas por aí, o cérebro engenhoso do ser humano ganhará o título de verdadeira caixa preta da convergência cultural. Quem saberá o que podemos imaginar para um futuro que, há tempos, já chegou?

Inté!

9 respostas para “A CAIXA PRETA”

  1. André Luiz Machado disse:

    Oi Regina,
    sou aluno do Latu Sensu em Ensino de Física, e recebi seu artigo via Face.; gostei do seu artigo:abordagem clean, simples e direto.
    Realmente há muito mais o que se pensar e usufruir na interação tecnológica do que minha vã filosofia pudesse questionar.

    Vc me faz refletir sobre uma ferramenta que me vende uma imagem Titânica: o Google. Ele é a maior interação gadgetiana On time! Será que puderíamos interagir sem ele?
    Ele seria uma caixa preta ou um buraco negro onde tudo converge nele sem escapatória? pense nisso. Um grande abraço.

  2. Helena Gasques disse:

    Impressionante essa trajetória tecnológica… Se pensarmos nos anos 50, as TVs em preto e branco, pesadas e com acesso a poucos canais… E agora, a TV digital, o celular com TV, facebook, messenger.. Poxa, quanta coisa mudou.
    Obviamente, tudo tem seus prós e contras. Mas ainda sim, fico feliz pelo avanço da tecnologia. Não vejo isso como algo ruim, muito pelo contrário. Acredito nas inúmeras vantagens que a tecnologia traz.

  3. Antonio disse:

    Sou do tempo que ninguém imaginava a criação de um telefone móvel. Quando criança, íamos assistir TV na casa de nosso vizinho, o único cidadão que possuía uma tevê em casa, naqueles tempos.
    Ficávamos impressionados com os desenhos inocentes, seriados de super heróis. Com histórias tão simples e ao mesmo tempo, tão marcantes para nós.

    Hoje, nos deparamos aí com tecnologia. Acessível para bilhares de pessoas, não apenas para pouquissimos, como quando eu era pequeno.

    Devo dizer que mesmo adorando o tempo que nao existia todo esse avanço, também me impressiono positivamente com as mudanças e inovações dentro do contexto tecnológico.

  4. elizabeth costa disse:

    viva a tecnologia!!!!
    se alguem me visse falando isso acharia bem estranho, já q sempre fui uma pessoa pouco adepta a tecnologia, mas me rendi a essas caixas pretas…

  5. danilo cardoso disse:

    Imaginar uma caixa preta para armazenar toda convergência tecnológica hoje em dia chega até ser um pensamento limitado e ao mesmo visionário em algumas décadas, por exemplo há 30 anos atrás era um pensamento deste era um sonho intangível inalcançável, hoje com aparelhos que funcionando com um “cérebro eletrônico” chamado processador que contém uma “BIOS” (Base de Bancos de dados em linha de comando que funciona o pensamento, em vez de impulsos elétricos mandando uma ordem ao corpo são códigos numéricos e de listas de frases que fazem computadores, celulares funcionarem entre outros aparelhos modernos) nos fazendo esquecer a finalidade primária para que estes foram criados não é uma crítica mas é o preço que pagamos pela evolução do pensamento, comportamento social, e a tecnologia moldando novas praticidades abandonando o rea l intuito para a criação

  6. Tati disse:

    Este texto me fez lembrar do desenho da familia Jatson de quando eu era criança, tudo parecia tão “impossível” de acontecer… mas muitas das coisas que apareciam por lá, hoje são reais. E o filme “De volta para o futuro” que criava o século 21, na época era tudo muito irreal.

  7. “Vi coisas que vocês nunca imaginariam! Naves de ataque em chamas nas bordas de Orion…O farol cintilar no escuro no Portal Tanhauser…Todos estes momentos perdidos para sempre…Hora de morrer…”
    Assim como em Blade Runner, a tecnologia está se integrando cada vez mais ao ser humano, e os homens ficando mais preguiçosos e dependentes dela.
    A revolução tecnológica nos trouxe, à velocidade de um toque, um mundo de informação e conhecimento, maior do que toda a produção literária já realizada, mas nos tornamos preguiçosos e mal acostumados, usando estas informações de forma banal e pífia.
    A convergência tecnológia serve comoum atalho, um facilitador, para auxiliar o homem em sua busca de “iluminação”, mas preguiçoso, o homem relegou a ela a responsabilidade de ser a base, e não oapoio para esta nobre função.
    Usamos a tecnologia de forma pueril, irresponsável, vide a internet, dotada do maior conteúdo cultural da história, e utilizada como fonte de vídeos toscos, busca de pornografia e fofocas.
    Parecemos os primatas de “2001″, tentando entender o monolito negro.
    De nada serve uma tecnologia como a que temos, se não usada como deve ser.
    É por isso que a ficção mostra, muitas vezes as máquinas dominando os homens…E a SkyNet está logo aí, esperando pacientemente…Em um não tão admirável mundo novo.

  8. Kaká disse:

    As evoluções da atualidade têm nos levado a descobertas fascinantes. Traga mais textos sobre tecnologia, é fundamental debatermos.

  9. Will Moura disse:

    Que conceito interessante, ainda não havia ouvido falar sobre ele

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