CARGA PESADA

19/out/2011

Segundo o cálculo de especialistas, a carga tributária brasileira deve fechar o ano em 36,5% do Produto Interno Bruto. Trata-se de um recorde histórico e, até certo ponto, surpreendente, dado o desaquecimento da economia. Mesmo considerando os efeitos da crise econômica internacional na produção industrial e no consumo, houve um aumento real de 10% na arrecadação de impostos. Trocando em miúdos (ou em graúdos), isto significa que nossos governantes, lotados nas diversas esferas administrativas da máquina pública, já gastam na casa do trilhão os recursos tomados do nosso suado trabalho. Aliás, a notável marca de 1 seguido de doze zeros foi atingida bem mais cedo este ano, dia 13 de setembro. Quem quiser pode acompanhar a evolução da arrecadação pelo site do impostômetro, mas já aviso que dá uma certa angústia assistir à velocidade crescente dos números.

O governo, por sua vez, não satisfeito com essa receita extraordinária, insiste em ampliar ainda mais seus ganhos por meio do aumento de alíquotas ou da criação de novos tributos. É o que se pretende agora com a ideia de recriação da famigerada CPMF, para financiar os gastos com saúde. O curioso é que a CPMF vigorou por exatos 14 anos sem que tenha havido melhora significativa no atendimento. É flagrante a ineficiência com que a saúde pública é administrada no país. Para ficar em apenas um exemplo, basta lembrar a recente reportagem do programa Fantástico, que denunciou a existência de 1.500 ambulâncias novinhas em folha, mas paradas, sem utilização. Ou seja, o Estado é bastante competente na arrecadação, mas nem tanto na gestão dos recursos públicos.

Além disso, o sistema tributário brasileiro é extremamente injusto porque taxa mais quem pode pagar menos. A maior carga de impostos incide sobre o preço dos produtos, inclusive os de primeira necessidade, tais como remédios e alimentos. Como a população mais pobre compromete a maior parte dos seus rendimentos (quando não a totalidade) com o consumo, paga mais impostos. Já as camadas mais abastadas da sociedade, que reservam boa parte da renda à poupança (investimentos, aplicações financeiras, etc.), pagam, proporcionalmente, menos impostos. O sistema ainda mina a competitividade das nossas empresas, não só pela carga pesada, mas também por submetê-las a um verdadeiro cipoal de códigos, normas, instruções e leis que impõem um custo administrativo altíssimo em horas de trabalho.

Em função de tudo isto, empresários de segmentos variados, profissionais liberais, trabalhadores e economistas se reuniram em torno do Movimento Brasil Eficiente e elaboraram uma proposta de Reforma Tributária que, em linhas gerais, objetiva simplificar e racionalizar a complicada estrutura tributária, diminuindo a carga de impostos e melhorando a gestão dos recursos. No site do Movimento, há vasto material sobre o assunto entre artigos, notícias, vídeos e curiosidades como a diferença de preço de diversos produtos no Brasil e no mundo. Se você também está indignado com esta situação, assine o abaixo-assinado por menos imposto e mais eficiência em nosso país.

7 respostas para “CARGA PESADA”

  1. Márcio Honorato Marques disse:

    A Reforma Tributária vem desde 1995 tentando se sobrepor aos diversos improvisos isolados a respeito de impostos e tributos que são assistidos por todos nós. Não é tão difícil entender que se houver um sistema de impostos que distribua a despesa tributária de modo mais igualitário, as empresas terão seus custos reduzidos e consequentemente poderão aumentar a oferta de empregos, formalizando cada vez mais os postos de trabalho. Sendo assim poder-se-á elevar o poder aquisitivo da população e ao mesmo tempo permitir que o governo mantenha ou até aumente a sua arrecadação. Os políticos de modo geral parecem que não se importam muito com isso, talvez não visualizem resultados no longo prazo e sim imediatamente. Não tem outro jeito, reforma conjuntural é igual a resultado de curto prazo e reforma estrutural é igual a um resultado de longo prazo!

    • Renato Padovese disse:

      Caro Márcio,
      Podemos citar também a alta carga tributária que incide sobre a folha de pagamento. É um tremendo desestímulo para a geração de empregos. Um abraço,
      Renato.

  2. Vivian Assis disse:

    Realmente o Brasil tem a maior carga tributária do mundo, tanto dinheiro que circula pelo país e o país não se desenvolve, algo está errado, porque com tanta arrecadação, o Brasil já era pra ser país de primeiro mundo.

    • Renato Padovese disse:

      E não é só isso, cara Vivian. Além da carga tributária gigantesca, podemos citar também a imensa estrutura que as empresas precisam manter para pagar os tributos e a natureza dos impostos. Por exemplo, impostos sobre o faturamento. A empresa nem teve lucro ainda é já tem que recolher tributos. Ou, pior ainda, nem recebeu o dinheiro e tem que pagar o governo. Nosso país, jamais surgiriam empresas como Microsoft, Google, Facebook, etc. Um abraço,
      Renato.

  3. Vanda Maria Martins Oliveira disse:

    Uma vergonha! Plagiando com todo o respeito o nosso Boris Casoy.
    O governo deve rapidamente baixar sua carga tributária e assim para que os grandes paguem valores justos as suas transações financeiras. Com igualdade empregos serão gerados e automaticamente o consumo aumenta virando um circulo virtuoso e compensatório.

    • Renato Padovese disse:

      Vanda, concordo com você. Uma reforma tributária que desonere todo o setor produtivo e não alguns poucos escolhidos como ocorre hoje. Enquanto isso, dá-lhe Boris Casoy! Um abraço, Renato.

  4. ROSA GRECO disse:

    Precisa ser dado um basta nisso, temos que parar de aceitar tudo da maneira como eles querem. A arrecadação de tantos tributos não nos traz retorno na saúde, na segurança e muitas outras áreas que estão precárias, merecemos uma vida digna e temos que cobrar o retorno de tanto tributos arrecadados se somos nós que elegemos, nós é que devemos decidir o que deve acontecer com cada politico corrupto que por sinal foram muitos e acabou tudo em pizza.

Deixe uma resposta

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS