Em nosso último post tratamos do Renascimento nas artes, excelente pretexto para trazermos à tona um dos maiores expoentes desse período: Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Caprese, *1475 - Roma, +1564), mais conhecido como Michelângelo. Entre os seus maiores feitos, sem dúvidas, está a Capela Sistina. Para acessá-la, em Roma, é preciso percorrer, ao menos por 30 minutos, o extenso acervo do Museu do Vaticano. Após um sobe-e-desce sem fim de escadas e longos corredores repletos de preciosidades como as artes greco e romana antigas, finalmente adentra-se a Capela Sistina para disputar, com centenas de turistas, uma posição privilegiada para observar os detalhes de uma obra monumental. Dá-lhe torcicolo, devo confessar. Mas vale a pena.

A Capela Sistina tem esse nome por causa do Papa Sisto IV e foi erguida em 1473. No ambiente é possível notar a presença de outros grandes artistas da época, tais como: Botticelli, Roselli, Signorelli, Guirlandaio e Perugino. Nas laterais, pintadas entre 1481 e 1483, observa-se episódios paralelos às vidas de Moisés e Cristo. Apesar da beleza de tais afrescos, o toque de Michelângelo rouba a cena. Entre 1508 e 1512, a pedido do Papa Júlio II, Michelângelo criou o teto da Capela com episódios como A Criação de Adão e O Pecado Original. Temas dos Antigo e Novo testamentos também podem ser contemplados.

A superfície superior da Capela Sistina foi dividida em áreas, nas triangulares há as figuras de profetassibilas; nas retangulares, os episódios do Gênesis. Como imagens de fundo, temos:

. Deus criando o Sol e a Lua;
. Deus separando a Luz das Trevas;
. Deus separando a terra das águas;
. A Criação de Adão (a mais famosa, vide abaixo);
. A Criação de Eva;
. O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso;
. O Dilúvio Universal;
. O Sacrifício de Noé;
. Noé Embriagado.

Duas décadas depois, entre 1534 e 1541, Michelângelo terminou a decoração da Capela ao acrescentar o Juízo Final na parede do altar. A visão é de arrepiar os mais céticos diante das almas que enfrentam o julgamento de Deus e das que foram condenadas ao inferno. Nesta última empreitada, Michelângelo não teve piedade e sacrificou alguns afrescos de Perugino, anteriores a sua obra.

Na época, Michelângelo dispensara os assistentes que havia contratado por julgar o trabalho dos mesmos, insuficiente. Alguns estudos apontam que Michelângelo se sentiu um tanto contrariado em aceitar o desafio da Capela Sistina, tendo em vista sua maior afinidade com o universo da escultura e não da pintura. Para atestar seu talento nesta área basta recorrer a obras monumentais como Pietá (1499), criada com maestria quando o artista tinha apenas 25 anos e David (1501-1504), sua maior escultura.

No livro Segredos da Capela Sistina sugere-se que o artista tenha usado de criptografia e seus conhecimentos em textos judaicos e cabalísticos, contrários ao cristianismo, para atacar o Papa e defender aquilo em que acreditava. A visão atormentada do artista em relação à própria fé está presente na pintura do mártir São Bartolomeu, na qual Michelângelo se autorretratou. Parece impossível pensar que somente um homem tenha desenvolvido o que se tornaria um dos maiores tesouros da humanidade. Não é à toa, que ainda em Florença, Michelângelo fosse intitulado pelos seus pares como o Divino.

Ao visitar a Capela Sistina, vale saber que é proibido fotografar e que o silêncio é solicitado insistentemente. No link abaixo, você transita pela Capela em 3D, pelo tempo que quiser e ao som de cantos gregorianos. Se prepare para esta experiência sensorial. Inté!

Referências: Vaticano

11 respostas para “Michelângelo: o Divino”

  1. Karina L. disse:

    Oi, professora. Adorei o link, dá uma sensação de paz! Valeu pela dica, já salvei nos meus links favoritos…

  2. Tato disse:

    Não consigo olhar para A criação de Adão sem compará-la à cena clássica de o ET de Steven Spilberg. Obviamente, há outras comparações interessantes por aí, com a de neurocientistas que identificaram que o senhor de barba branca estaria, na verdade, em um dos córtex do cérebro.
    Link para entrevista destes autores no Jô: http://www.youtube.com/watch?v=GWsabAkkbD0

  3. Prof. tem um filme que retrata a construção da Capela Sistina que retrata exatamente o que você abordou no texto!

    Michelangelo contrariado pelo desafio e o sofrimento dele durante o período, porque ele se dedicou exclusivamente à obra.

    Muito bom… um dia eu vou lá pessoalmente e conto como foi ;)

    Bjos

    • Regina Tavares disse:

      Tive a experiência de visitar a Capela Sistina nas férias deste ano e foi surpreendente. Quero o nome do filme, hein?! Ah… se puder acesse no final do texto o link para ver a Capela em 3D. Um grande abraço!!!

  4. Adriano Henrique disse:

    Parabéns pelo post professora. Michelângelo foi um dos grandes artistas que o mundo conheceu. A Capela Sistina é incrível! Deu até saudade das minhas aulas de história no colegial haha

  5. Tatiane disse:

    Na minha humilde opinião o Deus representado por um Sr de barba branca nada mais é do que uma imagem construida pela sociedade ao longo de decadas como uma figura de autoridade e respeito. Nossa cultura não permite que nosso cerebro crie um Deus como um garotão de 25 anos, olhos azuis e corpo malhado… para mim é até engraçado rsrsrs.
    O link é muito bom, adorei!!!

  6. danilo cardoso disse:

    A representação do que ele acredita realmente é incontestável chega ser intrigante a forma que ele demonstra a sua fé em forma de arte parece até mesmo uma afronta aos costumes da época + o link é fantástico para refletirmos sobre isso

  7. Steph Fincatti disse:

    Só vendo pessoalmente para se ter a noção da grandiosidade e da vibe daquele lugar. Até uma “pedra” se emociona. Valeu pela dica do livro ;)

  8. Raul disse:

    Michelangelo foi mais do que um artista, um grande empreendedor, com uma visão incrível.

  9. Walter Junior disse:

    Realmente, Michelangelo é um gênio, antes de qualquer outra coisa, daqueles que raramente aparecem.

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